terça-feira, 3 de julho de 2012

Xuxa deveria se orgulhar do que tenta proibir

Xuxa deveria se orgulhar do que tenta proibir


POR XICOSA



Pelo menos em relação ao filme “Amor Estranho Amor” (1982), que acabei de rever agora, a apresentadora Xuxa deveria, em vez de vãs tentativas de proibição das imagens na Justiça, ter orgulho da fita. Muito orgulho mesmo.


É um belo filme. Capaz de ter deixado o Sigmund Freud, o doutor que ensinou o mundo a explicar o inexplicável do sexo, muito satisfeito.


Um filmaço que faz parte da grande obra de um dos melhores e mais importantes diretores de cinema do país: Walter Hugo Khouri.


Um cara tão bom que era chamado, na buena onda dos amigos, de o Antonioni da Mooca. Lembrar Antonioni, o italiano que figura entre os maiores do mundo, já diz tudo da competência do cineasta paulista.


Na minha lista, o diretor de “Noite Vazia” e “Amor Estranho Amor”é um gênio. Fez com o inconsciente e os desvios do caráter da burguesia o que Glauber Rocha realizou com os sertões e um Brasil em transe. Mesmo nível.


Ninguém melhor do que WHK soube filmar as mulheres. Nelville de Almeida (com o universo de Nelson Rodrigues )é o que mais se aproxima.


A cena polêmica de Tâmara, o personagem fictício de Xuxa –é arte, não é pedofilia, hello, minha gente- é uma das mais cenas antológicas do cinema nacional. Xuxa atua com esmero. O menino Hugo, personagem de Marcelo Ribeiro, idem.


Vê qualquer atentado à moral ou pedofilia no filme é repetir as imbecilidades da inquisição que castigou no passado “Lolita”, o livro de Nabokov que expõe o drama de H.H., um professor de meia idade, com uma menina adolescente.


Xuxa, talvez a sua atuação nesta fita seja a sua maior herança artística. O seu melhor momento. Ali você superou inclusive o preconceito que havia com modelos que atuavam na tevê e no cinema.


É motivo de orgulho, razão para liberar geral e ainda participar, com destemor de um eventual relançamento. Definitivamente não é esta obra que queima o seu filme.

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