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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Fernando Haddad: "Nós devemos lutar para que a comunidade LGBT tenha seus direitos assegurados"

Fernando Haddad: "Nós devemos lutar para que a comunidade LGBT tenha seus direitos assegurados"


Haddad participa de reunião com representantes da comunidade GLBT - JF Diório/AE
JF Diório/AE
Haddad participa de reunião com representantes da comunidade GLBT
"Não há contradição entre liberdade religiosa e direitos civis. Infelizmente, desde 2010, percebe-se um retrocesso no debate na sociedade sobre o tema, estimulando essa contradição fictícia", disse. "Nós devemos lutar para que a comunidade LGBT tenha seus direitos assegurados. Que toda a forma de violência seja repudiada. Me parece ser uma direção muito correta".
Do outro lado, Haddad sofre com pressões das lideranças religiosas, que seu cobram distanciamento do tema em troca de apoio na campanha. Entre os grupos mais conservadores, o ex-ministro tem o nome atrelado ao kit anti-homofobia, material criado por uma ONG na gestão do petista no Ministério da Educação, ao qual são avessos. No plano de propostas entregue na última quinta, a militância pede o resgate deste projeto engavetado pela presidente Dilma Rousseff, por pressões da bancada evangélica no Congresso.
As propostas apresentadas na reunião pregam o combate à homofobia em cinco eixos da administração: na educação, na cultura, na saúde, no transporte e no trabalho. Em educação, por exemplo, o grupo propõe uma campanha de incentivo a professores transgêneros nas salas de aula, além da adoção do kit gay - como ficou conhecido o material do MEC.


No Estadão

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

2011: Homofóbicos e fascistas saíram do armário



2011: Homofóbicos e fascistas saíram do armário

2011: Homofóbicos e fascistas saíram do armário
2011 pode ser descrito como o ano em que a homofobia ganhou nome, endereço e face. Por conta dos avanços e da visibilidade que a questão gay ganhou na mídia e na política, os intolerantes resolveram se assumir e ir para as ruas, seja para protestar contra o que chama de "deturpação da família", ou, para agredir e matar homossexuais. Nunca se leu e se noticiou tantos atos de homofobia como este ano.

Pode-se dizer que tal avanço da homofobia se deve primeiramente a homofobia estatal que, descaradamente, legalizou tal assunto no seio da sociedade. Em maio deste ano a cidade de São Paulo foi palco de um show bizarro: uma passeata organizada por sujeitos da extrema direita, leia-se fascistas, em defesa da família heterossexual, contra uma pedagogia de combate a discriminação nas escolas e, claro, em defesa do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). O parlamentar, dentro de sua mediocridade, elencou o assunto LGBT como sua bandeira de ataque e repulsa. 

A esquizofrenia homofóbica chegou a tal ponto em 2011 que até mesmo heterossexuais passaram a serem vítimas da intolerância. Não precisa ser homossexual, apenas aparentar ser um sujeito que ama outra pessoa do mesmo sexo. Dois casos marcaram: pai e filho que foram agredidos por que supuseram que eram um casal e, outro, na Avenida Paulista, dois amigos apanharam por que os seus algozes julgaram que eram homossexuais.

Para além da vida social, o crime homofóbico ganhou status novelístico e foi parar na novela "Insensato Coração", com o personagem Gilvan (Miguel Roncato), que foi espancado brutalmente até a morte. À época muita gente comentou da semelhança do personagem com o jovem Alexandre Ivo, que foi assassinado aos 14 anos em situação muito semelhante a da retratada no folhetim das 21h.

E quando achávamos que a crueldade homofóbica não faria um segundo Alexandre Ivo... Fechamos o ano com o assassinato de um jovem de 14 anos no interior de São Paulo, na cidade de Taquarituba, que foi a um encontro, mas na verdade era uma emboscada: o jovem foi estuprado e torturado até a morte.

A perspectiva para 2012 não é das melhores. Fica a dúvida se as agressões homofóbicas, que hoje acontecem nos principais espaços de convívio gays a luz do dia ou na calada da madrugada, terão fim.

O Governo Federal começou este ano a levantar dados sobre os ataques, basta saber de que maneira irá atuar para combater tais crimes. Enquanto isso, a comunidade LGBT vive sob um surto homofóbico social e estatal, em que muitos dos sujeitos homossexuais resolveram voltar para o armário com medo de serem agredidos. Voltamos para a inquisição?



No Acapa