"Parabéns pelo casamento! E o herdeiro vem quando?" ( Um post sobre pressões)
Carolina Ruhman
Eu tinha certeza absoluta de que quando casasse, a pressão familiar iria desaparecer. Porque sejamos francas: por mais que você tenha um trabalho legal, milhares de amigos e esteja sempre se divertindo, sua vida não está completa se não houver um homem em cena. É o que pensam nossos pais (principalmente as mães), tias e avós.
Não adianta ter namorado ou namorido: o que todo mundo quer é o papel passado, agora-eu-os-declaro-marido-e-mulher, sem essa de brincar de casinha. Como se casamento fosse garantia de segurança, de viveram-felizes-para-sempre.
Eis que descubro que não é nada disso que eles querem. Pura ingenuidade minha. Era tudo um esquema. Mais do que casamento, o que todo mundo está querendo mesmo são bebês. Lindos, pequenos, cheirosos e gordinhos. O casamento era só desculpa — estão todos querendo te ver grávida. O mais rápido possível. Sua mãe sonha com roupinhas de nenê e diz que nasceu para ser avó. Sua avó diz que gostaria taaanto de ter um tempo para ser bisavó… E aí a coisa complica, porque, sim, você também quer ter um filho. Só que não agora.
Para quem está acostumada com a pressão para casar logo (ou ir àquele encontro às cegas que dessa vez vai ser incrível e você finalmente vai desencalhar), a nova pressão parece brincadeira. Não tem aquela agressividade velada (quem nunca ouviu uma variante do “se você se recusa a sair com um cara que não conhece, como pretende conhecer alguém???”). Não, é muito mais sutil. É uma amiga que conta que voltou grávida da lua-de-mel, a prima do marido que mal teve filho e já dispara “quando vai ser a vez de vocês?”, etc. etc.
Quem, em sã consciência, diria que você deve engravidar correndo, quando
pode curtir o maridão, viajar e focar na carreira? Bom, quase todo mundo. Porque, ao que parece, na verdade, o que todo mundo espera é a continuação da espécie. Engraçado. Nós, que somos todos tão modernos, vivemos nos anos 2000, queremos é ver os outros tendo um monte de rebentos. Podemos, inclusive, flexibilizar no arranjo marital, contanto que bebês estejam no pacote.
pode curtir o maridão, viajar e focar na carreira? Bom, quase todo mundo. Porque, ao que parece, na verdade, o que todo mundo espera é a continuação da espécie. Engraçado. Nós, que somos todos tão modernos, vivemos nos anos 2000, queremos é ver os outros tendo um monte de rebentos. Podemos, inclusive, flexibilizar no arranjo marital, contanto que bebês estejam no pacote.
Nesse clima “amistoso”, tome cuidado para não perder a cabeça e começar a viajar. Bebês nascem prontos para serem amados. E tem aquele momento em que você começa a fazer mais visitas à maternidade do que ao cinema… É fácil se empolgar e falar “eu também quero!”.
Mas preste atenção: quem sobreviveu a meses e anos de avós tentando
empurrar os netos das amigas em todas as festas de família e segurou
bravamente o namoro durante o tempo que quis, sonhando secretamente com o altar (ou não), já está escolada. Garanto.
empurrar os netos das amigas em todas as festas de família e segurou
bravamente o namoro durante o tempo que quis, sonhando secretamente com o altar (ou não), já está escolada. Garanto.
E, por deus, como pensar em trocar sábados e domingos na cama até tarde — pura gostosura com o marido — e a liberdade de ir e vir sem ter que depender daquele pequeno ser (que vai depender completamente de você) pelo sonho de fraldas sujas e visitas intermináveis ao pediatra? Uma hora, tudo isso vai fazer sentido. Mas, até lá, mães, tias, avós e (coragem) sogras, sosseguem!
Tweet
0 comentários:
Postar um comentário