Mostrando postagens com marcador FHC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FHC. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Atenção: não dê dinheiro aos ricos. Isso os torna vagabundos

Atenção: não dê dinheiro aos ricos. Isso os torna vagabundos


Vou voltar a um tema que eu adoro. Considerando que a renda do capital segue estratosfericamente maior que a do trabalho e os recursos usados para o pagamento de juros são bem maiores que os aplicados em programas sociais (em todos os governos, de FHC a Dilma), fico extremamente incomodado quando ouço ou leio pessoas reclamando que “dar dinheiro aos pobres os torna vagabundos”.
É engraçado que ninguém reclama do dinheiro que vai às classes mais abastadas, que investem em fundos baseados na dívida pública federal. Grosso modo, muito vai para poucos e pouco vai para muitos. E, mesmo assim, sou obrigado a ouvir pérolas quase que diariamente, reclamando dos programas de transferência de renda, não no sentido de melhorá-los, mas de extingui-los. É claro que é importante avançar na construção de “portas de saídas” para programas como o Bolsa-Família, gerando autonomia econômica. Mas a raiva com a qual essas iniciativas ainda vêm sendo tratadas por algumas pessoas me surpreende. Pessoal, supera! Não há partido político que vá se eleger com uma plataforma que cancele esses processos de transferência de renda. Isso já é política de Estado e não de governo.
“Ah, mas minha tia tem uma amiga em que a empregada recebe o bolsa-família e, por isso, desistiu de trabalhar. Quer ficar no bem bom com o dinheiro público.” Quantos já ouviram coisas assim? Primeiro reduzindo todo um programa a uma única história. Segundo, uma história mal contada, pois é difícil imaginar que uma família consiga sobreviver com dignidade com um montante de renda não raro menor que uma garrafa de vinho paga pelo sujeito fino que decretou tal preconceito. Terceiro, para alguém preferir a segurança da mensalidade do programa do que um salário é que a remuneração deve ser baixa demais ou a garantia de permanência no emprego inexistente.
Este post não está criticando ou elogiando ninguém, mas tentando entender o que, além do preconceito, faz com que um cidadão que tenha um pouco mais na conta bancária acredite que pisar no andar de baixo é a solução para galgar ao andar de cima? E crer que o futuro de um país é feito uma Arca de Noé, com espaço para salvar pouca gente de um dilúvio iminente?
Para esse pessoal, é cada um por si e o Sobrenatural – proporcionalmente ao tamanho do dízimo deixado mensalmente – para todos. Fraternidade e solidariedade são palavras que significam “doação de calças velhas para vítimas de enchente”, “brinquedos usados repassados a orfanatos no Natal” ou “um DOC  limpa-conciência feito a alguma ONG”.
Nada sobre um esforço coletivo de buscar a dignidade para todos, com distribuição imediata (e não depois que o bolo crescer) da riqueza gerada no país. Crescimento produzido pelos mesmos trabalhadores que não desfrutam da maior parte de seus resultados. Porque, apenas teoricamente, todos nascem livres e iguais.
E se eu dissesse que “dar dinheiro aos ricos os torna vagabundos?” Por que usar a frase para os pobres é ser um “analista sensato da realidade” e usar a frase aos ricos é ser um “canalha de um comunista safado”?

.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O que Dilma deve a FHC para ser chamada de ingrata?

 O que Dilma deve a FHC para ser chamada de ingrata?

Diário do Centro do Mundo

Ingratidão ele recebeu foi de Serra, e não falou nada.

Ingrata por quê?
Ingrata por que?


Entendi, mas não compreendi, como dizia um programa de humor do passado.
Entendi que FHC acusou Dilma de ingrata, mas não compreendi.
Que Dilma deve a FHC para que ela possa ser classificada como ingrata? Lula teria o direito de se queixar dela, se achasse haver motivos. Ele a fez presidenta.
Mas FHC?
Dilma foi elegante com ele quando ele completou 80 anos ao reconhecer, justificadamente, seu grande papel na estabilização do país com o Plano Real.
Havia ali uma tentativa aparente de pacificar os ânimos entre PT e PSDB. FHC respondeu a isso com a estapafúrdia tese da “herança maldita” que Lula teria deixado a Dilma, contrariada pelas estatísticas e pelas urnas. E destruiu com isso o aceno de pacificação.
FHC teve uma grande chance, no passado, de falar em ingratidão. Foi quando Serra, na campanha de 2002, o tratou como um embaraço, como um tio velho do interior, numa humilhação pública inesquecível. Era uma vingançazinha de Serra, que jamais engoliu não ter sido colocado na posição de czar da economia por FHC. Foi, aliás, um dos maiores acertos de FHC não dar poder a Serra, amplamente detestado  então no governo tucano.
Tivesse FHC enfrentado Serra quando este lhe deu o troco mesquinho em 2002  o PSDB não teria talvez, nestes últimos anos, se transformado num partido desconectado das ruas, dos brasileiros simples e das vitórias eleitorais.
Mas não.
FHC se calou quando tinha que falar, pelo bem de seu partido e do próprio Brasil, e fala agora, quando deveria silenciar.
De outro ataque de FHC não vou falar: da “usurpação” por Lula de sua obra. O que tem havido claramente é o oposto: um esforço de FHC em usurpar as ações sociais de Lula. Já lamentei a velocidade aquém do desejado dos avanços sociais promovidos no Brasil nos últimos dez anos, com o PT no poder. Ainda assim, por comparação, eles foram gigantesco diante de todos os governos pregressos do Brasil contemporâneo, excetuado o de Getúlio Vargas.
Bem ou mal, o tema da vergonhosa desigualdade social brasileira — calado pela mídia tão entretida em campanhas autobenerentes como a redução dos impostos — veio ao centro dos debates com Lula. Isso dará a ele, perante a história, uma estatura francamente maior que a de FHC, a despeito de sua vitória sobre a inflação. FHC estava demasiadamente envolvido com o 1% para pregar justiça social para os 99%.
Ingratidão? Usurpação? Pausa para rir.
Começa muito mal, conforme o esperado, a louca cavalgada do PSDB rumo a 2014.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Como sempre FHC nos dá receita infalível para melhorar a nossa vida: Como ser fotografado com a namorada e não gerar boatos

Como sempre FHC nos dá receita infalível para melhorar a nossa vida: Como ser fotografado com a namorada e não gerar boatos

Não sei como sobrevivi até hoje sem esta receita.

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a namorada, Patrícia Iscarlat (Foto: Daniel Delmiro/ AgNews)




A receita de FHC para escapar dos boatos

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem uma receita que considera infalível para escapar de boatos sobre sua vida amorosa. Ao ser fotografado com a namorada Patricia Kundrát, de 35, o tucano de 81 anos contou a um colega de partido como costuma neutralizar eventuais comentários: “Mas é isso mesmo. Pense bem, uma pessoa de 81 anos precisa mesmo dar a mão para alguém na hora de atravessar a rua.”



Poder Online

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O capitalismo zumbi de FHC, Serra, Kassab & seus estertores


O capitalismo zumbi de FHC, Serra, Kassab & seus estertores

“Cada vez que FHC se pronuncia, aumenta mais o apoio a Lula e Dilma"
Datafolha: no fim do mandato, Kassab tem rejeição recorde de 48% dos eleitores; Haddad tecnicamente empatado com Russomano (que é antes o voto da rejeição paulistana – na hora do vamos ver, o sujeito desaparece) e Serra afunda! A herança do neoliberalismo: 75 milhões de jovens estão desempregados no mundo; 200 milhões trabalham por menos de US$2 ao dia; 12,7% é a média do desemprego nessa faixa; ela atinge 22, 6% na Europa (52% na Espanha e 54% na Grécia)/ Dilma afronta o PSDB pela 2ª vez em 48 horas: Brasil taxa importações /O artigo de domingo passado de FHC noEstadão é uma das manifestações bizarras do que falava Gramsci, aliás,o que poderia haver de mais mórbido nesse arrastado colapso neoliberal do que um ex-presidente tucano vir a público pontificar lições de ética, finanças e desenvolvimento, tendo como “paradigma” o governo e o credo que já foi para o ralo da história há quatro anos?
Mas é sobretudo contra os anacronismos de FHC (e os estertores dum neoliberalismo zumbi, tipo morre-não-morre) que clamam os editoriais da Carta Maior, os artigos de Saul Leblon e Emir Sader desta semana. Respaldados nos novos índices do Datafolha, é claro.
Sem esquecer a gafe mais recente – e mais anacrônica – do próprio FHC que, em conferência ao lado do ex-presidente Clinton (seu muso), ficou putíssimo e contradisse (com dados do seu pífio governo) os rasgados elogios que Clinton (agora ex-muso) fez ao Brasil sob o governo Lula.
Segundo Leblon, FHC, Serra e outros se valem do limbo pegajoso do presente para insistir em políticas e agendas furadíssimas, mas ainda não substituídas no plano mundial – o que dificulta sua ruptura definitiva também no Brasil. A quebra do banco Lehamn Brothers completa quatro anos no próximo dia 15. A falência do 4º banco de investimento dos EUA rompeu o sistema financeiro mundial e desencadeou o naufrágio no qual nos debatemos desde 2008.
Oportunamente, esta semana começa também a convenção do Partido Democrata nos EUA, da qual Obama sairá candidato à reeleição. Visto como esperança em meio ao terremoto de 2008, o “democrata” também foi naufragando no mar das próprias contradições, sendo apenas mais suportável (ou menos pior) como candidato do que seu antecessor Bush, ou o adversário. Mas o “picolé de chocolate diet” norte-americano (uma espécie de versão ianque do picolé de xuxu Alckmin) é insuficiente para aliviar o quadro indigesto da maior crise capitalista desde 1929.
George Soros, megaespeculador & superpicareta global (mas que por isso mesmo sabe das coisas), declarou recentemente que teme pelo desfecho político da deterioração em marcha. Sobretudo na Europa, lotada por governos histericamente ortodoxos. Profundamente pessimista com o futuro do euro, vítima da incapacidade alemã de se assumir como “salvadora da UE” (o que seria pedir MUITO do capitalismo prussiano de Ângela Merkel, porra, a Alemanha perdeu duas guerras e ISTO não desceu!) Soros, a 20ª maior fortuna do planeta, adverte que “assim como aconteceu depois de 29, o salve-se quem puder será entremeado de nacionalismos econômicos e totalitarismo político”.
O extremismo das políticas de mercado dobrou a aposta neoliberal na perseguição do “arrocho infinito”. O resultado desespera eleitores que se voltaram à direita desde 2008, vítima já do salve-se quem puder supracitado: Espanha, Portugal, Itália, Grécia, etc., afundam nas águas do desemprego generalizado (e consequente aumento de violência), das revoltas populares, dos juros extorsivos.
Ninguém pode (nem deve) levar a sério “os esforços” do direitista Rajoy para esfolar a Espanha até o osso, em troca de maior confiança dos mercados. Aliás, os mercados tiraram mais de 240 bi de euros da economia espanhola só no primeiro semestre deste ano, malgrado ter “feito a lição de casa” (igualzinho a FHC). Na França, o socialista recém-eleito François Hollande vê o espaço de seu governo estreitar-se sob duplo torniquete: de um lado, a voz de três milhões de desempregados; do outro, as pressões do bureau do euro para cortar 33 bilhões do orçamento público.
Além dos “mercados”, ninguém ganha nada com isso e todos se ferram. Uma lição histórica que o mundo está custando a assimilar. Na sala VIP do mundo, o ambiente é asfixiante, mas a brisa da esperança que sopra fracamente na América Latina ainda é insuficiente para determinar uma rota de longo prazo às margens do engessamento neoliberal. Afinal, a AL conseguiu, em pleno colapso, preservar baixas taxas de pobreza e desemprego, com alguma retomada de investimento.
Contudo, os avanços sociais tendem a se tornar mais difíceis. Sobretudo porque, após vitórias significativas contra a pobreza, ir além implica afrontar a desigualdade e isto requer mudanças estruturais na alocação da riqueza existente, seja na esfera fundiária, urbana, patrimonial ou financeira.
A carga fiscal média vigente na AL, de 18% a 19%, trava esse passo. (Dados da CEPAL, “Mudança Estrutural para a Igualdade: Uma Visão Integrada do Desenvolvimento”). Na Europa e na América Latina, incluindo-se o caso específico do Brasil, a alavanca fiscal emperrada reflete um flanco mais grave: como lidar com o desarmamento político das forças sociais que deveriam assumir a tarefa de acionar o papel hegemônico da iniciativa pública?
Ainda segundo Leblon, “a questão que se coloca aos partidos progressistas é de urgência transparente: quanto tempo o futuro ainda pode esperar antes que manifestações mórbidas, como a de FHC, tentem se impor à sociedade com sua agenda zumbi?”
Para Emir Sader, não é por acaso que FHC é o político mais repudiado pelos brasileiros. Já na eleição de 2002, Serra distanciou-se dele. Em 2006, as privatizações, colocadas como tema central no segundo turno, levaram Alckmin a uma derrota acachapante. Em 2010, de novo Serra nem mencionou FHC, tentando aparecer como “o continuador do governo Lula”, contribuindo assim para sua própria desmoralização definitiva.
Contudo, FHC não ouve ninguém, despreza os que o cercam, mas sofre da teoria da dependência da dor de cotovelo. Dedica as turvas forças mentais que lhe restam para atacar Lula, cujo sucesso – espelhado no apoio de 69,8% dos brasileiros que querem sua volta como presidente em 2014 – lhe é insuportável. Sem contar que nenhuma pesquisa sequer faz a mesma consulta sobre o FHC – para não massacrá-lo de vez.
Seus coleguinhas tentam convencê-lo a não escrever mais, a deixar de se expor à execração publica, a se retirar definitivamente da vida pública, mas ele não ouve: seu orgulho ferido grita mais alto, mesmo assim, quem lê seus artigos? E cada vez que ele se pronuncia, aumenta o apoio a Lula e Dilma.
Eis a triste “eficácia” do capitalismo zumbi praticado por FHC.
A verdadeira – e tristíssima – herança maldita do neoliberalismo? A mercantilização total do ser humano, a covardia, o desarmamento moral e político, o “individualismo” babaca e a desolidarização em massa da humanidade.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

FHC, ex-presidente muito mimado


FHC, ex-presidente muito mimado

Paulo Moreira Leite


Eu acho que os amigos e admiradores de Fernando Henrique Cardoso, situados no topo de nossa pirâmide social,  deveriam evitar mimos exagerados.

Vão acabar estragando este político e intelectual culto e simpático, que já passou dos 80. FHC participou da luta pela democratização, fez um governo com realizações discutíveis, algumas trágicas e  outras muitos importantes. Também   deixou muitas recordações junto a tantos brasileiros.

Poucos  tiveram a honra de sentar-se à mesa para debater política com Fernando Henrique Cardoso. Eu já.
Em 1975, em plena ditadura militar, FHC compareceu a um debate na USP para discutir a luta pela democratização do país.

Foi um encontro de horas, animado, divertido e inesquecível. Quando me encontra, mais de 30 anos  depois, FHC não deixa de fazer brincadeiras a respeito.

No Brasil de 2012, FHC é um ex-presidente mimado. Você entende a situação. A oposição não ganha uma eleição há três campanhas presidenciais.  Colocou seu principal herdeiro para disputar o pleito em São Paulo como se fosse a mãe de todas as batalhas e agora enfrenta a possibilidade de  encarar a mais dolorosa de todas as derrotas. Aquele que seria o favorito para concorrer em 2014 anda cada vez mais discreto…

Sobrou FHC e ninguém para de falar bem dele. Repare: parece que Fernando Henrique tem razão antes de começar a falar.

Você conhece a situação do garoto mimado. É aquele que é dono da bola e das camisas – e sempre tem lugar garantido no time titular. A mãe nunca dá bronca e o pai sempre arruma um jeito de melhorar a mesada.
As professoras o protegem na sala de aula. Melhoram as notas até quando não merece. Tem aluno que faz muito mais força e nunca recebe o mesmo elogio. Todos nós já vimos isso.

Mas os pedagogos de bairro advertem: graças a esse ambiente de tolerância excessiva, o garoto mimado abusa – e todo mundo acha graça. Não precisa assumir responsabilidades pelo que faz.

Sempre aponta defeitos nos outros.

Qualquer sociólogo B – como filmes B – entende o que ocorre. Os mimos vem de longe mas se acentuaram de uns tempos para cá.

Há  um sentimento de culpa em relação a FHC. Abandonado na hora em que teria sido ético fazer sua defesa,  agora lhe permitem falar o que quer. Pagam a dívida em dobro, com juros  de Pedro Malan.  É  sempre elogiado, lhe passam a mão na cabeça e jamais se ouve uma critica. Faça um teste, você mesmo.

Dê uma gugada e procure um adjetivo negativo, uma observação crítica ou mesmo uma ironia.  Daqui a pouco, vão dizer que a Dilma só faz um bom governo porque vez por outra trocou umas palavrinhas gentis com ele e parou de levar em conta dseu padrinho Luiz Inácio Lula da Silva.

Já perdi a conta de quantos livros saíram sobre ele, quantos balanços, quantas interpretações. Gostam tanto de FHC que o formato preferido é de livros-entrevista, onde o próprio protagonista tem a palavra final.

FHC ganhou até uma antologia de fotos. Ficou bem até quando falou que era preciso legalizar a maconha, cocaína, heroína… Em teatro isso se chama fazer o coro. O personagem principal diz o que pensa e os coadjuvantes dão sustentação:  repetem, perguntam se não foi mesmo bacana, e assim por diante. Isso é o mais importante. Os universitários, como dizia Silvio Santos, precisam dar razão.

Mas: e a política? A economia? O texto? O debate? O contraponto? Sem substância, os mimos parecem hipocrisia,  não é mesmo?

Os carinhos desmedidos são tantos, e tão intensos, que muitas pessoas acreditam, como se fosse um fato demonstrado cientificamente, que tudo o que aconteceu de bom no Brasil depois de 2003 é fruto da herança do governo FHC.

Tudo: do Bolsa Família ao crescimento duas vezes maior do que na década anterior, a redistribuição de renda,  a valorização do salario mínimo, o reforço nas garantias dos assalariados, a reação imediata ao colapso dos mercados.

Alfredo Bosi, que dedica vários parágrafos de Dialética da Colonização a criticar FHC, admite que se trata de uma águia intelectual – consegue enxergar, muito longe, mudanças e evoluções que escapam aos observadores pedestres.

Os mimos ajudam a explicar   o último artigo de FHC,  publicado no Globo e no Estado. O texto tem o título de “Herança Pesada” e se dedica avaliar o governo Lula. Pode ser resumido nestas 21 palavras:

“É pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro da Nação.”

Vamos combinar. Fernando Henrique entregou um país com a inflação em dois dígitos. Os impostos foram às alturas e só os bobos e acham que a carga tributária é obra de seu sucessor.  O desemprego subiu. Sua popularidade era negativa em 13 pontos. Quando foi positiva era menor que a de José Sarney do Plano Cruzado. E antes que você diga que isso é populismo, não custa lembrar que, numa democracia, a opinião popular é (ou deveria ser) muito importante. Essencial, na verdade. Todos os políticos deveriam saber disso.

E a herança de Lula é que é “pesada como chumbo?” Gerou “males morais e prejuízos materiais”?

Falando sério. Em tempos de mensalão, não custa lembrar que o único caso comprovado de compra de votos por dinheiro (“compra de consciências,” como disse o PGR Roberto Gurgel) ocorreu no governo FHC, para aprovar a reeleição.

É mimo demais.

Há um sujeito oculto neste debate. Ora é o sociólogo, distanciado, culto, crítico. Aqui valem as ideias. Ora é o político, engajado, direto, interessado. Aqui residem os fatos.

A arte consiste em escrever como presidente para ser lido como sociólogo.

domingo, 5 de agosto de 2012

O fantasma de Lula ronda a noite tucana e transforma o sonho político deles para 2014 em pesadelo

O fantasma de Lula ronda a noite tucana e transforma o sonho político deles para 2014 em pesadelo

FHC atira no pé
Carta Capital


Tiro no pé. FHC pede que outra de suas façanhas seja esquecida. Seu escudeiro Serjão ainda se ri. Fotos: Reprodução de vídeo e Epitácio Pessoa/AE
O fantasma de Lula ronda a noite tucana e transforma o sonho político deles para 2014 em pesadelo. Um terrível pesadelo. É por essa razão e não por suposta preocupação ética que o PSDB dá atenção e tratamento especiais ao ex-presidente petista no decorrer do julgamento da Ação Penal 470, batizada de “mensalão” por Roberto Jefferson, o réu delator de um suposto esquema de compra de votos, armado em 2005, para a aprovação de projetos de interesse do governo.
Já de olho na eleição de 2014, os tucanos pretendem abalar a popularidade e o prestígio de Lula. Assim, o PSDB anuncia também uma programação própria das sessões no STF na página do partido na internet. O show precisa continuar.
Essa tática tucana é reafirmada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na vanguarda das ações contra Lula, ele aparece na blogosfera em vídeo de 1 minuto e 25 segundos, no qual bota pressão no Supremo Tribunal Federal (STF). FHC, em linguagem sibilina, usa e abusa de sociologia rasteira, comum nos botequins e, também, nos bons restaurantes que frequenta. O tema é o dito mensalão. “O comentário de que não há punição no Brasil, e que a corrupção é ligada a isso, é frequente…”
Dessa forma, o ex-presidente abre o discurso sobre o julgamento em andamento no Supremo. Ao falar de impunidade como estimuladora da corrupção, ele responsabiliza os juízes, os ministros, a Justiça. Enfim, esbofeteia a própria Têmis. E faz corar a estátua de granito de Ceschiatti, mantida em frente ao prédio do STF, em Brasília.
Além de agredir a Magistratura, o ex-presidente também se agride. Descuidado, atira no próprio pé ao fazer a conexão entre corrupção e impunidade. Tal aproximação sugere esta pergunta:
Teria ocorrido o chamado mensalão se tivesse havido punição para os corruptores do governo e os parlamentares corrompidos para aprovar, no Congresso, a emenda constitucional que deu a FHC a reeleição?
Recordar é viver. Em 1997, surgiram gravações de escutas telefônicas levantando fortes evidências de que havia um esquema para compra de votos de deputados arregimentados por Sérgio Motta, o Serjão, então ministro das Comunicações.
O jornal Folha de S.Paulo foi o primeiro a apontar o escândalo e, para ilustrar a sequência de reportagens, criou um “selo” com a frase: “Reeleição comprada?”
Além de dois governadores, Orleir Cameli (AC) e Amazonino Mendes (AM), dois deputados, João Maia e Ronivon Santiago, ambos do PFL, integravam o projeto. Curiosamente, o deputado Maia era um egresso do PT. Os tucanos mais ortodoxos podem argumentar que o ex-petista inoculou nas negociações para a aprovação da emenda o vírus da corrupção. Não poderia ser também resultado do encontro de Maia, já então pefelista, com o peessedebista Serjão, o fator de formação dessa pororoca venal?
A oposição daquela época, os partidos de esquerda essencialmente, tinha força reduzida no Congresso e não conseguiu criar uma CPI para investigar as denúncias. O rolo compressor governista, PSDB, PFL e PMDB, botou uma pedra sobre a história. Impediu a punição dos culpados. E, neste caso, a Magistratura não tem culpa. FHC sabe disso.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ex-procurador de FHC pode ser investigado: Brindeiro recebeu dinheiro do esquema Cachoeira

Ex-procurador de FHC pode ser investigado: Brindeiro recebeu dinheiro do esquema Cachoeira


Jornal do Brasil


Para aprofundar as denúncias feitas ao escritório de advocacia do ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, de envolvimento com o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Pedro Taques (PDT-MT) cancelou a sua participação nesta sexta-feira, no X Simpósio Nacional de Direito Constitucional, no Teatro Guaíra, em Curitiba (PR), promovido pela Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst).  
A quebra de sigilo do contador da quadrilha de Carlinhos Cachoeira mostra que o escritório de Brindeiro recebeu R$ 161,2 mil das contas de Geovani Pereira da Silva, procurador de empresas fantasmas utilizadas para lavar dinheiro do esquema criminoso. 
De acordo com o senador Pedro Taques (PDT-MT), que analisou laudo de perícia financeira constante no inquérito que investiga o contraventor e seus comparsas, o escritório Morais, Castilho e Brindeiro Sociedade de Advogados recebeu o montante em cinco parcelas, a maior delas de R$ 76 mil.   
Brindeiro foi procurador-geral da República durante o governo Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2003. Criticado por não dar sequência a investigações de grande repercussão, ganhou o apelido de "engavetador-geral da República".

domingo, 22 de abril de 2012

Julgamento de José Serra está na fila antes do caso ‘mensalão’

Julgamento de José Serra está na fila antes do caso ‘mensalão’


Apesar de as expectativas estarem voltadas a celeridade no julgamento do caso ‘mensalão’ , prometido para breve pelo novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto, outros processos de escândalos de corrupção seguem arquivados.  Entre eles, o processo que se arrasta desde 2003 e envolve o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB) em um desvio de recursos do Banco Econômico.
Em termos de réus ilustres supera o chamado “mensalão”, e em termos de valores também. O rombo no Banco Econômico, socorrido com R$ 3 bilhões no âmbito do PROER, quando Serra era ministro do planejamento envolve praticamente toda a equipe econômica do governo FHC. Estão entre os envolvidos, o ex-ministro Pedro Malan, ex-ministro e banqueiro Ângelo Calmon de Sá e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola e Gustavo Franco.
A juíza Daniele Maranhão Costa, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, acatou a denúncia apontando dano ao erário, enriquecimento ilícito e violação aos princípios administrativos no caso.
Informações da Rede Brasil Atual

No Sul21

segunda-feira, 19 de março de 2012

Em 2004: O Telefonema de Cachoeira



Em 2004: O Telefonema de Cachoeira




Lembrei-me do episódio que narro em seguida depois de ver o nome de Carlinhos Cachoeira de volta ao noticiário, no caso envolvendo o senador Demóstenes Torres.

Partindo de onde partiu, resolvi por as "barbas de molho". Por quê? Explico.

Era 2004. Trabalhava na TV Globo, em São Paulo.

Um deputado estadual do Rio, não me lembro mais quem, havia passado para o Fantástico a gravação que incriminava Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil do primeiro governo Lula.

O "furo" da Revista Época (leia-se Editora Globo), em fevereiro daquele ano, abriu caminho para a CPI dos Bingos, na Câmara Federal e excitou a mídia, que festejava a descoberta do caixa dois da campanha do PT à presidência.

De quebra, enfraquecia o principal artífice do projeto político ora no poder: José Dirceu.

Luiz Carlos Azenha e eu fomos incumbidos, em São Paulo, de produzir uma reportagem especial esmiuçando a gravação entre Cachoeira e Diniz a procura de desdobramentos.

Produzimos um vt de quase 8 minutos. A princípio seria para o JN (duvidávamos, por causa da longa duração), depois passaram para o Fantástico e, por fim, reeditamos para o Jornal da Globo, depois de cortes e mais cortes.

A certa altura da edição, toca o telefone na minha mesa. Pasmo, atendo, do outro lado da linha, Carlos Augusto Ramos, Carlinhos Cachoeira, o próprio. Pergunto aos meus botões: como foi que ele descobriu a produção da nossa reportagem? E mais, quem teria dado o meu ramal a ele?

Conversamos com franqueza e cordialidade. Ele desqualifica a reportagem que estamos fazendo e diz (numa tentativa de barganhar a seu favor) que tem como nos dar com exclusividade o caminho para o caixa dois do PSDB (seria uma isca?).

Digo a ele que não tenho poder para mudar o trabalho em curso, mas sugiro que me explique qual é a denúncia exatamente, para encaminhar à direção.

Ele me conta que o negócio de caça-níqueis, bingos e loterias deixou de ser rentável e que migrou para o ramo de medicamentos genéricos, mais "limpo" e atrativo. Estava disposto a contar "em off" como era o esquema na Anvisa para liberação das fórmulas.

Era denúncia grave. Envolvia o ex-ministro da Saúde e candidato derrotado à presidência, José Serra, e o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que, segundo meu interlocutor, teria até participado de um encontro com ele, Cachoeira, e outros na base aérea de Anápolis, quando de um evento da aeronáutica.

Desligo o telefone, consulto o arquivo e bingo! Temos a imagem do então presidente desembarcando e sendo recebido na pista da base aérea de Anápolis, no dia apontado por Cachoeira. Peço para "descer" a imagem e conto para o Azenha.

Decidimos fazer uma menção discreta dentro da reportagem, para não chamar a atenção da nossa chefia, e que, indo ao ar, poderia servir de pista para repórteres investigativos, cujos veículos fossem mais isentos e independentes.

Diante desta nova bomba, que poderia equilibrar o jogo em favor do governo Lula que, àquela altura, estava imobilizado nas cordas, apanhando sem parar, apresentei um relatório à chefia e fui pessoalmente contar ao chefe de reportagens especiais, Luiz Malavolta, o que tínhamos em mãos.

"Pode esquecer", disse o Mala. "Denúncia contra o Serra a casa não vai dar". Dito e feito. Até hoje ninguém abriu a caixa preta da indústria farmacêutica dos genéricos. Ou será que o Amaury Ribeiro Jr. não desvendará esse mistério para nós em: A Privataria Tucana 2?

Por isso, quando ouço falar de Carlinhos Cachoeira, Revista Época, Globo e congêneres já fico com uma preguiça danada.

Foi o que disse ao meu sobrinho dia desses: "Toda denúncia serve ao interesse de alguém." No caso desta última, envolvendo o senador por Goiás, a quem interessa? 




No DoLadoDeLá

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Petrobras: “sabedoria” do mercado engasga o professor “sabichudo”


Petrobras: “sabedoria” do mercado engasga o professor “sabichudo”


Como o “especialista” Adriano Pires tem parcos recursos intelectuais, e ficha graduada na ANP de FHC, O Globo escalou agora um economista da PUC carioca – que, com honrosas exceções é o grande consulado tucano no Rio de Janeiro – para atacar a Petrobras. Rogério Werneck, em artigo publicado hoje, à guisa de “dar conselhos” à nova presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster toma a si a tarefa de não baixar o fogo de artilharia contra a maior empresa brasileira.
E adivinhem o que ele aconselha, no artigo intitulado “O engasgo da Petrobras” ?
Lógico, abrir o pré-sal às empresas privadas – e estrangeiras – e interromper o ” faustoso programa de favorecimento à produção local de equipamentos”, ou seja, importar navios, sondas, maquinario, etc.
Justiça seja feita, nem o “líder e guia espiritual” da privataria, Fernando Henrique Cardoso jamais foi tão explícito.
A Petrobras, segundo Werneck, por estabelecer conteúdos elevados de produção nacional, teria sido transformada em um “poderoso cartório de distribuição de benesses a produtores de equipamentos”.
Leia-se, à indústria brasileira, aquela mesmo que o tucanato serrista vive falando que está se acabando.
Diz ele que, comprando fora, a empresa será mais eficiente.
E usa como exemplo a contratação, no Brasil, de sondas para águas ultraprofundas, que teria gorado por preços elevados demais.
Ora, sondas têm mesmo preços elevados em todo o mundo. Aqui, para serem feitas pela primeira vez, certamente não atingirão os preços de indústrias que as fazem há décadas e em escala em outros países. Mas podem chegar bem perto, até porque o horizonte de produção destes equipamentos não se encerrará nas primeiras encomendas.
A Petrobras está sendo criteriosa e dando as “freadas de arrumação” que são necessárias para moderar os apetites de lucro dos possíveis fornecedores. E a nova presidente da empresa, pelo seu estilo, teve nisso uma das razões de sua escolha. Porque Graça Foster irá, certamente, endurecer e exigir isso, e até mesmo, pontualmente, recusar um ou outro preço exorbitante comprando lá fora.
Mas a Petrobras e o Brasil não podem abrir mão de criar aqui um parque produtivo da indústria do petróleo para, em lugar disso, simplesmente importar ou alugar lá fora os equipamentos indispensáveis.
Não apenas porque isso seria um crime contra o povo brasileiro, que tem o direito de aproveitar em empregos, renda, impostos e aquisição de conhecimento aquilo que a cadeia produtiva do petróleo tem a dar como, sobretudo, porque é uma estupidez acelerar importações de alto valor agregado – como são os equipamentos petrolíferos – para apressar exportações de petróleo bruto, cujo preço de daqui a dois anos não se pode precisar e dificilmente se sustentará nos atuais patamares.
Mas o professor Werneck é um “fundamentalista de mercado”, parte de uma corrente sectária que acha que a “sabedoria” dos agentes privados irá despejar o maná sobre nós. Ou, pelo menos, sobre o Leblon e os Jardins.
Há muitos anos defende o dogma dos preços absolutamente livres dos derivados de petróleo, na base do “quem pode, paga, quem não pode que se dane”.
E o faz com bravura, em sua duradoura cátedra no Estadão e agora em O Globo. Em 2002, criticava Serra por ser “pouco fernandista”, em 2006, criticava Alckmin por ter “caído na esparrela” de não defender as privatizações de peito aberto. E em 2010, sem mais santos aos quais apelar, maldizia o favoritismo de Dilma Rousseff afirmando que se devia a políticas absurdas como as compras no Brasil feitas pela Petrobras e à, como classificava,“custosa” política de “reajuste sistemático do salário-mínimo a taxas substancialmente mais altas que a inflação”.
Mas o cultuador da sabedoria do “mercado” acabou se engasgando, ele próprio, diante do seu Oráculo. A Petrobras acaba de fazer uma captação no exterior de US$ 7 bilhões, às menores taxas de juros já obtidas pela empresa, dinheiro que será usado para acelerar o desenvolvimento da exploração de petróleo em bases racionais e não no esquema “Agnelli” do minério de ferro, o do “arranca tudo depressa, vende logo e o país que se lixe”.
E os US$ 7 bilhões, notem, foram menos de um terço da demanda do mercado por títulos da Petrobras. Porque o mercado sabe que a Petrobras é um dos mais sólidos investimentos do mundo.
E o mercado, que o professor Werneck julga sábio, é mais sabido do que ele.
Por: Fernando Brito no ProjetoNacional

sábado, 10 de dezembro de 2011

Assim não pode, assim não dá...!:A razão que levou FHC a cancelar lançamento de seu livro

Assim não pode, assim não dá...!:A razão que levou FHC a cancelar lançamento de seu livro







O “D” de PSDB quer mesmo dizer Democracia?


O “D” de PSDB quer mesmo dizer Democracia?


Reação de Aécio Neves e FHC quando souberam da pergunta-título desde artigo
Por Ana Helena Tavares(*)
Já não está mais aqui o velho timoneiro que também criou um partido com “D” na sigla e dava a essa letrinha o seguinte sentido: “A grande força da democracia é confessar-se falível de imperfeição e impureza, o que não acontece com os sistemas totalitários, que se autopromovem em perfeitos e oniscientes para que sejam irresponsáveis e onipotentes.” (Ulysses Guimarães)
Se já nenhum ser humano é infalível, imaginem no jogo político, reforçado pela numerosa parcela medíocre da imprensa que se vende a ele, onde há palanques até embaixo de tapetes. Não há altares de pureza.
De limpa já basta a raça com que Hitler sonhava – e que parte do mundo ainda quer tornar realidade. É um jogo de causar inveja ao mais maquiavélico jogador de pôquer. RM (o todo-poderoso da Globo) entendia dos dois jogos. FHC lecionou sobre Maquiavel.
JS, aluno tardio e arredio, não aprendeu grande coisa. Principalmente, não aprendeu a reconhecer seus próprios erros. Coisa que não poderia mesmo aprender com FHC.
Por que, com todos os defeitos que possa ter tido, nossa Constituinte foi um avanço democrático? Porque é preciso reconhecer-se imperfeito para avançar. Naquele momento, os congressistas sentiam-se derrotados por 20 anos de ditadura. E só assim foi possível começar de novo.
Quando JS e FHC reconhecerão que foram derrotados? Não por Dilma, nem por Lula, nem pelo PT, mas por seus próprios aliados e, pior, por seus próprios egos. JS mantém um Twitter tragicômico. FHC escreve artigos que ninguém de bom senso consegue ler.
É assombrosa a miudeza de pensamento deles. Não  fazem política. Fazem futrica.
É nítida a sede de poder, vazia de sustentação. A eterna ânsia de tapetão.
Isso não é bom para o Brasil.
O que o PSDB fez ao pedir a cassação do registro de Dilma, quando ela contava com mais de 50% dos votos na eleição de 2010, senão a irresponsabilidade de tentar ganhar na marra, achando-se onipotente, “cavalo puro sangue”, na (ingênua) tentativa de aniquilar a concorrência?
E por que perderam mesmo com a metralhadora da mídia apontada unicamente contra o PT? Porque o T de PT quer mesmo dizer Trabalhadores. Negar isso é negar que milhões de pessoas foram tiradas da miséria, fato que o mundo inteiro reconhece.
Ah, o Brasil ainda tem muitos problemas… A educação de base é das piores do mundo. Ok. Vocês não acham possível mudar em 9 anos um país explorado por 5 séculos, não é?
Membros da alta cúpula petista enriqueceram? Sim. Se foi dentro da lei, e daí? Que moralismo de bordel é esse onde político não pode enriquecer, mas todo mundo acha normal a fortuna de Steve Jobs e Eike Batista? Quem vocês acham que corrompe os políticos senão os grandes empresários? Se o enriquecemento não foi lícito, é caso de polícia. É assunto para o Ministério Público e para a Justiça.
Como também deveria ser o recém lançado livro “A privataria tucana”, do premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr.
Dizem que o “B” de PSDB refere-se a Brasil. Vender o patrimônio público e enriquecer em cima disso é ser brasileiro onde, quando, como?
A roubalheira durante as privatizações foi fortíssima. O teor do livro seria para colocar na cadeia JS, FHC e RT (o dono da bola, homem com o corpo mais fechado do Brasil). É vergonhoso, escandaloso, indecoroso, o silêncio sepulcral da mídia e o do judiciário.
Hoje, quem for à banca de jornal, presenciará uma guerra de capas. A da revista Carta Capital anuncia o livro bombástico. Mas engana-se quem acha que Veja o ignora. A revista(?) da Editora Abril passa recibo, tentando desqualificar as denúncias.
A diferença? É que o trabalho bem apurado da Carta Capital só tem voz graças à internet. Já o esgoto da Veja tem efeito cascata na Folha, no Estadão e em todos os veículos comandados pela família de RM (o homem que jogava pôquer com a sociedade).
Nenhum país avança na caminhada democrática tendo uma oposição que, por não conseguir ganhar no voto, se escora na mídia para desestabilizar o governo. Federal. Porque o de SP não passa pela boca da Poeta nem quando a corrupção sai em livro.
Vai daí que a corrupção só vai acabar quando ela parar de ser investigada e punida de forma seletiva. Quando a regulamentação da mídia garantir acesso à informação a todos os brasileiros. Quando houver uma reforma séria no judiciário. Quando houver uma reforma séria na política.
Quando tudo isso acontecer afetará a vida de todos, principalmente a da elite, por detrás de seus vidros fumê. De onde não ouve o povo. Nem o vê.
Quando afirmei, no início deste texto, que JS e FHC foram derrotados por seus próprios aliados não foram palavras gratuitas. O jornalista Amaury Ribeiro Jr. de petista não tem nada – é ligado a AN (diz isso no livro). E tudo indica que foi o neto de Tancredo que, que mandando e desmandando no jornal “O Estado de Minas”, lhe pediu o início das investigações que geraram o livro.
Amaury foi, então, acusado de quebrar o sigilo de diversos tucanos para obter algumas das informações. Sendo verdade, o que JS tem a reclamar se sua filha, através de sua empresa, quebrou uma quantidade infinitamente maior de sigilos para fins bem menos nobres?
Ligado ao PSDB e legítimo representante da privataria, agora denunciada e fartamente documentada em livro, o engenheiro Luiz Carlos Mendonça de Barros, teve amplo espaço na edição de 30 de Agosto de 2010 da revista Época, para se defender do suposto grampo de Amaury dizendo o seguinte absurdo: “quebra de sigilo fiscal guarda a mesma proporção que uma tortura física praticada pela polícia e pelo exército porque se trata de direitos constitucionais do cidadão” (declaração que só pode mesmo vir de quem estava nadando em dinheiro durante a ditadura).
Aí, fica a pergunta: no escândalo do grampo (leia-se quebra de sigilo telefônico) – que levou “Mendonção” (como é conhecido Mendonça de Barros), então presidente do BNDES, ao banco dos réus (sendo absolvido) em ação de improbidade administrativa, e que comprovadamente ocorreu com a condescendência do então Presidente da República FHC – não estavam em jogo “direitos constitucionais do cidadão”?
O que este texto tenta mostrar é que o que distingue um governo de outro não é aquilo que todos chamam hipocritamente de moral, bons costumes, etc e tal, sem, muitas vezes, ter nada disso em casa. A diferença está no projeto político. É isso o que os brasileiros deveriam estar discutindo nos bares (além do futebol, é claro).
Vale ainda frisar que se agora a corrupção aparece tanto, de uma forma como não aparecia antes, é óbvio que é porque ela está sendo combatida de forma democrática e transparente, enquanto outros, com a luxuosa ajuda dos barões da mídia, preferiam engavetá-la.
Reza a lenda que o brasileiro típico “não tem nem um mal nem um bom caráter, simplesmente não o tem”. Só que isso não quer dizer que sejamos manipuláveis. Macunaíma era bem mais esperto do que os leitores da Veja.
Não consigo ver o nosso “herói sem nenhum caráter” acreditando em denúncias sem provas e desprezando um livro bem documentado. Não, ele não cairia nessa.
O que somos é maleáveis ao vento dos interesses. E aí há gente que acredite em tudo, de acordo com o que lhes convém.
E há também quem não possa acreditar nem deixar de acreditar por ser impedido de se informar sobre os acontecimentos. O editor do livro “A privataria tucana” já denunciou ter sido sondado por JS para uma “conversa”.
JS foi líder estudantil numa época em que o Brasil vivia sob um regime que também começa com “D”. Espero que ele não esteja com saudades.
*Ana Helena Tavares é editora do site Quem tem medo da democracia?