Moradora do Edifício Mauá, SP, diz: A nossa preocupação é isso aqui virar um Pinheirinho II
O Edifício Mauá, na região da Luz, Centro de São Paulo, ficou abandonado por 17 anos, quando foi ocupado em 2007 e hoje abriga 237 famílias.
O grupo já apresentou ao governo em Brasília um estudo detalhado de viabilidade de transformar o prédio em uma HIS - Habitação de Interesse Social, previsto dentro do Projeto Nova Luz. Mas o que está acontecendo, na realidade, é o contrário.
Faltando apenas 5 dias para o quinto aniversário da ocupação, o que daria o direito de permanência dos habitantes da Mauá, foi deferida uma liminar para reintegração de posse em favor dos proprietários, que não pagam o IPTU do prédio desde 1973, acumulando uma dívida de quase R$ 2,5 milhões.
Desde o dia 20 de março, os moradores da ocupação Mauá convivem com o risco de serem expulsos a qualquer momento, e como bem frisa a liminar, está autorizada a prática do "arrombamento e uso de força policial".
As famílias que moram na ocupação trabalham na região central e suas 180 crianças frequentam escolas e creches próximas. Ocuparam o prédio, tiraram o lixo acumulado por anos de desuso, transformaram um local abandonado em moradia, impediram sua demolição pelo projeto Nova Luz e pagaram pelo estudo de viabilidade. Estão defendendo seu direito à moradia. Agora a polícia pode transformá-las em mais uma ação de "limpeza" do Centro, conquistado quarteirão por quarteirão pela especulação imobiliária.
"Não queremos, não podemos e não devemos continuar sofrendo. Que as atrocidades praticadas pelo poder público em Pinheirinho não se tornem cenas do nosso cotidiano. Que a força e coragem dos moradores de Pinheirinho nos sirvam de exemplo.
Todos aqueles que almejam um mundo mais humano, juntem-se a nossa luta." (Carta aberta da Comunidade Mauá)
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
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