Reproduzo Blog Dilma é Muitos!
Giuseppe Cocco: “No debate da Band, Dilma se colocou
ao lado do Brasil edas mulheres”
O debate da Band marcou uma virada na campanha presidencial de 2010. Não porque é o primeiro confronto direto do segundo turno, mas pela escolha correta da Dilma de explicitar o jogo e os desafios. Com coragem e determinação denunciou e mostrou um #Serramilcaras: Serra pretendia fazer um debate abstrato, usando os temas do medo (a segurança, as drogas) e do preconceito religioso (aborto) e Dilma explicitou e mostrou que esses temas estão sendo pautados por uma campanha obscurantista, suja e nojenta que circula por baixo dos panos (mas articulada abertamente pelo Vice e a esposa de Serra). Com coragem, Dilma não recuou diante da questão do aborto e falou do drama das mulheres pobres que arriscam sua saúde por causa das condições nas quais são obrigadas a praticar o aborto. Ela se colocou do lado do Brasil das mulheres e dos pobres ! Com isso marcou uma diferença abissal e chamou a militância para a rua, para a mobilização.
O resto da pelia teve duas notas: as tentativas de Serra pautar o discurso do medo e seus esforços para dizer que não iria privatizar, para prometer que continuaria com as políticas dos governos Lula. Dilma pautou o debate e se mostrou como um ator fundamental das realizações de Lula, dando detalhes, lembrando os principais programas (Prouni, Reuni, Pronasci, Pontos de Cultura, Minha Casa Minha Vida, Investimentos em Infra-estrutura). Ainda melhor, ela sempre fez referência à grande novidade dos governo Lula: as políticas dos pobres: a saturação dos aeroportos é porque os pobres também viajam! A síntese disso foi na exclamação “Nós não somos o Brasil do Orelhão, Nós somos o Brasil da Banda Larga”: a Banda Larga da democracia, a democracia dos pobres!
Resta lembrar um tuite da Marina, durante o debate: ela disse que o debate era um embate e não havia discussão política nenhuma, se perguntando quando é que haverá um debate sobre política com P. Creio que esse tuite da Marina deve ser levado em conta, em três níveis:
1) na Band houve sim um debate de conteúdo, em particular quando se discutiu do aborto e dos direitos das mulheres e dos pobres. A Marina, com relação a isso, não pode ficar em cima do muro. Esse é um debate ecológico sim: se trata da vida das mulheres! O que ela tem a dizer com o retrocesso obscurantista que o #Serramilcaras está tentando instrumentalizar cinicamente, por cima da pele das mulheres pobres?
2) a convenção do PV que vai decidir a posição do partido no segundo turno nos mostrará se o debate no PV acontece com P de política estratégica e integrada da qual fala a Marina ou se o P é apenas aquele de PV.
3) realmente, não houve na Band uma abertura para a discussão sobre sustentabilidade e meio ambiente. Me parece que Dilma deve fazer esse debate e que isso pode ser também um divisor de águas com Serra. Dilma tem tudo para dizer, por um lado, que em seu governo Marina (a figura da Marina, o que ela representa) tem todo seu espaço, como teve nos 7 anos em que ela foi Ministra do Meio Ambiente; pelo outro Dilma deve dizer que o divisor de águas da sustentabilidade é ter no centro de sua política não o crescimento pelo crescimento, mas os pobres e sua mobilização. É nos pobres (favelados, mulheres, negros, indigenas, sem terra, sem teto, gays, emigrantes e imigrantes) que cultura e natureza estão juntos na produção da diferença e da potência da vida de muitos brasiis. E #Serramilcaras não tem como dizer isso: por trás das milcaras do oportunismo cínico do passado há uma só, a identidade do poder escravagista sobre a vida.
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