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segunda-feira, 16 de julho de 2012

A marcha que nunca foi para Jesus!

A marcha que nunca foi para Jesus!


A marcha que nunca foi para Jesus!
No próximo final de semana em São Paulo, vai acontecer mais uma edição da Marcha para Jesus. Este evento espalhou-se pelo Brasil de forma gradativa e hoje faz parte do calendário de várias cidades.
No Brasil, o evento começou a ser realizado em terras Pauliceias no ano de 1993, organizado pela Igreja Renascer em Cristo através de seus líderes, o “Apóstolo” Estevão Hernandes e “Bispa” Sônia Hernandes, ambos conhecidos internacionalmente após sérios problemas com a justiça brasileira e americana, em razão de suas respectivas infrações contravencionais. Além disso, são conhecidos por serem expoentes do neopentecostalismo, bem como por pregar as perniciosas doutrinas da restauração apostólica triunfalista e teologia da prosperidade.
Há muitos anos, este evento vem sendo questionado por muita gente, em decorrência de ser organizado por uma única denominação com pessoas duvidosas à frente, bem como pelas práticas e resultados negativos de tais manifestações públicas.
Antes de qualquer análise, é importante salientar a origem de tais eventos. O modelo original da Marcha para Jesus que a Igreja Renascer copiou é tão questionável quanto a existente em nosso país. Aliás, infelizmente no Brasil já é tradição a importação de movimentos controversos de outros países.
O conceito “Marcha para Jesus” começou na Inglaterra em meados de 1987, através de uma ação ecumênica entre protestantes e católicos de Londres. A organização foi iniciativa dos líderes carismáticos Britânicos Gerald Coates, Roger Forster, Lynn Green e Graham Kendrick. Segundo eles, a passeata pública foi feita para demonstrar a “unidade entre a Igreja” e expressar a fé cristã para a sociedade, bem como promover atos proféticos de batalha espiritual contra espíritos territoriais malignos, dominantes da Europa secularizada.
O que muitos não sabem é que estes líderes britânicos são adeptos de práticas neopentecostais controvérsias e de conceitos anti-bíblicos. Para se ter uma idéia, um dos idealizadores da Marcha é Gerald Coates, famoso carismático liberal Britânico, que tem como referência nada menos que Rodney Howard-Browne, Benny Hinn e Kenneth Copeland.
Coates nega abertamente a inerrância e suficiência das Escrituras, defende a benção de Toronto e o derramamento de Pensacola como “mover” do Espírito Santo, utiliza como fontes de ensino a espiritualidade Celta, além de emitir falsas profecias e apoiar falsos profetas como Paul Cain.[1] Lynn Green é um carismático ecumênico que defende a unificação doutrinária das religiões monoteístas, principalmente entre católicos e protestantes.[2] Roger Forster é um carismático controverso, árduo defensor da batalha espiritual e da luta contra espíritos territoriais malignos, através de atos proféticos e outras práticas místicas.[3] Por fim, Graham Lendrick é um ministro de louvor carismático, autor de músicas com letras teologicamente questionáveis, também defende o ecumenismo, a benção de Toronto e é adepto da confissão positiva.
Com estas informações, podemos ter uma ideia do que conceitua-se a original Marcha para Jesus. Entretanto, no Brasil o problema é muito mais grave.
Como todo ano, o evento reúne diversas denominações evangélicas, reunidas em uma grande procissão pelas ruas da capital paulistana. Mas qual o objetivo desta Marcha para Jesus no Brasil?
Segundo o “presidente” da Marcha para Jesus, “Apóstolo” Estevam Hernandes, “a Marcha Para Jesus não foi criada para exaltar nenhum homem, é a expressão do mover do Espírito Santo e um ato proférico!“(sic).[4] Frase contraditória, pois se Estevam é o presidente da Marcha para Jesus, automaticamente o mesmo será exaltado de alguma forma! Ora, presidente é aquele que exerce uma liderança máxima, que ordena, que delega, que dá a palavra final e que sanciona. Nem mesmo os líderes de outras denominações presentes na marcha possuem autoridade sobre o evento, quem dá as cartas é o líder da Renascer. Além do mais, todos sabem que os discípulos da Igreja dos Hernandes “lutam e morrem” por eles, tendo em vista o famoso jargão popularizado na época da prisão dos líderes da Renascer: “Espada pelo Apóstolo e pela Bispa!
A justificativa para o “fundamento espiritual” do evento é pior ainda, vejamos:
A Marcha tem como fundamento bíblico as passagens de Êxodo 14, Josue 6 e João 13:35 [...]Todos os anos, a Marcha para Jesus têm revelado – em âmbito mundial – o poder e a misericórdia de Deus aos homens. Milhares de pessoas são curadas, libertas e restauradas.”[5]
Francamente, citar passagens do Antigo Testamento não justifica a realização da Marcha para Jesus. As “marchas” do povo Hebreu não tinham como alvo evangelizar ou curar, mas eram marchas de guerra, para conquistar povos ou exterminar inimigos, conforme a vontade de Deus naquela época. No Êxodo, o que ocorreu foi um livramento específico de Deus para com o povo Hebreu e não uma procissão evangelística. É totalmente anti-bíblico alegorizar tais passagens Veterotestamentárias como se o povo Israelita estivesse marchando para fora do Egito e para Canaã, de caras pintadas, com bandeiras e faixas, os levitas fazendo shows gospel com seus respectivos instrumentos, com o objetivo de “ganhar” para o Deus de Israel os egípcios e os cananeus!
Imaginem então, tomar de forma literal o texto de Josué 6 para os dias de hoje! Já que é para literalizar o texto, então os “marchadores” devem também tocar trombetas, marchar em volta da cidade sete vezes (não somente uma dentro da cidade), ficar silenciosos (sem trios elétricos, sem gritos e sem triunfalismos) nas seis primeiras voltas e só gritar na sétima.
O interessante é que não vemos em nenhum lugar no Novo Testamento a ordem evangelística de marchar para Jesus, ou no Antigo Testamento para Deus, muito menos nas literaturas dos pais da Igreja, reformadores, missionários e evangelistas por toda a história. Não há, absolutamente, nenhum fundamento espiritual cristão para se praticar marchas evangelísticas. Na verdade, eu não consigo imaginar como alguém pode se converter em um evento como este.
Além do “presidente” da Marcha para Jesus em destaque, também são destacados os trios elétricos que puxam a “micareta gospel”, ao som de músicas triunfalisticamente antropocêntricas, preparadas cuidadosamente para massagear o ego dos participantes em detrimento do evangelho que confronta o caráter. Uma “musicalidade” com direito ao melhor do gospel atual: funk, axé, pagode e até reggaeton! Aí eu pergunto: A conversão vem através do ato de levantar a mão e ir até a frente do trio em resposta a um apelo feito neste ambiente? É no mínimo questionável esse tipo de evangelismo, pois a palavra quase não é proclamada devido ao foco na euforia festiva, salvo raras exceções quando é falada ou cantada, mas de maneira superficial e distorcida, onde não há entendimento profundo das Escrituras.
Por falar em trio elétrico, muitos vêem os mesmos como uma grande oportunidade de promover seus interesses particulares. Afinal, trata-se de um evento com participação popular de mais de três milhões de pessoas em média. A ocasião é perfeita para os manipuladores de massa de manobra, principalmente políticos, dos quais com certeza vão aproveitar a véspera de ano eleitoral para articular alianças com o “povo gospel”.
O que falar do misticismo, dos atos proféticos, do triunfalismo apostólico exclusivista e das profetadas que nunca se cumprem, dentre outros absurdos que testemunhamos todos os anos nesses eventos? Em 2008, eu postei no meu blog alguns atos anti-bíblicos praticados na respectiva marcha. Pessoas anotavam pedidos e dificuldades num papel, colocavam o mesmo dentro dos calçados com o intuito de “marchar” em cima para quebrar as maldições escritas no papel, profetizando a conquista de seus recpectivos pedidos (veja aqui). Ou seja, um ambiente neopentecostal, antropocêntrico em sua essência, onde é potencializada as mais variadas práticas místicas e anti-bíblicas que se pode inventar.
Posto isso, infelizmente concluo que a Marcha para Jesus no Brasil tornou-se num evento com quatro objetivos principais:
1 – Competir com a “marcha do orgulho gay” em termos numéricos;
2 – Servir como trampolim para promoção de cantores, líderes e políticos “gospel”;
3 – promover o comércio milionário de produtos/serviços gospel;
4 – Ser um transtorno para a ordem da cidade, por conta da perturbação do sossego público e do bloqueio ao trânsito, afastando as pessoas do evangelho, bem como envergonhando os cristãos que não compactuam com o evento.
O meu desejo é que o povo acorde de toda essa utopia prisional, que Cristo não seja utilizado como cabo eleitoral de algum político e que o cristianismo deixe de ser um trampolim para o sucesso de alguém. Marchemos pela ética evangélica brasileira!
Soli Deo Gloria!
Notas:
1 – Para saber mais sobre quem são os fundadores da Marcha pra Jesus em Londres, veja estes links: http://op.50megs.com/ditc/coates.htm , http://www.christian-witness.org/archives/van1997/gcoates_1.html e http://www.christian-witness.org/archives/cetf1998/brotherandrewdoor.html .
2 – Ibid.
3 – Ibid.
4 – http://www.marchaparajesus.com.br/2012/marcha.php
5 – Ibid.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Enquanto Pedro não puder ser Pedro…

Enquanto Pedro não puder ser Pedro…


Pedro acabara de sair de uma balada. Podia ainda sentir seu corpo badalar, provável efeito das duas cervejas e da vodca que tomou naquela noite. Aliás, que noite! Encontrou alguns amigos, dançou, beijou.
Aquele garoto ficou a olhá-lo por cerca de 10 minutos, sem parar. Percebeu logo no começo, mas, por algum tempo, ainda tentou desviar o olhar, fingir que não via. Estava com todos os seus amigos, todos heterossexuais; Melissa também estava lá. Ela olhava para Pedro sempre dando a entender como gostaria de estar com ele, como queria se entregar, como o desejava. O jovem garoto percebia, havia percebido há algumas semanas. Tinha sempre uma desculpa, conseguia sempre se esquivar, mas, naquela noite, ela estava realmente deixando mais claro do que nunca que queria ficar com ele.
Pedro não queria; ele, definitivamente, não queria ficar com Melissa. Não que ela fosse feia, desagradável ou possuísse qualquer característica que realmente o incomodasse. O fato é que ela era uma mulher e isso bastava para que o jovem não sentisse atração por ela. Estava cansado de pegar uma, duas, três garotas na balada só para que seus amigos não desconfiassem de nada, só para não deixar que seus pais pensassem em retomar aquelas conversas, sobre como tudo era passageiro, só uma fase, coisas da juventude. Aquilo logo passaria e ele perceberia que, como o mais velhos de 4 filhos, era um verdadeiro varão, constituiria uma família dentro dos padrões morais e daria os netos que eles sempre esperaram.
Pedro sabia que não era uma fase, que não ia passar. Há muito ele já entendera os sinais de seu corpo e de sua mente: como sua nuca se arrepiava quando um amigo fazia, ainda que acidentalmente, suas pernas se encostarem; como ele não sentia o menor tesão em ver um corpo nu de mulher; como eram bons aqueles sonhos em que se via entregue há um outro homem. Ele sabia, fazia bastante tempo que sabia, só nunca soube como dizer a alguém.

I Marcha Nacional Contra a Homofobia em 2010. Foto de Rogério Tomaz Jr./CDHM no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
O que o seu grupo de amigos, formado por aquela típica classe média-alta da capital paulista, iria dizer quando ele revelasse que era homossexual? Temia não ser mais convidado para jogar futebol, para as tardes na piscina. O que seu pai, reconhecido desembargador, diria ao saber que tinha um filho ‘viado’? Ele não suportaria ser rejeitado. Para evitar isto, rejeitava, cotidianamente, seus próprios desejos, sua verdadeira vontade, seu eu real. Negava-se para não ser negado.
Mas aquele rapaz do outro lado do bar continuava a olhá-lo fixamente, sem desviar um minuto sequer. Mesmo quando Pedro corava e começava a balançar a cabeça fingindo dançar ainda podia sentir aqueles dois olhos a persegui-lo. Não conseguia parar de pensar que devia estar enganado. Aquela boate era frequentada apenas por pessoas heterossexuais, jovens de famílias conhecidas. ‘Viados não andam por aqui. Eles tem seus próprios bares, suas próprias baladas, seus próprios bairros. Este não é um lugar seguro para eles.’ Eles? A quem queria enganar: o Pedro era parte deles.
Não era como se falasse de um alguém desconhecido, uma figura mitológica, um ser a habitar o imaginário coletivo de maneira totalmente caricata. Era ele mesmo essa própria pessoa. E era um garoto normal: fazia faculdade, ia ao cinema, ao teatro, curtia o bar com os amigos; ficava de mal humor, sorria, brigava com o irmão mais novo. Mas não, não podia aceitar aquilo. Ele gostava de futebol, gays não gostam de futebol; apreciava passar os domingos na fazenda, pescando, coisa de macho, macho de verdade. Ah! Para que se enganar – pensava ele – eu sei, mas não posso lidar com isso.
Continuava a ser observado. Já havia ido ao banheiro, começado diferentes conversas com seus colegas, sempre se perdendo no meio dos temas, puxado Melissa para mais perto de si. A menina abriu um franco sorriso no momento, ele percebeu e sorriu de volta. Por dentro, remoía-se. Como podia continuar a negar, fingir, mentir? Não gostava de mentir para ninguém, mas mentir para si mesmo era mais do que uma traição. Era auto-sabotagem. Para que se esforçar tanto para ser algo que não era? Expectativas, muitas expectativas. Ele entendia isso, mas continuava a não fazer sentido colocar as expectativas alheias na frente dos seus desejos, na frente dos seus sentimentos.
Pediu uma vodca. Pura. Sem gelo. Tomou o copo todo de uma vez. Caminhou na direção daquele com quem havia trocado olhares por mais de uma hora. Era chegada a hora. Finalmente, resolveu se permitir a viver tudo aquilo que sempre sentira. Quando faltavam alguns metros, Pedro escuta um grito.
No canto oposto, viu algumas pessoas se aglomerando, como que formando uma roda. De repente, viu dois amigos seus no meio da confusão e correu para ver o que acontecia. João e Matheus estavam brigando. Por causa de mulher, aposto – falou em meio tom, como se já acostumado com toda aquela situação. Em um dado momento, viu que a coisa era um pouco mais séria: os amigos com quem crescera, com quem dividira importantes momentos da sua vida, para quem contava tudo, ou quase tudo, batiam em dois rapazes.
Por alguns instantes, foi complicado entender o que acontecia. Após alguns segundos, ou minutos, ou horas, ele não saberia precisar, deu-se conta da realidade: seus dois melhores amigos batiam em um casal gay. Ficou atordoado, não conseguia se mexer. Não concordava com aquilo – aliás, como poderia? – mas tinha medo de tentar impedir e revelar-se.
Pedro saiu da balada. Podia ainda sentir seu corpo badalar. Possivelmente, era efeito do que havia bebido. Não sabia o que fazer, não havia o que fazer. A hora de agir havia passado e ele nada fizera. Pegou um táxi e foi para casa. Não havia nada a ser feito. Durante todo o caminho, apenas conseguia se perguntar: como me olharei no espelho amanhã de manhã?
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Cartaz de divulgação da III Marcha Nacional contra a Homofobia. Dia 16 de maio em Brasília/DF.
Dia 17 de Maio é o Dia Internacional contra a Homofobia. Muitos o julgam desnecessário. O que a população LGBT quer é instalar uma ‘ditadura gay’, dominar o mundo, acabar com a liberdade de expressão. Não se trata disso, é mais do que óbvio que não se trata disso. Contudo, enquanto houver um Pedro, um José, uma Maria, um/a Darcy que não é capaz de dizer aos pais, aos melhores amigos e ao resto do mundo que pode amar quem quiser e isso não é um problema, esse dia se fará mais do que necessário.
Ser livre é uma necessidade, uma busca incessante. Mas como ser livre diante da pressão social, diante das expectativas sobrepostas e que exigem que neguemos até mesmo quem somos? Enquanto Pedro não for capaz de se olhar no espelho, todo dia deverá ser dia 17 de Maio.

domingo, 18 de março de 2012

Dia da Mãe Preta: Marcha das cem mil mulheres negras em Brasília

Dia da Mãe Preta: Marcha das cem mil mulheres negras em Brasília


Em homenagem às nossas ancestrais e em defesa da cidadania plena das mulheres negras brasileiras marcharemos porque:

- nós mulheres negras (pretas + pardas) somos cerca de 49 milhões espalhadas por todo o Brasil;

- o racismo, o machismo, a pobreza, com a desigualdade social e econômica, tem prejudicado nossa vida, rebaixando a nossa autoestima coletiva e nossa própria sobrevivência;

- o fortalecimento da identidade negra tem sido prejudicado ao longo dos séculos pela construção negativa da imagem da pessoa negra, especialmente da mulher negra, desde a estética (cabelo, corpo, etc.) até ao papel social desenvolvido pelas mulheres negras;

- as mulheres negras continuam recebendo os menores salários e são as que mais têm dificuldade para entrar no mundo do trabalho;

- a construção do papel social das mulheres negras é sempre pensada na perspectiva da dependência, da inferioridade e da subalternização, dificultando que nós possamos assumir espaços de poder, de gerência e de decisão, quer seja no mercado de trabalho, quer seja no campo da representação política e social;

- as mulheres negras sustentam o grupo familiar desempenhando tarefas informais, que as levam a trabalhar em duplas e triplas jornadas de trabalho;

- ainda não temos os nossos direitos humanos (direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais) plenamente respeitados.

Por isso, a Articulação convida a todas para construírem e participarem da Marcha das 100 mil mulheres negras, para exigir do estado brasileiro, bem como de todos os setores da nossa sociedade, o compromisso efetivo com o nosso empoderamento e promoção da equidade racial e de gênero, a fim de que possamos exercer plenamente os nossos direitos como cidadãs brasileiras e construtoras históricas do Brasil.

Quando será: 28/09/2015 - Dia da Mãe Preta.

Local: Brasília.

Como participar: envie e-mail para: mulheresnegras2015@gmail.com
Texto elaborado, em Brasília-DF, período da 3ª. Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (12 a 15.12.2011), Hotel Plaza  Bittar: Simone Cruz (ACMUN-RS), Maria da Conceição Fontoura (Maria Mulher-RS), Luana Natielle Basílio e Silva (Bamidelê-PB) e Nilma Bentes (Cedenpa-PA).