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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Para se defender pastor futriqueiro ataca repórter e Carta Capital responde

Para se defender pastor futriqueiro ataca repórter e Carta Capital responde



Imagine o pastor Silas Malafaia acusando alguém de ser preconceituoso. Soa tão irreal quanto o senador Demóstenes Torres reclamar da corrupção no País. Mas, convenhamos, o Brasil é uma terra peculiar e os dois casos acontecem, e muito. Malafaia parou por alguns minutos a sua contínua pregação contra homossexuais (uma de suas principais estratégias para arrebanhar fiéis, frisa-se) para enviar um e-mail à redação. Os endereçados eram a repórter Beatriz Mendes, do site de CartaCapital, e os editores da revista.
O All Out, site que divulga abaixo-assinados do mundo todo, divulgou a causa de Sérgio Viúla e definiu Malafaia como 'extremista anti-gay'
O motivo: a repórter assina matéria em que relata a pressão dos movimentos LGBT sobre a Avon, empresa de cosméticos que disponibiliza catálogos de livros aos clientes – entre estes, obras de Malafaia, o homem em plena cruzada para eliminar a homossexualidade da humanidade.
O pastor chama Beatriz de “preconceituosa”, “ridícula” e “tola”, somatizando na repórter questões profundas que ele precisaria discutir com seu próprio terapeuta.  De quebra, sugere que ela seja gay, o que faz dele, além de tudo, um futriqueiro.
Diz Malafaia: “A jornalista é tão preconceituosa e ridícula nos seus comentários que ela diz: ‘Em 2006, foi ele [Silas Malafaia] o responsável por uma manifestação diante do Congresso Nacional contra a lei criminalizadora da homofobia. Na ocasião o pastor afirmou que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são a porta de entrada para a pedofilia’. Que absurdo a deturpação dessa preconceituosa jornalista que escamoteia a verdade! O que eu disse foi: ‘O PLC 122 é a porta de entrada para a pedofilia, pois no seu preâmbulo está escrito a livre expressão sexual’.
Como pode-se perceber, o pastor reclama que a repórter interpretou corretamente a visão de Malafaia sobre a PLC 122, justamente a que criminaliza a homofobia. Nesse caso, a livre associação de uma relação entre homossexuais e pedófilos seria tão errado quanto dizer que todo pastor neopentecostal é um canalha que só pensa em tirar dinheiro dos fiéis. Há pastores bons e há pastores corruptos,  assim como há pedófilos heterossexuais e homossexuais. Falta conhecer melhor o assunto sobre o qual tanto se manifesta e tanto odeia.
Prossegue o pastor:
“A segunda mentira, deslavada e preconceituosa, prova que a jornalista não lê noticiários e outros jornais, o que faz dela uma tola. Ela escreveu que eu havia falado em meu programa: ‘Deveriam descer o porrete nesses homossexuais’. Sua atitude foi pior do que a da Polícia Federal durante a ditadura, que isolava palavras para incriminar os desafetos”. E conclui contando ter sido absolvido no processo, o que é verdade.
O vídeo editado a que Malafaia se refere é este aqui. Resolvemos, então, ir atrás do contexto total do vídeo. Malafaia diz que a igreja católica “deveria descer o porrete nesses homossexuais”. Ele alega que usou o termo no sentido figurado. Pode até ser verdade, mas isso não tira a agressividade do termo nem o ódio desferido aos gays.
O restante desse vídeo, como o leitor pode ver, mostra um pastor absolutamente comprometido com a intolerância sobre quem gosta de pessoas do mesmo sexo em uma tevê. Por volta do minuto 5:50, chama os homossexuais de doentes:
“Aí eu pergunto pra você (hãhãhã): quem são verdadeiros os doentes? É isso que eu não me calo. Os caras querem com essa pseudolei de homofobia (que a homofobia já tem lei, pra quem bate e mata homossexual vai pra cadeia), eles querem uma lei do privilégio pra falarem o que quiserem e ninguém diz nada. E sabe por que ninguém diz nada? Eu vou soltar o verbo aqui: porque lá dentro das editorias estão cheios de gays! É isso aqui! E eles manipulam a informação! Tá lotado de gays  nas editorias de tevês e jornais”.
Bem, até onde se sabe felizmente ninguém apanha nas ruas pelo simples fato de ser e parecer evangélico. Infelizmente essas coisas acontecem com gays e lésbicas.
Saiba também o pastor que uma das mais interessantes qualidades do jornalismo como profissão é justamente a tolerância com homossexuais. As redações estão repletas deles por um motivo muito simples: se o jornalista homem vai para a cama com outro homem, seja este um engenheiro ou um pastor evangélico, isso só diz respeito a ele mesmo e a seu parceiro.
Preferência sexual não é um pré-requisito dessa profissão nem de nenhuma outra. É bom que seja assim.
Neste mesmo programa, Malafaia achincalha pastores que não se posicionam contra a existência de homossexuais (a partir do 10º minuto). E, para tal, cita um trecho da Bíblia, desconsiderando totalmente o fato de que só os beócios interpretam o livro sagrado ao pé da letra:
“Como tem gente medíocre no nosso meio… alguns pastores vão pro púlpito: ‘pastor não é pra se meter nisso’(…) Queridô, (…) para com essa falsa espiritualidade. É isso que o diabo e os ímpios querem: que a gente fique calado. Mas eu vou mostrar uma coisa na Bíblia pra vocês até pra alguns do nosso meio. Olha a sua covardia: ‘Acho que não deveríamos falar nada contra o homossexualismo, nós temos que amá-los”’, e cita um trecho bíblico.
E para encerrar em grande estilo, o pastor Silas Malafaia termina o programa elogiando o blogueiro da revista da Veja, Reinaldo Azevedo. Embora considere que ambos se mereçam,  CartaCapital se recusa a tecer comentários. Ao hospício o que é do hospício.

Na Carta Capital

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Quando a capa da Veja virou capa

Quando a capa da Veja virou capa


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domingo, 1 de abril de 2012

Por que a revista Carta Capital "sumiu" das bancas de jornal de Goiânia? Seria essa a razão?

Por que a revista Carta Capital "sumiu" das bancas de jornal de Goiânia? Seria essa a razão?


Ou os goianos e as goianas são os que mais leem a Carta Capital?


Não.


A Carta Capital desta semana traz uma reportagem sobre o escândalo que envolve o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o governador de Goiás, Marconi Perillo.






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Medo de quê? O estranho sumiço de CartaCapital em Goiânia

Medo de quê? O estranho sumiço de CartaCapital em Goiânia

“A fotocópia da matéria custa cinco reais, quer que eu reserve? Não tenho mais como tirar outra, porque a tinta da máquina acabou”, oferece, por telefone, a vendedora de uma revistaria de Goiânia. CartaCapital ligava para saber se o estabelecimento ainda tinha em estoque a edição 691, que traz em sua capa reportagem sobre os laços dos negócios ilegais do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres e o governador de Goiás, Marconi Perillo, identificados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.
A revista, que teve acesso exclusivo ao relatório da operação da PF, recebe desde a manhã deste domingo 1 inúmeras mensagens em seu portal e contas nas redes sociais Twitter eFacebook a alertar sobre a estranha dificuldade em encontrar a edição nas bancas da capital goiana.

Com medo de quê?
A reportagem de capa, assinada pelo jornalista Leandro Fortes, aborda documentos, gravações e perícias da Operação Monte Carlo que indicam uma sinergia total entre o esquema do bicheiro, Demóstenes e o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Uma gravação telefônica de 5 de janeiro de 2011 entre Cachoeira e seu principal auxiliar, Lenine Araújo de Souza, vulgo Baixinho, captada por agentes federais, mostra a interferência do bicheiro no governo de Perillo.
De Miami, o empresário recebe a notícia de que um de seus indicados para o governo de Goiás, identificado apenas por Caolho, foi preterido sem maiores explicações, aparentemente sem o conhecimento do governador. “Marconi, hora que souber disso (sic) vai ficar puto”, reclama o bicheiro, no telefonema a Souza. E acrescenta, a seguir: “Já mandei avisar ele (sic)”.
A reportagem também informa que Demóstenes recebeu ordem de Souza para falar diretamente com o governador – que nega envolvimento no caso – sobre o assunto.
Esta, no entanto, não foi a única interferência do bicheiro no governo de Perillo, segundo a PF. Há registro de conversas em que Cachoeira se mostra incomodado com a atuação de um coronel em Anápolis, que poderia atrapalhar os seus negócios.
Na semana passada, CartaCapital revelou que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino comandado pelo bicheiro – e que movimentou, em seis anos, 170 milhões de reais (Leia mais AQUI).
Pelo Twitter, diversos usuários relataram que a edição da revista teria sido comprada em grandes lotes por indivíduos em carros sem placas, supostamente ligados ao bicheiro e a pessoas próximas dos envolvidos nas denúncias ao governador de Goiás, para evitar que a população tivesse conhecimento do caso.
Segundo relatos nas redes sociais, a edição teria sido comprada, em grande parte, logo após a abertura das bancas.
A reportagem de CartaCapital entrou em contato neste domingo, por telefone, com cerca de 30 bancas de jornal, livrarias e revistarias da capital goiana, entre as milhares que existem na cidade.
Apenas seis atenderam à ligação e confirmaram que a revista estava esgotada. Informaram também não ter vendido grande número de revistas a poucos indivíduos ou a alguém com um carro a “recolher” a publicação das bancas.
Devido a dificuldade em averiguar pessoalmente o caso neste domingo, não é possível confirmar se o mesmo ocorreu em outras bancas ou partes da cidade, ou se os próprios contatados foram instruídos a negar a venda em lotes.
Mas os relatos deste tipo de venda são inúmeros, entre eles o do deputado federal Luiz E. Greenhalgh, via Twitter. “São muitas as pessoas que testemunharam o sequestro daCartaCapital em Goiânia. Amigos me telefonaram. Fato inadmissível nos dias de hoje”, disse. (Veja imagem de alguns tweets abaixo).
Em comentários no site da revista, os internautas afirmam não haver mais revistas em diversas partes da cidade e questionam o sorrateiro desaparecimento das edições. “Antes das bancas de revista abrirem, a revista CartaCapital já estava sendo recolhida pelos jagunços do chefe da quadrilha”, relata o leitor que identifica como Sílvio.
Outro internauta, Flávio Câmara especula sobre a possibilidade de a revista estar esgotada pela ação ‘’de políticos” a agir “estrategicamente” e encobrir “o caso envolvendo Carlinhos Cachoeira e os políticos goianos.”
A leitora Sônia relata ter tentado comprar a revista pela manhã e não a encontrou. “Em uma delas, o rapaz disse que um homem passou e comprou todos os exemplares. Se isso não é manipulação política, qual será o nome disso?”, questiona.
A reportagem de CartaCapital continua a averiguar a situação, a fim de confirmar ou não as denúncias dos internautas.
O texto de Leandro Fortes será disponibilizado na íntegra nesta segunda-feira 2 no site de CartaCapital.

domingo, 27 de março de 2011

A ausência de Lula

No final do texto Mino pergunta:  se Lula fosse ao almoço, que diria a mídia? Foi para: A. Não ficar atrás de FHC; B. Pronunciar um discurso de improviso em louvor a Chávez, Fidel e Ahmadinejad. C. Ofuscar Dilma.


Todas as alternativas estão corretas, visto que o PIG anda perdidinho da silva.

A ausência de Lula

Por Mino Carta - CartaCapital
25 de março de 2011 às 11:10h


Modesta dissertação sobre a enésima confirmação dos delírios da mídia. Por Mino Carta. Foto: Luis Carlos Murauskas/Folhapress
O ausente foi mais presente do que os presentes. A frase não é minha, é do professor Delfim Netto, e diz respeito às reações da mídia nativa à ausência de Lula no almoço oferecido pela presidenta Dilma a Barack Obama. Os jornalões mergulharam no assunto em colunas e reportagens por três dias a fio, entregues com sofreguidão à tarefa de aduzir o porquê daquela cadeira vazia sem receio de provar pela enésima vez sua vocação onírica.
Neste espaço, o sonho midiático foi meu tema da semana passada, mas os especialistas em miragens insistem em mostrar a que vêm, sem contar o complexo de inferioridade tão explicitamente exposto com a visita do presidente americano apresentada como um celebrity show. As emissoras globais ficaram no ar 24 horas para contar todos os passos de Obama ou mesmo para esperar que ele os desse. A certa altura vimos um perdigueiro da informação aguardar no Galeão, por mais de uma hora, a chegada do avião que levava o visitante de Brasília ao Rio, em proveito exclusivo de uma visita instrutiva dos telespectadores a um aeroporto às moscas.
É o recalque do vira-lata, e esta definição também não é minha, já caiu da boca de Lula. Quanto à sua ausência no almoço de Brasília, li entre as versões que ele não apareceu para “não ofuscar” a anfitriã, a mostrar toda a sua pretensão, acompanhada pela dúvida de um colunista: “ao recusar o convite”, foi malandro ou zé mané? Textos de calibres diversos clamam contra “a descortesia”. Uma colunista do Estadão aventa a seguinte hipótese: o ex-presidente quis evitar o constrangimento “de ouvir sem compreender a conversa na mesa, da qual fazia parte Fernando Henrique Cardoso”. Ah, o príncipe dos sociólogos, este é um poliglota. E não falta quem convoque a inveja de Lula por Dilma, que recebe Obama em lugar dele, embora o tivesse convidado em 2008.
Segundo um colunista do Valor Econômico, o ex também foi descortês com Obama, que já o tratou tão bem. A Folha localizou “um amigo de Lula” disposto à revelação: ele está irritado “com os elogios excessivos da mídia a Dilma”. Uma colunista da Folha vislumbra na ausência de Lula a demonstração “do contraste de estilos” e até a torna mais evidente. Neste esforço concentrado no sentido de provocar algum desentendimento entre o ex e a atual, imbatível o editorial do Estadão de domingo 20, provavelmente escrito por um aluno de Maquiavel incapaz de entender a ironia do mestre.
Fala-se em “mudança de mentalidade que emana do Planalto”, “sobriedade em lugar de espalhafato”, “distanciamento das inevitáveis servidões” do ofício presidencial. Transparente demais a manobra. Não escapa, porém, ao ato falho, ao discordar da presidenta no que se refere à posição de Dilma quanto “ao atual surto inflacionário”, embora formulada a objeção com suave cautela, para aplaudir logo o propósito do governo de abrir os aeroportos à iniciativa privada em regime de concessão.
São teclas antigas de quem professa a religião do Deus Mercado e enxerga nas privatizações os caminhos da Graça. Os praticantes brasileiros dos jogos financeiros não estão sozinhos: de fato, para variar, trata-se de pontuais discípulos, ou imitadores. Os Estados Unidos ensinam, por lá os vilões do neoliberalismo, responsáveis pela crise mundial, continuam a postos para atiçar a doença. O exemplo seduz. Aí se origina a tentativa, levada adiante obviamente pela mídia, de derrubar o ministro Guido Mantega, representante da continuidade que a tigrada gostaria de ver interrompida de vez.
As consequências da aventura neoliberal, que deixaria o próprio Adam Smith em pânico, atingem inclusive o Brasil. No ano passado crescemos 7,5%, este ano a previsão fica bastante abaixo, entre 4% e 4,5%. Será um bom resultado no confronto com outros, mas dirá que ninguém está a salvo. CartaCapital confia na permanência de Mantega e na continuidade, ainda que, desde a posse, reconheça na presidenta a capacidade de imprimir à linha do governo características da sua personalidade.
É simplesmente tolo imaginar a ruptura almejada pela mídia, perfeita intérprete de um sentimento que sobe das entranhas de burgueses e burguesotes contra o metalúrgico nordestino eleito à Presidência duas vezes por larga maioria e destinado a passar à história como o melhor e mais amado desde a fundação da República. Pelo menos até hoje. Os senhores do Brazil zil zil ainda cultivam o ódio de classe. O mesmo Lula, que frequentemente mantém contatos com a sucessora, a qual, do seu lado, sabia previamente da ausência do antecessor ao almoço, observa: “Quando me elegi, me apresentaram como a continuidade de FHC, agora dizem que Dilma não dá continuidade ao meu governo”.
O ex-presidente tucano formula, aliás,- a sua hipótese sobre a ausência de Lula: inveja dele mesmo, FHC. Quem sabe o contrário se dê de fato quando, dentro de poucos dias, Lula receber o canudo honoris causa da Universidade de Coimbra.
Teste final: se Lula fosse ao almoço, que diria a mídia? Foi para: A. Não ficar atrás de FHC; B. Pronunciar um discurso de improviso em louvor a Chávez, Fidel e Ahmadinejad. C. Ofuscar Dilma.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Antídoto à peçonha e à vilania

Lula Miranda responde aos e-mails peçoenhos com uma dignidade de dar gosto, leia que sei que ao final só restará o grito para as peçonhas "vocês representam o que há de pior entre nós".


Da Carta Capital


Tal qual a fábula do sapo e do escorpião, parece que os “boateiros” de hoje, que são os reacionários de sempre, pretenderam subir em nossos ombros e assim nos utilizar para fazer uma suposta e limitada “travessia”. E agora, impelidos pela sua “natureza”, tentam nos ferroar com sua peçonha.


Tenho recebido, assim como, imagino, inúmeros dos leitores, diversos e-mails contendo infâmias, aleivosias contra a candidata Dilma Rousseff, o presidente Lula e o seu partido, o PT. São mensagens contaminadas pela peçonha do ódio, do preconceito de classe, de gênero, de todo tipo enfim. Mensagens vindas de um mundo subterrâneo (o submundo da política e da moral), que imaginávamos, em nossa pureza, boa índole e tranqüilidade desatenta, já não existir em nossa sociedade. Palavras e pensamentos que escorrem como o chorume de uma ideologia inconfessável, espúria, pois repleta de “baixarias”, torpezas e vilanias.

Ao jogo político se impõe certos limites; o exercício da política deve ser balizado pelo respeito inequívoco ao adversário e à ética. Por isso devemos fazer um debate respeitoso com os outros candidatos, seus eleitores. Daí ser contraproducente e indevido brigar com os “verdes”– devemos sim conquistá-los, seduzi-los, trazê-los para a nossa companhia.

Porém, tal qual a fábula do sapo e do escorpião, parece que esses “boateiros” de hoje, que são os reacionários de sempre, pretenderam subir em nossos ombros e assim nos utilizar para fazer uma suposta e limitada “travessia”, aquela perene/determinada travessia que hoje resultou, de modo inequívoco, em avanços significativos. E agora, impelidos pelo instinto, pela sua “natureza”, tentam nos ferroar com sua peçonha. Ou ainda, melhor dizendo, tal qual a famosa “fábula da maledicência”, aquela do espalhador de boatos, que, do alto de seus castelos em ruínas, destrói o travesseiro de plumas de ganso que embalava o sono tranqüilo (e os sonhos) dos justos, espalhando-os – os sonhos e as penas – ao vento. As penas, num simbolismo eloqüente, seriam os boatos, as mentiras.

Ao final serão condenados a catar, passado o tempestuoso vendaval, pena por pena, uma por uma, espalhadas irremediavelmente pelo forte vento – num esforço gratuito que nos remete ao mito de Sísifo. E perceberão, envergonhados, humilhados e derrotados, o desastre e o horror de perceber valores e sentimentos tão caros e nobres a escorrer pela sarjeta imunda.

[Segue abaixo, a título de ilustração e antídoto, resposta que dei a um desses agents provocateurs que estão, infelizmente, entre nós, alguns deles, lobos em pele de cordeiro inseridos no meio de estudantes universitários, disfarçados de jovens “descontentes” com a política nas redes sociais, insidiosamente infiltrados em igrejas, em cultos religiosos. Reflitam e procurem entender quem é essa gente, seu modus operandi, a quem eles servem e o que pretendem.

No lugar do possível nome, que identificaria o “sujeito” dessa história, uso... [reticências]. Pois, vocês sabem, muitos desses abjetos “missivistas”, tal qual meliantes anônimos, covardes, usam pseudônimos e falsas identidades].

“Pelo visto Sr ... agora você assume a pele de lobo e deixa, de uma vez, a fantasia de lado. Então, quer dizer que você não era tão bem-intencionado e "inofensivo” assim, como nos fez pensar originalmente? Sei...
Veio, na semana passada [do 1º turno da eleição], com um discurso enviesado e capcioso de "verde" (pró-Marina) e agora assume de vez a sua "identidade secreta": um “tucano”; na verdade, tirando-lhe das sombras, um conservador empedernido, um reacionário. Ou seja: encheu o cesto de votos da outra candidata, para assim o seu candidato passar para o 2º turno. Muito arguto da sua parte.

Porém, covarde, como todos "os seus", volta novamente escondendo-se. Fala/escreve através da palavra de outrem. Ou seja, destila seu veneno, sua torpeza, tal ventríloquo maldito, utilizando-se de certos bonecos "de ocasião” na imprensa – isso, segundo a sua “brilhante” e ardilosa estratégia, teria o poder de auferir alguma legitimidade e credibilidade às suas mentiras. Sim, lhe serei duro, enfático – procurarei ser rígido, mas sem perder a elegância e a ternura jamais. Não tratarei lobos como se cordeiros fossem.

Conheço, muito bem, gente da sua laia, Sr... – e os que estão do seu lado. Os combato há muito. E o farei sempre. Com destemor. Com galhardia.
Já senti a dor, física e moral, de ser espancado e subjugado pelos “centuriões” que serviam a essa ideologia do medo, que você agora professa, na época da ditadura. (Humpf... Como era difícil respirar com o rosto sendo esmagado/sufocado na sarjeta por aquelas botas imundas...).Você sabe o que é ter a mandíbula e os dentes estraçalhados por um golpe certeiro de cassetete?Você dança e tripudia, nessa sua dança tresloucada e inconseqüente, sob o sangue e a dor de muitos, meu caro.
Conheci os porões onde vocês "guardaram" e "silenciaram" muitos dos nossos, os idealistas, homens e mulheres de bem, jovens, que apenas ousaram sonhar e lutar por um país mais justo – como, hoje, ainda sonham, lutam .

Vocês vivem nas sombras, silentes, como serpentes, aguardando apenas o instante oportuno, o mais apropriado, para dar o bote, o golpe traiçoeiro, quando o desavisado baixa a guarda [a atenção]. Manteremo-nos sempre alertas. Não baixaremos a nossa guarda jamais!

Não adianta vocês emergirem dos "ínferos", do submundo da política, com sua peçonha, sua vilania. Com seus boatos infames espalhados ao vento, sua maledicência, sua vileza, suas formulações “canhestras”, “toscas”, embrulhadas em supostas “verdades” e “fatos” que, em verdade, são meros sofismas e mentiras edulcoradas.

Estamos assistindo todos, pasmos e revoltados, a esse verdadeiro desfile de torpezas infamantes que vocês exibem, despudoradamente, como arma na disputa política. Existem limites éticos para essa disputa, sabia? Esqueci: vocês desconhecem qualquer limite.

Aliás, onde está a sua ética? Digo, a ética "dos seus". Onde está a honestidade? Onde ficam os seus princípios.? Os seus valores? No rés do chão; junto á lama que escorre pela sarjeta, pelos esgotos?

Diferentemente de alguns [sei que é essa sua intenção maliciosa], não cometerei a ingenuidade de repassar as suas maledicências (escondidas sob a pena do outro, um “terceiro”, um preposto bem situado, estrategicamente, na grande mídia) para toda a minha lista de contatos.

Porém – com essa, estou certo, você não contava – repasso a minha resposta para toda a minha lista de leitores, para que eles saibam dos seus/vossos ardis e para que possam, com palavras, gestos e delicadeza, prosseguir empunhando a bandeira da honradez e dos probos ideais, defender esse novo Brasil que agora se alevanta e que vocês pretendem, utilizando-se de meios/modos sub-reptícios, malévolos, arruinar.

Aliás, devo-lhe agradecer – e àqueles aos quais você(s) serve(m). Pois essa sua "provocação" deu-me inspiração para escrever esse texto, um “chamamento” e um “alerta” aos “nossos”, e assim, quem sabe, modestamente, ajudá-los a prosseguir mudando esse país para melhor, tornando-o um pouco menos desigual (só um pouco, Srs. arautos do atraso, mas nem isso vocês querem permitir). Felizmente, não carecemos da vossa permissão para fazer justiça social. Basta o voto e a confiança do povo brasileiro. Esse não nos tem faltado. Felizmente.

A sua/vossa torpeza só alimenta a nossa garra de lutar o “bom combate”. Reforça a nossa inabalável vocação democrática; a nossa inquebrantável vontade de lutar por mais igualdade e justiça social. Quando vocês falam em morte, celebramos a vida. Nós venceremos! O bem prevalecerá! Não permitiremos que vocês joguem, de novo, esse país no atraso – não voltaremos a um passado de sombras, de exclusão, de injustiças.

E, por falar em passado, vocês não passarão! Não desvirtuarão a nossa pauta; não conseguirão nos desviar do nosso caminho virtuoso. O mal não prevalecerá. Sim, sem maniqueísmos e/ou simplificações –, pois, sejamos honestos, vocês representam o que há de pior entre nós.


Lula Miranda é poeta e cronista. Foi um dos nomes da poesia marginal na Bahia na década de 1980. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa, Fazendo Média e blogs de esquerda.

sábado, 18 de setembro de 2010

Mino Carta responde à procuradora

Mino no Terra


Mino Carta responde à procuradora: "essa é uma atitude indevida"


O diretor de redação e sócio majoritário da revista Carta Capital, Mino Carta, recebeu da vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau ofício em que a integrante do Ministério Público cobra, no prazo de cinco dias, "relação das publicidades do governo federal dos anos 2009/2010, os respectivos contratos, bem como os valores recebidos a esse título".

A respeito deste ofício, ouvi há pouco o diretor de redação da Carta Capital, Mino Carta.

Terra - Temos aqui o teor de um ofício encaminhado a você e à revista Carta Capital pela procuradora Sandra Cureau e gostaríamos de saber o que o senhor, como diretor de redação, tem a dizer.
Mino Carta - Eu penso que isso é uma atitude indevida, não teria sentido sequer se fosse dirigida a mesma requisição às demais editoras do País. Entenderia que assim se fizesse junto ao próprio governo federal.

Terra - Isso, na prática, tem qual significado?
Mino Carta - Significa que a senhora Cureau entende que nós somos comprados pelo governo federal, via publicidade. Se ela se dedicasse, ou se dedicar, porém, à mesma investigação junto às demais editoras de jornais, revista, e outros órgãos da mídia verificaria, verificará, talvez com alguma surpresa, que todos eles têm publicidade de instituições do governo em quantidade muito maior e com valor maior do que Carta Capital.

Terra - O que você...
Mino Carta - Aliás, me ocorre recordar que durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, dito FHC, fomos literalmente perseguidos pela absoluta ausência de publicidade do governo federal. E a pergunta que faço é a seguinte: então, alguém, inclusive na mídia, se incomodou com isso? Ninguém considerou esse fato estranho? Uma revista de alcance nacional não receber publicidade alguma enquanto todas as demais recebiam?