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terça-feira, 22 de maio de 2012

Machista nojento: Passageiro é expulso de avião após se recusar voar com mulher no comando


Machista nojento: Passageiro é expulso de avião após se recusar voar com mulher no comando



Um homem foi expulso de um avião da Companhia Trip Linhas Aéreas, no Aeroporto Internacional Presidente Tancredo Neves, em Confins, na Grande Belo Horizonte.
Apesar de sua identidade não ter sido revelada pela empresa, ele foi obrigado a deixar um jato Embraer 190, que seguiu em voo para Palmas (TO), com escala em Goiânia (GO).
“Eu não voo com mulher no comando”, disse momentos antes, segundo testemunhas. O caso aconteceu na noite da última sexta-feira (18).
O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, comandante Gelson Fochesato, lamentou a situação e a considerou “absurda”.
“Nem mesmo nos Emirados Árabes, um lugar mais restrito em relação às mulheres, existe isso. A aviação brasileira conta com mulheres há pelo menos 30 anos e é muito estranho e absurdo acontecer este tipo de situação. Há mulheres comandantes no mundo inteiro e nunca tivemos notícia de uma situação como esta. Infelizmente, este passageiro foi pioneiro. As mulheres são cuidadosas e é muito seguro voar tanto com elas quanto com homens”, destacou o comandante. O sindicato foi criado em 1946. 


O empresário Paulo César de Oliveira, 66 anos, estava no voo de Confins para Goiânia e presenciou a confusão gerada pela atitude preconceituosa do passageiro. O resultado, além da expulsão do homem, que aparenta 40 anos de idade, foi o atraso de aproximadamente uma hora na viagem. Oliveira aprovou a retirada do passageiro com comportamento machista por agentes da Polícia Federal (PF), responsáveis pela segurança nos aeroportos da aviação civil.
De acordo com o empresário, os outros passageiros, ao perceberem a situação, reagiram com vaias. Após a retirada do passageiro preconceituoso da aeronave, com capacidade aproximada de 90 pessoas, o voo seguiu tranquilamente para o seu destino, sob a direção da comandante Betânia. Seu sobrenome não foi informado pela companhia aérea.
“Sempre estou neste voo para Goiânia e nunca houve atrasos. Estava marcado para sair às 20h59. Quando eram 21h15, percebi que um passageiro dizendo: 'A Trip deveria ter me avisado que a comandante era mulher. Eu não voo com mulher no comando'”, lembrou Oliveira. “Ela, a comandante, também sentiu-se no direito de não voar com o passageiro e a Polícia Federal foi acionada”, completou o empresário, que aprovou Betânia no comando.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Trip confirmou o caso, mas não permitiu que os envolvidos da tripulação fornecessem mais informações ou comentassem o assunto. Informou, ainda, que é o primeiro registro de situação como esta em um dos voos da companhia. E que o passageiro foi convidado a se retirar, acompanhado por agentes da Polícia Federal (PF). A assessoria de imprensa da PF em Minas Gerais não forneceu informações estatísticas sobre outros possíveis casos de passageiros incomodados com mulheres na cabine de comando.
Mais confiança nas mulheres
Muitas empresas aéreas vêm promovendo mulheres ao posto de comandante e, geralmente, os homens que viajam pelas rotas nacionais e internacionais aprovam a iniciativa. Não são comuns casos tão explícitos de comportamento machista, como o ocorrido no último dia 18, em Minas Gerais. Tanto assim que a Trip e o Sindicato Nacional dos Aeronautas nunca haviam registrado outro igual.
No último sábado, por exemplo, o representante comercial Rafael Stecklow, 28 anos, postou com satisfação foto da comandante de um avião em que embarcou, também no aeroporto de Confins. “Comandante do voo 4422 da Azul, de BH para Campinas, é mulher!!! Tudo pra ser um voo mais tranquilo”, postou Rafael no Twitter.
“Damas Voadoras”
Uma comandante Betânia, da Trip linhas aéreas, e sua equipe inspiraram um texto na internet, com elogios às atuações durante o serviço. A tripulação feminina da Trip, sob o comando de Betânia, recebeu o carinhoso apelido de “Damas Voadoras”. “Procedimentos firmes e manobras de aproximação da pista de pouso perfeitas”, diz trecho em um blog.
Saiba como é a vida de uma comandante de avião
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que as mulheres vêm conquistando timidamente espaço neste mercado, que inclui também os pilotos particulares. Até 2010, foram emitidas somente 793 licenças de piloto para mulheres. Destas, 163 estavam válidas, ou seja, foram renovadas até 2010. Entre as profissionais, das licenças válidas foram habilitadas 51 pilotos privados de avião, 65 pilotos comerciais e 15 de linha aérea – o nível mais alto da carreira na aviação civil. De helicópteros, a Anac emitiu licenças para 6 pilotos privados, 20 pilotos comerciais e 6 de linha aérea.
Participação feminina cresce na aviação brasileira
Trata-se de espaço profissional predominantemente masculino até o momento. No total de licenças válidas até 2010, esmagadora minoria tinha mulheres como titulares (0,8%), enquanto que os pilotos homens somavam 54.083 licenças emitidas pela Anac, sendo 14.282 renovadas.

No Último Segundo

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Mal-amadas somos todas as mulheres, inclusive a Ministra

Mal-amadas somos todas as mulheres, inclusive a Ministra

No Território da Maíra

Quando alguém quer criticar uma mulher, dizer que ela é “mal-amada” é a saída mais fácil. Foi isso que fez o bispo de Assis (SP), dom José Benedito Simão, ao tentar desqualificar a nomeação de Eleonora Menicucci como ministra das Mulheres.

Ontem, em entrevista a um jornal de São Paulo, o membro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) ainda afirmou que a nova ministra é “infeliz e irresponsável”. Ao invés de debater o posicionamento da Igreja católica sobre o aborto, absolutamente oposto ao de Eleonora, parte-se para ataques pessoais que beiram o ridículo de uma criança de 7 anos dizendo “você é feia e boba” para outra coleguinha.

Mas com um baita preconceito de gênero por trás.

(Isso, claro, sem comentar o fato lamentável de a imprensa considerar legítimo e digno de fonte um argumento desses)

Utilizar a expressão “mal-amada” (ou “mal-comida”, na versão chula) significa partir do pressuposto que as mulheres navegam apenas pelo campo do irracional, dos sentimentos, do coração. Razão é exclusividade de quem pênis e é macho. Logo, é preciso um homem ao seu lado para ampará-la e mantê-la equilibrada. (Sim, homem, porque a nossa sociedade é heternormativa, infelizmente).

Ser “mal-amada” significa que qualquer opção diferente de uma família papai-mamãe-filhinhos não é legítima. Bem-amado são os casados que procriam. E ponto. Se você está em uma situação diferente dessa e é mulher, cuidado! Corra para as normas, meu bem!

Chamar uma mulher de mal-amada é um mito semelhante ao exagero da TPM (Tensão Pré-Menstrual), onde qualquer comportamento genioso, forte ou contundente é atribuído a hormônios que descontrolariam qualquer corpo. Como se ninguém pudesse ter personalidade e momentos de altos e baixos.

Nada de se admirar, vindo de uma instituição que durante a Idade Média queimou mulheres que eram lideranças nas comunidades ou prestavam serviços de curandeiras acusando-as de bruxaria.

Se a ministra Eleonora é mal-amada por defender, racionalmente, seus posicionamentos políticos, então eu também sou.

E o Troféu Frango vai..., que rufem os tambores, para o Bispo machista, fascista José Benedito Simão

E o Troféu Frango vai..., que rufem os tambores, para o Bispo machista, fascista José Benedito Simão

Texto ao bispo: feridas precisam ser limpas para cicatrizar

Criei, anos atrás, o humorado Troféu Frango para premiar declarações estranhas em geral – quem é leitor deste blog já está acostumado com ele. Hoje, o Frango vai para José Benedito Simão, bispo de Assis (SP):

..

Presidente da Comissão pela Vida da regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele disse ao jornal Estado de S. Paulo (leia aqui) que a recém-empossada ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, “é uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável”.
Isso! Não critique o discurso ou o argumento do seu adversário. Desqualifique-o! Aliás, considerando a profundidade das declarações do religioso, acho que ele poderia ter ido além. Por exemplo, dito que Eleonora tem cara de mingau, chulé no pé e não sabe fazer bola com chiclete!
“Ela é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando”, claramente se referindo ao quiorocó causado pelos setores conservadores – entre eles a Igreja – após o lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos em 2010.
Para cicatrizar uma ferida, primeira é preciso abri-la, retirar toda a sujeira que se acumulou e lavá-la bem. Daí usar os medicamentos apropriados para que não ocorra nenhuma infecção, ou seja, que o problema se espalhe. Aí sim, é hora de fechá-la. O que o bispo pede é diferente. Ele quer que ninguém mexa na ferida, que há séculos produz um pus fétido na sociedade, que é a forma como tratamos o direito das mulheres ao seu próprio corpo. E como o Estado se omite em debater temas importantes, deixando para outras instituições essa responsabilidade.
Mas, afinal de contas, ele tem razão. Que história é essa de pensar que o Brasil é laico e democrático? O Brasil pertence aos pastores de Deus, aos homens e aos héteros. Ah, e aos empresários também.
Recordar é viver: críticas colocaram lado a lado setores da igreja, dos militares e do agronegócio, que possuem em suas fileiras alguns dos maiores bastiões do conservadorismo e do atraso. É realmente o país da piada pronta, como diz outro José Simão, esse muito mais engraçado. Lembra muito aqueles microcosmos de poder do Brasil profundo, presentes nas obras de Dias Gomes: o padre, o delegado e o coronel, tomando uma cachacinha na (ainda) Casa-grande e discutindo sobre os desígnios do mundo. Ou pelo menos do vilarejo.
Com tanta atitude arbitrária e antidemocrática do governo para ser criticada, a igreja vai cutucar logo a defesa dos direitos humamos, que serve para trazer um alento de civilização em nosso país de mentalidade tão tacanha. Traduzindo as reclamações da igreja: “Vemos essas iniciativas como uma forma do Estado ter independência e não seguir as regras que ajudamos a construir ao longo de centenas de anos”.
José também falou sobre as declarações de Eleonora sobre a orientação sexual de sua filha, afirmando que ela “deveria tomar mais cuidado para não dar mau exemplo para nossos adolescentes”.
Eleonora, ao deixar claro que tem orgulho de uma filha lésbica, faz um serviço à sociedade, ao mostrar que isso não deveria assustar ninguém. O bispo que deveria tomar cuidado para não dar mau exemplo aos nossos adolescentes com declarações que podem promover a homofobia e a intolerância.
Apesar de não concordar com várias posições da igreja, acredito que José não fala pelo conjunto dela. A Igreja Católica não é José Benedito Simão, nem Joseph Ratzinger. É muito mais do que isso. É também a Comissão Pastoral da Terra, por exemplo. É Pedro Casaldáliga, Henri des Roziers, Tomás Balduíno, Xavier Plassat. Há muita gente lá dentro que defende, de verdade, uma vida de dignidade.
Mas é engraçado ver alguém que tem medo do debate público. Principalmente, quando este vai revelar o anacronismo de seu próprio discurso. Quiçá sua insignificância.
No Blog do Sakamoto

Bispo idiota e fascista ofende ministra e todas as mulheres

O machista parte da "lógica burra" que, para sermos bem resolvidas, felizes, realizadas temos que ter um homem ao nosso lado, mesmo que esse "ser maravilhoso" nos espanque  ou nos mate em nome do "amor". 


E, por esse blog ser de "família" terei a autocensura de não mandá-lo, literalmente, para aquele lugar.

Bispo idiota e fascista ofende ministra e todas as mulheres


José Benedito Simão é o nome do canalha




O Esquerdopata