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sábado, 30 de junho de 2012

Cemitério de Perus, onde os torturadores enterraram tantos heróis, vai ficar conhecido como a Colina dos Mártires.

Cemitério de Perus, onde os torturadores enterraram tantos heróis, vai ficar conhecido como a Colina dos Mártires.




O cemitério de Perus, onde os torturadores enterraram tantos heróis, vai ficar conhecido como a colina dos mártires. João Amazonas pronunciou essas palavras para definir o Cemitério dom Bosco, em Perus, um dos locais em que muitas vítimas fatais da barbárie que tomou conta do país com o regime de 1964 foram sepultadas em São Paulo. Os corpos de Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e Carlos Danielli foram ocultados ali. Agora, Projeto de Lei do vereador paulistano Jamil Murad (PCdoB) determina a fixação de placa no cemitério Dom Bosco onde conste “Colina dos Mártires – neste cemitério o regime militar ocultou cadáveres de perseguidos políticos”. Veja a íntegra:


Projeto de Lei
“Determina a fixação de placa no cemitério Dom Bosco onde conste “Colina dos Mártires – neste cemitério o regime militar ocultou cadáveres de perseguidos políticos”


A Câmara Municipal de São Paulo D E C R E T A:


Art.1º  Deverá ser fixado em todas as entradas do cemitério municipal Dom Bosco, localizado no Distrito de Perus, em local visível, de forma destacada e legível, placa contendo os seguintes dizeres:


“Colina dos Mártires – neste cemitério o regime militar ocultou cadáveres de perseguidos políticos”


Art.2º O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 60 (sessenta) dias a partir de sua publicação.


Art.3º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário.


Sala das Sessões.


Jamil Murad
Vereador do PCdoB


Justificativa

No cemitério municipal Dom Bosco, localizado no Distrito de Perus, São Paulo, foram encontrados restos mortais de presos e perseguidos políticos.
Construído em 1970, soube-se mais tarde que este cemitério estava integrado no sistema de repressão do regime militar.
Transformado em cemitério exclusivo para corpos de indigentes, para lá foram encaminhados os corpos de presos políticos mortos sob tortura ou em emboscadas.
Em 1980 foram localizados os restos mortais de Pedro Pomar e Ângelo Arroyo, dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) brutalmente assassinados em dezembro de 1976 no episódio denominado “Chacina da Lapa”.
Em 1981 houve a exumação dos restos mortais do comunista Carlos Danielli, morto em 1972 sob tortura nas dependências do Departamento de Operações Internas – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI/SP).
Também foram localizados os corpos dos militantes políticos Antonio Carlos Bicalho Lana, Denis Casemiro, Emanuel Bezerra Santos, Frederico Eduardo Mayr, Hélber José Gomes Goulart,  Manuel Lisboa de Moura e Sonia Maria de Moraes Angel Jones, Antonio Benetazzo, Antonio Sergio de Matos, Alex de Paula Xavier Pereira, Alexandre Vanuchi Leme, Gelson Reicher, Luiz Eurico Tejera Lisboa, Joaquim Alencar de Seixas, José Roberto Arantes de Almeida Helcio Pereira Fortes e Yuri Xavier Pereira.
Além desses corpos identificados e localizados em sepulturas individuais, enterrados muitas vezes com nomes falsos ou como indigentes, neste cemitério foi localizado em setembro/1990 um vala clandestina com cerca de 1049 ossadas que teriam como destinação a cremação e desaparecimento dos restos mortais dos militantes políticos. Entre tais ossadas encontrou-se os restos mortais de Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira e Grenaldo Jesus da Silva, e suspeita-se que ainda haja ossadas de mais militantes políticos, ainda não identificadas
A perseguição política, tortura, morte e ocultação dos corpos são crimes de lesa humanidade e devem ser veementemente condenados.
Denominar o local utilizado pelos órgãos de repressão como “Colina dos Mártires” é uma maneira de resgatar a verdade histórica e manter viva a memória daqueles que tombaram na luta por liberdade, denunciando as atrocidades para que tais práticas não se repitam.
Conto com o apoio dos nobres pares para aprovação do presente projeto.
Jamil Murad
Vereador do PCdoB
No O outro lado da notícia
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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Conheça os torturadores que foram encontrados e esculachados no dia 14/05/2012

Conheça os torturadores que foram encontrados e esculachados no dia 14/05/2012


O movimento social Levante Popular da Juventude promove mais uma rodada de esculacho de torturadores e agentes da repressão da ditadura em todo o país, nesta segunda-feira (14/5). Os manifestantes apoiam a instalação da Comissão da Verdade, cobram a localização e identificação dos restos mortais de desaparecidos políticos e exigem que os torturadores sejam julgados e punidos.

O jovens condenam a movimentação dos setores conservadores dentro e fora das Forças Armadas, que não aceitam a democracia e não admitem a memória, a verdade e a justiça, desrespeitando a autoridade da presidenta Dilma Rousseff e ministros de Estado, como no manifesto "Alerta à nação".

Por isso, os jovens saem às ruas para denunciar a impunidade de torturadores e criminosos da ditadura com o objetivo de sensibilizar a sociedade e garantir que a Comissão tenha liberdade para fazer o seu trabalho e alcance seus objetivos.



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ONU pede julgamento a torturadores da ditadura militar brasileira

ONU pede julgamento a torturadores da ditadura militar brasileira


Declaração foi dada no mesmo dia em que a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que prevê a criação da Comissão Nacional da Verdade

A alta comissária de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Navi Pillay, afirmou que o Brasil precisa trabalhar para punir oficiais que participaram de torturas durante o período da ditadura militar no país (1964-1985).
A declaração foi dada nesta sexta-feira (18/11), no mesmo dia em que a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que prevê a criação da Comissão Nacional da Verdade, cuja missão será apurar crimes que envolvem violações dos direitos humanos entre 1946 e 1988. No entanto, a Comissão não poderá processar e muito menos punir ninguém, justamente por conta da Lei de Anistia, promulgada em 1979.
Segundo Pillay, a Comissão “deveria incluir a promulgação de uma nova legislação para revogar a Lei de Anistia de 1979 ou para declará-la inaplicável por impedir a investigação e levar à impunidade (...) em desrespeito à legislação internacional de Direitos Humanos”.
Operação Condor
Nesta semana, documentos brasileiros e argentinos revelaram que a participação brasileira na Operação Condor, aliança político-militar entre os governos ditatoriais da América do Sul nos anos 1970 e 1980, foi central e estratégica.
A maior parte dos telegramas examinados pelo jornal argentino Página 12, que publicou inicialmente a reportagem, se refere ao aparato repressor dos mandatos de Ernesto Geisel (1974-1979) e João Baptista Figueiredo (1979-1985).
O jornal argentino entrevistou Jair Krischke, líder da ONG brasileira Movimento pela Justiça e Direitos Humanos, que há anos investiga as ações do plano Condor. “No Brasil, instalou-se a ideia de que não houve participação [do país], ou, quando ocorreu, foi secundária. Essa tese está totalmente fora da realidade. O Brasil não só participou, mas foi uma peça importante dentro do Condor”. Para ele, no país, “se conhece pouco e se esconde muito”.
”E ainda temos a Lei de Anistia, que é um absurdo (...) Quem inaugurou a Operação Condor quando esta nem se chamava assim foi o Brasil. Agentes de inteligência brasileiros seqüestraram militantes brasileiros em território argentino no início da década de 70. Quando o Condor é formalizado no Chile, pelo [coronel Manuel] Contreras, os militares brasileiros sempre se preocuparam em não deixar pistas sobre suas participações, mas também estiveram lá”, disse Krischke ao Página 12.

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