sábado, 14 de julho de 2012

Arábia Saudita repudiada por não enviar mulheres às Olimpíadas

Arábia Saudita repudiada por não enviar mulheres às Olimpíadas



Arábia Saudita Arábia Saudita repudiada por não enviar mulheres às OlimpíadasDoha, Catar, 13/7/2012 – O Comitê Olímpico Internacional (COI) iniciou conversações com a Arábia Saudita depois que a organização Human Rights Watch (HRW) pediu que esse país fosse proibido de participar dos Jogos Olímpicos de Londres por considerar que discrimina suas atletas. A HRW fez o pedido no dia 10, em resposta ao anúncio da Arábia Saudita de que não enviará mulheres para competir na capital britânica. “Ainda estamos conversando com o CON (Comitê Olímpico Nacional) saudita e temos confiança em um resultado positivo”, informou o COI à agência de notícias AP no dia 11.
Entretanto, a HRW publicou em seu site que o COI “deveria proibir que a Arábia Saudita participe dos jogos de 2012 devido à sua clara violação da Carta Olímpica”. Esta estabelece que os Jogos devem “estimular e apoiar a promoção de mulheres no esporte em todos os níveis e em todas as estruturas, com vistas a implantar o princípio de igualdade de gênero”.
Faltando duas semanas para a abertura dos Jogos Olímpicos, no dia 27, o jornal saudita Al-Sharq al-Awsat informou que nenhuma mulher se classificara nos três esportes em que a Arábia Saudita participará (atletismo, hipismo e halterofilismo). Porém, a embaixada saudita em Londres havia garantido, no final de junho, que seria permitida a participação de mulheres “classificadas” e que o CON “supervisionaria a participação de mulheres atletas”.
As declarações das autoridades sauditas sobre o assunto são contraditórias. O presidente do CON, príncipe Nawaf bin Faisal, afirmou na semana passada que seria permitida a participação de mulheres nos Jogos Olímpicos. Contudo, em comentários publicados pelo jornal saudita Al-Jazirah, explicou que só poderiam participar “usando vestimenta adequada que se ajuste à shariá (lei islâmica)”, e desde que não tenham contato com homens. Um mês antes, o príncipe havia dito que “não apoiaria a participação feminina”, segundo informou o jornal The National, dos Emirados Árabes Unidos.
“Não é que os sauditas não podem encontrar mulheres atletas, mas que suas políticas discriminatórias até agora impediram que surja uma”, opinou o diretor de iniciativas globais da HRW, Minky Worden. “Mas ainda há tempo para a Arábia Saudita fazer o certo e permitir que mulheres participem dos Jogos de Londres, incluindo-as nas cotas “universalidade”, que permite sua participação mesmo sem terem alcançado as marcas mínimas para se classificar, sugeriu.
“O mais importante aqui é que a Arábia Saudita quebrou sua promessa, está descumprindo as regras, e não deve ser autorizada a participar destas Olimpíadas se excluir as mulheres de sua equipe”, afirmou Worden. A HRW exortou o COI a excluir esse país, como fez com o Afeganistão em 2000, então governado pelo movimento islâmico Talibã, por não permitir que mulheres integrassem sua delegação olímpica. E a sanção à Arábia Saudita deve ser mantida “até que ponha fim às políticas que privam milhões de mulheres e adolescentes sauditas de seus direitos básicos”, enfatizou Worden.
A Arábia Saudita se converteu no único país que não prevê enviar mulheres a Londres. Brunei e Catar, que em jogos passados participaram com delegações exclusivamente masculinas, confirmaram que desta vez levarão suas atletas. O Catar foi sede em 2011 dos Jogos Olímpicos Árabes, que incluíram participação feminina, destacou um comunicado da HRW. A ginete Dalma Malhas, uma das poucas atletas da Arábia Saudita, foi descartada da competição no mês passado devido a um ferimento.
Espera-se que cerca 10.500 esportistas participem dos Jogos Olímpicos de Londres, representando mais de 200 países. Se a Arábia Saudita reverter sua posição, será a primeira vez na história olímpica que todas as delegações contarão com mulheres atletas. Envolverde/IPS
* Publicado sob acordo com a Al Jazeera.

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