domingo, 19 de setembro de 2010

A opinião pública somos nós


"Nós somos a opinião pública e nós mesmo nos formamos”.Presidente Lula

A VEZ E A VOZ DE LULA E SUAS REVERBERAÇÕES

“A ‘oposição’, não essa essa galeria patética de ambiciosos, torpes e imprestáveis políticos que peleiam melhor entre si do que com seus adversários, são os meios de comunicação. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia.”

No trecho acima, de um texto publicado no Página 12 e na Carta Maior, José Pablo Feinmann analisa o poder midiático na Argentina. O que não é diferente no Brasil e talvez na maioria dos países do mundo. Mas as semelhanças ficavam aí, pois na Argentina, “CFK manejou a temática com precisão e com uma audácia” que, segundo ele, nunca vira em presidente algum. Enquanto que, ao menos no Brasil, acrescentaríamos, nunca houve esta atitude ante às tramas fascistas da mídia sequelada.

Em duas eleições, os golpes da mídia fizeram Lula despencar nas pesquisas e perder as eleições. O Partido dos Trabalhadores não abriu sequer um processo contra tais descalabros. Não adiantava enfrentá-los da coxia. Lula ganhou, apesar dos descalabros. Era preciso consolidar o governo. Veio a campanha da reeleição, e mais descalabros que levaram ao segundo turno. Lula ensaiou aqui e ali uma posição mais como afirmação de seu governo do que cobrança da lisura democrática da imprensa. Durante todo o segundo mandato, os descalabros foram constantes e intensos. Lula optou apenas em realizar um governo que tocasse mais ainda a grande maioria dos brasileiros que nunca tiveram contato com qualquer programa social do governo federal sem se preocupar com essas iniquidades.

Quer dizer, nem sempre foi bem assim. Às vezes, Lula, numa entrevista com uma Carta Capital, com uma Caros Amigos, quando solicitado, analisava lucidamente os descalabros. Mas somente agora, com a arremetida facínora da mídia contra Dilma, Lula resolveu usar sua voz contra a sequelada mídia, que culminou com o mais contundente discurso proferido até agora.

A importância do discurso proferido ontem em Campinas pode ser fundamental por duas questões. Primeiro, Lula sabe que a mídia não pode nada contra um governo genuinamente democrático – a primeira vez na História do Brasil – e apenas auxilia no seu declínio que a sequelada mesmo se encarrega de levar a bom termo, encontrando ele apenas um conceito para seus descalabros: “ilações”. Segundo, intencionalmente ou não, Lula abre a possibilidade para Dilma se irmanar com Cristina e, além de ser a primeira mulher presidenta do Brasil, vir a ser também a primeira a fazer a mídia, por sua falta de ética e incompreensão do que seja concessão e serviço público, responder por suas ilações.

De uma ou de outra forma, o discurso de Lula de ontem reverbera e vai reverberar que a mídia sequelada nada pode diante da inteligência, o humor, a suavidade e a potência do Sapo Barbudo.

Veja só alguns trechos:

“Eu queria pedir para você Dilma e para você Mercadante, não percam o bom humor, deixa eu perder. Eu já ganhei. Se mantenham tranquilos porque outra vez nós não vamos derrotar apenas os nossos adversários tucanos, nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partido político e não tem coragem de dizer que têm partidos políticos, que tem candidatos que não tem coragem de dizer que candidatos, que não são democratas e pensam que são democratas. Democrata é este governo que permite que eles batam.”

“Tem dia que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu o seu jornal ou o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que eles estão escrevendo exatamente neste momento. E eles falam em democracia. A democracia que eles não suportam é dizer que a economia brasileira vai crescer mais de 7% neste ano.”

“Não sou eu que vou censurá-los, é o telespectador, é o ouvinte, e é o leitor que vai medir aquilo que é mentira e aquilo que é verdade. Essa gente da imprensa não me tolera. É por isso que essa gente, mesmo lendo nas pesquisas de opinião pública e vendo que tem apenas 4% que acham o governo ruim e péssimo. Deve ser na casa do Serra e na casa do Alckmin. Essa gente não tolera.”

“O que eles não se conformam é que um metalúrgico fez mais universidades que todos os presidentes elitistas que passaram por este país e geramos quase 15 milhões de empregos com carteira profissional assinada. O que eles não se conformam é que os pobres não aceitam mais o tal do formador de opinião pública. Eles não se conformam é que os pobres estão conseguindo enxergar com os seus olhos, pensar com a sua cabeça, pensar com sua consciência, andar com as suas pernas e falar com sua boca. Não precisam do tal de formador de opinião pública. Nós somos a opinião pública e nós mesmo nos formamos.”
Transcrito do Afinsophia
Uma homenagem

1 comentários:

Maria,viajante do Universo de passagem pelo planeta Terra disse...

Imprensa amanhece amedrontada
Os jornalões amanheceram acuados nesta terça-feira. Só agora digeriram o discurso de Lula que atacou frontalmente a imprensa de oposição. Colunistas fingem não entender porque Lula mostrou-se tão revoltado. O nome Chávez apareceu em toda parte. Miriam Leitão, que já esteve na Venezuela algumas vezes e entrevistou Chávez, lembrou que o bolivariano começou atacando a imprensa, mas esqueceu de informar seus leitores que os jornais atacavam Chávez com uma violência doentia, usado termos chulos e racistas. Eu acompanhava os jornais venezuelanos; era algo simplesmente assombroso. E depois houve o golpe, articulado pela imprensa, sustentado pela imprensa, e com quase todos os jornalistas mancomunados com a ditadura que se tentou implantar.


http://oleododiabo.blogspot.com/2010/09/imprensa-amanhece-amedrontada.html