quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um guia rápido sobre a indústria do tráfico sexual. Ainda que seja pesado, você precisa saber disso

Um guia rápido sobre a indústria do tráfico sexual. Ainda que seja pesado, você precisa saber disso


Você está na maior vontade de saber tudo sobre a indústria do tráfico sexual em plena manhã? Provavelmente não: o comércio sexual global é uma daquelas coisas horríveis, problemas opressivos que são muito difíceis de se superar, não importa quanto documentários você já assistiu ou artigos que leu. É mais fácil se dissociar do sofrimento que não tem nada a ver com você. Mas uma reportagem da BBC lançada ontem explica os complexos problemas da indústria é necessário ser lida/assistida por todos.
Sabemos que o tráfico de seres humanos pode não afetar você pessoalmente e há muitas outras crises que precisam de sua atenção. Mas desde que esta indústria produz 32 bilhões de dólares com o tráfico de 800 mil pessoas ao longo das fronteiras a cada ano, a gente calcula que muitas destas mulheres (e homens) podem estar presos na sua cidade. Mesmo que você não possa vê-los, todos nós precisamos entender exatamente como este sistema opera, especialmente porque muitas pessoas contribuem com ele por não saberem que pagam para dormir com escravas sexuais.
É óbvio que a BBC trabalhou duro no trabalho de investigação “Trafficked: sex slaves seduced and sold” (Tráfico: escravas sexuais seduzidas e vendidas), mas é igualmente claro que o objetivo dos produtores é fazer um impacto sobre o consumidor médio, não nas pessoas que realmente são especializadas no assunto. A série é narrada em quatro pontos – “Cidade do Tráfico”, “Cidade do México”, “Bordéis de Wheels” e “John School” – e cada parte tem um vídeo-resumo seguido de um longo texto e quatro estatísticas explicativas. Depois de 20 minutos ou mais, você sente como se entendesse como o roteiro do sexo no mundo opera e o que está sendo feito – e o que não está sendo feito – para tornar as coisas melhores.
O início se dá em Tenancingo, uma pequena cidade do México onde, de acordo com a BBC , todas os 10 mil habitantes estão envolvidos ou tem o mínimo de informação sobre o roteiro do tráfico sexual. Estima-se que um em cada 10 pessoas da cidade seja traficante. Mulheres de famílias tradicionais que não receberam informações sobre sexo são cortejadas por cafetões de Tenancingo que apresentam suas enormes mansões enquanto prometem seu amor. Uma vez que elas são estupradas, elas ficam não só chocadas como culpadas, o que faz com que seja difícil com que elas escapem. “Não confie em um homem. Não deixe que ele minta para você. Não acredite em todas as coisas bonitas que ele lhe diz”, conta uma ex-escrava à BBC.
Em seguida, Cidade do México é o centro das atenções, onde conhecemos Maria, que foi sequestrada para o roteiro do sexo quando tinha 17 anos. Ela agora vive em um abrigo de mulheres e treina para ser jogadora de futebol. Enquanto ela se considera uma das “sortudas”, ela não tem fé nos funcionários do governo já que foi abusada sexualmente por um dos oficiais da imigração que a resgatou. Embora existam 100 mil latino-americanos que sofrem com o tráfico na fronteira por ano, havia apenas 47 processos na Cidade do México em 2010. Desses apenas quatro criminosos do tráfico foram condenados.
Depois, conhecemos os traficantes e seus cativos da Arthur Avenue no Queens, em Nova Iorque, onde pessoas podem encomendar os chamados “cartões de chica”, que são na maioria das vezes disfarçados como vans de delivery de flores ou chocolates, mas na verdade linkam vendedores a motoristas que entregam mulheres na sua porta. Às vezes, os próprios motoristas organizam festas caseiras, chamadas de estupros em gangue, ou jogam colchões na parte de trás de suas vans para fazer com que as coisas corram mais suavemente. A idade média das vítimas é de 14 a 19 anos. Elas devem atender de 25 a 30 clientes a cada 10 horas. Bordéis pagam em torno de 5,25 dólares pelas mulheres por semana.
A última parte – “John School”, ou a Escola de John – é mais confortadora. Um promotor do Brooklyn dirige uma escola para homens que foram presos comprando sexo e eles podem aprender sobre as mulheres com quem eles pagam para dormir. O objetivo é reduzir a demanda de prostituição e convencer homens que a ignorância não é desculpa para contribuir com esta indústria. “Eu era descartável para você!”, grita uma ex-trabalhadora do comércio de sexo para os homens em uma palestra. “Vocês querem agir como se não fossem parte do sofrimento de toda a comunidade por causa de seu comportamento”. Alguns disseram à BBC que as aulas foram “uma revelação”, assim como um homem que disse “eu realmente não pensava que isso era um grande problema para o País, mas agora eu sei que este é o ponto, a única coisa que eu posso fazer é repetir estas palavras e evitar que outras pessoas entrem em encrencas como esta”.
Você vai se sentir maravilhoso após ler e assistir a reportagem da BBC? Claro que não. Você continuará se sentindo uma merda e indefeso, uma vez que a campanha Kony 2012 somente fez o espectador se sentir bem sobre si mesmo para compartilhar e comprar uma camiseta. Mas educação ou seja lá o que a “John School” signifique – quebrando as mais complicadas, depressivas e problemáticas questões com produtos bem pensados e produzidos – é o único caminho garantido para trabalhar no caminho de uma solução.

Jezebel

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