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terça-feira, 17 de abril de 2012

'Sem cotas para os animais africanos' racismo no campus da Unesp de Araraquara

'Sem cotas para os animais africanos' racismo no campus da Unesp de Araraquara


Alunos africanos denunciam racismo no campus da Unesp de Araraquara 
Parede de uma das faculdades foi pichada com mensagem de teor racista.
Estudantes são atendidos por um programa do Governo Federal.
por Laís Françoso e Thaisa Figueiredo
pichacao racismoA Polícia Civil de Araraquara (SP) investiga uma denúncia de racismo contra estudantes africanos da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O grupo formado por dez alunos, beneficiados pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), do Governo Federal, registrou um boletim de ocorrência sobre o caso, que está sob a responsabilidade do 4º Distrito Policial.
De acordo com os denunciantes, uma pichação feita na semana passada em uma das paredes do setor onde os estudantes da faculdade frequentam as aulas, tem conteúdo racista. A frase apresenta os seguintes dizeres: "Sem cotas para os animais africanos". A Unesp informou por meio de uma nota que uma comissão avaliará o caso.
O estudante angolano José Mahinga Sebastião, de 28 anos, disse que um amigo, que não é africano, foi o primeiro a ver a pichação. "Esse nosso amigo viu e postou sua indignação em uma rede social. Eu e mais um colega vimos a sua manifestação e fomos verificar se havia mesmo a pichação nas paredes da faculdade", conta. Segundo Sebastião, uma carta foi endereçada à delegacia de Araraquara, para registro da ocorrência, e outra ao diretor da faculdade da Unesp.
"É vergonhoso porque se isso não tivesse acontecido voltaríamos para a nossa terra com uma imagem boa da faculdade e da cidade. Foi a primeira vez, desde que chegamos, que vimos explicitamente uma manifestação de preconceito. Às vezes ouvimos as pessoas comentando, mas não diretamente a nós e, então, nem ligamos para não causar maiores problemas. Só que dessa vez ficamos indignados", afirmou o estudante, que está prestes a se formar em cinências econômicas.
pichacao-igualdade-racialPichação no mesmo local defende a igualdade racial (Foto: Laís Françoso/G1)
Sentimento
Segundo o estudante Duarte Olossato Quebi, 27 anos, da Guiné Bissau, aluno do curso de ciências sociais, não é comum a prática de atitudes como esta dentro do campus, diferente da situação vivida por ele nas ruas. "O problema do racismo nas ruas muitas vezes não tem a ver com a nossa nacionalidade, mas sim por ser uma questão que está enraizada na cultura do Brasil. Esse tipo de atitude é estranha em uma faculdade onde as pessoas se dizem esclarecidas", diz. Quebi desconhece quem possa ter feito as ofensas nas paredes.
Para a coordenadora do Centro de Referência Afro de Araraquara, Alessandra de Cássia Laurindo, a atitude é lamentável. "Isso me surpreende porque naquela faculdade existem pessoas formadoras de opinião e que um dia se tornarão profissionais que, infelizmente, carregam esse tipo de preconceito", diz.
De acordo com Laurindo, é preciso cobrar uma investigação da própria universidade para apurar os responsáveis pelo ato. "Sabemos que será complicado, principalmente, pelo fato de naquele espaço onde ocorreu a pichação não existir câmeras de segurança e ser um local pouco iluminado", afirma.
No mesmo local onde foi encontrada a pichação, outras frases também escritas nos muros defendem a igualdade racial.
Universidade
Sobre a denúncia de racismo ocorrida na unidade, a Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara informou por meio da assessoria de imprensa que uma comissão preliminar foi nomeada para apuração dos fatos. Ainda segundo a assessoria, a unidade notificará o ocorrido à Polícia Civil, à Polícia Federal e ao Ministério Público local.
De acordo com o Ministério da Educação, o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) oferece oportunidades de formação superior a cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais. Desenvolvido pelos ministérios das Relações Exteriores e da Educação, em parceria com universidades públicas - federais e estaduais - e particulares, o PEC-G seleciona estrangeiros, entre 18 e 25 anos, com ensino médio completo, para realizar estudos de graduação no país.
No campus da Unesp em Araraquara, 20 estudantes estrangeiros são atendidos atualmente pelo programa.
pichacao racista2Pichação com conteúdo racista nas paredes da Faculdade de Ciências e Letras (Foto: Laís Françoso/G1)
Racismo nas universidades
Um dos casos mais recentes relacionados a racismo contra alunos de universidades no País aconteceu em março deste ano, em Brasília (DF). Mesmo depois da prisão de dois suspeitos de incitar a violência contra negros, homossexuais, mulheres, nordestinos e judeus na internet e de publicar ameaças contra alunos da Universidade de Brasília (UnB), mensagens de violência contra os estudantes da instituição continuam sendo postadas na web.
A Polícia Federal acredita que amigos de um dos presos, um ex-estudante de letras da UnB, sejam responsáveis pelas postagens.
No Maranhão, também em março, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou um professor universitário por crime de racismo, xenofobia e injúria racial, praticado durante uma aula do curso de Engenharia Química, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) no ano passado.

Fonte: G1

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nota dos delegados da Polícia Federal: Retrocessos no projeto de lei sobre lavagem de dinheiro

Nota dos delegados da Polícia Federal: Retrocessos no projeto de lei sobre lavagem de dinheiro


Na nota da ADPF, os delegados da Polícia Federal contestaram as alterações que foram feitas ao projeto na Câmara dos Deputados. Para a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, quatro pontos cruciais do texto foram alterados, o que fez com que o projeto perdesse a eficiência no combate à lavagem de dinheiro, e principalmente, atrapalhasse as ações da PF e do Ministério Público. “A Liderança do Governo na Câmara (…) afirmou que a foi obrigada a ceder para aprovar o projeto”, informa a nota abaixo.




Retrocessos no projeto de lei sobre lavagem de dinheiro



O Plenário do Senado Federal, em sintonia com as instituições que compõem a 
Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Ativos – ENCCLA, 
havia aprovado o PLS 209/2003, conhecido como projeto de combate à lavagem 
de dinheiro. A proposta é de autoria do senador Antônio Carlos Valadares e possui 
como relatores na Comissão de Assuntos Econômicos, o senador Pedro Simon; e 
na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Jarbas Vasconcelos. 

Todavia, a redação que saiu do Senado Federal, ao  chegar para votação no 
Plenário como PL 3443/2009, perdeu vários institutos que tornariam mais eficiente 
o combate à lavagem, principalmente em prejuízo de  ações da Polícia e do 
Ministério Público. A liderança do governo na Câmara dos Deputados afirmou que 
foi obrigado a ceder para aprovar o projeto. 


A proposta original do Senado Federal estabelecia que no crime de lavagem (art. 
1°) a pena seria de 3 a 18 anos; e na Câmara dos Deputados a pena máxima foi 
reduzida de 18 para 10 anos (quase metade). O texto aprovado no Senado 
Federal (art. 4-A §1°), inspirado na atual legislação de drogas, estabelecia que os 
bens apreendidos, desde já, deveriam ser empregados nas operações de 
prevenção e repressão ao crime de lavagem de dinheiro. Entretanto, o plenário da 
Câmara dos Deputados retirou esta possibilidade, remetendo o destino dos bens 
para o moroso processo de leilão que poderá sofrer  uma série de medidas e 
artifícios judiciais de atraso. 

Com o objetivo de tornar mais eficiente as investigações, o Senado Federal, após 
ampla discussão (art. 17-B), estabeleceu que Polícia e Ministério Público tivessem 
acesso aos dados cadastrais e não sigilosos dos investigados (nome, filiação e 
endereço) mantidos pela Justiça Eleitoral. O Plenário da Câmara também suprimiu 
tal dispositivo. 


O financiamento ao terrorismo previsto pelos senadores foi simplesmente ignorado 
na Câmara dos Deputados. Para os delegados de PF, as alterações da Câmara 
dos Deputados trouxeram retrocessos com relação à proposta original do Senado. 




Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal