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sábado, 31 de março de 2012

Nojo! Nojo! "Se tem mulher em casa, pra que ir pra rua?", teria dito homem acusado de violentar filhas por dez anos na BA

Nojo! Nojo!: "Se tem mulher em casa, pra que ir pra rua?", teria dito homem acusado de violentar filhas por dez anos na BA


“Se há mulheres em casa, para que ir pra rua?” Foi com este argumento que, segundo as vítimas, um morador da zona rural de Vera Cruz, localizada na Ilha de Itaparica, na Bahia, justificava os abusos sexuais que cometia com as duas filhas. Antônio Valeriano de Jesus, 54, foi preso na noite desta quinta-feira (29) pela polícia baiana, acusado de estuprar por 10 anos as duas filhas.
Através de denúncia anônima, a polícia descobriu que Jesus abusava sexualmente das filhas desde que as meninas tinham 13 anos. Na casa em que ele morava com a família, agentes da 24ª Delegacia de Polícia encontraram a mulher e as duas filhas do casal, acompanhadas de duas crianças pequenas, filhas do estuprador.
Segundo a polícia, as vítimas disseram que “passaram dez anos sofrendo dos maus tratos e sendo obrigadas a manter relações sexuais com o próprio pai”. Ao serem ouvidas, elas disseram que eram ameaçadas de morte pelo pai com um facão.
A família vivia em uma região isolada, em uma localidade conhecida como Juerana. “A construção mais próxima da casa onde Jesus vivia com as filhas e a mulher fica a aproximadamente dois quilômetros. As crianças não frequentavam sequer a escola”, disse o delegado Lucio Ubiracê. As vítimas eram mantidas em cárcere privado.
Ainda de acordo com o delegado, Antônio já tinha passagem pela 7ª Delegacia de Polícia, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador por ter agredido uma ex-companheira. “Em depoimento, ele confessou os crimes, alegando que os fazia sob o efeito do álcool”, afirmou Ubiracê. O acusado ficará custodiado na unidade, à disposição da Justiça Criminal.

No Bol

quinta-feira, 8 de março de 2012

E a gente comemora o que mesmo?: Uma doméstica de 21 anos foi agredida e estuprada, na madrugada desta quinta-feira, 8 de março


E a gente comemora o que mesmo?: Uma doméstica de 21 anos foi agredida e estuprada, na madrugada desta quinta-feira, 8 de março



Uma doméstica de 21 anos foi agredida e estuprada no bairro Santa Cecília, na madrugada desta quinta-feira, 8 de março. De acordo com informações da Polícia Militar (PM), a mulher vinha do bairro Teixeiras, quando foi surpreendida por um homem, que aplicou-lhe uma “gravata”, o que causou seu desmaio. Logo depois, o homem teria abusado sexualmente da mulher.
Segundo a vítima, após retomar a consciência, estava nua e sentindo fortes dores no corpo e na vagina. Ela foi encaminhada ao Hospital Pronto Socorro (HPS) pela PM, onde recebeu atendimento. Foram constatados ferimentos no pescoço e encontrado capim no interior da vagina da mulher. No local do estupro, foi localizada uma cueca, provavelmente do suspeito, que ainda não foi localizado. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil (PC).
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No CorreiodoBrasil

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quem ama não maltrata, não bate, não mata. #FimDaViolênciaContraMulher



Quem ama não maltrata, não bate, não mata. 

Até quando?

Vivemos numa sociedade historicamente regida pelo sistema patriarcal, que estrutura as relações de dominação e ainda continua atribuindo ao homem, marido ou companheiro, a chefia conjugal e o mando nas relações afetivas. Nessa relação de poder, coube às mulheres o papel de cuidadora da casa, responsabilidade pela educação dos filhos e obediência ao “seu provedor”.

O Código Civil de 1916, que instituía ao homem a chefia da sociedade conjugal como representante legal da família, com o poder de administrar os bens comuns do casal e os bens particulares da esposa, incorporava e legalizava juridicamente “o modelo que concebia a mulher como dependente e subordinada ao homem”.

Quase cem anos se passaram e muitas águas rolaram. As mulheres se organizaram, ocuparam praças e exigiram mudanças na lei e na vida. A Constituição de 1988 equiparou os direitos legais de igualdade econômica, política e social. O último Censo/IBGE 2010, publicado recentemente, indica que as mulheres já controlam 38,7% dos domicílios brasileiros.

No entanto, os mecanismos de dominação, opressão e violência contra as mulheres continuam fazendo vítimas em nossa sociedade. Seja através da violência doméstica e familiar, da violência sexual, que acontece dentro e fora de casa, dentro e fora da família, da violência psicológica, que através de humilhações, insultos, intimidação, desvalorização e ameaças, ridicularizam a mulher, sob qualquer forma, provocando dores tão profundamente como as outras formas de violência ou ainda, a violência institucional, praticada pelas instituições do estado, por ação ou omissão.

O resultado de anos de luta dos movimentos de mulheres contra a violência doméstica, só pôde ser comemorado pelas brasileiras, em 2006, com a aprovação da Lei 11.340/06, mais conhecida como Lei Maria da Penha, um passo significativo para assegurar à mulher o direito à sua integridade física, psíquica, sexual e moral. No entanto estatísticas ainda mostram uma trágica realidade, reflexo do secular patriarcado.

Segundo a pesquisa “Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil”, organizada pelo Instituto Avon, entre as mulheres agredidas no país, 15% apontam que são forçadas a fazer sexo com o companheiro e 38% dos homens também admitem que já agrediram fisicamente as mulheres. As causas mais comuns são o ciúme e o alcoolismo, no entanto, 12% confessam que já bateram nas companheiras sem motivo!

Quando lemos notícias de violência feminina nos jornais sempre nos perguntamos, porque essas mulheres não abandonam seus agressores? A pesquisa do Instituto Avon fez essa mesma pergunta e o resultado é preocupante: 25% das mulheres responderam que a falta de dinheiro para viver sem o companheiro é o principal motivo, em segundo lugar vem a preocupação com a criação dos filhos e, em terceiro, o mais grave, o medo de serem mortas pelos seus companheiros: 21% na região Centro-Oeste, 16% no Sul, 15% no Sudeste, e 13% no Nordeste.

Os dados sobre a violência sexual contra a mulher revelam aspectos cruéis. Pesquisa publicada este ano pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Estado do Rio de Janeiro, o “Dossiê Mulher 2011”, indica que, do total de 3.751 estupros praticados contra vítimas do sexo feminino, 53,5% referiam-se a “estupro de vulnerável”, ou seja, as vítimas eram meninas de até 14 anos de idade. Em 50,5% dos casos, as vítimas de estupro conheciam os acusados (companheiros, ex-companheiros, pais, padrastos, parentes e conhecidos), 29,7% tinham relação de parentesco com a vítima (pais, padrastos, parentes) e 10,0% eram companheiros ou ex-companheiros. É doloroso pensar que as meninas são atacadas, dentro de suas casas, por quem deveriam receber proteção, carinho e educação, num cenário de infâncias roubadas e sonhos perdidos.

A cada 2 minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil, segundo a pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado 2010”, organizada pela Fundação Perseu Abramo/SESC. A violência doméstica aumenta o índice de suicídio, causa repetência escolar dos filhos e promove a cultura da violência. É a que faz mais vítimas no mundo.

Os dados sobre homicídios são ainda mais sombrios. Segundo o estudo “Mapa da Violência no Brasil 2010” do Instituto Sangari, entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres foram assassinadas. Isto significa 10 assassinatos por dia, cerca de 4 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

Não podemos ignorar os números aqui apresentados. Não podemos ficar cegas, surdas e mudas aos sinais de violência contra a mulher que testemunhamos em nossas cidades, na vizinhança, ou até em nossas casas. Para quebrar este ciclo milenar do patriarcado, precisamos questionar a cultura e os valores impregnados em nossa sociedade, de que os corpos e as vidas das mulheres possam estar à disposição de homens. Devemos nos indignar diante dessa tragédia, denunciar qualquer forma de violência, mesmo as mais veladas, como o assédio moral. É nossa obrigação procurar as delegacias especializadas, ligar para a Central de Atendimento à Mulher (180) e denunciar, bem como participar das campanhas de conscientização pelo fim da violência contra a mulher.

No sentido de contribuir para transformar essa realidade a Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH) e o Instituto Magna Mater (IMM), está organizando a campanha Quem Ama Abraça, marcando os 30 anos do dia 25 de novembro - Dia Internacional de Luta pela Não Violência contra as Mulheres-, e os 20 anos da campanha 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres.

Se você não aceita essas injustificáveis violências, agressões, torturas e mortes de mulheres, seja solidária/o, ajude a denunciar, e se junte ao coro das/os que lutam pelo fim da violência contra as mulheres.
Quem ama não maltrata, não bate, não mata.