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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

MP denuncia jornalista por crime de racismo


MP denuncia jornalista por crime de racismo


O Ministério Público de Minas Gerais (MP) denunciou, por meio da Promotoria da Primeira vara Criminal de Passos, o jornalista Cássio Danilo Caliari por crime de racismo envolvendo funcionário da Sociedade de Assistência ao Menor de Passos (Samp). O jornalista acredita que a denúncia, ainda em fase de inquérito policial solicitado pelo MP, não deve prosperar.

Em seu depoimento prestado ao delegado da Policia Civil, a vítima Adílio de Almeida Filho alega que as ofensas aconteceram quando ele estava a trabalho, vendendo bilhetes da Zona Azul, próximo à Prefeitura Municipal, no centro de Passos.

Caliari teria ficado parado cinco minutos no carro, em uma das vagas destinadas à Zona Azul, usando o aparelho celular, sem se manifestar para pagar o talão. Passado este tempo, o funcionário da Samp teria batido no vidro do carro para avisar sobre a necessidade de haver o pagamento. Neste instante, o jornalista teria descido muito bravo do veículo, pagado a referida taxa e chamado o rapaz de vagabundo diversas vezes. Além disso, em determinado momento, o homem teria gritado “seu negro vagabundo”, fato presenciado por várias testemunhas.

O denunciado negou as acusações, dizendo que apenas chamou o cobrador da Área Azul de mal educado, pois o funcionário da Samp batia no vidro enquanto ele conversava com sua esposa pelo celular. Caliari confirmou que pagou a taxa do estacionamento e que não xingou o fiscal de “negro vagabundo”, o que para ele seria contraditório, uma vez que diz ter um irmão de criação negro.

Segundo o delegado Felipe de Souza, responsável conclusão do inquérito policial, Caliari cometeu crime de injúria racial, cuja pena seria aumentada por ter sido presenciada por várias pessoas.

Na denúncia oferecida pelo MP, o fato foi presenciado por testemunhas, que se comoveram ao ver o estado lamentável em que ficou a vitima após a agressão verbal. De acordo com MP, a vitima teve sua honra atacada na presença de varias pessoas, já que as ofensas foram bradadas em via publica durante o dia, em local de muito acesso.

Outro lado

O jornalista Cássio Caliari disse que a denúncia não deve prosperar, pois ela ainda está em fase de inquérito. “Acredito que o jovem da Samp possa ter se confundido, já que estava mais preocupado em vender seu bilhete do que respeitar alguém que estava ao telefone. Possuo, inclusive, o bilhete da Zona Azul. Mesmo assim, sempre estarei à disposição da justiça para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários”, afirmou.

Ele argumentou ainda que, caso o MP não saiba, ele tem familiares afro-descendentes. “Vale lembrar que não possuo em minha vida pessoal ou profissional quaisquer antecedentes de atos preconceituosos. Talvez o jovem, impetuoso, no afã de se fazer notar, também não tenha conhecimento de que falsa comunicação de crime também é crime. Conto com a verdade e com o apoio de irmãos por adoção afro-descendentes, cunhadas afro-descendentes e de centenas de amigos afro-descendentes” concluiu.
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quinta-feira, 22 de março de 2012

Racismo: MPF denuncia professor da UFMA que teria mandado universitário nigeriano "clarear a pele" e "voltar para África em navio negreiro"

Racismo: MPF denuncia professor da UFMA que teria mandado universitário nigeriano "clarear a pele" e "voltar para África em navio negreiro"


O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta quinta-feira o professor universitário José Cloves Verde Saraiva por crime de racismo, xenofobia e injúria racial, praticado durante uma aula do curso de Engenharia Química, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) no ano passado. O caso foi investigado pela Polícia Federal (PF) e denunciado pelos próprios alunos de Cloves Saraiva por meio de um abaixo assinado.

"Nós, estudantes do curso de Engenharia Química da UFMA, matriculados na disciplina Cálculo Vetorial, informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba, humilhando-o na frente de todos os alunos da turma", escreveram os alunos.

No abaixo assinado, os estudantes descreveram as humilhações. "Na entrega da primeira nota o professor não anunciou a nota de nenhum outro aluno, apenas a de Nuhu, bradando em voz alta que 'tirou uma péssima nota'; por mais de uma vez o professor interpelou nosso colega dizendo que deveria 'voltar à África' e que deveria "clarear a sua cor"; em um outro trabalho de sala o professor não corrigiu se limitando a rasurar com a inscrição 'está tudo errado' e ainda faz chacota com a pronúncia do nome do colega", dizia o documento.

Nuhu Ayuba é nigeriano, fazia parte de um grupo de estudantes africanos que foram para São Luís por meio do Programa de Estudantes - Convênio de Graduação (PEC-G) - administrado pelos Ministérios das Relações Exteriores e da Educação e estava em São Luís fazia três meses quando ocorreu o incidente.
Segundo os depoimentos dos alunos do acusado durante a investigação do caso, Saraiva teria mandado o estudante nigeriano "clarear a pele" e "voltar para África em navio negreiro". Ao falar aos policias que investigaram o caso, os alunos do professor universitário ainda disseram que a forma com que Saraiva se referia ao nigeriano prejudicou o desempenho de Ayuba.

O procurador da República, Israel Gonçalves Santos Silva, que ofereceu a denúncia à Justiça Federal, afirmou na denúncia que "é inaceitável qualquer prática racista ou preconceituosa, principalmente a lançada no seio de um ambiente acadêmico, que deveria prezar pelo acolhimento da mais ampla diversidade sociocultural e étnicorracial, dada à pluralidade dos cidadãos que compõem o povo brasileiro".

Cloves Saraiva ainda chegou a divulgar um texto se desculpando pelo caso. Para o procurador da República Israel Gonçalves, autor das ações, o professor Clóves Saraiva incidiu também em ato de improbidade administrativa, uma vez que descumpriu o dever de não discriminar, ofendendo, pois, princípios básicos da administração pública, como da legalidade, impessoalidade e moralidade, e, ainda em desacordo com os princípios que regem o ensino público federal e o exercício do magistério.

Se condenado por todos os crimes a que foi denunciado, a pena pode chegar a 15 anos de reclusão, além do pagamento de multa indenizatória. Além disso, se for condenado também por improbidade, o professor universitário perderá o cargo público e os direitos políticos por cinco anos.