terça-feira, 10 de julho de 2012

No 11º CONCUT: Servidores federais condenam “enrolação, intransigência e descaso do governo”

No 11º CONCUT: Servidores federais condenam “enrolação, intransigência e descaso do governo”


CUT
 Luiz Carlos Leite e Carmem Lúcia Barbosa (SINTET-UFU) e Benedito Robson Monteiro (SINTUF),
Luiz Carlos Leite e Carmem Lúcia Barbosa (SINTET-UFU) e Benedito Robson Monteiro (SINTUF),
Após 58 infrutíferas reuniões com o governo federal, os servidores federais decidiram ir à greve. Iniciada há um mês, a paralisação vem se fortalecendo de Norte a Sul contra “a intransigência e o descaso”, denunciam delegados e delegadas sindicais presentes ao 11º Congresso Nacional da CUT.
Em jornal distribuído ao conjunto do plenário nesta terça-feira (10), a delegação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SINTUFRJ) condenou “o infeliz pronunciamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que teve a cara de pau de afirmar que se a presidenta Dilma autorizar aumento para os trabalhadores da educação o Estado quebra”.
Enquanto os problemas se avolumam, adverte Luiz Carlos Leite, coordenador de Comunicação e Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior de Uberlândia (Sintet-UFU), o governo finge que não ouve. “É uma intransigência absurda, não aponta nada, não negocia nada, não há reposição. A última reunião com a presença do ministro Mercadante não saiu do lugar. É um descaso só, como se não existissem problemas e nem houvesse uma greve para exigir sua solução”, avalia.
“O fato é que não há diálogo. As mesas de negociação viraram mesas de enrolação, colocando a solução sempre para depois, como se o mar estivesse calmo, como se não tivéssemos de nos alimentar, de estudar, de nos qualificar”, denuncia Carmem Lúcia Barbosa, coordenadora de Formação Sindical do Sintet-UFU. Segundo a dirigente, a insatisfação crescente faz com que na Universidade Federal de Uberlândia, onde trabalham cerca de seis mil servidores técnico-administrativos, três mil docentes e 20 mil estudantes, a mobilização contra o arrocho seja total, pois isso afeta diretamente a qualidade do ensino e dos serviços prestados à população.
“O fato é que ficamos 2011 e 2012 sem nenhum reajuste, o que implica em arrocho dos salários. Estamos reivindicando algo que é nosso de direito. Se não conseguirmos colocar o reajuste na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) até o dia 31 de agosto, e o governo só tem até 31 de julho para enviar ao Congresso, também em 2013 não teremos nada. Portanto, ficaremos quatro anos sem ter sequer a reposição da inflação, o que representa um enorme arrocho e um imenso desgaste para a categoria”, acrescenta Luiz Carlos.

GOVERNO DESCUMPRE AGENDA
Em Cuiabá, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), descreve Benedito Robson Monteiro de Andrade, a situação é igualmente grave, com professores, estudantes e técnico-administrativos unidos e mobilizados “contra a falta de cumprimento das agendas por parte do governo”. “Na UFMT estão trabalhando apenas 30% dos trabalhadores que atuam nos serviços essenciais, como reza a lei”, explica.
Uma das principais bandeiras do movimento grevista, sublinha Robson, é a garantia da data-base, no dia 1º de Maio, e o piso de três salários mínimos. “Hoje o nosso piso é de apenas R$ 1.014. Defendemos um piso de R$ 1.800, a reposição das aposentadorias com as mesmas garantias dos ativos, pois há uma perda justamente quando a pessoa mais precisa”, disse.
É importante lembrar, alertou o delegado sindical de Mato Grosso, “que o governo cortou R$ 55 bilhões do Orçamento, desvalorizando os servidores e o serviço público para priorizar o pagamento de dívidas com os donos de bancos, com os especuladores”.

HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS: NÃO À PRIVATIZAÇÃO!
Outro ponto condenado por Robson é “o processo em curso de privatização dos hospitais universitários (HUs) com a formação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que é pública, mas de direito privado, para administrá-los”. Esta decisão, acrescenta Carmem Lúcia, “retira a autonomia universitária e compromete a unidade entre pesquisa, ensino e extensão”.
Assim, um hospital universitário como o de Uberlândia, que é referência para todo o Triângulo Mineiro, atendendo o sistema SUS e casos extremamente complexos e custosos, alerta Carmem, fica submetido a um regime privatista que compromete a qualidade e a amplitude do seu funcionamento. O mesmo ocorre no HU Júlio Muller em Cuiabá, denuncia Robson, que é referência para todo o Centro Oeste.
Como sintetiza o jornal do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “o termômetro explodiu” com a ordem do governo dada às reitorias para que corte o ponto dos grevistas. Contra a ação repressiva, a categoria reforça a mobilização e convoca a sociedade a se somar na luta para “defender a autonomia universitária e barrar o autoritarismo”.

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