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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Qual é a tua, deputada tucana Mara Gabrilli?

Qual é a tua, deputada tucana Mara Gabrilli?

Dilma vetou o Parágrafo 2º do art. 7º: 

"§ 2º Ficam ressalvados os casos em que, comprovadamente, e somente em função das especificidades do aluno, o serviço educacional fora da rede regular de ensino for mais benéfico ao aluno com transtorno do espectro autista."


Razões do veto da Dilma:

"Ao reconhecer a possibilidade de exclusão de estudantes com transtorno do espectro autista da rede regular de ensino, osdispositivos contrariam a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, internalizada no direito brasileiro com status de emenda constitucional. Ademais, as propostas não se coadunam com as diretrizes que orientam as ações do poder público em busca de um sistema educacional inclusivo, com atendimento educacional especializado nas formas complementar e suplementar."

Mara Gabrilli quer DERRUBAR o veto. Faz sentido pra você? Não? 
Não? Então, junte-se a nós! Mande a sua foto!

sábado, 30 de março de 2013

“Autismo no Brasil: um grande desafio! Insensibilidade e bullying fazem Rafael sair da escola”

“Autismo no Brasil: um grande desafio! Insensibilidade e bullying fazem Rafael sair da escola”

Por 

Foto encontrada na internet, sem identificação de autoria
Nota: a carta abaixo, enviada por um pai a alguns senadores e deputados, relata a luta de seu filho e de sua família para vencer o preconceito e a discriminação, na vida e na escola, em particular. Não se trata de um pai comum, mas de alguém que teve e continua a ter atuação decisiva nas diversas conquistas legais em relação aos direitos das crianças com autismo. Pensei muito antes de publicá-la (o que faço evidentemente com a permissão de seu autor), mas penso que tirar cada vez mais da invisibilidade as injustiças é sempre um dos primeiros e decisivos passos para vencê-las. E como ele diz no final, mesmo com a Lei 12.764 e “apesar de todo o nosso empenho e dedicação, a realidade brasileira ainda impõe grandes desafios e dores às famílias de pessoas com autismo no Brasil”. (Tania Pacheco)
Carta escrita por Ulisses da Costa Batista para os senadores Paulo Paim, Cristovam Buarque e Lindbergh Farias e para os deputados federais Hugo Leal, Mara Gabrilli, Rosinha da Adefal e Fábio Trad:
“Vimos a força que a sociedade brasileira tem quando se une em prol de valores que mereçam seu empenho.
O resgate da cidadania e dignidade das pessoas com autismo no Brasil e a de seus familiares foi uma questão de honra. Não poderíamos conviver com tamanho descaso e desleixo com essa parcela significativa da população devido aos tremendos sofrimentos impostos pela falta de políticas públicas que lhes garantissem o mínimo existencial para o seu desenvolvimento social e familiar.
A síndrome autista continua a ser um grande desafio para a ciência, porém é dever do governo, da sociedade civil e da família, garantir, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Foi o que fizemos por meio de uma grande mobilização que engajou familiares, amigos e demais membros da sociedade civil organizada, e, como ficou comprovado por meio de documentos que enviei aos senhores, como por exemplo: a denúncia que fiz à Defensoria Pública do RJ e que originou a ação na justiça contra o Estado do RJ devido a falta de tratamento específico, a 1ª Lei municipal do Brasil (Lei nº 4.709) que eu ajudei a fazer, a representação contra o Brasil junto à Organização dos Estados Americanos – OEA devido a falta de tratamento específico, a carta que fiz em abril de 2009 ao presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa – CDH, e que deu origem à audiência pública que mais tarde resultou na Lei Federal nº 12.764, um marco na vida desses cidadãos brasileiros, sem falar na grande mobilização nacional pelos direitos das pessoas com autismo, com iluminação de azul do monumento Cristo Redentor, e que graças a Deus entrou para o calendário oficial, tudo isso fez com que o tema fosse discutido amplamente junto à mídia e sociedade civil,  que poderá resultar em grandes transformações na forma como a saúde e a educação veem e entendem as pessoas com autismo no Brasil.
Face aos grandes desafios que ainda teremos que enfrentar, uma grande reflexão precisa ser feita: “ou investimos de verdade na educação por meio da valorização profissional e salarial de professores, de um ambiente escolar digno, que atenda aos desafios dos tempos modernos, que estimule ao máximo as suas capacidades e faça de nossos jovens verdadeiros cidadãos, ou estaremos expondo-os a frustração e ao sofrimento por não serem capazes de alcançar seus sonhos e projetos devido à falta de políticas sérias que promovam o que temos de mais valioso em uma Nação – SEU POVO!”.
Quero relatar as Vossas Excelências o tanto de dor e sofrimento que minha família está passando em função da falta de seriedade de nossa sociedade.
Rafael, meu filho, no dia 11 de março deste ano, desistiu de estudar em sua escola. Ele estava na 3ª série do 2º Grau (Ensino Médio) e devido aos constantes vexames, brincadeiras que denegriam sua imagem, agressões, bullying…  Fizeram com que ele desistisse de voltar para a sua escola. Ele está vivendo um processo de regressão que não deveria estar passando, pois sempre acreditamos na inclusão de pessoas com autismo, e nos 12 anos em que ele ficou nessa escola, desde o Jardim III, eu paguei uma psicóloga com especialização em inclusão por mais de 10 anos (de 2001 à 2011), pois eles na época não permitiam facilitador ou mediador escolar em sala de aula.  Por isso somos categóricos ao afirmar que “ele enfrentou sozinho” a inclusão escolar, poucas adaptação foram feitas, muito poucas; enquanto isso, eu e minha esposa estávamos todos os dias na escola, eu montava apostilas sobre o que é autismo, com DVDs de palestras de profissionais estrangeiros sobre o que tinha de mais moderno sobre autismo, colocava todo esse material em envelopes individualizados, e os entregava aos professores, sem falar em presentes e lembranças que dávamos, todos os anos, para vários profissionais da escola em função da atenção que esperávamos que tivessem por nosso filho. Fiz isso por 12 anos! Não bastasse tudo isso, informava-os de minha luta particular por políticas públicas para resgatar a dignidade e cidadania das pessoas com autismo, e dizia ainda que a sociedade somente poderá ser melhor quando todos nós assumirmos nosso papel de protagonistas, lutando e exigindo um ambiente mais organizado e justo para se viver.
Apesar de tudo o que relatei acima, as agressões, vexames e bullying aconteciam na escola. Procurava a direção e coordenação para que tais “ocorrências” não voltassem a acontecer. Há dois anos atrás nosso filho disse que iria resolver sozinho “seus problemas” na escola. O caso ficou ainda mais difícil porque fomos orientados pela psicóloga para que tirássemos nossa filha da escola e a matriculássemos em outra, devido ao sofrimento que ela passava ao ver seu irmão ser “molestado” no recreio. Descobrimos que o “banheiro da escola” é o inimigo número um dos autistas, e que o segundo é a “insensibilidade da escola”.
Estamos vivendo um momento de extrema dor. Tudo o que fiz foi justamente por causa desse menino. E agora, com a Lei que ajudei a fazer, com toda a minha luta por mais de 13 anos, dedicação e engajamento, não foram capazes de ajudá-lo…
Por isso que o inciso IV do artigo 2º de nossa Lei 12.764, que garantia “a inclusão dos estudantes com transtorno do espectro autista nas classes comuns de ensino regular e a garantia de atendimento educacional especializado gratuito a esses educandos, quando apresentarem necessidades especiais e sempre que, em função de condições específicas, não for possível a sua inserção nas classes comuns de ensino regular, observado o disposto no Capítulo V (Da Educação Especial) do Título V da Lei n º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional;” é tão importante para que as pessoas com autismo sejam protegidas e tenham a sua dignidade respeitadas.
Não restam dúvidas de que muitas famílias Brasil afora estejam sofrendo estas mesmas dores e constrangimentos. Tenho recebido inúmeros e-mail´s sobre dificuldades de manterem seus filhos de maneira adequada nas escolas, devido o “pouco envolvimento” da mesma na inclusão das pessoas com autismo.
A dor e a frustração têm invadido inúmeros lares em nosso país, e a minha família, agora, apesar de todo o meu conhecimento e envolvimento com a causa passa pelas mesmas dificuldades.
Por isso que é preciso fazer uma “grande reflexão” sobre os rumos da inclusão no Brasil. Não podemos permitir que mais e mais famílias sofram com a falta de efetividade de nossas leis e obrigações, principalmente quando voltadas para as pessoas hipossuficientes.
A Lei Berenice Piana, que foi um marco na luta pelos direitos das pessoas com autismo no Brasil, não terá alcançado seu valor caso não tenhamos condições de implementá-la.
Estou procurando agora um curso à distância para que meu filho termine o 3º ano do 2º Grau, pois ele não quer mais entrar em uma sala de aula. Estamos tratando de sua regressão, que jamais teria acontecido, caso a escola tivesse cumprido com o seu papel. Eu e minha esposa já enfrentamos “tremendos desafios”, pois nosso filho falou apenas aos 05 (cinco) anos de idade, após grandes investimentos em novas terapias e tratamentos naturais que perduram até os dias atuais. Agora, nosso filho precisou fazer uso de medicação controlada para tratar desta regressão, insônia e agressividade. Estamos muito apreensivos com a sua recuperação! E este desafio agora nos foi imposto pela escola!
Quero agradecer por todo apoio ao nosso movimento para a aprovação da Lei 12.764, mas, apesar de todo o nosso empenho e dedicação, a realidade brasileira ainda impõe grandes desafios e dores às famílias de pessoas com autismo no Brasil.
Atenciosamente,
Ulisses da Costa Batista”.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Menina revela pela primeira vez como é estar por trás dos olhos de um autista

 Denise Schmitt de Queiroz enviou 

Menina revela pela primeira vez como é estar por trás dos olhos de um autista


Uma sensação de estar dentro de um corpo que você não pode controlar. Segundo Carly Fleischmann, é assim que o autismo a faz sentir. Essa foi apenas uma das revelações sobre o que passa por detrás da mente autista que Carly conseguiu revelar.

A sua história é a seguinte: durante os primeiros 11 anos de sua vida, ela vivia grande parte do tempo imersa em seu universo particular. O diagnóstico de que ela era autista foi confirmado quando tinha 2 anos de idade. Os médicos explicavam que o autismo a impossibilitaria de se comunicar e de ter uma vida normal, além de dizer para os pais da menina que ela tinha um atraso mental que a permitiria chegar somente ao desenvolvimento de uma criança de 6 anos.




No entanto, seu pai sempre soube que ela estava ali, perdida atrás daqueles olhos. Até que um dia, Carly subitamente se sentou no computador e digitou letras que formaram a palavra HURT (dor, em inglês), seguida de HELP (socorro, em inglês). Ela nunca tinha escrito nada na vida antes. Os pais de Carly então a incentivaram a se comunicar novamente. Se ela quisesse algo, teria que digitar o pedido. Alguns meses se passaram até que ela compreendesse que se quisesse ser atendida, teria que digitar seu pedido.

Quando ela chegou aos terapeutas, ansiosos por avaliar aquele comportamento raro, as primeiras coisas que digitou foi: “Eu tenho autismo, mas isso não é quem sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar.”

A partir daí, Carly começou a fazer algo inédito: revelar as explicações por trás de seu universo único. Ela começou então a explicar mistérios por trás do seu comportamento de balançar os braços violentamente, de bater a cabeça nas coisas ou de querer arrancar as roupas:“Se eu não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu pudesse parar eu pararia, mas não tem como desligar. Eu sei o que é certo e errado, mas é como se eu estivesse travando uma luta contra o meu cérebro.”

Eis algumas outras revelações sobre o universo autista feitas por Carly:

 - A sensação que a obriga a agitar os braços freneticamente é de formigamento ou do braço pegando fogo;

-  Ela às vezes tapa os ouvidos e olhos para bloquear a entrada de informações em seu cérebro. É como se ela não tivesse controle e tivesse que bloquear o exterior para não ficar sobrecarregada.

- Ela diz que é muito difícil olhar para o rosto de uma pessoa. É como se tirasse milhares de fotos ao mesmo tempo, é informação demais para processar.

Mas não parou por aí: hoje ela tem twitter facebook , onde conversa com pessoas e responde diversas dúvidas sobre o autismo. Com ajuda do pai, ela escreveu um livro chamado Carly’s Voice. Ela também contribuiu com informações para a criação de um site que simula a sua experiência diária com toda a descarga sensorial que recebe em situações cotidianos, como ir a um café. Veja como um autista se sente apertando o play abaixo:


Se gostou da história, veja também a resposta de Carly para perguntas de várias pessoas que vivem com parentes ou amigos autistas, e que tiveram a primeira chance de entender um pouco do universo deles:

- Meu filho de seis anos fica triste e chora com frequência, e eu não consigo entender o porquê. Você tem alguma sugestão de como eu posso descobrir o que está errado?
Carly: Pode ser muitas coisas. Será que ele está tomando algum medicamento? Eu tive muitas mudanças extremas de humor, como chorar e sentir raiva sem motivo, por causa da medicação. Também poderia ser algo que aconteceu mais cedo ou dias atrás e que ele está processando apenas agora.

- Alguma vez você gritou aparentemente sem motivo? Por exemplo, você parecia feliz e relaxada, mas de repente começou a gritar? Minha filha faz isso às vezes e eu estou tentando descobrir o porquê.

Eu amo esta pergunta. Ela está fazendo uma filtragem dos sons e quebrando os ruídos e conversas que tem ouvido ao longo do dia. [O cérebro dos autistas funciona de maneira diferente e se sobrecarrega com estímulos externos, como sons, luzes, imagens e cheiros. Gritar, tapar os ouvidos, fazer ruídos ou movimentos repetitivos, segundo Carly, são uma forma de bloquear esses estímulos e se concentrar em apenas um]. Além dos gritos, você pode nos ver chorando ou rindo, tendo convulsões e até manifestando raiva. É a nossa reação ao, finalmente, entender as coisas que foram ditas e feitas no último minuto, dia ou até mês passado. Sua filha está bem.

- Será que você poderia me dizer por que meu filho de quatro anos de idade (que tem autismo) grita no carro cada vez que paramos em um semáforo. Ele está bem e feliz enquanto o carro se move, mas, uma vez que paramos, ele grita e faz uma birra incontrolável.

Eu amo longas viagens de carro, elas são uma ótima forma de estímulo sem você precisar fazer nada. O movimento do carro e cenário visual passando por ele permite que você bloqueie qualquer outra entrada sensorial e se concentre em apenas uma. Meu conselho é colocar uma cadeira de massagem no banco do carro. Assim, quando ele parar, seu filho ainda estará sentindo o movimento. Você pode também colocar um DVD mostrando um cenário em movimento.

- Você pode descrever como se sente por dentro? Você acha que é diferente de crianças que não têm autismo?

O problema é que eu não sei o que as outras crianças sem autismo estão sentindo. Eu tenho lutas comigo todos os dias, desde que acordo até a hora de ir dormir. Não posso nem ir ao banheiro sem dizer a mim mesma para não pegar o sabonete e cheirá-lo ou sem lutar comigo mesma para não esvaziar todos os frascos de xampu.

- Existem coisas que você considera mais desafiadoras, como abotoar sua roupa ou cortar a comida com uma faca? Por que você acha que não pode fazer esse tipo de coisa? O que acha que poderíamos fazer para ajudar?

Algumas coisas eu acho que posso fazer, mas é preciso muita concentração para isso. Ficar sentada e digitar é algo muito avassalador para mim – eu preciso fazer pausas e dizer a mim mesma para fazê-lo. Eu não acho que as pessoas realmente sabem como é difícil. Parece tão fácil para todo mundo, mas é como falar três línguas ao mesmo tempo.

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