O Globo amanheceu cheio de cravos e ferraduras. Na capa, um título maroto:
A perguntinha, no entanto, é respondida no próprio texto sob o título, onde se menciona o "passo diplomático mais audacioso dado até agora pelo Brasil". A insinuação de que o Brasil, para obter uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, precisaria se alinhar aos UEA, é ofensivo à integridade moral do país. O CS da ONU deve ser ampliado justamente para que opiniões divergentes das do EUA possam, democraticamente, se fazer valer nas grandes discussões.
O pasquim de Ali Kamel viu-se forçado a publicar, na edição impressa, além dos hariovaldos de sempre, cartinhas como essa:
E publicar entrevistas como essa, com um especialista em relações internacionais, que defende o Brasil e ataca as potências ocidentais. Um trecho:
É ridículo tratar de ingênuos dois países que tentam restabelecer o diálogo com o Irã. O que querem exatamente os diplomatas ocidentais? Tenho a impressão de que alguns países não querem solucionar a crise.
Os editorialistas da big press observaram que, lá fora, a admiração por Lula só aumentou. Mesmo os críticos do Irã escreveram com admiração pelo papel desempenhado pela diplomacia brasileira. Reconhece-se em toda parte que o Brasil lutou valentemente em favor da paz mundial. Além da questão nuclear, o esforço brasileiro teve o mérito de sinalizar, de uma maneira bastante concreta para o Brasil e para todos os emergentes, a nova configuração geopolítica do mundo.
A questão serviu ainda para fazer o Jornal do Brasil romper o cordão umbilical que o fazia parecer um rebento malformado do Globo, e adotar uma linha independente e nacionalista:
Capa da edição desta quarta-feira dia 19 de maio de 2010).
Ótimo sinal. O Rio precisa de um contraponto ao Globo. O JB vem se recusando a fazer isso. Se ele tomar coragem de fazê-lo, pode ter um bom futuro como jornal de opinião na segunda maior cidade do Brasil.
Até amargurado Clovis Rossi resolveu defender a iniciativa diplomática de Lula:
Quem estimulou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dialogar com os iranianos foi ninguém menos que Barack Obama.
Fonte: Óleo do diabo
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água
Música: Gota d'Água composta por Chico Buarque de Hollanda em 1975
"Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água."
Lula faz a síntese de seu périplo pró Paz Mundial
Caro Presidente Lula:
A quem interessa a guerra? Ou a quem não interessa efetivamente a paz mundial?
Aos que se sentem ameaçados em seu poder e prestígio porque apóiam ou são os senhores da guerra;
Aos donos das indústrias bélicas por motivos óbvios e por serem os grandes financiadores de campanhas políticas nos EUA;
Aos capachos tupiniquins conservadores e raivosos, portadores de mentalidade colonialista;
Às pessoas que não falam a linguagem do coração.
Presidente Lula: a sua parte está feita e bem feita! Compete aos outros fazerem bom uso ou não.
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