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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Depois da mídia ter transformado em verdade absoluta: MPF arquiva inquérito contra Ministério dos Esportes

Depois da mídia ter transformado em verdade absoluta: MPF arquiva inquérito contra Ministério dos Esportes

Após dois anos tramitando, um dos inquéritos que apurava supostas irregularidades no programa "Segundo Tempo", do Ministério dos Esportes foi arquivado. O próprio Ministério Público Federal, depois de trocar a procuradora responsável pelo caso, reconheceu que não havia razão para a continuidade das investigações.
O inquérito foi instaurado pela Polícia Federal em Piracicaba (SP) para investigar possíveis fraudes em licitações feitas no cumprimento do Convênio 332/2006, firmado entre o Ministério dos Esportes e a Federação Paulista de Xadrez, dentro do programa “Segundo Tempo”, que previa a realização de atividades esportivas educacionais na cidade de Americana (SP).
De acordo com o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União, entre as irregularidades na contratação e execução do convênio estão a realização de diversas atividades esportivas sem qualquer ênfase no xadrez, única atividade da FPX, e dúvidas quanto à frequência dos alunos nas atividades.
No decorrer da apuração de improbidade administrativa, surgiram suspeitas sobre a regularidade de uma das licitações realizadas pela Federação, justamente a de maior valor, voltada para a aquisição de lanches para as crianças participantes do projeto. Conforme relatório da CGU, as propostas apresentadas pelas duas empresas participantes do pregão teriam muitas semelhanças, em especial nos dizeres e formatação, havendo indícios de combinação. O inquérito foi aberto para apurar os fatos.
A procuradora federal Heloisa Maria Fontes Barreto, de Piracicaba, saiu do caso em março. Contrariando as razões apontadas pela Polícia para a abertura da investigação, a nova procuradora federal designada para o acompanhamento, Melissa Garcia Blagitz Abreu e Silva, ao analisar o inquérito, disse que a empresa Vivo Sabor forneceu lanches de qualidade e que continham em sua composição ingredientes mais caros dos que os indicados pelo Ministério dos Esportes, o que esvaziava as acusações. A procuradora afirmou ainda que não existe qualquer prova de conluio ou crime nos elementos analisados.
Em abril, a juíza Mônica Aparecida Bonavina Camargo acolheu o parecer do MPF e determinou o arquivamento do feito. A decisão ainda não foi publicada pela imprensa oficial.
Motivos da investigação
As empresas concorrentes investigadas foram Novo Sabor Refeições Americana Ltda e Apetece Sistemas de Alimentação Ltda. Elas negaram qualquer conluio.
Alexandre Brochi, proprietário da Novo Sabor, confirmou a contratação de Alex Figueredo dos Reis, que ficou encarregado da documentação e do preenchimento da proposta inicial, conforme valores estipulados pela empresa. O contratado confirmou ter prestado assessoria a Alexandre Brochi e também à empresa Apetece, concorrente da Novo Sabor. Por isso, segundo ele, as propostas de ambas tinham formatação semelhante e erros de grafia idênticos. Brochi foi defendido pelo advogadoPaulo José Iasz de Morais. 
"Os elementos colhidos não permitem o início da ação penal, apesar dos indiciamentos", afirmou a procuradora Melissa Garcia Blagitz Abreu e Silva, ao pedir o arquivamento. 
O programa "Segundo Tempo" também é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal. Em outubro de 2011, a corte aceitou abrir investigação contra o então ministro dos Esportes, Orlando Silva, e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), pela suposta prática de crimes contra a administração pública, envolvendo desvio de recursos do programa.
Clique aqui para ler o parecer.
Inquérito 0011053-76.2011.403.6109


No Conjur

segunda-feira, 14 de maio de 2012

MPF defende cassação do mandato de Chalita




MPF defende cassação do mandato de Chalita


A ameaça de cassação por infidelidade partidária do mandato do deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), pré-candidato à prefeitura de São Paulo, ganhou força com o parecer do Ministério Público Eleitoral encaminhado na última sexta-feira (11) ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A vice-procuradora-geral-eleitoral, Sandra Cureau, afirmou que Chalita deixou o PSB sem uma causa justa para se filiar ao PMDB, ao contrário do que alegaram o deputado e o PMDB em defesa encaminhada ao TSE. No parecer, Cureau defende que Chalita perca o mandato. Na vaga, assumiria o autor do pedido ao TSE, Marco Aurélio Ubiali, primeiro suplente do PSB. 
— Os elementos de convicção presentes nos autos permitem inferir que o desligamento do requerido do PSB atendeu, em verdade, a motivações de ordem pessoal, ligadas às suas próprias aspirações políticas e não à existência de grave discriminação pessoal. Entendo que não resta comprovada a ocorrência de grave discriminação pessoal e, portanto, a exigência de justa causa para desfiliação partidária. 
Chalita se desfiliou do PSB em maio de 2011 e se filiou em seguida ao PMDB. O pré-candidato afirmou, em sua defesa, ter sofrido "grave discriminação pessoal", o que justificaria sua desfiliação e impediria sua cassação por infidelidade.
Provas da perseguição seriam os fatos de não ter apoio da legenda para se candidatar ao Senado em 2010, não ter sido escolhido líder do PSB na Câmara ou presidente de uma comissão da Casa, cujo comando caberia à legenda. 
Chalita alegou ainda que teve votação expressiva nas eleições e não precisou dos votos do partido para se eleger. Por isso, não teria traído o PSB ao se desfiliar. Para ele, a regra da infidelidade partidária "não deve se aplicar aos candidatos cuja votação foi superior ao quociente eleitoral". Alegou ainda o deputado que o PSB, que teria sido prejudicado, não pediu ao TSE o mandato de volta. Portanto, afirmou, não poderia o primeiro suplente do PSB fazê-lo. 
O PMDB, em defesa de Chalita, afirmou que o deputado "teve a sua dignidade humana vilipendiada pelo partido anterior (PSB)" e foi "vítima de uma verdadeira conspiração". De acordo com a legenda, Chalita foi "descartado sem pudor" pelo PSB. 
O parecer de Sandra Cureau foi juntado à ação que pede o mandato de Chalita. O processo é relatado pelo ministro do TSE Gilson Dipp. Não há prazo para que o tribunal julgue a ação.

No R7

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quarta-feira, 2 de maio de 2012

MPF: Nota à imprensa sobre investigações relativas ao caso Cachoeira

MPF: Nota à imprensa sobre investigações relativas ao caso Cachoeira


Procurador-geral da República recebeu presidente e relator da CPMI e explicou as dificuldades jurídicas para seu comparecimento à comissão
A Secretaria de Comunicação do Ministério Público Federal informa:

"O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, recebeu hoje o senador Vital do Rêgo (PMDB/PB) e o deputado Odair Cunha (PT/MG), presidente e relator, respectivamente, da CPI mista que investiga as relações de Carlos Cachoeira com agentes públicos e privados. Na oportunidade, Gurgel apontou as dificuldades jurídicas para seu comparecimento à CPI, destacando, inclusive, que eventual depoimento seu à comissão poderá futuramente torná-lo impedido para atuar nos inquéritos em curso e ações penais subsequentes. 

O Procurador-Geral da República fez uma síntese do andamento das investigações. Ele explicou aos parlamentares que em 2009, quando recebeu material referente à Operação Las Vegas, fez uma avaliação preliminar e verificou que os elementos não eram suficientes para qualquer iniciativa no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), optando por sobrestar o caso, como estratégia para evitar que fossem reveladas outras investigações relativas a pessoas não detentoras de prerrogativa de foro, inviabilizando seu prosseguimento, que viria a ser formalizado na Operação Monte Carlo.

Somente no dia 9 de março de 2012, a Justiça Federal em Goiás encaminhou ao Procurador-Geral da República o material relativo à Operação Monte Carlo. Este material, agora sim, reunia indícios suficientes relacionados a pessoas com prerrogativa de foro e, assim, menos de 20 dias depois, em 27 de março, o Procurador-Geral da República requereu a instauração de inquérito no STF, anexando tudo o que recebeu nas duas oportunidades. (Operações Las Vegas e Monte Carlo)

O Procurador-Geral da República explicou ainda que o Ministério Público Federal é o titular da ação penal, a quem cabe definir os rumos e estratégias da investigação. Acrescentou que o material do inquérito é muito vasto e está sendo analisado com o devido critério e a necessária prioridade, bem como que o Ministério Público Federal, como sempre, não se furtará a investigar quem quer que seja."



Secretaria de Comunicação
Procuradoria Geral da República
(61) 3105-6404/6408

terça-feira, 17 de abril de 2012

'Sem cotas para os animais africanos' racismo no campus da Unesp de Araraquara

'Sem cotas para os animais africanos' racismo no campus da Unesp de Araraquara


Alunos africanos denunciam racismo no campus da Unesp de Araraquara 
Parede de uma das faculdades foi pichada com mensagem de teor racista.
Estudantes são atendidos por um programa do Governo Federal.
por Laís Françoso e Thaisa Figueiredo
pichacao racismoA Polícia Civil de Araraquara (SP) investiga uma denúncia de racismo contra estudantes africanos da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O grupo formado por dez alunos, beneficiados pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), do Governo Federal, registrou um boletim de ocorrência sobre o caso, que está sob a responsabilidade do 4º Distrito Policial.
De acordo com os denunciantes, uma pichação feita na semana passada em uma das paredes do setor onde os estudantes da faculdade frequentam as aulas, tem conteúdo racista. A frase apresenta os seguintes dizeres: "Sem cotas para os animais africanos". A Unesp informou por meio de uma nota que uma comissão avaliará o caso.
O estudante angolano José Mahinga Sebastião, de 28 anos, disse que um amigo, que não é africano, foi o primeiro a ver a pichação. "Esse nosso amigo viu e postou sua indignação em uma rede social. Eu e mais um colega vimos a sua manifestação e fomos verificar se havia mesmo a pichação nas paredes da faculdade", conta. Segundo Sebastião, uma carta foi endereçada à delegacia de Araraquara, para registro da ocorrência, e outra ao diretor da faculdade da Unesp.
"É vergonhoso porque se isso não tivesse acontecido voltaríamos para a nossa terra com uma imagem boa da faculdade e da cidade. Foi a primeira vez, desde que chegamos, que vimos explicitamente uma manifestação de preconceito. Às vezes ouvimos as pessoas comentando, mas não diretamente a nós e, então, nem ligamos para não causar maiores problemas. Só que dessa vez ficamos indignados", afirmou o estudante, que está prestes a se formar em cinências econômicas.
pichacao-igualdade-racialPichação no mesmo local defende a igualdade racial (Foto: Laís Françoso/G1)
Sentimento
Segundo o estudante Duarte Olossato Quebi, 27 anos, da Guiné Bissau, aluno do curso de ciências sociais, não é comum a prática de atitudes como esta dentro do campus, diferente da situação vivida por ele nas ruas. "O problema do racismo nas ruas muitas vezes não tem a ver com a nossa nacionalidade, mas sim por ser uma questão que está enraizada na cultura do Brasil. Esse tipo de atitude é estranha em uma faculdade onde as pessoas se dizem esclarecidas", diz. Quebi desconhece quem possa ter feito as ofensas nas paredes.
Para a coordenadora do Centro de Referência Afro de Araraquara, Alessandra de Cássia Laurindo, a atitude é lamentável. "Isso me surpreende porque naquela faculdade existem pessoas formadoras de opinião e que um dia se tornarão profissionais que, infelizmente, carregam esse tipo de preconceito", diz.
De acordo com Laurindo, é preciso cobrar uma investigação da própria universidade para apurar os responsáveis pelo ato. "Sabemos que será complicado, principalmente, pelo fato de naquele espaço onde ocorreu a pichação não existir câmeras de segurança e ser um local pouco iluminado", afirma.
No mesmo local onde foi encontrada a pichação, outras frases também escritas nos muros defendem a igualdade racial.
Universidade
Sobre a denúncia de racismo ocorrida na unidade, a Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara informou por meio da assessoria de imprensa que uma comissão preliminar foi nomeada para apuração dos fatos. Ainda segundo a assessoria, a unidade notificará o ocorrido à Polícia Civil, à Polícia Federal e ao Ministério Público local.
De acordo com o Ministério da Educação, o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) oferece oportunidades de formação superior a cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais. Desenvolvido pelos ministérios das Relações Exteriores e da Educação, em parceria com universidades públicas - federais e estaduais - e particulares, o PEC-G seleciona estrangeiros, entre 18 e 25 anos, com ensino médio completo, para realizar estudos de graduação no país.
No campus da Unesp em Araraquara, 20 estudantes estrangeiros são atendidos atualmente pelo programa.
pichacao racista2Pichação com conteúdo racista nas paredes da Faculdade de Ciências e Letras (Foto: Laís Françoso/G1)
Racismo nas universidades
Um dos casos mais recentes relacionados a racismo contra alunos de universidades no País aconteceu em março deste ano, em Brasília (DF). Mesmo depois da prisão de dois suspeitos de incitar a violência contra negros, homossexuais, mulheres, nordestinos e judeus na internet e de publicar ameaças contra alunos da Universidade de Brasília (UnB), mensagens de violência contra os estudantes da instituição continuam sendo postadas na web.
A Polícia Federal acredita que amigos de um dos presos, um ex-estudante de letras da UnB, sejam responsáveis pelas postagens.
No Maranhão, também em março, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou um professor universitário por crime de racismo, xenofobia e injúria racial, praticado durante uma aula do curso de Engenharia Química, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) no ano passado.

Fonte: G1

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Intolerância religiosa: MPF acusa Testemunhas de Jeová de discriminação religiosa e social


Intolerância religiosa: MPF acusa Testemunhas de Jeová de discriminação religiosa e social



O Ministério Público Federal no Ceará ingressou com recurso contra a sentença da Justiça Federal que extinguiu o processo sem julgamento do mérito movido contra as associações que representam as Testemunhas de Jeová no Ceará e no Brasil. As entidades são acusadas de prática de discriminação religiosa e social.
De acordo com a procuradora da República Nilce Cunha Rodrigues, autora da ação civil pública ajuizada contra a Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados e Associação Bíblica e Cultural de Fortaleza, os membros da congregação são incentivados a não se relacionarem com desassociados e dissociados, mesmo que sejam familiares, sob pena de também serem expulsos.
Na ação, que tramita perante a 8ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, foi pedido que as entidades se abstenham de expedir e divulgar, no Brasil, por qualquer meio de comunicação (pregação oral, livros, panfletos, internet, rádio, televisão etc.) orientações ou comunicados doutrinários que digam respeito à forma de tratar com discriminação os desassociados e dissociados, no sentido de fomentar a total exclusão da convivência familiar e com amigos que permanecem congregados.
A decisão judicial entendendo que se trataria de "livre exercício de culto religioso" amparado pela Constituição Federal, é contestada. Na apelação, o MPF afirma que defende a dignidade da pessoa humana, consistente na liberdade de consciência e de crença, na liberdade de expressão e de informação, além do direito à convivência familiar e social com amigos e conhecidos, ainda que a pessoa tenha deixado de pertencer à dita organização religiosa.
Defende também, em última análise, "a liberdade de alguém ingressar e se desligar de uma congregação religiosa sem sofrer qualquer punição e tampouco ser satanizado para que os amigos e familiares dele se afastem e o ignorem".
No processo foi incluída documentação dando conta dos fatos atribuídos às associações. Há, segundo o MPF, depoimentos de vítimas de discriminação, em que relatam sofrimentos e angústias e as dificuldades enfrentadas para retomarem suas vidas. Foi, inclusive, a denúncia de um ex-associado à congregação que motivou a abertura, pelo MPF, do procedimento administrativo que apurou o caso e serviu de base para a ação.
Para Nilce Cunha Rodrigues, a prática adotada pelas Testemunhas de Jeová em relação ao desassociado revela-se como ostensiva e intolerável discriminação religiosa, que afronta os princípios constitucionais da dignidade humana, da igualdade, da solidariedade, da liberdade de associação e da liberdade de consciência e de crença, o que não pode ser tolerado pelo Estado Brasileiro. A procuradora enfatiza ainda que "a ninguém é dado o direito de discriminar pessoas por motivos religiosos e, tampouco, exercer qualquer tipo de pressão para manter alguém filiado a uma entidade religiosa". Com informações da Assessoria de Comunição do MPF.

domingo, 9 de outubro de 2011

Estupro na TV? Pode. É liberdade de expressão.

No Blog do Tsavkko

Estupro na TV? Pode. É liberdade de expressão.


Vejam esta absurda matéria publicada pela Folha de ontem e segurem a revolta:


Procuradoria quer cassar canal de TV que exibiu cena de estupro


Na Paraíba, programa mostrou vídeo feito com celular de violência sexual contra menina de 13 anos

Ministério Público diz que exibição contraria o ECA; para diretor da TV Correio, ação é forma de 'intimidar a imprensa'

JEAN-PHILIP STRUCK

DE SÃO PAULO



O Ministério Público Federal está pedindo que a União casse a concessão de um canal de TV da Paraíba que exibiu em uma reportagem imagens de uma menina de 13 anos sendo estuprada.
A Procuradoria diz que o material, exibido na tarde do dia 30 de setembro pela TV Correio, afiliada da rede Record, se assemelhava a um "snuff movie" (filme com cenas reais de tortura e morte).
O crime foi registrado por um adolescente de 15 anos com uma câmera de celular. A vítima é uma aluna de escola pública da região metropolitana de João Pessoa.
A polícia diz que ela foi estuprada por um inspetor da escola, de 20 anos. O material, apresentado desfocado, não identifica a vítima.
Segundo a polícia, a menina relatou ter sido atraída pelo instrutor até a casa dele quando saía da escola. Ela disse que foi dopada e, depois, estuprada.
O Conselho Tutelar informou que, nos dias seguintes, o vídeo circulou entre colegas de escola da menina. A família procurou a polícia assim que viu as imagens.
O adolescente que fez o vídeo no dia 20 de setembro, segundo a polícia, alegou que a menina consentiu a relação sexual. Ele foi apreendido e o suspeito de estuprar a garota está foragido.
"Ainda assim o caso seria considerado estupro de vulnerável, já que ela é menor de 14 anos", afirmou a delegada Lídia Veloso.
Para o Ministério Público, a exibição de imagens envolvendo menores sofrendo violência, mesmo desfocadas, são proibidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
A ação também inclui um pedido de indenização de R$ 500 mil para a adolescente e de R$ 5 milhões por "danos morais à coletividade".
O apresentador Samuel Henrique também foi denunciado. Ele apresentou a reportagem no "Correio Urgente", programa policial diário da TV. "Olha o cara tirando a roupa dela aí, ó. Só um trechinho.
Depois a gente vai mostrar tudo", diz Duarte, segundo a Procuradoria.
O diretor-superintendente da TV Correio, Alexandre Jubert, afirma que a reportagem não identificou a menina.
"A ação é uma forma de intimidar a imprensa. Outros canais já mostraram imagens bem piores."
Jubert também diz que não pretende tomar medidas contra o apresentador. "Se mostramos uma realidade ruim é porque ela é assim."



Em resumo, um canalha chamado Alexandre Jubert se acha no direito de, sob o manto da Liberdade de Expressão, exibir cenas de um estupro na TV. Pior, um estupro de uma criança, pois a vítima tem 13 anos.
A TV Correio, da Paraíba, exibiu imanges de uma menina de 13 anos sendo estuprada. O MP quer cassar a licença, mas o diretor diz que é "liberdade de expressão".

Quer dizer, mostrar cenas de uma menor sendo estuprada tá valendo? Isso é liberdade de expressão? Me avisem quando começarem a passar Snuffs... Opa!

A "defesa" da TV Correio, ligada à Record (que surpresa!): "Outros canais já mostraram imagens bem piores".

Ah, então ok. Argumento governista pode. Afinal, se todos roubam, porque eu não posso?

Aliás, se outros rouba MAIS ou mostram cenas PIORES de estupro, porque não posso também?

E o boçal finaliza do Alexandre Jubert: "Se mostramos uma realidade ruim é porque ela é assim." Pronto.

Realidade é uma merda? Então vamos jogar na cara de todos.

O MP tá brando. Além de cassar licença eu ainda botava esse DESGRAÇADO na cadeia por abuso de menores, por veicular imagem e achar bom. Toda tentativa de punir a mídia pelos seus excessos.... por seus CRIMES são tratadas como censura.

Pois eu digo apenas que esse canal deve ser fechado. E pior, o diretor e TODOS que tiveram o vídeo em sua posse e concordaram em veiculá-lo deveriam ser presos.

Bora fazer o seguinte? Já que Alexandre Jubert acha que tudo é liberdade de expressão, vamos gravar um vídeo dele sendo linchado na rua e botar no horário nobre. Ele vai gostar? Dane-se, mas não vai poder reclamar.

O @lino4000 ainda me lembrou de algo, via twitter. Ora, possuir material pornográfico com menores não é crime? Porque os responsáveis que manipularam o vídeo não estão presos?

Eu já cansei dessa hipocrisia midiática, desta impunidade que tudo permite. O Brasil caminha pro abismo.

Corrupção não é mais algo ruim se os amigos do rei fizerem. Estupro de criança na TV está liberado porque é "liberdade de expressão". Está tudo bem em retirar DIREITOS e passar por cima de LEIS para agradar a FIFA, afinal, eles tem dinheiro e nós, como povo pobre e submisso, não podemos abrir mão de uns trocados....

Soberania? Ah, só vale pra repudiar organizações internacionais LEGÍTIMAS que condenam Belo Monte, pra FIFA sempre damos um jeitinho. Estamos, pois, na terra do jeitinho! Na terra do Comunismo Ruralista e dos Ruralistas governistas.

E no fim a explicação é SEMPRE econômica. É o lucro. É o governo que quer lucrar, são os governadores que querem sua fatia, são as redes de TV que lucram com o grotesco e com o crime...

No Rio, evangélicos andam nos carros com adesivos escritos: "Constituição não. Lei de Deus sim. Eu apoio". Não vejo diferença entre isto e a defesa de setores governistas de que a FIFA tenha o direito de passar por cima de nossos direitos, de nossas leis com o intuito de lucrar. Em ambos os casos nossos direitos são postos de lado por um grupo de fanáticos.

"Mas serão criados tantos mil empregos, seá gerado um lucro de tantos milhões". Não importa. A partir do momento em que abrimos mão dos nossos direitos estaremos permitindo tudo. Trabalho escravo, precarização de mão de obra... É, se bem que esta já é nossa realidade.

Todos estes casos tratam do mesmo assunto. Da precarização do ser humano, da vulneração dcotidiana de direitos, o que é tratado como normal, corriqueiro e até, pasmem, correto! Roubar quando todos fazem, veicular imagens grotescas porque outros fazem até pior, passar por cima das leis por lucros... Os direitos do homem não valem nada.

Já chegamos ao ponto de, no Amazonas há alguns anos, um apresentador de programas estilo Datena, que de tão absurdos são difíceis até de classificar, encomendar mortes para aumentar seu ibope. O fato deste apresentador ser Deputado não é uma surpresa, mas apenas a comprovação de que chegamos ao fundo do poço e que a sociedade está doente e, às vezes temo, de forma incurável.

O capitalismo no Brasil nunca foi tão selvagem, tão tosco e tão criminoso. O blogueiro Peterson Colares, no Facebook, completou: "Não estamos próximos da barbárie. Já a alcançamos tem algum tempo.".





E o que eu sempre me pergunto:




Só posso, enfim, aplaudir o MPF:
No caso do programa Correio Verdade, o MPF entende que "uma concessão pública foi utilizada como instrumento da violação de direitos fundamentais da pessoa humana, e exatamente do segmento mais fragilizado da sociedade – as crianças e adolescentes. Nenhuma justificativa de informação pública pode socorrer os autores de tamanha afronta, absolutamente desnecessária, que ofendeu a dignidade da pobre vítima, ampliando seus ultrajes e vergonha, e a dignidade dos telespectadores, transformados, em pleno horário do meio dia, em espectadores de um 'snuff movie' que seria proibido até mesmo no horário da madrugada ou no mais recôndito dos cinemas pornôs”.

Ainda na ação, o MPF cita recente proibição, pela Justiça Federal, de exibição de filme, de procedência sérvia, que em uma das cenas simulava o estupro de um bebê (foi utilizado um boneco) e questiona: “O que se dizer, então, da TV aberta que exibe em pleno meio dia cenas de um estupro real, precedidas de inúmeros 'trailers' apelativos com parte das cenas e chamadas do apresentador? (...) O que falta para a TV Correio em seu vale tudo pela audiência? Exibir cenas reais do estupro de um bebê - posto que de criança já exibiu – a pretexto de 'informação'?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Veto ao ‘Fora Teixeira’ remete à ditadura, diz defensor público

Veto ao ‘Fora Teixeira’ remete à ditadura, diz defensor público

Felipe Prestes no Sul21


Fotos de um mosaico feito por torcedores do Internacional com os dizeres “Fora Teixeira” durante o clássico Gre-Nal do último domingo (28) correram o país, mas elas escondem uma realidade: a Brigada Militar recolheu o material assim que percebeu a manifestação. A informação foi confirmada pelo comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOE), responsável pela segurança nos estádios, tenente-coronel João Diniz Godói. Para o defensor público João Panitz, que conseguiu garantir o direito à manifestação em Santa Catarina, tal proibição “remete aos dias mais duros da ditadura militar”.

Torcida do Inter protestou contra o presidente da CBF durante o Gre-Nal, mas Polícia Militar recolheu os cartazes | Foto: Tárlis Schneider/Ag.Freelancer/Sul21
A Polícia Militar do Rio Grande do Sul não foi a única instituição a tentar reprimir as manifestações contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira no último final de semana. A Associação Nacional dos Torcedores (ANT) e a Confederação Nacional das Torcidas Organizadas (Conatorg) aproveitaram a rodada de clássicos para organizar o protesto nacional. Segundo a ANT, desde que começou a realizar manifestações contra Teixeira, no ano passado, a repressão é regra e não exceção.
O comandante do BOE afirma que a ação foi baseada no artigo 13 do Estatuto do Torcedor, que no inciso IV, incluído na lei em 2010, proíbe o cidadão de “portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo”. Na interpretação de Godói, “Fora Teixeira” é uma mensagem ofensiva. “Nós interpretamos, sim, que fere o Estatuto do Torcedor, na medida em que é direcionada a uma pessoa. O estatuto é bem claro no nosso entendimento”, afirma.
Não é o que pensa o defensor público da União, de Santa Catarina, João Panitz. No final de semana ele e o Ministério Público Federal impediram, com uma liminar na Justiça Federal, que esta interpretação fosse utilizada pela polícia na partida entre Avaí e Figueirense. “Este artigo tem que ser visto pelos óculos da Constituição, que garante o direito fundamental, irrevogável, inalienável, de livre manifestação do pensamento. Este artigo restringe manifestações ofensivas a grupos sociais minoritários, ou casos de xenofobia. É para este tipo de caso que se aplica a restrição”, defende Panitz. Para o defensor público, o cerceamento à livre manifestação é “de todo lamentável” e “remete aos dias mais duros da ditadura militar”.
O tenente-coronel Godói diz desconhecer esta decisão de Santa Catarina e afirma que no Rio Grande do Sul não houve qualquer intervenção da Justiça. Procurado pelo Sul21, o governador Tarso Genro disse, por meio de sua assessoria, que a Brigada Militar é uma instituição de Estado e não de governo e que tem autonomia para fazer a segurança nos estádios.
panitz
Para defensor público João Panitz proibição de protestos atenta contra Estado democrático | Foto: Divulgação
Federação quis definir aplicação da lei
No caso de Santa Catarina, a iniciativa de proibir as manifestações contra Teixeira partiu da Federação Catarinense de Futebol (FCF). Na quinta-feira passada, a entidade publicou nota manifestando “repúdio a qualquer manifestação ofensiva, realizada em jogos no território de Santa Catarina, direcionada ao Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Dr. Ricardo Terra Teixeira, bem como à própria CBF”.
Em seguida, a nota da FCF destacou uma parte do artigo 13, ameaçando os torcedores de serem retirados do estádio caso se manifestassem no clássico de Florianópolis: “o não cumprimento das condições estabelecidas neste artigo implicará a impossibilidade de ingresso do torcedor ao recinto esportivo, ou, se for o caso, o seu afastamento imediato do recinto, sem prejuízo de outras sansões (sic) administrativas, civis ou penais eventualmente cabíveis”.
Após a decisão da Justiça Federal, a FCF emitiu outra nota, afirmando que “embora defenda, desde que não haja ofensa ou agressão, a livre manifestação do pensamento, conforme preceitua o disposto no inciso IV do art. 5° da Constituição Federal, é contrária a qualquer manifestação ofensiva nos estádios de futebol do Estado de Santa Catarina, a quem quer que seja”. Diz ainda a nota que “deve ser assegurada a inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas”.
O defensor público da União, João Panitz, afirma que a FCF não tem qualquer ingerência sobre a segurança nos estádios de Santa Catarina e que a atribuição de aplicar a lei nas partidas cabe tão somente à polícia. Panitz revela que a federação sequer precisou ser notificada da liminar, endereçada diretamente à Polícia Militar, para que cumprisse o que a Justiça determinava. O defensor afirma que impedir a livre manifestação fere tratados internacionais assinados pelo Brasil motivo pelo qual a Justiça Federal entendeu ter competência para o caso.

Protestos contra Ricardo Teixeira vêm sendo realizados em todo o Brasil | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
“Há um histórico de retirada de faixas”
Jorge Suzuki, integrante da ANT, afirma que, além dos casos de SC e RS, o único registro de proibição a faixas contra Ricardo Teixeira na rodada de clássicos ocorreu na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, na partida entre América-MG e Atlético-GO. Ele repudia as proibições. “Vamos defender nosso direito à livre manifestação. ‘Fora Teixeira’ não ofende ninguém. Pedir prestações de contas não ofende ninguém”, afirma.
Suzuki conta que há um histórico de retirada de faixas contra a Rede Globo e Ricardo Teixeira em estádios de todo o país, desde 2010. Corintiano e morador de São Paulo, Suzuki estava em Goiânia no ano passado, em uma partida entre Corinthians e Goiás em que faixas da ANT foram retiradas do estádio. Também na capital goiana, durante um jogo da seleção brasileira contra a Holanda, já em 2011, integrantes da ANT carregavam, de fato, uma faixa ofensiva, que dizia “Fora Ricardo Ali Babá Teixeira”. Mas eles não foram apenas retirados do estádio. Estavam prestes a ser agredidos por seguranças particulares quando um radialista local interveio.
No amistoso de despedida de Ronaldo da seleção, no Pacaembu, foram proibidas quaisquer faixas, menos as que eram cedidas pela Nike, que fornece material esportivo à seleção. Segundo Suzuki, na capital paulista a repressão é a regra. “Em São Paulo, qualquer manifestação de cunho político costuma ser proibida. Aqui é um dos Estados em que a repressão nos estádios é maior”, conta. “No Rio de Janeiro, integrantes da ANT nos relatam que está aumentando a repressão”, completa.
O integrante da ANT aponta uma contradição no comportamento das federações estaduais. “Federações se valem do poder público quando lhes convêm, mas quando lhes pedem idoneidade se defendem pelo fato de serem entidades privadas. Se o preço para se manter no poder for incitar a repressão das polícias estaduais, eles fazem”, afirma.
Mas Suzuki acredita que a repressão aos protestos contra Ricardo Teixeira está com os dias contados. “Na medida em que a população for aderindo, não haverá como proibir”, avalia. De fato, a proibição não impediu que a torcida do Internacional armasse seu mosaico, nem que a torcida do Grêmio colocasse uma faixa que passou despercebida pelos policiais.
E o integrante da ANT diz que a aceitação é cada vez maior, bem como a exposição dos protestos na imprensa. Conta que é cada vez maior o número de torcedores pedem informações sobre a ANT nos estádios, se associam, perguntam como colaborar. Suzuki avalia como “muito positiva” a primeira ação conjunta entre ANT e Conatorg, em que foram registrados protestos em quase todos os dez estádios que abrigaram a rodada mais chamativa do campeonato brasileiro. O torcedor avisa: vêm mais ações por aí.