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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A ministra e a ira dos religiosos

A ministra e a ira dos religiosos

Por Ligia Martins de Almeida


A ministra Eleonora Menecucci despertou a ira dos religiosos brasileiros – evangélicos e católicos – até mesmo antes de assumir a Secretaria de Política para Mulheres. E não foi por seu discurso de posse. Se houve culpa nessa história foi exclusivamente da imprensa – que apenas fez seu trabalho – ao lembrar que a nova ministra é a favor da descriminalização do aborto e, conforme entrevista à revista TPM, tem orgulho de ter uma filha gay.
O fato de a nova ministra ter dito que suas convicções pessoais deixam de ter importância ao assumir um ministério parece não ter convencido seus opositores. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) convocou – na véspera da posse – a união da bancada evangélica para “combater a abortista que nomearam ministra”. Mas se o deputado limitou-se a falar de aborto, um bispo católico foi bem além. O presidente da Comissão da Vida da regional Sul 1 (São Paulo) CNBB, dom José Benedito Simão, foi muito pouco cristão em sua análise da nova ministra:
“É uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável, que adotou uma postura contra o povo e em favor da morte. Recebo com muita indignação as palavras da nova ministra, cuja pasta tem uma grande responsabilidade em favor da vida da mulher. Ela é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando” (O Estado de S.Paulo, 11/02/2012).
E não parou por aí. Segundo o jornal, o bispo também reclamou das declarações da ministra sobre as preferências sexuais de sua filha, afirmando que ela “deveria tomar mais cuidado para dar mau exemplo para nossos adolescentes”.
Nenhum dos opositores da ministra quis saber de suas propostas de trabalho à frente da Secretaria, nem considerou que o tema aborto sequer foi mencionado no discurso de posse, quando Eleonora Menecucci declarou:
“O desafio do Ministério de Políticas para as Mulheres – no conjunto do governo – é de incidir em mudanças relativas à remuneração, à segurança social, à educação e cultura, à saúde, à partilha de responsabilidades profissionais e familiares, além da busca de paridade nos processos de decisão.”
A imprensa precisa ficar de olho
Como diz a matéria de Veja sobre a posse (12/02/2012):
“Eleonora assumiu um ministério de orçamento magro, mas nem por isso politicamente menos relevante – tanto que era cobiçado por parlamentares do PT. As reações à sua nomeação começaram cedo e foram violentas. A escolha da ministra pode ter tido um caráter simbólico, mas as brigas que ela promete causar já se mostram concretas.”
A imprensa vai ter um papel importante no acompanhamento do ministério de Eleonora. Enquanto ela se limitar a falar dos direitos femininos e da defesa das mais pobres, pode ser que nem seja notícia. Mas deveria ser, pois se o tema aborto entrar em pauta, evangélicos e católicos prometem muito barulho. Isso, apesar de a ministra ter declarado, em sua primeira entrevista coletiva, que o projeto relativo ao aborto não depende do Executivo. É o Congresso que vai decidir se muda ou não a lei já existente.
Mesmo que não diga mais uma palavra sobre a descriminalização do aborto, a ministra vai continuar na mira dos religiosos. A sua história de vida e a coragem de assumir suas convicções – políticas e sexuais – são motivos mais do que suficientes para deixar os conservadores irados. E talvez a verdadeira razão para os ataques. A imprensa precisa ficar de olho.
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[Ligia Martins de Almeida é jornalista]

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Em um Estado laico, a cultura e a informação não podem ficar submetidas a crenças e dogmas religiosos: Vendilhões da fé, da cultura e da informação

Bacana o editorial do Sul21


Em um Estado laico, a cultura e a informação não podem ficar submetidas a crenças e dogmas religiosos: Vendilhões da fé, da cultura e da informação

A questão da venda de horário e da veiculação de programas religiosos em canais de televisão e emissoras de rádio em todo o Brasil, abordada na matéria de Luis Cláudio Cunha publicada ontem (09) pelo Sul21, não se restringe aos evangélicos ou pentecostais. O controle, a propriedade e a compra de horários de emissoras de rádio e televisão por igrejas, quaisquer que sejam elas, para divulgação de suas crenças exige regulamentação.
Canais de rádio e televisão são concessões públicas em todo o mundo e também no Brasil, exatamente porque são meios de difusão cultural e de informação. Em um Estado laico, a cultura e a informação não podem ficar submetidas a crenças e dogmas religiosos, nem podem estar ser dominadas por monopólios ou oligopólios.
A regulamentação deve ser exercida: 1) sobre as emissoras e canais de rádio e televisão, no que concerne aos tipos de programação que veiculam e à forma de controle que exercem sobre o mercado de comunicação e 2) sobre as religiões, no que concerne ao modo como atraem seus adeptos e amealham seus recursos, que é a forma como buscam exercer o controle sobre o mercado (literal e figurado) da fé.
Não se trata de cercear a liberdade de informação ou a liberdade de crença. Trata-se de regular o controle do mercado da informação e o controle do mercado da fé. É preciso constituir conselhos de comunicação social de todos os níveis, desde o municipal até o nacional, e impor meios de disciplinamento das empresas de comunicação, regulamentando, inclusive, seu pretenso direito de vender horários para a veiculação de pregação religiosa.
É preciso acabar com as isenções fiscais às igrejas e, ao mesmo tempo, regulamentar seu pretenso direito de atrair fiéis e de vender indulgências e passaportes para o céu, sejam eles qual forem: martelinhos, águas bentas, livros, velas, imagens, estampas, CDs, DVDs e Blue Rays etc. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas cabe ao Estado proteger o cidadão contra espertalhões, golpistas e suas artimanhas.
Não se confie que a mera instrução e livre-arbítrio eliminarão os abusos, tanto das empresas de comunicação quanto das religiões. O simples desenvolvimento da capacidade dos indivíduos/cidadãos de discernir e de optar por uma boa programação cultural e informacional e pela prática religiosa que lhes traga maior amparo e menor dispêndio será insuficiente para eliminar os vendilhões do templo e da informação. Fosse assim, não haveria órgãos de regulamentação da mídia nos países desenvolvidos (e eles existem na totalidade desses países), nem haveria religiões e pastores/padres espertalhões nos países desenvolvidos e com população educada (e eles existem na totalidade dos países do mundo).
Limitar o poder e regulamentar a atuação das empresas de comunicação e das igrejas é um desafio que o Estado, por meio de seus governantes, e a sociedade civil brasileira, por meio de suas organizações, terão que assumir se quiserem avançar no processo de construção de uma cidadania digna, e de uma Nação republicana, plural e democrática.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Muito interessante: "Se ateus agissem como religiosos"

Muito interessante: "Se ateus agissem como religiosos"


Postado no facebook pela Ivone Pita




E continua valendo o "não faça para o outro, aquilo que você não deseja pra si"