sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Bolsonaro diz: "LGBTs não me aceitaram lá"





Bolsonaro diz: "LGBTs não me aceitaram lá"


Ana Cláudia Barros e Eliano Jorge no TerraMagazine


O deputado federal Jair Bolsonaro, do PP-RJ, foi desconvidado depois de ter uma palestra confirmada no 8º Encontro Baiano de Direito Penal, agendado para 14 e 15 de outubro, em Salvador. Seu tema era "Proposta de Política de Prevenção ao Homossexualismo" (sic).
- Pelo que fiquei sabendo, o grupo LGBT da Bahia não aceitou minha ida para lá. Fui convidado. Eu ia abordar essa nova proposta do governo, pulicada no Diário da União de 4 de julho, que trata do 2º Encontro LGBT em Brasília. São 800 homossexuais, têm que ser 60% do gênero feminino. Os assuntos tratados são do 2º Plano Nacional dos Direitos Humanos LGBT da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Estou começando a desenvolver esse assunto agora - afirma Bolsonaro.
Terra Magazine apurou que grupos de militância LGBT prometeram acionar o Ministério Público e pressionaram os organizadores a desistirem da presença do parlamentar. No evento, são estimadas 2 mil pessoas, que pagam até R$ 500.
- Seria a questão 'homofobia e a Justiça'. Apesar de o encontro ter outro assunto, me deram 40 minutos para levar esse tema avante porque é interesse de todo mundo, trata de currículo escolar - conta o deputado. - Está lá para o dia 20 de dezembro, pega todo mundo desprevenido. E já está pronto, é cota para professor homossexual, bolsa de estudo para jovem LGBT, estágio remunerado para eles, a inserção da temática diversidade sexual nos livros didáticos para o público infanto-juvenil. É um absurdo um negócio desse.
Ele não nega nem assume a autoria do título "Proposta de Política de Prevenção ao Homossexualismo" para sua palestra. Mas o aceita.
- Prevenção? O tema pode não ser muito politicamente correto, mas caberia. Porque, a partir do primeiro momento em que você divulga isso em escola de primeiro grau, essa carga toda que está aí, você estimula o homossexualismo, sim. E nenhum pai quer que o seu filho tenha esse tipo de matéria dentro da escola, mostrando para a garotada a partir dos 6 anos de idade que ser homossexual é normal, inclusive por livros em sala de aula e biblioteca. Eles criminalizam livros com características homofóbicas. O que é isso? Se, num livro, tiver um homem de calça, uma mulher de saia e uma criancinha do lado, tem que ter outra figurinha de dois homens, que são homossexuais, com outra criancinha para dizer que é normal.
Bolsonaro discorda de que foi o polêmico tema de sua explanação que gerou a mobilização contra ele.
- Não, esses caras sabem o que vou falar lá. Já fiz dois pronunciamentos na Câmara sobre esse encontro de homossexuais, durante quatro dias em Brasília. Eles sabem que vão perder essa briga comigo se esse tema chegar na mídia. Assim como a Dilma (Rousseff) se viu obrigada a recolher o "kit gay" lá do MEC, ela vai mandar suspender isso também porque é um absurdo.
Ele aposta no conservadorismo da sociedade:
- Eles perdem porque a opinião pública não está favorável a eles. Ninguém em sã consciência... Até homossexual, muitos falam comigo e são contra isso. Tem cara que fala pra mim, amigo meu: 'Sou homossexual. Isso é um absurdo, vai estimular a garotada aí'.
"Isso é charlatanismo"
Informado sobre o veto ao deputado Jair Bolsonaro no 8º Encontro Baiano de Direito Penal, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, inicialmente tratou a questão com cautela:
- Vivemos em uma democracia. Ele (Bolsonaro) tem todo direito de falar. Posso até discordar dele, não aceito o que fala, mas eu tenho o contraditório. As pessoas não devem ser proibidas de falar, desde que o assunto não seja discriminatório.
O tom do discurso, entretanto, mudou, quando Reis foi informado sobre o teor da palestra que o deputado pretendia proferir.
- A homossexualidade deixou de ser considerada doença desde o dia 17 de maio de 1990. Aí, sim, está dando uma de charlatão. Ele pode colocar seu ponto de vista. Pode dizer: "Eu não respeito os direitos humanos dos homossexuais". Tem o direito de falar isso. E eu tenho o direito de dizer que, segundo a Constituição Federal, ele está totalmente errado. Mas a partir do momento que usa de um poder que não tem e fala em fazer prevenção da homossexualidade... Ele entende de Exército, de ditadura - disse, indignado.
Para Toni Reis, foi acertada a decisão de retirar o nome do parlamentar do rol de palestrantes do evento.
- Tem que pedir a suspensão mesmo. É uma posição equivocada, anticonstitucional e incentiva a homofobia e o crime. Ninguém previne o "homossexualismo". Primeiro, está equivocada a palavra homossexualismo. Temos que ter o máximo de cuidado para não cercearmos a liberdade de as pessoas opinarem, mas também não podemos incentivar o preconceito. Assim como não posso incentivar o preconceito contra negros, mulheres, índios.

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