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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Leva para casa dele: Para Chevron, reação das autoridades do Brasil ao vazamento foi exagerada


Leva para casa dele: Para Chevron, reação das autoridades do Brasil ao vazamento foi exagerada


A Chevron Corp., impedida de perfurar mais poços no Brasil e enfrentando uma investigação criminal sobre um vazamento de petróleo na costa do Rio de Janeiro, acusa as autoridades locais de reagir de maneira exagerada e "intrigante", e sugere que o clima operacional para as grandes petrolíferas está ficando mais hostil no país.

"Nunca vi um vazamento tão pequeno gerar tamanha reação", disse, em entrevista ao "The Wall Street Journal", Ali Moshiri, que comanda as operações da Chevron na América Latina e na África. "Essa reação exagerada está nos intrigando."

A reportagem é do jornal Valor, 01-12-2011.

Moshiri pode ter de se acostumar com isso, dizem especialistas do setor petrolífero. A reação brasileira reflete uma tendência de mais regulamentação e tolerância zero até com acidentes relativamente modestos, depois do vazamento de 4,9 milhões de barris de petróleo da BP no Golfo do México ano passado. O vazamento da Chevron no Rio, no início de novembro, despejou 2.400 barris.

O vazamento da BP "mudou a visão das pessoas sobre tudo que fazemos", diz Fadel Gheit, o analista sênior de petróleo e gás do banco de investimento Oppenheimer & Co. "[As autoridades] não podem permitir qualquer erro, não importa o quão pequeno."

A situação não poderia ser diferente no Brasil, onde o futuro do Partido dos Trabalhadores está cada vez mais ligado ao sucesso brasileiro na exploração de reservas em águas profundas. O Brasil descobriu em 2006 depósitos gigantescos, mas em profundidades extremas, na costa do Rio. E os políticos do partido prometeram nada menos que usar o petróleo para erradicar a pobreza e catapultar o Brasil para o primeiro mundo. O plano é para a Petrobras investir mais de US$ 200 bilhões para ajudar a dobrar a produção do país.

As grandes petrolíferas multinacionais já estão com um papel secundário nisso. O Brasil fortaleceu seu controle sobre o setor, anunciando, em 2009, regras que obrigam aPetrobras a ter um papel dominante nas novas explorações, garantindo à ela uma grande parcela em qualquer campo.

As autoridades agora estão deixando claro para as firmas que a margem de erro é mínima. Pouco depois de o vazamento ser descoberto, o secretário estadual do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, sugeriu que a Chevron fosse banida do país. A Polícia Federal abriu uma investigação criminal; as autoridades de regulamentação chamaram a Chevron de "negligente" e suspenderam suas atividades de perfuração.

Moshiri disse em entrevista que a reação foi desproporcional e não reflete o esforço bem-sucedido da Chevron para tampar o vazamento - em que o petróleo não chegou à praia - em apenas quatro dias. Ele disse que a rigidez brasileira pode sair pela culatra e esfriar o interesse das petrolíferas em operar no país, enquanto cria uma falsa expectativa de que a investida gigantesca do Brasil nas águas ultraprofundas será livre de acidentes.

"Se a reação para esse incidente foi dessa magnitude, imagine como seria se o vazamento fosse três vezes maior", diz Moshiri. "Se alguém acha que [esse tipo de incidente] não vai se repetir, eu gostaria de conversar com ele."

Moshiri disse que a reação complicou o reparo do vazamento. Os empregados daChevron, por exemplo, tiveram de largar o conserto para depor na polícia. As agências estaduais geralmente ajudam na tarefa crucial de coibir o vazamento antes de começar a procurar o culpado. A Chevron conseguiu "consertar o vazamento enquanto a Polícia Federa ainda intimava os empregados", disse Moshiri. "Foi um fardo incrível".

A Polícia Federal não quis comentar, alegando que a investigação ainda está em andamento. O Ministério de Minas e Energia não retornou o pedido de comentário. As autoridades brasileiras já disseram que agiram de maneira responsável para garantir o cumprimento da lei e regulamentar a indústria petrolífera do país, em crescimento veloz.

A capacidade brasileira de elevar os padrões reflete mudanças no negócio. Uma proporção crescente das reservas acessíveis é controlada por países com petrolíferas estatais. Isso significa que as multinacionais precisam atender a cada vez mais exigências governamentais. "Quando você tem uma oportunidade de ter acesso aos recursos naturais, não é algo que abandona facilmente", disse o analista sênior de energia da Argus Research, Phil Weiss.

Mas o Brasil precisa dos recursos e do conhecimento das petrolíferas internacionais para ajudá-lo a desenvolver seus poços em águas profundas, dizem analistas. "Estamos comprometidos com o Brasil", disse Moshiri. "Vamos nos esforçar para convencer [o Brasil] a nos permitir retomar as operações normais. Seremos pragmáticos, cooperaremos e tentaremos deixar claro quais os riscos."

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Presidente da Chevron, decidiu pedir desculpas: Prefiro nossa parte em dinheiro


Presidente da Chevron, decidiu pedir desculpas: Prefiro nossa parte em dinheiro


Paulo Moreira Leite



Acabo de ler que George Buck, presidente da Chevron, decidiu pedir desculpas ao país. “Peço sinceras desculpas à população e ao governo brasileiro”, disse ele no Congresso, hoje.

Sinceramente, prefiro nossa parte em dinheiro.  É uma linguagem mais realista.

Pedir desculpas virou um truque tão banal de relações públicas que já deveria ter sido retirado dos manuais da profissão por falta de originalidade.

O último caso foi aquele cartola da FIFA que disse que não havia racismo no futebol.  Pegou mal. Aí, ele pediu desculpas.

Pedir desculpas não custa nada.  Só nos lembra que vivemos um tempo de discursos programados, frases insinceras,  emoções encomendadas, quando é possível comprar máscaras para a hipocrisia.

Pedir desculpas dá um caráter sentimental a uma discussão que deveria ser séria sobre responsabilidades. 

Oferece um perfil humanizado a personagens que precisam desesperadamente convencer a população que respeitam seus direitos e seus valores.


A reação de George Buck foi de uma arrogancia que lembra os piores momentos em que senhores de ar colonial visitavam o país e pensavam que a capital do Brasil era Buenos Aires.


O sujeito interrompeu uma entrevista porque não gostou das perguntas dos jornalistas. Imagine se fosse o Hugo Chávez… Melhor: imagine se tivesse feito isso nos Estados Unidos…

Acidentes na exploração de petróleo fazem parte do risco da atividade.


Ocorrem no mundo inteiro e é difícil imaginar uma situação de risco zero. Todo cuidado é pouco, portanto.


O limite máximo de multa, no Brasil, é de 50 milhões de reais, quantia irrisória para uma das grandes petroleiras do planeta. Em vez de pedir desculpas, talvez fosse o caso de George Buck agradecer nossa generosidade.


Coincidência curiosa. Na gíria americana, a palavra “bucks” quer dizer dólares. 


Engraçado, não?

sábado, 19 de novembro de 2011

Chevron: Fale com a gente na nossa língua, em bom português!

Chevron: Fale com a gente na nossa língua, em bom português!



Neste exato momento, milhares de barris de Petróleo estão sendo impunemente despejados na Bacia de Campos, a apenas 120 quilômetros da costa do Rio. E o pior: a Chevron, empresa americana responsável pelo vazamento, se recusa a definir uma data limite para a eliminação do problema, e parece minimizar as dimensões do desastre. Em nota divulgada ontem, a empresa informou que o derramamento havia se reduzido a um “gotejamento ocasional”, no que foi prontamente desmentida por nosso secretário estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc. Centenas de brasileiros indignados postaram suas perguntas na página de Facebook da Chevron, que deletou a maioria das mensagens e respondeu a algumas delas em inglês, direcionando os usuários à uma página também em inglês com um punhado de comunicados vagos informações contraditórias. 


Temos que mostrar à Chevron que os cidadãos cariocas não toleram tamanho desrespeito! Vamos exigir que a empresa divulgue informação precisa e completa sobre as dimensões do desastre e defina uma data e plano para sua resolução. E vamos deixar claro que queremos essa resposta em bom português!  


Para assinar a petição Aqui