terça-feira, 5 de junho de 2012
Jovens voltam a fazer história
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Em caso de anencefalia que dividiu o Chile, bebê agonizou 1h30 antes de morrer
A chilena Claudia Pizarro tentou interromper a gravidez, mas foi pressionada por políticos e organizações
Luciana Taddeo/Opera Mundi
Certidão de nascimento e óbito do bebê de Claudia: nascimento às 09h57 e morte às 10h58 em 5 de janeiro de 2011
Claudia Pizarro é uma massagista chilena que, aos 28 anos, protagonizou um intenso debate político-social em seu país: a interrupção da gravidez quando o bebê nascerá com má formação cerebral. O Chile, onde o aborto é proibido até mesmo quando representa riscos de saúde para a gestante, apresenta uma das taxas mais altas de abortos clandestinos da América Latina: de cada três gestações, uma é interrompida.
Pizarro conta como sua história passou do plano social para o político: “Os médicos me disseram que o bebê não era viável, que ia nascer e morrer, já que o crânio não ia se formar e o cérebro ia começar a se desfazer devido ao contato com o útero”, explica ela, cuja decisão de interromper a gravidez foi potencializada pela identificação de uma lesão no colo uterino, não tratável durante a gestação.
“Os médicos diziam que eu fosse pra casa e continuasse com minha rotina, mas as pessoas não conseguem imaginar os transtornos psicológicos que carregar um bebê já dado como morto provoca em uma mulher”, desabafa. “Diziam que se a bebê não morresse, eu teria que esperar até a 43ª semana de gravidez para dar à luz, assim o procedimento não seria um aborto”.
Luciana Taddeo/Opera Mundi
Claudia diz que preferiu tentar a interrupção da gravidez por vias legais com medo de morrer em uma clínica clandestina
Na 36ª semana de gestação, Pizarro entrou com um recurso judicial para que seu parto fosse induzido antecipadamente, com auxílio do advogado chileno Alfredo Morgado, que ameaçou acudir à Corte Interamericana de Direitos Humanos para processar o Estado chileno, no caso de que o pedido fosse recusado.
Após amplo debate público, fomentando por organizações pró e contra o aborto e difundido pela imprensa local, o presidente da comissão de saúde do Senado, Guido Girardi, se comprometeu a colocar em pauta projetos de lei pendentes relativos ao aborto terapêutico.
A criadora de um dos projetos discutidos, Evelyn Matthei, então senadora e atual ministra de Trabalho e Previsão Social, defendeu que a questão de fundo de casos como o de Pizarro é que “a pessoa se sente muito violentada por levar até o fim uma gravidez que não tem nenhum destino”. A discussão, no entanto, não alterou a legislação chilena relativa ao aborto, uma das mais proibitivas do mundo.
Ante a recusa judicial à concessão da interrupção da gravidez, Claudia acabou esperando as 43 semanas de gestação para que a cesariana fosse realizada. Os transtornos psicológicos na mãe e do pai da criança foram tamanhos, que o casal acabou se separando dias depois.
“Meu namorado ficou uma hora e meia com a bebê agonizando em seus braços, e não conseguiu se recuperar. Ela começou a ficar azul e ter ataques, convulsões, e morreu nos braços dele. Ele colocava e tirava um gorrinho da cabeça dela, os médicos diziam que ela tinha morrido e ele continuava dizendo que estava viva. Não queria entregar o bebê. Foi horrível”, lembra.
Segundo Claudia, todas as organizações que lutam contra o aborto que ligavam em sua casa durante a gestação, oferecendo apoio se ela retirasse o recurso judicial para interromper a gravidez, nunca voltaram a se comunicar após o nascimento do bebê. Os políticos que defenderam a legalização do aborto terapêutico em apoio à ela, também.
Campanha pelo aborto terapêutico no Chile:
“Estávamos juntando dinheiro para comprar uma casa, e todos os nossos recursos foram destinados ao caixão e ao enterro. Recebo uma hora de atendimento psicológico no hospital a cada três meses. A saúde pública chilena não tem estrutura para atender casos como este, mas também há este vazio legal, porque a proibição do aborto não deveria ser aplicada para estes casos”, queixa-se.
Claudia conta que preferiu tentar a interrupção de sua gravidez através das vias legais pelo medo de morrer em uma clínica clandestina de aborto, mas que se sente desamparada. “Por que obrigaram que minha filha morresse agonizando, se ela só viveria uma hora e meia? Durante meses fui ao hospital para ver como ela ia morrendo, as poucos”, lamenta.
Para Claudia, a legislação proibitiva somente fomentará a realização de abortos em clínicas clandestinas e o sofrimento de mulheres de baixos recursos: “É desnecessário que nos façam passar por tanto sofrimento. Isso não é vida”.
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quarta-feira, 21 de março de 2012
CIDH condena Chile por discriminação contra juíza lésbica que perdeu a guarda das três filhas por supostamente exercer "má influência"
A CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos) anunciou nesta quarta-feira (21/03) sentença em que condena o Estado Chileno por discriminação contra a juíza Karen Atala. Em 2004, a magistrada perdeu a guarda das três filhas após decisão da Suprema Corte do Chile que, segundo a CIDH, se baseou principalmente na homossexualidade da juíza.
Em 2003, Atala foi processada pelo marido, o advogado Jaime López, por supostamente exercer "má influência" sobre as filhas. O casal havia se separado no ano anterior, após a juíza assumir a homossexualidade. Atala passou a viver com a namorada, a historiadora Emma de Ramón, e manteve a guarda das crianças. Em janeiro de 2004, porém, a Corte de Apelações de Villarrica decidiu que a guarda das três passaria a ser responsabilidade de López, decisão ratificada, em setembro do mesmo ano, pela Suprema Corte do Chile.
Quatro anos depois, Atala, com a ajuda de diversas entidades chilenas de apoio aos direitos das mulheres e dos homossexuais, levou à CIDH um processo contra o Estado chileno por discriminação, baseado na decisão da Suprema Corte. Em seu depoimento na CIDH, Atala declarou que “a linha de defesa dele (López), no processo de 2004, era a de que ser mulher homossexual é sinônimo de péssima mãe, porque as lésbicas são promíscuas, e nessa convivência as meninas poderiam se contagiar. Ele declarou isso textualmente”.
Após o anúncio da sentença, os advogados de Atala realizaram uma entrevista coletiva na sede da Corporação Humanas (uma das entidades que patrocinou o processo junto à CIDH) e disseram que a juíza não iria se pronunciar nos próximos dias, pois estava muito emocionada. “Esse estigma de péssima mãe, baseado somente no fato de ser homossexual, a machucou muito. Ela sente que hoje se livrou desse estigma, e essa emoção é muito forte”, explicou a advogada Kena Lorenzini, que também é vice-presidente da Corporação Humanas.
Reações
Horas depois do anúncio da decisão, o porta-voz da Suprema Corte, Jaime Rodríguez, afirmou que “a decisão de 2004 não se baseou na opção sexual da ré, e sim no risco que poderia haver para as crianças”. Segundo Rodríguez, a CIDH somente considerou, diferente da Suprema Corte, que a situação não oferecia risco às crianças.
Já o Movimento de Integração e Libertação dos Homossexuais (Movilh Chile) se pronunciou por meio do presidente, Rolando Jiménez. Ele disse que “ficará marcado na História que o Chile foi o primeiro país do mundo a ser condenado por discriminação sexual”.
O ministro de Justiça, Teodoro Ribera, considerou que a decisão CIDH se refere somente a um caso pontual e anunciou que “o governo reitera seu total apreço pelo direito internacional e estará implantando todas as medidas solicitadas o mais breve possível”.
O ex-marido de Atala, Jaime López, criticou a decisão. Em carta, afirmou que “essa decisão ignora por completo os testemunhos das minhas filhas”. Segundo Sonia Vargas, advogada de López, “está é uma vitória pessoal da Karen, e só dela, pois ela já se esqueceu das meninas. A única coisa que ela fez pelas filhas foi expô-las a esse processo constrangedor”.
Com a decisão, o Estado Chileno será obrigado pagar a Atala uma indenização de US$ 60 mil, além de prestar acompanhamento psicológico à família, realizar um ato público de reconhecimento internacional por sua responsabilidade e promover cursos de capacitação para funcionários públicos que defendam princípios antidiscriminatórios.
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sábado, 27 de agosto de 2011
Estudantes chilenos correm 1.800 horas sem parar em protesto
Estudantes chilenos correm 1.800 horas sem parar em protesto
Mais de 4.000 estudantes se revezaram durante 1.800 horas em corridas ao redor do Palácio La Moneda em Santiago. A ideia era correr o número de horas equivalente ao montante de dólares necessários, segundo os estudantes, para pagar os estudos dos 300.000 alunos mais vulneráveis do pais.
A manifestação inusitada foi feita durante dois meses e meio e registrando a participação de estudantes, pais, idosos e crianças sem interrupções, com jornadas durante o dia e a noite. O ato encerrou neste sábado (27) reforçando o pedido de educação gratuita e de qualidade e com uma grande corrente humana, passando a bandeira chilena de mão em mão.
Durante as últimas horas da corrida, o pelotão aumentou, até somar cerca de 500 pessoas, que corriam ao redor da sede do executivo, portando bandeiras chilenas, guarda-chuvas, cartazes, globos, e cantando em favor de uma educação melhor.
Mais de mil pessoas aplaudiam nas ruas, e os automóveis faziam soar suas buzinas em sinal de apoio.
Com informações da France Press
no Sul 21
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Pablo Neruda foi "assassinado"

quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Que 11 de setembro você lembra?
"Queridas mães, pais e entes queridos daqueles que morreram em 11 de setembro em Nova York.
Eu sou chileno, moro em Londres e gostaria de dizer que talvez tenhamos algo em comum, seus entes queridos foram assassinados assim como os meus e nós temos uma data em comum, 11 de setembro. Terça-feira, 11 de setembro.
Em 1970 houve uma eleição. Eu tinha dezoito anos e votei pela primeira vez. Tínhamos o lindo sonho de construir uma sociedade na qual nosso povo repartisse o fruto do seu trabalho, a riqueza do país. Em setembro de 1970 todos fomos votar e vencemos!
Havia leite e educação para as crianças.
Terras improdutivas foram a camponeses sem terra.
O carvão, as minas de cobre e as industrias de base se tornaram propriedades de todos nós.
Pela primeira vez na vida, as pessoas tinham dignidade.
Mas, não sabíamos como aquilo era perigoso.
O secretário de Estado de vocês. Henry Kissinger anunciou:
“Não vejo porque deveríamos deixar um país se tornar comunista, devido a irresponsabilidade do seu povo!”
Nossa decisão democrática, nossos votos não eram relevantes. O mercado, o lucro, eram mais importantes do que a democracia.
Daquele momento em diante, nossa dor, e a de vocês foi legalizada.
O presidente de vocês, Nixon, disse que faria nossa economia gritar. Ele mandou que a CIA se envolvesse diretamente na organização de um levante militar, um golpe de Estado.
US$ 10 milhões, mais, se necessário estavam à disposição para aniquilar nosso presidente, Salvador Allende.
Amigos, os líderes de vocês estavam decididos a nos destruir. Eles provocaram uma greve nos transportes que quase paralisou nossa economia.Embargaram todo o comércio conosco, o que criou o caos. Trabalharam com quem, em nosso país, não aceitava nossa vitória. Seus dólares sustentaram um grupo de neofascistas que gerou violência e bombardeou fábricas e centrais elétricas.
Incrivelmente , isso não funcionou. Nas eleições municipais, na verdade, nossa base de apoio aumentou.
Então, o que os EUA fizeram?
Em 11 de setembro inimigos da liberdade cometeram um ato guerra contra o nosso país.
Assim que clareou, tropas e tanques atacaram o palácio presidencial. Allende, seus ministros e assessores estavam lá dentro. Allende não fugiu quando o Palácio La Moneda foi bombardeado.
Ele foi assassinado.
Ele foi assassinado.
Terça-feira.Também foi uma terça-feira,11 de setembro de 1973.
Um dia que destruiu nossa vida para sempre.
Levei um tiro no joelho e, depois, eles bateram minha cabeça no chão. Eles me bateram tanto, que às vezes eu desmaiava.
Um dia, na prisão, vi um homem ser arrastado pelos braços, ele não conseguia andar, sangue saia de seus ouvidos. Quebraram ossos dele e depois o assassinaram.
Ficamos sabendo sobre os campos de tortura dirigidos por oficiais do Exército treinados nos EUA
Ficamos sabendo sobre os que foram estripados, jogados de helicópteros, torturados diante de seus filhos e cônjuges .
Sabem o que eles faziam?
Ligavam fios elétricos nos genitais. Enfiavam ratos na vagina das mulheres. Treinavam cães para estuprar mulheres.
E aí ficamos sabendo sobre a caravana da morte. O general que ia de cidade em cidade fazendo execuções a esmo.
30 mil foram assassinados, 30 mil!
Seu embaixador no Chile reclamou de torturas, mas Kissinger respondeu: “Pare de querer dar aula de ciência política”. O general Pinochet, que organizou o golpe, sorriu e aceitou os parabéns do secretário de Estado pelo “bom trabalho”. E os dólares começaram a entrar de novo no Chile.
Eles me chamaram de terrorista e, me condenaramà prisão perpétua sem julgamento nem defesa.
Fui libertado cinco anos depois, mas tive de sair do país, pela segurança dos meus amigos.
Não posso voltar para o Chile agora, embora só pense nisso.
O Chile é meu lar,mas... o que aconteceria com meus filhos? Eles nasceram em Londres. Não posso condená-los a um exílio como o meu. Não posso fazer isto agora, mas desejo ir para casa de todo coração.
Santo Agostinho disse: “A esperança tem duas filhas lindas, a raiva e a coragem. A raivado estado das coisas e a coragem para mudá-lo”.
Mães, pais e entes queridos dos que morreram em Nova York, logo chegará o 29º aniversário de nossa terça-feira, 11 de setembro e o 1º aniversário da sua.
Vamos nos lembrar de vocês. Espero que vocês se lembrem de nós.
Pablo"