Médicos do Iraque estão começando a enfrentar problemas com o “teste de virgindade” ordenado por tribunais, uma prática geralmente feita um dia depois do casamento, em que a mulher precisa apresentar um hímem intacto – mas só se seu marido for desconfiado. Ou, bem, impotente (mandar a mulher para ser analisada pelo médico é um bom disfarce para a disfunção do marido), de acordo com o Dr. Munjid Al Rezali, diretor do Instituto Médico Legal onde esses testes são feitos. Espera-se que haja sangue no momento da perda da virgindade, embora o hímem possa se romper durante uma série de outras atividades não-sexuais. Se não há sangue, a mulher é tachada de sexualmente ativa e vira uma vergonha para sua família – e, como estamos cansadas de saber, mulheres continuam sendo vítimas por “manchar a honra” dos homens da família.
Então, como esses testes acontecem?
Vários testes de virgindade acontecem diariamente no IML de Bagdá, em uma salinha sem janela, de paredes cobertas de azulejos azuis e com uma mesinha preta com estribos para as pernas. Outros equipamentos incluem um escopo branco em um móvel com rodas e uma luminária de luz branca, também com rodas, perto da beirada da mesa.
Três médicos (pelo menos uma mulher) levam de 15 a 30 minutos para examinar cada paciente e, se os resultados mostrarem que a mulher estava mentindo, não há uma lei que a protege. É esperado que a mulher e sua família recompensem o noivo pelos presentes, dinheiro ou qualquer objeto de valor da época do relacionamento.
Os médicos do IML, que se dizem imparciais mas complacentes à condição das mulheres (veja: o resultado chega e um médico diz que “a maioria deles apoia a mulher, não a culpa, mas que isso por si só é … vergonhoso”), concordam que a educação sexual no Iraque está abaixo da média. Pelo lado bom, eles dizem, antes dessa prática, quando não havia sangue nos lençóis depois que o casal fazia sexo, o marido simplesmente matava a esposa imediatamente. Agora ele leva o caso para o tribunal e para o IML. Aí sim.
A Comissão de Direitos Humanos, a Anistia Internacional e a Associação de Mulheres do Iraque estão fazendo o possível para acabar com a visão de status quo desta prática, afirmando que é desumana e ineficiente.
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