Machismo e racismo nas corporações
O levantamento voluntário, denominado “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas”, enviou questionários às 500 maiores empresas segundo ranking do anuário “Melhores e Maiores 2009″, da revista Exame.
De 1.162 diretores, há somente 119 mulheres executivas, o que corresponde a 13,7% do total dos executivos nessas empresas. Para acirrar ainda mais a disparidade, somente 6 mulheres – ou seja, 0,5% dessas mulheres – são negras ou pardas. No caso dos homens negros, apenas 5,3% são executivos nessas grandes empresas.
Segundo as notícias com os links acima, onde se pode colher números mais detalhados, a pesquisa tem como objetivo dar bases às corporações e ao poder público para combater a baixa presença de negros e mulheres nas empresas. “Esses estudos podem aproximar as empresas dos movimentos que estão acontecendo na sociedade. Queremos incentivar a criação de políticas afirmativas”, afirma o presidente do Ethos, Jorge Abrahão.
No entanto, pela posição dos presidentes das empresas, vê-se que não é tarefa fácil. A grande maioria dos presidentes, 85%, vê como normal – para não dizer natural – a representatividade das mulheres e dos negros no cargos executivos e até tentam justificar essa realidade.
Segundo eles, a baixa presença das mulheres e dos negros se dá devido a “falta de qualificação, ausência de interesse e de experiência. As mulheres são preteridas, na visão de 49% dos presidentes, por falta de conhecimento da empresa para lidar com as responsabilidades. Em relação a negros, 61% dos presidentes avalia que falta qualificação profissional”.
O ignominioso preconceito aparece bem ao se saber, pela pesquisa, que “as mulheres têm um número médio de anos de estudo superior ao dos homens (7,4, ante 7, respectivamente) e são maioria entre os brasileiros que atingiram pelo menos 11 anos de estudo”.
Por sua vez, Paulo Itacarambi, diretor-executivo do Instituto Ethos, percebe que “não há disposição para mudanças” e que “falta interesse de ações afirmativas para reverter o quadro (4% e 3% para mulheres e negros, respectivamente)”. “Segundo o estudo, 62% das empresas não têm nenhuma medida de incentivo à presença de mulheres em cargos de direção. Apenas 4% possuem ações nesse sentido planejada. O estímulo à participação dos negros tem um quadro ainda pior: 72% das empresas não tem nenhuma medida, enquanto apenas 3% têm metas específicas.”
Para Jorge Abrahão, “a desigualdade racial existente no universo corporativo resulta de uma questão cultural e da falta de ações afirmativas”. Ele cita o estabelecimento de cotas como uma possibilidade para as empresas irem revertendo esse nefasto quadro que demonstra todo o preconceito racista e machista ainda existente no Brasil, mesmo quando vemos um negro Obama, tornar-se o presidente dos Estados Unidos e, aqui mesmo no Brasil, termos recentemente elegido a primeira presidenta de nossa história.
Só os homens brancos estão contentes com a representatividade de mulheres e negros nas grandes empresas.
Fonte:Afinsophia Tweet
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