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terça-feira, 24 de abril de 2012

A Igreja Detesta Os Pobres

A Igreja Detesta Os Pobres

Paulo Nogueira

A irmã Simone Campbell

Ao lado de quem a Igreja Católica fica, dos ricos ou dos pobres?
Dos ricos, todos sabemos. Desde sempre.
Na Inglaterra medieval, um líder popular conhecido como Longbeard por sua barba enorme angariou mais de 50 000 seguidores em Londres. Ele advogava em defesa dos pobres e desvalidos.
Claro que ele terminou morto. Quem comandou o complô para matá-lo foi a principal autoridade católica da Inglaterra de então – o arcebispo da Cantuária. Longbeard se refugiou numa igreja, na esperança de que ela fosse respeitada. Por ordens do arcebispo, puseram fogo nela. Longbeard foi capturado e esquartejado, ao lado de um grupo de seguidores que não o abandonaram em momento nenhum. Um historiador inglês do passado escreveu as seguintes palavras: “Ele morreu unicamente por defender os pobres e a verdade. Se a causa é determinante para fazer um mártir, ele merece ser considerado um mártir.”
Na Inglaterra contemporânea, os responsáveis pela Catedral de São Paulo pareceram ter ficado com asco quando viram gente pobre montar barracas na frente do templo favorito da realeza, no movimento Ocupe Londres.
Ao longo da história apenas no papado de João 23 a Igreja Católica optou pelos pobres. Num grande romance de Graham Greene, O Cônsul Honorário, ambientado num país da América Latina na época das ditaduras militares, um padre adere à guerrilha. Ele explica a um amigo: “É que eu não conseguiria esperar um novo João 23.”
Vejo agora nos Estados Unidos que freiras progressistas, lideradas pela irmã Simone Campbell, foram objeto de recriminação pública do Vaticano. Elas estariam desafiando tabus como o aborto, segundo o Vaticano.
“Nossa missão é viver o evangelho ao lado daqueles que estão às margens da sociedade”, respondeu Simone quando soube da atitude do Vaticano. “Isso é tudo que fazemos.”
Vale a pena conhecer o site da organização que congrega as freiras progressistas americanas. Elas avisam, por exemplo, que fazem parte dos 99% — a imensa maioria da sociedade que nos últimos 30 anos foi legalmente roubada por legislações que permitiram à microelite do 1% pagar cada vez menos impostos.
Clap, clap, clap para as freiras americanas, e em especial para a irmã Simone.
De pé.

Diário do Centro do Mundo

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dom Odilo e o aborto de anencefálicos

Dom Odilo e o aborto de anencefálicos

Flavio Lobo no TerraMagazine


No programa Roda Viva exibido pela TV Cultura na última segunda-feira, o cardeal- arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, defendeu o Estado laico. Segundo dom Odilo, o exercício republicano da Justiça não deve se nortear por normas religiosas. Quando a Igreja Católica se opõe ou dá seu apoio a alguma lei ou política pública apenas exerce um direito garantido aos "sujeitos sociais" em geral, individuais ou coletivos, numa democracia, disse o cardeal.
Muitos telespectadores que identificaram equilíbrio e sensatez nas primeiras respostas de dom Odilo provavelmente se decepcionaram quando o sacerdote passou a defender as posições da Igreja em relação a questões legais específicas. Ao endossar a oposição oficial do Vaticano aos métodos contraceptivos, inclusive quando está em jogo a prevenção de doenças graves - como no caso do uso da camisinha no combate à Aids -, o cardeal repisou os caminhos de uma sensibilidade moral pelos quais a doutrina da Igreja se afasta de grande parte de seus fiéis. Mas, se a moralidade oficial católica soa anacrônica e dogmática no que tange à camisinha, no tocante à discussão sobre o direito ao aborto em casos especiais, como nos de anencefalia em que os fetos simplesmente não têm cérebro, a posição da igreja chega a ser aberrante.
No papel de escudeiro da doutrinação dita "conservadora" do papa Bento XVI, dom Odilo se contrapôs à descriminalização de abordo de anencefálicos, questão que deverá ser retomada, em breve, pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, portanto, a mulher que carrega em seu útero um feto com essa má-formação - que, se nascer com o coração batendo, terá apenas uma breve vida vegetativa - deve ser obrigada por lei a viver todo o processo da gestação e a parir seu bebê sem cérebro.
Qual a justificativa apresentada pela autoridade cristã para considerar legítima a imposição de tal sofrimento e dos riscos à saúde materna envolvidos nessas gestações - ou, caso a mulher faça o aborto a revelia da lei, a imposição do estigma do crime e o enfrentamento de processo e punição judiciais - a uma pessoa que já vivencia uma situação traumática? O feto anencefálico também é um ser humano, responde dom Odilo. A sociedade deve proteger sua vida, por mais precária que seja, como a de qualquer pessoa. Senão, de acordo com o cardeal, abriríamos uma brecha para a relativização dos direitos humanos universais e baixaríamos a guarda diante do risco de novas eugenias.
A recusa de identificar diferenças fundamentais entre uma vida propriamente humana - que requer um cérebro - e a existência vegetativa de um feto anencefálico é compatível com o pensamento dogmático, que só enxerga em preto e branco, sem tons de cinza, dispensa investigação e ignora evidências. E a imposição de um dogma às outras pessoas, mesmo as não católicas, que numa democracia deveriam ser livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo, eleva os defensores da criminalização desse tipo de aborto a outro patamar na escala do obscurantismo, o dos fundamentalistas.
Mas há ainda outro recanto obscuro nesse pensamento doutrinário - uma incoerência que revela, provavelmente, suas motivações psicológicas. Senão vejamos. Se realmente crê que o batimento cardíaco e a vida celular de um corpo que não tem nem nunca desenvolverá um cérebro minimante funcional são suficientes para identificar nesse corpo uma vida humana a ser protegida como qualquer outra, a Igreja fica obrigada a rejeitar a legitimidade da chamada "morte cerebral", critério médico internacionalmente reconhecido como o mais confiável para a constatação do óbito. A vida anencefálica não pode ser considerada mais humana do que aquela.
ainda presente em um corpo cujo cérebro parou de funcionar. De acordo com a lógica dogmática que sustenta a defesa da criminalização do aborto de fetos anencefálicos, portanto, as leis e práticas internacionais referentes a transplantes de órgãos deveriam ser consideradas também intoleráveis e criminosas, comparáveis ao assassinato, como, na visão da Igreja, devem ser entendidos a eutanásia e o próprio aborto. Mesmo levantando certas dúvidas e ressalvas quanto à constatação do óbito pelos critérios da morte cerebral, entretanto, a Igreja Católica aceita os transplantes de órgãos com base nessa definição médica da morte. O que explicaria essa contradição? Arrisco uma explicação, que pode ser resumida numa palavra central para o sistema de pensamento e a atuação da Igreja. Sexo.
Como se sabe, a moral sexual, assunto que não mereceu a atenção do próprio Cristo, como se pode constatar nos Evangelhos, é uma obsessão milenar para a Igreja Católica.
A ausência do componente sexual na questão dos transplantes abre espaço para uma sensata flexibilização por parte da Igreja, que se permite nortear pela compaixão para com os receptores de órgãos. Já as grávidas de anencefálicos, segundo a tradicional lógica católica que associa sexo, culpa e punição - algo que atualmente não pode ser admitido sem eufemismos por clérigos cordiais como dom Odilo - não merecem a mesma deferência.
Por trás da dureza dos dogmas e da frouxidão dos malabarismos verbais com que os representantes da Igreja de Roma tentam justificar sua condenação ao aborto de anencefálicos enquanto aceitam os transplantes de órgãos, mal se esconde uma velha sanha punitiva: a mulher impura deve arcar com o preço do seu pecado.
Diante dessas evidências, os defensores da doutrina católica oficial podem escolher entre duas opões coerentes: ampliar sua cruzada lutando pela criminalização de transplantes de órgãos de pacientes em estado de morte cerebral, mesmo que isso resulte em milhares de mortes, ou aceitar que a complexidade ética e biológica desses temas exige a admissão da existência de regiões cinzentas entre o preto e o branco que demandam análise, discussão e um exercício cuidadoso de discernimento que leve em consideração os importantes direitos e valores em jogo. E, se essa escolha gerar uma angústia imobilizadora, me permitam sugerir uma terceira via, a do divã.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração, no caso, de liberdade.

"A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração, no caso, de liberdade." 

Território livre

Luiz Fernando Verissimo

Imagine que você é o Galileu e está sendo processado pela Santa Inquisição por defender a ideia herética de que é a Terra que gira em torno do Sol, e não o contrário. Ao mesmo tempo, você está tendo problemas de família, filhos ilegítimos que infernizam a sua vida e dívidas que acabam levando você a outro tribunal, ao qual você comparece até com uma certa alegria. No tribunal civil, será você contra credores ou filhos ingratos, não você contra a Igreja e seus dogmas pétreos.

Você receberá uma multa ou uma reprimenda, ou talvez, com um bom advogado, até consiga derrotar seus acusadores, o que é impensável quando quem acusa é a Igreja. 

Se tiver que ser preso, será por pouco tempo, e a ameaça de ir para a fogueira nem será cogitada. No tribunal laico, pelo menos por um tempo, você estará livre do poder da Igreja. É com esta sensação de alívio, de estar num espaço neutro onde sua defesa será ouvida, e talvez até prevaleça, que você entra no tribunal. E então você vê um enorme crucifixo na parede atrás do juiz. Não adianta, suspiraria você, desanimado, se fosse Galileu. 

O poder dela está por toda parte. Por onde você andar, estará no território da Igreja. Por onde seu pensamento andar, estará sob escrutínio da Igreja. Não há espaços neutros. Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração. Na parede de espaços públicos de um país em que a separação de igreja e estado está explícita na Constituição, é uma desobediência, mitigada pelo hábito. Na parede dos espaços jurídicos deste País, onde a neutralidade, mesmo que não exista, deve ao menos ser presumida, é um contrassenso – como seria qualquer outro símbolo religioso pendurado. É inimaginável que um Galileu moderno se sinta acuado pela simples visão do símbolo cristão na parede atrás do juiz, mesmo porque a Igreja demorou, mas aceitou a teoria heliocêntrica de Copérnico e ninguém mais é queimado por heresia. Mas a questão não é esta, a questão é o nosso hipotético e escaldado Galileu poder encontrar, de preferência no Poder Judiciário, um território livre de qualquer religião, ou lembrança de religião.

Fala-se que a discussão sobre crucifixos em lugares públicos ameaça a liberdade de religião. É o contrário, o que no fundo se discute é como ser religioso sem impor sua religião aos outros, ou como preservar a liberdade de quem não acredita da prepotência religiosa. Com o crescimento político das igrejas neopentecostais, esta preocupação com a capacidade de discordar de valores atrasados impostos pelos religiosos a toda a sociedade, como nas questões do aborto e dos preservativos, tornou-se primordial. A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração, no caso, de liberdade. 

Vi no Conteúdo Livre

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Mal-amadas somos todas as mulheres, inclusive a Ministra

Mal-amadas somos todas as mulheres, inclusive a Ministra

No Território da Maíra

Quando alguém quer criticar uma mulher, dizer que ela é “mal-amada” é a saída mais fácil. Foi isso que fez o bispo de Assis (SP), dom José Benedito Simão, ao tentar desqualificar a nomeação de Eleonora Menicucci como ministra das Mulheres.

Ontem, em entrevista a um jornal de São Paulo, o membro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) ainda afirmou que a nova ministra é “infeliz e irresponsável”. Ao invés de debater o posicionamento da Igreja católica sobre o aborto, absolutamente oposto ao de Eleonora, parte-se para ataques pessoais que beiram o ridículo de uma criança de 7 anos dizendo “você é feia e boba” para outra coleguinha.

Mas com um baita preconceito de gênero por trás.

(Isso, claro, sem comentar o fato lamentável de a imprensa considerar legítimo e digno de fonte um argumento desses)

Utilizar a expressão “mal-amada” (ou “mal-comida”, na versão chula) significa partir do pressuposto que as mulheres navegam apenas pelo campo do irracional, dos sentimentos, do coração. Razão é exclusividade de quem pênis e é macho. Logo, é preciso um homem ao seu lado para ampará-la e mantê-la equilibrada. (Sim, homem, porque a nossa sociedade é heternormativa, infelizmente).

Ser “mal-amada” significa que qualquer opção diferente de uma família papai-mamãe-filhinhos não é legítima. Bem-amado são os casados que procriam. E ponto. Se você está em uma situação diferente dessa e é mulher, cuidado! Corra para as normas, meu bem!

Chamar uma mulher de mal-amada é um mito semelhante ao exagero da TPM (Tensão Pré-Menstrual), onde qualquer comportamento genioso, forte ou contundente é atribuído a hormônios que descontrolariam qualquer corpo. Como se ninguém pudesse ter personalidade e momentos de altos e baixos.

Nada de se admirar, vindo de uma instituição que durante a Idade Média queimou mulheres que eram lideranças nas comunidades ou prestavam serviços de curandeiras acusando-as de bruxaria.

Se a ministra Eleonora é mal-amada por defender, racionalmente, seus posicionamentos políticos, então eu também sou.

E o Troféu Frango vai..., que rufem os tambores, para o Bispo machista, fascista José Benedito Simão

E o Troféu Frango vai..., que rufem os tambores, para o Bispo machista, fascista José Benedito Simão

Texto ao bispo: feridas precisam ser limpas para cicatrizar

Criei, anos atrás, o humorado Troféu Frango para premiar declarações estranhas em geral – quem é leitor deste blog já está acostumado com ele. Hoje, o Frango vai para José Benedito Simão, bispo de Assis (SP):

..

Presidente da Comissão pela Vida da regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele disse ao jornal Estado de S. Paulo (leia aqui) que a recém-empossada ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, “é uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável”.
Isso! Não critique o discurso ou o argumento do seu adversário. Desqualifique-o! Aliás, considerando a profundidade das declarações do religioso, acho que ele poderia ter ido além. Por exemplo, dito que Eleonora tem cara de mingau, chulé no pé e não sabe fazer bola com chiclete!
“Ela é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando”, claramente se referindo ao quiorocó causado pelos setores conservadores – entre eles a Igreja – após o lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos em 2010.
Para cicatrizar uma ferida, primeira é preciso abri-la, retirar toda a sujeira que se acumulou e lavá-la bem. Daí usar os medicamentos apropriados para que não ocorra nenhuma infecção, ou seja, que o problema se espalhe. Aí sim, é hora de fechá-la. O que o bispo pede é diferente. Ele quer que ninguém mexa na ferida, que há séculos produz um pus fétido na sociedade, que é a forma como tratamos o direito das mulheres ao seu próprio corpo. E como o Estado se omite em debater temas importantes, deixando para outras instituições essa responsabilidade.
Mas, afinal de contas, ele tem razão. Que história é essa de pensar que o Brasil é laico e democrático? O Brasil pertence aos pastores de Deus, aos homens e aos héteros. Ah, e aos empresários também.
Recordar é viver: críticas colocaram lado a lado setores da igreja, dos militares e do agronegócio, que possuem em suas fileiras alguns dos maiores bastiões do conservadorismo e do atraso. É realmente o país da piada pronta, como diz outro José Simão, esse muito mais engraçado. Lembra muito aqueles microcosmos de poder do Brasil profundo, presentes nas obras de Dias Gomes: o padre, o delegado e o coronel, tomando uma cachacinha na (ainda) Casa-grande e discutindo sobre os desígnios do mundo. Ou pelo menos do vilarejo.
Com tanta atitude arbitrária e antidemocrática do governo para ser criticada, a igreja vai cutucar logo a defesa dos direitos humamos, que serve para trazer um alento de civilização em nosso país de mentalidade tão tacanha. Traduzindo as reclamações da igreja: “Vemos essas iniciativas como uma forma do Estado ter independência e não seguir as regras que ajudamos a construir ao longo de centenas de anos”.
José também falou sobre as declarações de Eleonora sobre a orientação sexual de sua filha, afirmando que ela “deveria tomar mais cuidado para não dar mau exemplo para nossos adolescentes”.
Eleonora, ao deixar claro que tem orgulho de uma filha lésbica, faz um serviço à sociedade, ao mostrar que isso não deveria assustar ninguém. O bispo que deveria tomar cuidado para não dar mau exemplo aos nossos adolescentes com declarações que podem promover a homofobia e a intolerância.
Apesar de não concordar com várias posições da igreja, acredito que José não fala pelo conjunto dela. A Igreja Católica não é José Benedito Simão, nem Joseph Ratzinger. É muito mais do que isso. É também a Comissão Pastoral da Terra, por exemplo. É Pedro Casaldáliga, Henri des Roziers, Tomás Balduíno, Xavier Plassat. Há muita gente lá dentro que defende, de verdade, uma vida de dignidade.
Mas é engraçado ver alguém que tem medo do debate público. Principalmente, quando este vai revelar o anacronismo de seu próprio discurso. Quiçá sua insignificância.
No Blog do Sakamoto

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E sobre a pedofilia nada?:Sobre a declaração do Papa quanto ao casamento homoafetivo

E sobre a pedofilia nada?: Sobre a declaração do Papa quanto ao casamento homoafetivo


A Igreja Católica é culpada não apenas pelos crimes pelos quais pediu perdão muito tardiamente no século XX: é uma instituição que ativamente praticou a coerção no silêncio de crianças vítimas de abusos sexuais de padres. Nas palavras do então cardeal Joseph Ratzinger (hoje Papa), o silêncio das vítimas e suas famílias é "sob pena de excomunhão".

Também é culpada por negligência na história de dezenas de milhares de bebêsvendidos em maternidades da Espanha. Padres e freiras mentiam para as mães espanholas que seus bebês eram natimortos, há casos até de usarem um cadáver de bebê congelado para convencê-las. Os bebês eram vendidos para casais estéreis pelo preço aproximado de um apartamento, às vezes em parcelas recebidas pelas freiras e padres espanhóis por muitos anos.

Este sistema começou, é claro, no regime da ditadura fascista de Franco. Este é outro defeito do alto clero católico: um apreço por regimes autoritários que lembram o regime cósmico de sua fantasia cristã.

Corrupção moral é a única explicação para, diante dos fatos juridicamente comprovados acima, este Papa ainda ter a desfaçatez de afirmar que é o casamento gay que ameaça o futuro da humanidade e a integridade da "família".

Só se for a integridade da Famiglia milenar de algumas sanguessugas da Igreja Católica Apostólica Romana.

______
Eli Vieira
presidente da LiHS

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

E a punição aos pedófilos?: Igreja católica pede desculpas pelos casos de pedofilia na Holanda


E a punição aos pedófilos?: Igreja católica pede desculpas pelos casos de pedofilia na Holanda


Os bispos holandeses afirmaram nesta sexta-feira que lamentam e pedem desculpas sinceras às vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, depois da publicação de um relatório que assinala milhares de vítimas desse crime.
"Lamentamos os abusos", indicaram os bispos em um comunicado. "Compadecemo-nos das vítimas e apresentamos a elas nossas sinceras desculpas", acrescentaram.
Uma comissão investigadora independente revelou hoje que várias "dezenas de milhares de menores" foram abusados sexualmente na Igreja católica holandesa entre 1945 e 2010, e 800 supostos autores foram identificados. 
"Várias dezenas de milhares de menores enfrentaram formas leves, graves ou muito graves de condutas sexuais que ultrapassavam os limites entre 1945 e 2010 na Igreja católica holandesa", indicou o comunicado da comissão, cuja investigação teve início no dia 24 de agosto.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Monge católico confessa pedofilia e diz que congregação sabia dos crimes


Monge católico confessa pedofilia e diz que congregação sabia dos crimes


Pierre-Etienne Albert, que atualmente tem 60 anos e vive recluso em uma abadia, está sendo julgado por assediar 38 crianças de 5 a 14 anos entre 1985 e 2000


Rodez, na França
Os abusos aconteceram na comunidade católica de Béatitudes, uma congregação que proclama a vivência alegre da fé e que está sendo investigada na França por possíveis tendências sectárias


Paris - Um monge francês confessou nesta quarta-feira ter cometido atos de pedofilia durante vários anos em uma congregação ciente de suas atitudes, durante o primeiro dia do julgamento aberto contra ele em Rodez, na França.

Pierre-Etienne Albert, que atualmente tem 60 anos e vive recluso em uma abadia, está sendo julgado por assediar 38 crianças de 5 a 14 anos entre 1985 e 2000.
No entanto, ele mesmo confessou que a lista é muito maior e revelou 57 nomes, mas muitos dos casos não serão julgados ou porque prescreveram ou porque não houve processo.
Os abusos aconteceram na comunidade católica de Béatitudes, uma congregação que proclama a vivência alegre da fé e que está sendo investigada na França por possíveis tendências sectárias.
Albert, que escrevia as canções dos monges e dirigia os coros, viajou por vários centros da congregação e, graças a seus trabalhos, teve acesso a muitos menores, cometendo práticas de pedofilia confessas em tribunal, onde também pediu perdão a suas vítimas.
"Espero que encontrem consolo depois deste julgamento", disse o monge perante a corte e diante de muitas das vítimas que acudiram ao processo. Albert, que pode ser condenado a uma pena de até dez anos de prisão, declarou também que contou a seus irmãos de congregação os crimes pelos quais agora está sendo julgado.
Mesmo depois de seu relato, os membros da comunidade católica nada fizeram, nem mesmo o afastaram de suas funções que envolviam contato com as crianças.
Nenhum dos responsáveis pela congregação admitiu os fatos e nenhum aparece como acusado, porque os delitos de ocultação de denúncia também já prescreveram.

No Exame

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Vítimas de pedofilia denunciam o Papa ante o Tribunal Penal Internacional - TPI

Vítimas de pedofilia denunciam o Papa ante o Tribunal Penal Internacional - TPI



O Papa é acusado de "responsabilidade direta por crimes contra a humanidade por estupro e outras violências sexuais"

CIDADE DO VATICANO (AFP) - Uma associação americana de vítimas de padres pedófilos anunciou nesta terça-feira ter apresentado uma queixa ante o Tribunal Penal Internaiconal (TPI) contra o Papa Bento XVII e outros dirigentes da Igreja católica por crimes contra a humanidade.

Os dirigentes da associação SNAP, orientados pelos advogados da ONG americana "Centro para Direitos Constitucionais", entraram com uma ação para que o Papa seja julgado por "responsabilidade direta e superior por crimes contra a humanidade por estupro e outras violências sexuais cometidas em todo o mundo".

No AFP

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Obispo cuenta por TV detalles de abusos pedófilos

Roger Vangheluwe
Bélgica se encontraba conmocionada el viernes por nuevas revelaciones de abusos pedófilos, sin la menor señal de remordimiento, por parte de un ex obispo que había ocasionado el escándalo que sacude a la Iglesia católica e indigna al país.

Roger Vangheluwe, ex obispo de Brujas, desencadenó un diluvio de quejas contra la Iglesia cuando renunció en abril de 2010 tras reconocer abusos sexuales sobre uno de sus sobrinos menor de edad entre 1973 y 1986.
El eclesiástico provocó un nuevo escándalo al detallar el jueves por la noche al canal de televisión VT4 los abusos no sólo sobre uno, sino dos sobrinos, minimizando sus actos.

“No tengo para nada la impresión de ser un pedófilo. Fue como una pequeña relación. No tenía la impresión de que mi sobrino se opusiera, al contrario“, comentó en la entrevista.

“No era consciente de que eso tenía tal impacto en mi sobrino. Creía que eran cosas superficiales”, añadió.

“Naturalmente, sabía que no estaba bien, lo confesé varias veces”, concedió. Pero reconoció que se puso de acuerdo con la familia para que no se divulgara el tema y que dio dinero a su víctima.

La entrevista provocó, como era de esperar, reacciones unánimes de consternación entre los políticos y editorialistas.

“¿Cómo este hombre se atreve a mostrarse aun en la televisión?”, se interrogó el diario Gazet van Antwerpen, “su lugar no está en una abadía en Francia, sino en una celda o en un instituto psiquiátrico”.
Es la entrevista “más repugnante que he leído”, se lamentó la diputada socialista Karine Lalieux, que presidió una comisión especial sobre violencias sexuales contra menores creada tras el primer escándalo.
Esta comisión acaba de publicar su informe que “demuestra que la Iglesia quiso sofocar su responsabilidad“, según la diputada que denuncia “las seudo sanciones” de la Iglesia y la “protección” de la que benefició el ex obispo, que “tiene el sentimiento de una totalimpunidad“.

Para la justicia los hechos prescribieron. Por su parte, la jerarquía católica en un primer momento quiso esconder al prelado, principalmente en la Nunciatura en Bélgica.

Vangheluwe dejó finalmente el país para someterse a “un tratamiento espiritual y psicológico” en Francia, por orden del Vaticano que aun no tomó una decisión definitiva sobre lo que hará. Una eventual exclusión de la Iglesia debería ser aprobada por el Papa.

Pero Bélgica pierde la paciencia. El ministro de Justicia, Stefaan De Clerck, pidió que la Iglesia católica “adopte las medidas que se imponen para poner fin al comportamiento irresponsable del ex obispo”, juzgando “particularmente desplazada” su exposición televisiva que representa una “cachetada a las víctimas”.

Varios obispos de Bélgica dieron a conocer su “estupefacción”. El de Tournai, Guy Harpigny, juzgó que Vangheluwe “actúa como si nada hubiera pasado desde hace un año” y el nuevo obispo de Brujas, Jozef De Kesel, estimó “incomprensible, es una lástima, para todas las personas implicadas, para las víctimas en primer lugar”.
Fuente: AFP

Publicado originalmente no Pátria Grande