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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Estudante de filosofia da Unifesp de Guarulhos comete suicídio dentro da faculdade

Estudante de filosofia da Unifesp de Guarulhos comete suicídio dentro da faculdade

Estudante de filosofia da Unifesp de Guarulhos (SP) comete suicídio dentro da faculdade

Luiz Carlos de Oliveira, de 20 anos, foi encontrado suspenso com uma corda no pescoço na escadaria do Centro Acadêmico; de acordo com amigos, ele era rejeitado por alguns colegas da faculdade pelo fato de ser negro e pobre

José Francisco Neto - Brasil de Fato

O estudante de filosofia Luiz Carlos de Oliveira, de 20 anos, que se suicidou no sábado, em foto de 2010 - Foto: Reprodução/Facebook

De acordo com alunos, os motivos que levaram o jovem a cometer o suicídio podem ser vários. Luiz Carlos era rejeitado por alguns colegas da faculdade pelo fato de ser negro e pobre. Outros também disseram ao Brasil de Fato que o estudante passava por desgaste emocional e problemas financeiros.
A última frase de Luiz Carlos dita a um amigo antes de se matar foi: “Não deixe que essa universidade, ou melhor, algumas pessoas que nela estão, te contaminem assim como um dia fizeram comigo".
Para um outro colega, Luiz Carlos disse que as pessoas precisavam de amor. “Você não está amando? Então procure fazer isso! Vai se sentir bem melhor”, postou um colega dele no Facebook.
Em nota, a Unifesp lamentou a morte do estudante e informou que está prestando apoio a sua família.
O corpo do jovem, que completaria 21 anos daqui a um mês, foi enterrado na tarde de domingo (16) no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Racismo: MPF denuncia professor da UFMA que teria mandado universitário nigeriano "clarear a pele" e "voltar para África em navio negreiro"

Racismo: MPF denuncia professor da UFMA que teria mandado universitário nigeriano "clarear a pele" e "voltar para África em navio negreiro"


O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta quinta-feira o professor universitário José Cloves Verde Saraiva por crime de racismo, xenofobia e injúria racial, praticado durante uma aula do curso de Engenharia Química, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) no ano passado. O caso foi investigado pela Polícia Federal (PF) e denunciado pelos próprios alunos de Cloves Saraiva por meio de um abaixo assinado.

"Nós, estudantes do curso de Engenharia Química da UFMA, matriculados na disciplina Cálculo Vetorial, informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba, humilhando-o na frente de todos os alunos da turma", escreveram os alunos.

No abaixo assinado, os estudantes descreveram as humilhações. "Na entrega da primeira nota o professor não anunciou a nota de nenhum outro aluno, apenas a de Nuhu, bradando em voz alta que 'tirou uma péssima nota'; por mais de uma vez o professor interpelou nosso colega dizendo que deveria 'voltar à África' e que deveria "clarear a sua cor"; em um outro trabalho de sala o professor não corrigiu se limitando a rasurar com a inscrição 'está tudo errado' e ainda faz chacota com a pronúncia do nome do colega", dizia o documento.

Nuhu Ayuba é nigeriano, fazia parte de um grupo de estudantes africanos que foram para São Luís por meio do Programa de Estudantes - Convênio de Graduação (PEC-G) - administrado pelos Ministérios das Relações Exteriores e da Educação e estava em São Luís fazia três meses quando ocorreu o incidente.
Segundo os depoimentos dos alunos do acusado durante a investigação do caso, Saraiva teria mandado o estudante nigeriano "clarear a pele" e "voltar para África em navio negreiro". Ao falar aos policias que investigaram o caso, os alunos do professor universitário ainda disseram que a forma com que Saraiva se referia ao nigeriano prejudicou o desempenho de Ayuba.

O procurador da República, Israel Gonçalves Santos Silva, que ofereceu a denúncia à Justiça Federal, afirmou na denúncia que "é inaceitável qualquer prática racista ou preconceituosa, principalmente a lançada no seio de um ambiente acadêmico, que deveria prezar pelo acolhimento da mais ampla diversidade sociocultural e étnicorracial, dada à pluralidade dos cidadãos que compõem o povo brasileiro".

Cloves Saraiva ainda chegou a divulgar um texto se desculpando pelo caso. Para o procurador da República Israel Gonçalves, autor das ações, o professor Clóves Saraiva incidiu também em ato de improbidade administrativa, uma vez que descumpriu o dever de não discriminar, ofendendo, pois, princípios básicos da administração pública, como da legalidade, impessoalidade e moralidade, e, ainda em desacordo com os princípios que regem o ensino público federal e o exercício do magistério.

Se condenado por todos os crimes a que foi denunciado, a pena pode chegar a 15 anos de reclusão, além do pagamento de multa indenizatória. Além disso, se for condenado também por improbidade, o professor universitário perderá o cargo público e os direitos políticos por cinco anos.