CIDH condena Chile por discriminação contra juíza lésbica que perdeu a guarda das três filhas por supostamente exercer "má influência"
A CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos) anunciou nesta quarta-feira (21/03) sentença em que condena o Estado Chileno por discriminação contra a juíza Karen Atala. Em 2004, a magistrada perdeu a guarda das três filhas após decisão da Suprema Corte do Chile que, segundo a CIDH, se baseou principalmente na homossexualidade da juíza.
Em 2003, Atala foi processada pelo marido, o advogado Jaime López, por supostamente exercer "má influência" sobre as filhas. O casal havia se separado no ano anterior, após a juíza assumir a homossexualidade. Atala passou a viver com a namorada, a historiadora Emma de Ramón, e manteve a guarda das crianças. Em janeiro de 2004, porém, a Corte de Apelações de Villarrica decidiu que a guarda das três passaria a ser responsabilidade de López, decisão ratificada, em setembro do mesmo ano, pela Suprema Corte do Chile.
Quatro anos depois, Atala, com a ajuda de diversas entidades chilenas de apoio aos direitos das mulheres e dos homossexuais, levou à CIDH um processo contra o Estado chileno por discriminação, baseado na decisão da Suprema Corte. Em seu depoimento na CIDH, Atala declarou que “a linha de defesa dele (López), no processo de 2004, era a de que ser mulher homossexual é sinônimo de péssima mãe, porque as lésbicas são promíscuas, e nessa convivência as meninas poderiam se contagiar. Ele declarou isso textualmente”.
Após o anúncio da sentença, os advogados de Atala realizaram uma entrevista coletiva na sede da Corporação Humanas (uma das entidades que patrocinou o processo junto à CIDH) e disseram que a juíza não iria se pronunciar nos próximos dias, pois estava muito emocionada. “Esse estigma de péssima mãe, baseado somente no fato de ser homossexual, a machucou muito. Ela sente que hoje se livrou desse estigma, e essa emoção é muito forte”, explicou a advogada Kena Lorenzini, que também é vice-presidente da Corporação Humanas.
Reações
Horas depois do anúncio da decisão, o porta-voz da Suprema Corte, Jaime Rodríguez, afirmou que “a decisão de 2004 não se baseou na opção sexual da ré, e sim no risco que poderia haver para as crianças”. Segundo Rodríguez, a CIDH somente considerou, diferente da Suprema Corte, que a situação não oferecia risco às crianças.
Já o Movimento de Integração e Libertação dos Homossexuais (Movilh Chile) se pronunciou por meio do presidente, Rolando Jiménez. Ele disse que “ficará marcado na História que o Chile foi o primeiro país do mundo a ser condenado por discriminação sexual”.
O ministro de Justiça, Teodoro Ribera, considerou que a decisão CIDH se refere somente a um caso pontual e anunciou que “o governo reitera seu total apreço pelo direito internacional e estará implantando todas as medidas solicitadas o mais breve possível”.
O ex-marido de Atala, Jaime López, criticou a decisão. Em carta, afirmou que “essa decisão ignora por completo os testemunhos das minhas filhas”. Segundo Sonia Vargas, advogada de López, “está é uma vitória pessoal da Karen, e só dela, pois ela já se esqueceu das meninas. A única coisa que ela fez pelas filhas foi expô-las a esse processo constrangedor”.
Com a decisão, o Estado Chileno será obrigado pagar a Atala uma indenização de US$ 60 mil, além de prestar acompanhamento psicológico à família, realizar um ato público de reconhecimento internacional por sua responsabilidade e promover cursos de capacitação para funcionários públicos que defendam princípios antidiscriminatórios.
No Ópera Mundi
Tweet
Mostrando postagens com marcador juíza lésbica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador juíza lésbica. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 21 de março de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)