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sábado, 1 de junho de 2013

O deputado Feliciano e a Parada Gay

O deputado Feliciano e a Parada Gay

Por Luciano Martins Costa - Observatório da Imprensa

A imagem do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, posando ao lado de quatro travestis, aparentando nervosismo e com as mãos crispadas, é destaque na primeira página da edição de sexta-feira (31/5) da Folha de S.Paulo(ao lado). O governador se submeteu à situação, na qual parece pouco à vontade, durante visita à Feira da Diversidade, evento que antecede a Parada Gay, marcada para o domingo (2/6) na capital paulista.
Na mesma reportagem, o jornal informa que o deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e protagonista de ruidosas controvérsias envolvendo direitos de homossexuais, aceitou comparecer ao festival de cinema que ocorre no final de semana.
Há uma diferença notável entre as coberturas daFolha e do Estado de S.Paulo: na Folha, o assunto tem destaque na primeira página e ganha ares de celebração; no Estado, o tema é tratado mais discretamente, com o tom utilitário das reportagens de serviço.
Realizado desde 1997, inicialmente como parte das comemorações do Dia Internacional do Orgulho Gay, o desfile cresceu e se transformou num evento turístico de grandes proporções, com até 1 milhão de participantes. Paralelamente, sempre marcou também um período de adensamento das manifestações homofóbicas, que tiveram seu auge em 2009 com um atentado com bomba caseira que deixou vários feridos, como lembra o Estado.
O tom quase militante da Folha e o distanciamento quase asséptico do Estado revelam muito do estilo de cada um dos diários, mas também apontam para um aspecto interessante de como certas questões sociais são introduzidas na agenda pública organizada pela mídia tradicional.
Pode-se dizer que o ativismo homossexual, que tem seu clímax nos desfiles de estilo carnavalesco, como o que ocorre em São Paulo no domingo, surgiu como reação ao preconceito e aos episódios de violência e constrangimento que essa parcela da população sempre sofreu. No entanto, os grandes eventos, como a Parada Gay, foram favorecidos pelo advento da internet e das redes sociais digitais.
Conteúdos repugnantes
Pode-se, então, afirmar que os meios digitais contribuem para disseminar ideias mais avançadas sobre direitos de minorias? A resposta correta teria que levar em conta a incalculável diversidade da rede, que praticamente reproduz a complexidade da própria sociedade: no mesmo espaço onde democraticamente se manifestam militantes dos direitos de homossexuais também proliferam as mais grotescas expressões de intolerância e alguns episódios muito atrapalhados.
Nesta semana, por exemplo, duas adolescentes acrianas, com a intenção de criticar o preconceito, postaram um vídeo no qual fingiam ser um casal homossexual. O resultado foi desastroso, mas elas conseguiram chamar a atenção de milhares de pessoas até que a postagem foi bloqueada, provavelmente por exigência do pai de uma delas.
A intenção das duas jovens de 16 anos se perdeu numa avalancha de comentários, entre os quais se destacavam mensagens religiosas do tipo que tem sido levado à mídia tradicional pelo deputado e pastor Marco Feliciano.
Pelo que se pode entender de uma reportagem publicada na sexta-feira (31) pelo Estado de S.Paulo, o que pode inibir a intolerância nos novos meios de comunicação e interação não é propriamente a consciência de seus males. Segundo o texto, publicado originalmente pela agência internacional Bloomberg, os dirigentes do Facebookdecidiram agir com mais rigor para retirar do ar manifestações agressivas e expressões de mau gosto.
A medida foi provocada por queixas de uma organização de defesa dos direitos das mulheres, mas a reação do Facebook.com foi motivada pela percepção de anunciantes de que a reputação das empresas estava sendo afetada pela proximidade de suas marcas com esses conteúdos ofensivos ou preconceituosos. Não apenas grandes anunciantes, mas também pequenas e médias empresas começaram a cancelar a publicidade na rede social para evitar o contágio de seus anúncios pelas manifestações consideradas repugnantes. Imagine-se, por exemplo, o desastre que representa a proximidade de um anúncio de cosméticos ao lado de imagens explícitas de grupos sociais coniventes com estupros ou violência doméstica.
A decisão do Facebook,de assumir a responsabilidade por conteúdos degradantes, tem mais relação com riscos financeiros do que com preocupações sociais, mas a iniciativa de conter as expressões da barbárie mostra que mesmo a liberdade das redes sociais digitais precisa ter algum limite.

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Petistas anunciam saída da comissão presidida pelo deputado Feliciano

Petistas anunciam saída da comissão presidida pelo deputado Feliciano


Iolando Lourenço*
 Agência Brasil
Brasília - Os deputados do PT que integram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados decidiram hoje (17) se retirar do colegiado como protesto à presidência do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP). A ação também é uma tentativa de inviabilizar os trabalhos da CDHM, por entenderem que não houve legitimidade na eleição do atual presidente.
Os integrantes titulares do PT no colegiado são os deputados federais Padre Tom (RO), Erika Kokay (DF), Domingos Dutra (MA) e Nilmário Miranda (MG). De acordo com Padre Tom, os quatro titulares e igual número de suplentes vão comunicar ainda hoje ao líder da bancada, deputado José Guimarães (CE), que não vão mais participar da CDHM. Eles também pedirão ao líder que não indique outros deputados para suas vagas.
“A comissão está inviabilizada por este ano. Não fazia sentido participar das reuniões e não quero mais polemizar, porque esse cara é um artista e está tirando proveito da situação para interesses individuais”, disse o deputado Padre Tom. Ele criticou também a mobilização da segurança da Casa em todas as reuniões da comissão. “Não se pode paralisar a Casa por causa de um parlamentar”, reclamou.
“Estamos saindo para não legitimar os atos do pastor. Não reconhecemos a eleição dele”, acrescentou o deputado Nilmário Miranda, ex-presidente do colegiado.
Já haviam abandonado a comissão os deputados do PSOL Chico Alencar (RJ) e Jean Wyllys (RJ) e a deputada do PSB Luiza Erundina (SP). Esses deputados, com os petistas da comissão, trabalham agora para a criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos. A frente funcionará de forma paralela à Comissão de Direitos Humanos.

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