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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Retrato da Intolerância: Um panorama da violência homofóbica no Brasil

Retrato da Intolerância: Um panorama da violência homofóbica no Brasil

Welliton Caixeta Maciel - Carta Capital


Maiara, 22 anos, aguardava a resposta de uma entrevista de emprego. Laís, 25, queria concluir o curso supletivo noturno para ‘vencer na vida’, preferia trabalhar a estudar e desde seus sete anos de idade ajudava a mãe na subsistência da família. As duas jovens, que moravam juntas há quatro meses e mantinham uma relação homoafetiva, foram assassinadas a tiros no final da noite do dia 24 de agosto de 2012, em Camaçari, região metropolitana de Salvador (BA), quando caminhavam de mãos dadas pela rua.
Um panorama da violência homofóbica no Brasil. Foto: Libertinus
Na região nordeste do país, no município de Jijoca de Jericoacoara (CE), no último dia 13, um homem de 36 anos foi encontrado morto em sua casa. No corpo sobre a cama, uma faca encravada na altura do peito esquerdo. A vítima era assumidamente homossexual e trabalhava como cozinheiro.
Na região metropolitana de Goiânia (GO), na madrugada de 7 de setembro, a dois dias da Parada do Orgulho LGBT daquela municipalidade, foram registrados os assassinatos de quatro travestis. Segundo testemunhas, as mesmas se prostituíam quando homens armados chegaram, mandaram-nas deitar no chão, atiraram e fugiram.
Para além de fatos isolados, os registros de violências baseadas na orientação sexual e na identidade de gênero das vítimas descritos acima compõem o levantamento divulgado no blog “Quem a homofobia matou hoje?”, a partir de denúncias encaminhadas ao Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga entidade brasileira de defesa dos homossexuais. De acordo com a organização, somente no primeiro semestre de 2012, foram contabilizados 165 assassinados de gays no País.
Segundo levantamento inédito divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), em julho deste ano, de janeiro a dezembro de 2011, foram denunciadas 6.809 violações de direitos humanos contra LGBTs, envolvendo 1.713 vítimas e 2.275 suspeitos. Os números oficiais foram sistematizados cm base em dados do Disque Direitos Humanos – Disque 100, na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, no Disque Saúde e na Ouvidoria do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como em e-mails e correspondências diretas encaminhadas ao Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT e à Coordenação-Geral de Promoção dos Direitos de LGBT;
Apesar da subnotificação, os números do relatório apontam que, nesse período, foram reportadas 18,65 violações de direitos humanos de caráter homofóbico por dia, vitimando 4,69 pessoas diariamente. Os estados com maior incidência foram São Paulo (1.110), Minas Gerais (563), Rio de Janeiro (518), Ceará (476) e Bahia (468). O Distrito Federal ocupou a 12ª posição, com 225 notificações. 67,5% das vítimas se identificaram como sendo do sexo masculino; 26,4% do sexo feminino; e 6,1% não informaram sexo. 47,1% tinham entre 15 e 29 anos.
Com relação aos principais tipos de violação, 42,5% dos casos registrados foram de violência psicológica (como humilhações, ameaças, hostilizações e xingamentos); 22,5% de discriminação; e 15,9% violência física. Em 41,9% dos casos, a própria vítima fez a denúncia; em 26,3%, desconhecidos da vítima que denunciaram; e em 12%, familiares, amigos, vizinhos. O relatório revelou, também, um padrão de repetição de violência de, em média, 3,97 violações por pessoa agredida. Outro aspecto ressaltado foi o número maior de suspeitos em relação ao número de vítimas, o que sugere que as violações são cometidas por mais de um agressor ao mesmo tempo.
Ainda segundo os dados, em 61,9% dos casos o agressor é próximo da vítima, em 38,2% são familiares, sendo que em 42% dos casos a violência se deu dentro de casa; 5,5% das violações foram registradas em instituições governamentais – sendo 3,9% em escolas e universidades, 0,9% em hospitais do SUS, e 0,7% em presídios, delegacias e cadeias.
O esforço em combater todas as formas de discriminação tem constado reconhecidamente da agenda da Organização das Nações Unidas (ONU) que, no marco da Declaração sobre orientação sexual e identidade de gênero, apresentada à Assembleia Geral, em 18 de dezembro de 2008, divulgou, em dezembro de 2011, o primeiro relatório global sobre os direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis, no qual descreve um padrão de violações de direitos humanos presente em diversos países, reconhecendo que as pessoas LGBT são frequentemente alvo de abusos de extremistas religiosos, grupos paramilitares, neonazistas, ultranacionalistas, entre outros grupos, os quais, muitas vezes, têm agido internacionalmente sob a forma de rede. Destaca, ainda, a situação de risco peculiar à qual estão submetidas as mulheres lésbicas e os/as transexuais.
A partir do relatório das Nações Unidas advertindo que governos têm negligenciado a questão da violência e da discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos lançou, em 14 de setembro último, documento intitulado “Nascido Livre e Igual” (em inglês Born Free And Equal), no qual traz obrigações legais que os Estados devem aplicar para a proteção de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). Baseado em dois princípios fundamentais que sustentam a lei internacional dos direitos humanos (igualdade e não discriminação), o documento foca cinco obrigações nas quais a ação nacional é mais necessária (proteção contra a violência homofóbica, prevenção da tortura, a descriminalização da homossexualidade, a proibição da discriminação e o respeito com a liberdade de expressão e com a reunião de todas as pessoas LGBT) e busca explicar para gestores públicos, ativistas e defensores dos direitos humanos as responsabilidades do Estado com essa minoria e os passos necessários para alcançá-las.
Na esteira das recomendações das Nações Unidas, o relatório sobre violência homofóbica no Brasil pontua a obrigatoriedade de notificação dos casos; que haja campo para a informação sobre identidade de gênero e orientação sexual nos registros de óbito e no Ligue 180; que serviços públicos específicos para travestis e transexuais tenham acesso a canais de denúncia governamentais; que os espaços públicos de sociabilidade sejam incentivados pelos Poderes Públicos municipais, estaduais e federal com promoção de atividades artísticas e culturais e que a interação entre jovens de diferentes inscrições identitárias, étnico-raciais, de gênero e classe social, entre outras, seja estimulada; trabalhar no empoderamento dos jovens LGBT para que denunciem as violências ocorridas no ambiente doméstico; realização de campanhas de enfrentamento da homofobia e divulgação dos canais de denúncia; que seja realizada a publicização anual dos dados de homofobia no Brasil; que seja criado um painel de indicadores relacionados ao respeito à população LGBT por estado; que a homofobia seja criminalizada nos mesmos termos em que foi criminalizado o racismo; que prisões, escolas, hospitais, quartéis e outras instituições similares possuam um código de ética ou incluam em seus códigos de ética questões relacionadas ao respeito aos direitos das minorias.
A partir dos dados do relatório, cuja íntegra está disponível no site da SDH-PR, conclui-se que a homofobia é um problema estrutural no Brasil e atinge, sobretudo, jovens, negros e pardos, nas ruas e em suas próprias residências, operando de forma a desumanizar as expressões de sexualidade divergentes da heterossexual.
Os casos ilustrados no começo do artigo demonstram o quanto à masculinidade sente-se ameaçada por outras vivências de sexualidade, sob o argumento de que tudo o que fuja ao padrão da heteronormatividade necessite de “correção”, “cura”, “pena” ou “sanção”. Com relação ao espaço da rua, ressalta-se a questão da qualificação dos agentes policiais para o conhecimento da violência homofóbica e para o acolhimento das vítimas da violência. Com relação ao espaço da casa, destaca-se a importância do empoderamento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais para que denunciem a violência ocorrida no âmbito doméstico.


Welliton Caixeta Macielassessor internacional da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, mestrando em Antropologia Social pela Universidade de Brasília, é associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Intolerância, preconceito:Mulher de cônsul agride morador de rua com coronhadas

Intolerância, preconceito:Mulher de cônsul agride morador de rua com coronhadas



TONINHO ALMADA
mulher agride mendigo
A Polícia Militar foi chamada pelos vizinhos que ficaram revoltados com a cena de violência


A esposa do cônsul de Honduras, Marília Rosana Correia Rodrigues de Pineda, de 51 anos, deixou a vizinhança revoltada depois de agredir o morador de rua José Rubens da Silva, no início da noite deste sábado (10), na Rua Gonçalves Dias, Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Segundo uma moradora do bairro, a agressora saiu do prédio onde mora e começou a insultar a vítima, que dormia nas proximidades da sua residência há cerca de duas semanas. "Ele nunca deu problemas aqui. Essa mulher desceu completamente alterada, xingando palavras de baixo calão e, quando o morador de rua se levantou, humilhado, ela o agrediu com coronhadas", afirma a vizinha que presenciou o fato e decidiu chamar a polícia.

De acordo com a testemunha, que prefere ter a identidade preservada, o homem agredido tem o lado esquerdo do corpo paralisado e anda com dificuldade devido a um AVC. "Além de xingar, ela fez ameaças, dizendo que iria tocar fogo no mendigo se ele continuasse dormindo próximo ao prédio", contou.

A vítima foi socorrida pelo Samu. Quando a Polícia Militar registrava a ocorrência, uma suposta delegada teria chegado ao local e ameaçado as testemunhas. "A mulher, que diz ser prima da agressora e delegada aposentada da Delegacia de Mulheres, também ordenou que os policiais não fizessem nada", denunciou a vizinha.

A ocorrência foi registrada na 3ª Cia da Polícia Militar e será encaminhada para a Polícia Federal, já que a família tem imunidade consular.


No R7

sábado, 10 de dezembro de 2011

Venha ser cínico você também

Venha ser cínico você também



Estaríamos vivendo uma época de cinismo? Pesquisador afirma que sim e que a fronteira entre a tolerância e a intolerância é mais tênue do que imaginamos
Você pode reconhecer alguém ou mesmo se ver nessas aspas.
“Plena igualdade de direito, tanto pros homens quanto pra nós, mulheres, não tem que ter distinção. É, mas acho que o papel de chefe de casa ainda é do homem, é uma coisa de tradição…”.
“Gays? Não tenho nada contra, aliás, tenho até amigos gays. Nada contra mesmo, sei respeitar as diferenças, desde que não mexam comigo, não mexo com ninguém. Mas agora querer colocar beijo gay em novela e cartilha contra a homofobia nas escolas, aí já demais. Não precisa incentivar…”.
“A mulher deve se libertar sexualmente: nada de medo, garotas, vocês são donas dos seus desejos. Que? É… não, quer dizer, sim, sim, claro que eu quero me casar é com uma mulher direita, que seja correta”.
A necessidade do sistema em se legitimar tem revelado certas práticas sociais e discursos irônicos justamente em seus pressupostos legitimadores. Discursos como esses aí de cima rolam em qualquer boteco, roda de amigo ou mesa de jantar do país. E o diagnostico parece ser esse: há um cinismo movendo a sociedade.
“O cinismo é a marca de uma época em que os aspectos de nossa vida nos parecem desconectados, fragmentados. O cínico é aquele que desvincula discurso de prática. Quando vemos que o cinismo tem se generalizado, isso indica que vivemos cada vez mais a experiência dessa desvinculação”, aponta o pesquisador Paulo Gajanigo.
Quando se fala em sexualidade esse caminho – da tolerância à intolerância – é suave, quase sem nenhuma crise de consciência. Isso porque a tolerância finca uma estaca bem clara: “eu aceito o outro até certo ponto; passou da minha margem de conveniência, não”. Porque, claro, deve-se aceitar a homossexualidade, a luta contra o sexismo, direitos de travestis, transexuais e prostitutas, mas há UM LIMITE, bem fixado, em caixa-alta e que não se deve passar. Mas por quê?
Gajanigo tem uma  resposta. “Essa posição se contrapõe a uma ética de solidariedade. A tolerância não se guia pela compreensão do outro, por se colocar no lugar do outro, mas por meio de abstrata posição de respeito. Essa posição abstrata é insuficiente para um humanismo de fato, por ser um respeito formal, pode-se usar de formalidades para justificar que certo comportamento passou do tolerável. A ética é fruto da prática, é produto histórico da sociedade”.
Para ele, uma ética de fato solidária não brota de um ambiente que estimula a concorrência e discutir a intolerância implica em não ter medo de ligar essa discussão a outros aspectos da vida, como a forma de produção, o mundo do trabalho e o mercado.
Então, vamos lá.
Curto-circuito
Está tudo flexível. Relativo. O lance é anular paradoxos e contradições, amaciar conflitos. E nessa ótica de flexibilização rola um curto-circuito na passagem da essência para a aparência e vice-versa.
Em seus trabalhos, o filósofo esloveno Slavoj Zizek afirma que a identificação dos “sem-parte” como parte da sociedade, mesmo desprovidos de lugar verdadeiramente justo, é um gesto elementar da politização. Ao contrário, a identificação com o particular, característica de despolitização da economia, ajuda a perpetuar a condição de excluídos.
Assim, respeitamos o outro o concebendo como uma comunidade “autentica” fechada sobre si mesma, e a pessoa adepta do discurso da tolerância  mantém, pelo seu lado, uma distancia que torna possível a sua posição universal privilegiada. Tolerância, portanto, seria uma construção do capitalismo para reduzir os significados do plural ao simples e fundamental, apropriando de conceitos para esvazia-los de conteúdo, mapeando algumas tendências.
“Ao mesmo tempo em que temos cada vez mais instrumentos técnicos de participação, os espaços são cada vez mais controlados, assistidos. Pesquisas de opinião, que de um lado podem parecer formas do governo  se adequar ao que as pessoas querem, são meios de identificar tendências, antecipar respostas e assim aumentar a segurança dos governos em relação aos governados”, diz Gajanigo. E acrescenta: “o cinismo, como forma de desvincular discurso e prática, serve a uma democracia formal, pois fornece liberdade discursiva para articular divergências políticas e de modo de vida”.
Pergunto para ele se esse discurso cínico de tolerância pode agravar as formas de dominação.
“Não sei”, responde. “No âmbito discursivo, estabelece-se um cabo de força. De um lado, o oprimido encontrará mais legitimidade em reivindicar direitos, de outro, os opressores acabam por dominar o discurso da tolerância, de forma que podem usar o discurso do politicamente correto para despistar seu comportamento opressor”.
Sobre as fotos: No filme Dogville (2003, Lars von Trier), a protagonista (Nicole Kidman) é uma moça rica e que expressa tolerância frente aos moradores de uma vila. Injustiçada e violentada pelos moradores ela alterou seu comportamento da tolerancia à total intolerância quando os mafiosos liderados por seu pai aparecem para libertá-la. Uma ilustração do cinismo na sociedade?

sábado, 12 de novembro de 2011

Acusados de espancar e jogar gay em fogueira são processados nos EUA

Acusados de espancar e jogar gay em fogueira são processados nos EUA

Três jovens acusados de agredir um homossexual durante uma festa de halloween responderão a processo no estado do Texas, nos Estados Unidos. O caso chamou a atenção na cidade de Reno pela violência do ataque: Burke Burnett, de 26 anos, levou socos e chutes, teve as costas e os braços feridos por uma garrafa de cerveja quebrada, antes de ser atirado em uma fogueira.
Reprodução/Huffington Post
Os acusados são Daniel Shawn Martin, James Mitchell "Trey" Laster e Micky Joe Smith, que já possuíam histórico de agressão contra gays. A polícia local enquadrou o caso como um crime de intolerância, cuja punição é regida por uma lei especial no Texas, como a que está atualmente em discussão no Congresso brasileiro.
Os três foram presos na hora, mas libertados com o pagamento de fiança e já foram pronunciados pela Justiça local.
Burke Burnett disse ter sido pego de surpresa com um soco no rosto, quando conversava com um amigo. Além do olho roxo, ele precisou levar 30 pontos para fechar os ferimentos. "Estou convencido de que foi uma tentativa de homicídio”, disse o jovem ao jornal Dallas News.
James Lester, um dos acusados, nega que a agressão tenha sido motivada pela orientação sexual de Burnett.

No OperaMundi

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A intolerância é fruto de nossa formação: O egocentrismo e a ganância pelo poder aniquilam o outro, simplesmente pelo fato de ser diferente.



A intolerância é fruto de nossa formação: O egocentrismo e a ganância pelo poder aniquilam o outro, simplesmente pelo fato de ser diferente. 


By denivalfrancisco


A história da humanidade foi edificada sobre disputas constantes por sobrevivência, como se não houvesse espaço físico e político para todos. Nisso, sempre houve a sobreposição do mais forte a partir de medidas extremamente intolerantes com os vencidos, submetidos as suas vontades e determinações.


Ainda é assim. Neste contexto o direito, que em tese seria o instrumento de pacificação e acomodação da insaciável insatisfação humana, tem servindo como lenimento para fazer valer a supremacia dos mais fortes, e apenas como arremedo aos menos favorecidos, principalmente pelo discurso dos direitos humanos, porque concedido somente na medida exata para se permitir uma convivência. Quando se percebe que a dosagem é pouca, em razão de manifestações insurgentes em busca de novas conquistas, resiste-se enquanto pode, para, prestes a romper, conceder aumento na dosagem de direitos somente no limite suficiente para aquietação.


De fato. Somos intolerantes e somente apreendemos a conviver em sociedade por uma necessidade premente de sobrevivência. E esta intolerância é fruto do egocentrismo e da inadmissão às diferenças. Somos dotados de inteligência, porém proporcional e significativamente mais frágeis que outros seres vivos. Conquistamos cada canto do planeta terra, mas só e ainda assim existimos, graças às engenhocas que desenvolvemos. Fosse para viver naturalmente como outros animais já seríamos espécie extinta, dada a nossa fragilidade.


Nem por isso, e mesmo sabendo disso, não deixamos de buscar a própria extinção, se é que se pode exagerar um pouco na análise. A nossa intolerância já nos causou experiências extremamente trágicas, tudo motivado pela não aceitação do outro e pela ganância insaciável de poder. As barbaridades ocorridas e dramas vividos não serviram de lição para uma convivência mais pacífica, não sob a ótica do limite da tolerância, mas dentre de uma perspectiva solidária que se imagina como resultado da própria razão da existência humana.
Em regra, nosso parâmetro do tolerável é exatamente o mínimo essencial para um convívio social aceitável, sempre restrito nos nossos egoísmos. Como observa Bauman, não reconhecemos o outro e não sabemos lidar com as diferenças como fundamento da mútua convivência.


Assim vivemos aos atropelos num mundo de intolerâncias, de desrespeito e de rejeição do outro. E isso não é consequência de nossa natureza, mas de um aprendizado que fez de nós, seres inteligentes, também manipuladores e egocêntricos, sempre insatisfeitos com nossas conquistas, sempre ávidos para novos desafios, ainda que para isso seja necessário atropelar, literalmente, o próximo. E isso decorre da ganância por poder furtivo e maledicente. O poder que satisfaz não o bem comum, mas o desejo único e exclusivo dos próprios interesses.


O poder, e com ele a intolerância, rende e faz crescer a economia, aumentar o prestígio e status social, embora subjugue multidões à miséria. O poder utilizado de modo indevido, autoritário e em beneplácito de poucos, e que determina rumos políticos de nações inteiras, restringindo direitos dos seus cidadãos, rompendo tratados internacionais e descumprindo compromissos históricos e éticos.


Essa busca insana por este poder nos distancia da solidariedade e do reconhecimento do outro. O que aguça este sentimento é a insatisfação contínua com o que se tem e com o que se conquistou, como se houvesse uma necessidade incontrolável para novos horizontes numa infinidade de possibilidade e objetivos a serem atingidos.http://sedicoes.wordpress.com/2011/11/04/a-intolerancia-e-fruto-de-nossa-formacao-o-egocentrismo-e-a-ganancia-pelo-poder-aniquilam-o-outro-simplesmente-pelo-fato-de-ser-diferente-da-serie-direitos-e-humanos-entre-o-convivio-e-a-intoler/

sábado, 5 de novembro de 2011

Intolerância: O avanço da rivalidade religiosa

Intolerância: O avanço da rivalidade religiosa

Seguidores da umbanda e do candomblé são vítimas de preconceito, sobretudo dos evangélicos, e a Justiça e a polícia não estão preparadas para lidar com o crime

Juliana Dal Piva e Michel Alecrim
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LISTA:Terreiro em São Gonçalo (RJ): um dos 847 mapeados somente na região metropolitana da capital

Uma característica atribuída ao povo brasileiro é a tolerância religiosa. O caldeirão de culturas que formou o País teria propiciado a convivência harmônica entre os diferentes credos, ao contrário de outras nações onde violentas disputas derramam sangue inocente. Na prática, porém, a realidade é outra. Seguidores das religiões afro-brasileiras sempre conviveram com a desconfiança alheia. Nos últimos tempos, há indícios de que a situação se agravou. Somente no Rio de Janeiro, são contabilizados, por ano, quase 100 casos de agressões morais ou físicas envolvendo intolerância religiosa em relação aos praticantes de umbanda e candomblé. “Em sua maioria esmagadora, os ofensores são membros das igrejas neopentecostais”, afirmou à ISTOÉ Henrique Pêssoa, delegado da 4a DP, no centro da cidade, que há três anos recebeu uma designação especial e pioneira no Brasil para cuidar de casos que envolvem crimes de viés religioso.

“Cada neopentecostal tem a missão de ganhar adeptos, é uma obrigação religiosa, daí o proselitismo. A missão é clara: divulgar e converter”, explica a antropóloga da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Sonia Giacomini, que pesquisa o tema há 20 anos. Ela diz que o intuito de arrebanhar mais e mais fiéis é bastante organizado. “Existe uma certa logística. Por exemplo, uma igreja é instalada onde havia um cinema pornô, pois ali seria uma área especial para fazer uma conversão, cheia de pessoas vulneráveis”, apontou.
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PRECONCEITO
Chamada de “macumbeira safada”, Elisângela Queiroz
não conseguiu registrar a ocorrência numa delegacia
O problema é que a busca por fiéis transforma-se, às vezes, em perseguição. Na Ilha do Governador, na zona norte, há denúncias na 4ª DP de representantes de religiões afrobrasileiras contando que terreiros (os locais onde são realizadas as cerimônias de umbanda e candomblé) estavam sendo destruídos e seus líderes escorraçados da Ilha por traficantes evangélicos neopentecostais. “Ali, criamos a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) porque era extremamente necessário”, diz Ivanir dos Santos, membro da comissão. Este e outros 39 casos em todo o País foram denunciados em um relatório produzido pelo grupo que reúne 12 religiões e entregue ao presidente do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Martin I. Uhomoibai.

Entre as denúncias, está a da Associação da Resistência Cultural Afro-Brasileira Jacutá de Iansã, que não conseguiu abrir conta-corrente na agência Abílio Machado da Caixa Econômica Federal, em Belo Horizonte (MG). Os diretores contam que esperaram quatro meses para receber a seguinte resposta: o banco é livre para abrir conta de quem quiser, e não queria a associação como correntista. Em São Paulo, a Associação Beneficente de Oyá e Ogun acusa a prefeitura de discriminação por ter lacrado sua sede no bairro de Santa Mariana, sob a alegação de desrespeitar o zoneamento. Segundo eles, o desrespeito se deve unicamente ao fato de eles estarem no local. Até na considerada sincrética Salvador (BA), a prefeitura foi denunciada por ter destruído parcialmente o terreiro Oyá Onipo Neto no bairro de Imbuí. No processo, diz que o terreiro era vizinho à propriedade de um funcionário da prefeitura que não gostava da proximidade com o templo. Os três casos ocorreram em 2008 e ainda estão sendo investigados.

No Rio, um dos terreiros mais antigos do País, de 1908, foi derrubado recentemente. Funcionava no município de São Gonçalo, não muito longe da capital, em uma pequenina casa, que foi posta abaixo para a construção de um galpão. A iniciativa da demolição foi do dono do imóvel, o militar Wanderley da Silva, 65 anos, que desconhecia a importância do endereço. O problema, segundo lideranças religiosas regionais, não foi o ato dele e, sim, o da prefeita de São Gonçalo, Maria Aparecida Panisset (PDT), que teria ignorado os pedidos de umbandistas para salvar o local tombando-o. A prefeitura expediu uma nota dizendo que nada poderia fazer porque a casa era particular. Mas outro caso envolvendo a prefeita Maria Aparecida, que é frequentadora da Primeira Igreja Batista Renovada, provoca dúvidas entre os religiosos.
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NA MIRA
Cristiano Ramos, diante do Centro Espírita Caboclo Pena
de Ouro, no Rio de Janeiro, que pode ser desapropriado
Maria Aparecida estaria forçando a desapropriação de um local onde funciona outro histórico terreiro, o Centro Espírita Caboclo Pena de Ouro. O presidente da Casa, Cristiano Ramos, diz que a explicação oficial é a construção de um Complexo Poliesportivo no local – embora haja um centro esportivo com características semelhantes na região. O caso virou, em abril, uma disputa judicial. “Tentei negociar várias vezes, mas ninguém quis me ouvir”, diz Ramos, que alega não ter recebido informações sobre indenização até agora. Procurada por ISTOÉ, a prefeitura não deu retorno.

Muitas iniciativas para combater a perseguição ainda dependem de apoio governamental. Por exemplo, o tombamento de templos – que são pedidos e não são atendidos pelas prefeituras –, a morosidade na apuração de denúncias de perseguição e a falta de providências contra policiais que se recusam a investigar casos de intolerância. Para o delegado Henrique Pêssoa, saber a abrangência exata desse tipo de crime, que tem pena de um a três anos de reclusão e multa, é quase impossível. Os registros raramente são feitos de maneira correta e, além disso, a lei não costuma ser cumprida. A bancária Elisângela Queiroz descobriu isso na prática. Chamada de “macumbeira safada” por um colega de trabalho, ela procurou uma delegacia, mas recusaram o registro da ocorrência. “Chegaram a me dizer que era apenas uma briguinha”, contou ela.

Pesquisa recente da Fundação Getulio Vargas aponta que 0,35% da população declarou ser praticante de religiões afro-brasileiras. O teólogo Jayro de Jesus acredita que é muito mais e até estima um crescimento de quase 70% no número de terreiros nos últimos 30 anos. “Acho que as pessoas estão sendo segregadas e, por isso, não tiveram a altivez de se autodeclarar nos censos”, afirma. Ele faz parte do grupo que está discutindo o mapeamento dos terreiros existentes no Brasil, com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A expectativa é de que os trabalhos comecem no início do próximo ano e durem até 2013. Em um levantamento feito em 2011, foram localizados até agora, somente na região metropolitana do Rio, 847 terreiros. Com os dados obtidos, o próximo passo será a implementação de um Plano Nacional de Proteção Religiosa. Para impedir a propagação de conflitos movidos pela religião, é preciso agir rápido.
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

SP reduto da intolerância: Skinhead agride negro e mulher em metrô de São Paulo

SP reduto da intolerância: Skinhead agride negro e mulher em metrô de São Paulo

Câmeras de segurança registraram o momento em que um skinhead ataca um jovem negro e duas garotas. O agressor responde pelo crime em liberdade.




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Intolerância: Jovens lésbicas são agredidas em supermercado de Porto Alegre



Intolerância: Jovens lésbicas são agredidas em supermercado de Porto Alegre


No final da tarde desse domingo, Carmel, 23 anos, e a Luísa, de 22, de Porto Alegre, foram agredidas no supermercado Zafari no bairro Ipiranga, na capital gaúcha, enquanto saiam do local. 

As mulheres que vivem juntas haviam feito compras no local e estavam abraçadas quando uma cliente disse “que nojo!” enquanto o casal passava por ela. As duas interceptaram a mulher e foram tirar satisfação. 

Elas alertaram que preconceito é crime pela legislação estadual gaúcha e pediram para ela repetir o que falou. A mulher, ainda não identificada, com aproximadamente 50 anos de idade, repetiu a ofensa e a discussão virou uma briga. Dois homens e a mulher passaram a agredir fisicamente o casal de lésbicas com socos, pontapés e puxões de cabelo. Um segurança do local chegou a segurar uma das lésbicas, enquanto os outros batiam na companheira.


A confusão foi registrada na mesma noite pelo casal de lésbicas na 10ª delegacia distrital de polícia de Porto Alegre, na forma de um boletim de ocorrência. O estabelecimento se comprometeu a fornecer imagens das agressões e dados que possam identificar os agressores.



Vi na UniversidadeLivreFeminista

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

'Fui furado e eletrocutado', diz jovem gay que passou por sessão de 'cura' nos EUA

'Fui furado e eletrocutado', diz jovem gay que passou por sessão de 'cura' nos EUA

Reprodução 

Mãos queimadas e depois congeladas. Pequenas agulhas sendo enfiadas embaixo das unhas. Sessões de eletrochoque. Tudo isso enquanto um vídeo exibia cenas de sexo explícito entre homens.

Samuel Brinton tinha apenas 12 anos quando foi submetido a uma sessão de ‘cura’ na igreja batista norte-americana após ter contado ao pai, um pastor do interior do estado de Iowa, que sentia atração pelo melhor amigo. Ele não fazia ideia de que não devia se sentir atraído por outros meninos.
O jovem, hoje com 23 anos e estudando engenharia nuclear no conceituado MIT (Massachussets Institute of Technology), contou sua história em uma série de entrevistas sobre a realidade de gays, lésbicas e transsexuais nos EUA, que já foi visto dezenas de milhares de vezes na internet.
Em seu perfil no twitter, Brinton diz que quer usar o seu exemplo para que outras pessoas possam ter uma escolha que ele não teve.
No vídeo, ele conta que apanhou tantas vezes do pai e com tamanha violência que chegou a ser levado diversas vezes à emergências de hospitais, onde dizia que havia “caído da escada”.
A tortura no ritual da igreja batista não era apenas física. Seus pais chegaram a dizer ao menino que ele tinha Aids e que era o último gay dos EUA, uma vez que o governo teria exterminado todos os outros.


Depois de meses de tortura, ele disse ter considerado o suicídio, subindo no telhado da casa onde morava. Sua mãe, que também apoiava a tentativa de “conversão”, tentou dissuadi-lo dizendo: “Eu vou te amar de novo, mas só se você mudar.”
Brinton acabou descendo do telhado e convenceu os pais de que havia “mudado” até sair de casa para ir à faculdade. Quando resolveu assumir sua orientação sexual e voltar para casa, encontrou suas coisas todas na rua. O pai ameaçou matá-lo se ele tentasse contato novamente.

“Na última vez, ele disse que atiraria em mim se eu tentasse entrar em casa de novo”.



*Com informações do Daily Mail e do Huffington Post

No OperaMundi

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A intolerância está no ar: Mulher ofende idoso em estacionamento de pet shop em São Paulo

A intolerância está no ar: Mulher ofende idoso em estacionamento de pet shop em São Paulo

Como se vive com tanta intolerância? 

A mulher discutiu com o idoso porque ele teria parado o carro perto da porta do veículo dela, o que a impediu de entrar. O senhor de idade pediu desculpas, mas a mulher descontrolada não aceitou e continuou ofendendo o homem. Descontrolada ela chegou a levantar a saia para ofender o idoso.





No R7

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Intolerância: Muçulmana multada por uso do véu na França diz sofrer insultos diários

Intolerância: Muçulmana multada por uso do véu na França diz sofrer insultos diários

Daniela Fernandes  - BBC Brasil

A francesa muçulmana Hind Ahmas, que foi a primeira pessoa a ser condenada pela Justiça francesa por usar o niqab, um véu que deixa apenas os olhos à mostra, diz “ser insultada todos os dias” ao caminhar pelas ruas com o rosto coberto.


Hind Ahmas (Foto AP)
Hind Ahmas exibe a multa que foi obrigada a pagar


O uso da vestimenta em locais públicos foi proibido por lei na França desde abril passado.

“São insultos pessoais ou contra os muçulmanos. Normalmente, as pessoas gritam grosserias pelas janelas dos carros ou esperam que eu me distancie delas nas calçadas para me ofender”, contou Ahmas em entrevista à BBC Brasil.
“Sou chamada de lixo, de terrorista, extremista ou me dizem para eu voltar para o Afeganistão”, diz ela. Hind afirma que não sofre pressões por parte de membros da família ou homens muçulmanos para cobrir o rosto.
“Vivo como qualquer mulher, a única diferença é a minha escolha de vestimenta”, afirma Ahmas, que é divorciada e mãe de uma garota de quatro anos.
A França é o primeiro país europeu a aplicar a proibição do uso do véu que cobre parcialmente ou totalmente o rosto em qualquer espaço público, como transportes, lojas, parques, escolas e repartições.
Multa
Na semana passada, a Justiça condenou Ahmas, 32 anos, e Najate Naït Ali, 36 anos, a multas de 120 e 80 euros, respectivamente (cerca de R$ 300 e R$ 200). A multa máxima prevista na lei é de 150 euros.
Segundo Ahmas, a lei francesa “viola o direito europeu, que garante a liberdade de convicções religiosas”.
Por esse motivo, ela continua usando normalmente o niqab - que deixa apenas os olhos à mostra.
“Retirar o niqab significaria renegar minha fé”. Faz quase sete anos que uso o véu integral, muito antes das discussões sobre a lei. Não cubro o rosto por provocação ou porque o assunto está na moda”, diz ela, que mora em Aulnay-sous-Bois, uma periferia pobre de Paris.
Mas, por enquanto, ela só foi parada nas ruas pela polícia “quatro ou cinco vezes”, sendo que em um dos casos foi algemada e levada para a delegacia.
“Eles queriam me revistar e exigi que fosse uma policial feminina. Mas não precisavam me algemar, foi abuso de autoridade.” Nos outros controles de identidade, ela aceitou ir à delegacia ou mostrou seu rosto na rua aos policiais em áreas de menor movimento.
'Sinônimo de terrorismo'
Ahmas considera que a condenação na Justiça é “uma excelente notícia porque dá destaque para o assunto e representa o ponto de partida para conseguir a revogação da lei.”
Ela já entrou com recurso contra a decisão dada na semana passada e prevê levar o caso à Corte Europeia de Direitos Humanos.
Ahmas criou a associação “Cidadãs da Liberdade” para defender a anulação da lei. Sua amiga Kenza Drider, que usa o niqab e na semana passada anunciou sua candidatura às eleições presidenciais do próximo ano, também integra a associação.
Mas para se tornar oficialmente candidata, Drider precisará recolher 500 assinaturas de políticos franceses, o que dificilmente deverá ocorrer.
Ahmas afirma que o governo francês criou a lei do véu integral por motivos eleitorais, “para desviar a atenção em relação aos reais problemas do país e para que o islamismo seja menos visível na França”.
“O islamismo passou a ser sinônimo de terrorismo, de Bin Laden e de bombas. Estou tão longe disso tudo. Só aspiro a ter uma vida tranquila e poder levar minha filha ao zoológico sem ser insultada”, diz ela.