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sábado, 30 de março de 2013

Azenha: Globo e governo Dilma parecem estar perto da vitória

Azenha: Globo e governo Dilma parecem estar perto da vitória

por Renato Rovai 

Azenha anunciou que vai fechar o Viomundo depois de perder ação na justiça movida pela Globo. É uma notícia-bomba. Uma derrota parcial da luta pela democratização no país. E quando alguém perde, outro alguém ganha. Os vencedores são os grandes grupos econômicos de comunicação, mas também uma boa parte do governo que anda mais preocupada com negócios do que em construir políticas públicas que modifiquem a imensa concentração deste segmento.
No momento, estou em Tunis, na Túnisia, cobrindo o Fórum Social Mundial. Antes de vir pra cá estive em Brasília. Conversei com muita gente. E confirmei o que já imaginava. Primeiro, que o governo Dilma não vai mexer no que considera um vespeiro, a regulamentação da comunicação. Segundo, que o ministro Paulo Bernardo deixou de ser apenas uma adversário desta tese. Passou a se um inimigo. E mais do que isso, agora instrumentaliza nossa luta para conquistar ainda mais poder.
Bernardo hoje é o homem dos grandes grupos de comunicação no PT. É o sujeito que livra as teles e a Globo dos “monstros” que querem a regulamentação e a democratização. E o que fazemos, no fundo, o ajuda a ampliar seu poder. Foi neste contexto que seu secretário-executivo, Cezar Alvares, teria dito a frase de que o governo Dilma não faria a regulamentação das comunicações. Aquilo não foi um deslize. Foi a assinatura de um contrato público com o povo da radiodifusão. Foi a Carta ao Povo Brasileiro de Dilma com esses setores. Eles queriam um sinal claro. Bernardo deu.
Mas não é só isso. Paulo Bernardo (e não só ele) também tem se referido a blogueiros como vagabundos e pilantras. E completa a frase com “e o governo ainda sustenta essa gente…”. Convenhamos, isso é bobagem. O que não é bobagem é que ele tem feito pressão pessoal para que ninguém mais apoie os poucos veículos que ainda recebem alguma verba publicitária. (Aliás, se você quer saber o tamanho deste apoio, leia este artigo do Miguel do Rosário.)
Nos Correios, por exemplo, a ordem é clara. Se algum centavo for destinado a esse “povo”, cabeças rolarão. Procure algo dos Correios em qualquer veículo da mídia alternativa ou livre. Mas também procure na Veja, na Globo, na Folha e no Estadão…
Azenha não está anunciando o fechamento do seu blogue por causa da Secom e do Paulo Bernardo. Mas também não está fazendo isso só por causa da Globo. Se a gente tivesse nesta luta pela democratização da mídia, mas não se sentisse sendo usado, talvez ele não tivesse tomado esta atitude.
Espero que ela ainda reflita e que um movimento cidadão o anime a seguir em frente. Azenha nunca teve um centavo de recurso público no seu blogue. E desde que o conheço nunca se mostrou interessado neste tipo de financiamento. Mas ele sonhou junto com muitos de nós que teríamos condição de melhorar a correlação de forças da comunicação no Brasil. Imaginou que tínhamos aliados. E ouviu, como eu, discursos de muitos se comprometendo com a causa.
E com o tempo passando, foi percebendo que só estávamos sendo usados. É este o exato sentimento: usados. E talvez essa sua decisão seja um sinal para um movimento que pode se tornar bastante importante. O Azenha não pode ficar sozinho nisso. É hora de refletir.

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terça-feira, 10 de julho de 2012

No 11º CONCUT: Servidores federais condenam “enrolação, intransigência e descaso do governo”

No 11º CONCUT: Servidores federais condenam “enrolação, intransigência e descaso do governo”


CUT
 Luiz Carlos Leite e Carmem Lúcia Barbosa (SINTET-UFU) e Benedito Robson Monteiro (SINTUF),
Luiz Carlos Leite e Carmem Lúcia Barbosa (SINTET-UFU) e Benedito Robson Monteiro (SINTUF),
Após 58 infrutíferas reuniões com o governo federal, os servidores federais decidiram ir à greve. Iniciada há um mês, a paralisação vem se fortalecendo de Norte a Sul contra “a intransigência e o descaso”, denunciam delegados e delegadas sindicais presentes ao 11º Congresso Nacional da CUT.
Em jornal distribuído ao conjunto do plenário nesta terça-feira (10), a delegação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SINTUFRJ) condenou “o infeliz pronunciamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que teve a cara de pau de afirmar que se a presidenta Dilma autorizar aumento para os trabalhadores da educação o Estado quebra”.
Enquanto os problemas se avolumam, adverte Luiz Carlos Leite, coordenador de Comunicação e Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior de Uberlândia (Sintet-UFU), o governo finge que não ouve. “É uma intransigência absurda, não aponta nada, não negocia nada, não há reposição. A última reunião com a presença do ministro Mercadante não saiu do lugar. É um descaso só, como se não existissem problemas e nem houvesse uma greve para exigir sua solução”, avalia.
“O fato é que não há diálogo. As mesas de negociação viraram mesas de enrolação, colocando a solução sempre para depois, como se o mar estivesse calmo, como se não tivéssemos de nos alimentar, de estudar, de nos qualificar”, denuncia Carmem Lúcia Barbosa, coordenadora de Formação Sindical do Sintet-UFU. Segundo a dirigente, a insatisfação crescente faz com que na Universidade Federal de Uberlândia, onde trabalham cerca de seis mil servidores técnico-administrativos, três mil docentes e 20 mil estudantes, a mobilização contra o arrocho seja total, pois isso afeta diretamente a qualidade do ensino e dos serviços prestados à população.
“O fato é que ficamos 2011 e 2012 sem nenhum reajuste, o que implica em arrocho dos salários. Estamos reivindicando algo que é nosso de direito. Se não conseguirmos colocar o reajuste na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) até o dia 31 de agosto, e o governo só tem até 31 de julho para enviar ao Congresso, também em 2013 não teremos nada. Portanto, ficaremos quatro anos sem ter sequer a reposição da inflação, o que representa um enorme arrocho e um imenso desgaste para a categoria”, acrescenta Luiz Carlos.

GOVERNO DESCUMPRE AGENDA
Em Cuiabá, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), descreve Benedito Robson Monteiro de Andrade, a situação é igualmente grave, com professores, estudantes e técnico-administrativos unidos e mobilizados “contra a falta de cumprimento das agendas por parte do governo”. “Na UFMT estão trabalhando apenas 30% dos trabalhadores que atuam nos serviços essenciais, como reza a lei”, explica.
Uma das principais bandeiras do movimento grevista, sublinha Robson, é a garantia da data-base, no dia 1º de Maio, e o piso de três salários mínimos. “Hoje o nosso piso é de apenas R$ 1.014. Defendemos um piso de R$ 1.800, a reposição das aposentadorias com as mesmas garantias dos ativos, pois há uma perda justamente quando a pessoa mais precisa”, disse.
É importante lembrar, alertou o delegado sindical de Mato Grosso, “que o governo cortou R$ 55 bilhões do Orçamento, desvalorizando os servidores e o serviço público para priorizar o pagamento de dívidas com os donos de bancos, com os especuladores”.

HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS: NÃO À PRIVATIZAÇÃO!
Outro ponto condenado por Robson é “o processo em curso de privatização dos hospitais universitários (HUs) com a formação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que é pública, mas de direito privado, para administrá-los”. Esta decisão, acrescenta Carmem Lúcia, “retira a autonomia universitária e compromete a unidade entre pesquisa, ensino e extensão”.
Assim, um hospital universitário como o de Uberlândia, que é referência para todo o Triângulo Mineiro, atendendo o sistema SUS e casos extremamente complexos e custosos, alerta Carmem, fica submetido a um regime privatista que compromete a qualidade e a amplitude do seu funcionamento. O mesmo ocorre no HU Júlio Muller em Cuiabá, denuncia Robson, que é referência para todo o Centro Oeste.
Como sintetiza o jornal do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “o termômetro explodiu” com a ordem do governo dada às reitorias para que corte o ponto dos grevistas. Contra a ação repressiva, a categoria reforça a mobilização e convoca a sociedade a se somar na luta para “defender a autonomia universitária e barrar o autoritarismo”.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Aos 33 anos, Brizola Neto é o ministro mais jovem do governo Dilma

Aos 33 anos, Brizola Neto é o ministro mais jovem do governo Dilma


Ivan Richard e Renata Giraldi

 Agência Brasil

Brasília - Aos 33 anos, Carlos Daudt Brizola, cujo nome político é Brizola Neto, é o mais jovem ministros do governo da presidenta Dilma Rousseff. Neto do ex-governador Leonel Brizola (morto de 1994), ele nasceu em em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e está no seu segundo mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro.
“O nome que carrego é uma bandeira. É um símbolo para milhões de pessoas que sonham com um Brasil diferente, com um Brasil com justiça, com trabalho, com progresso para nosso povo. Defender este país é ser nacionalista; defender este povo é ser trabalhista. E lutar por isso a vida inteira, sem jamais esmorecer, é ser Brizola”, define-se o parlamentar em uma autobiografia publicada em seu blog na internet (http://www.tijolaco.com/).
Mesmo sem vencer as últimas eleições parlamentares, em 2010, Brizola Neto voltou à Câmara dos Deputados como suplente do deputado Sergio Zveiter (PSD). Ligado ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), Zveiter deixou a Câmara para assumir a Secretaria de Trabalho e Renda do Rio, cargo que anteriormente era ocupado por Brizola Neto.
Em 2009, Brizola Neto foi líder do PDT na Câmara. Na sua trajetória política, exerceu ainda o cargo de vereador pelo município do Rio de Janeiro, em 2004. No seu blog, ele diz que começou sua vida política, aos 16 anos, ao lado do avô.
Brizola Neto dedica boa parte dos textos publicados na internet para defender as investigações de irregularidades envolvendo o empresário de jogos ilegais Carlos Augusto Cachoeira, o Carlinhos Cachoeira. Além disso, ele apoia a candidatura do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, à reeleição e critica a imprensa, a qual considera tendenciosa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um governo jogando na retranca e a gota d´água, no oceano

Um governo jogando na retranca e a gota d´água, no oceano


Por Fátima de Oliveira no Lubrinando


Mais um ano se passou... A impressão que tenho ultimamente é que o tempo passa rápido. Demais. A gente nem vê direito. De repente, lá se foi 2011. E lá se foi um ano de governo Dilma do qual, em termos palpáveis, sou incapaz de dizer qual o grande marco, embora não seja um governo micho, sem élan - conta com 56% de avaliação positiva e a presidente, com 71% e 68% de confiabilidade. 

Dilma recebe homenagens e comemora aniversário com almoço em família na Capital Ronaldo Bernardi/ 

[(Porto Alegre: Dilma recebeu flores e um cartão das crianças que estudam na creche ao lado de seu prédio no dia do seu aniversário 14.12) Foto: Ronaldo Bernardi]

Desassossego há, até demais. A valsa de despedida de ministros - no momento são sete fora, um dentro e outro no pensamento - virou uma rotina sem fim, sem graça, e torra a paciência como cantiga de grilo. Há sempre um ministro na mira da expurgação, que consome o governo na apuração das trepeças denunciadas, um gasto de energia descomunal, que poderia ser empregada em outras coisas... Penso que a tática de "emprenhar o governo pelo ouvido" tem sido a linha de raciocínio vitoriosa da oposição e da mídia que a apoia.

Desvia o governo de efetivamente governar, no sentido de "fazer coisas", ao pautá-lo a jogar na retranca e, assim, nas cordas, diminui o ritmo e até paralisa obras do PAC. Cada novo ministro, além do medo, vai lidar com o desconhecido, montar suas equipes de confiança e, até tomar pé da situação, o tempo perdido é irrecuperável... O dinheiro disponível não é empenhado, nem gasto... Há dinheiro sobrando no paiol esperando cupim.



Levei muito tempo analisando para escrever sobre o assunto. É surreal. A um ponto que eu, relativamente antenada com a vida política do país, se perguntada sobre o grande feito do primeiro ano do governo Dilma, não saberia dizer. Há um feijão com arroz de bom tempero. Por outro lado, não consigo distinguir com nitidez os rumos na manutenção da consigna de um governo popular e democrático. E fico triste.
Não tenho dúvidas do propósito: o governo Dilma tem a trilha popular e democrática como definição de caminho, mas não consegue explicitar em ações e materializar em gestos que reforcem os laços com os movimentos sociais. Não sei dizer exatamente qual é a agenda governista em nenhuma área… Nem naquela à qual dediquei parte substancial da minha vida: a saúde, notadamente saúde da mulher.
O pior é o ouvido de mercador do governo. Há exemplos crassos em várias áreas, mas relembrarei aqui um aparentemente sem importância, sobretudo pela dificuldade de entendimento, da sociedade e do governo, mas é a gota d’água no oceano que pode fazê-lo transbordar. Refiro-me à descomunal derrota política que pesquisadores e ativistas da atenção integral da saúde da mulher, inclusos os aportes dos direitos reprodutivos, tiveram no atual governo, que preferiu demonstrar fidelidade à Santa Sé, como se o Vaticano tivesse pedido um voto sequer para Dilma Rousseff. E não adianta espernear e vociferar que o governo segue impávido, dando as costas a quem suou e sangrou nas eleições. Só não atino o porquê.
Eis aí por que o sociólogo Boaventura de Sousa Santos está com a razão quando discorre sobre a indisponibilidade das esquerdas para a reflexão: “Quando estão no poder, as esquerdas não têm tempo para refletir sobre as transformações que ocorrem nas sociedades e, quando o fazem, é sempre por reação a qualquer acontecimento que perturbe o exercício do poder. A resposta é sempre defensiva. Quando não estão no poder, dividem-se internamente para definir quem vai ser o líder nas próximas eleições, e as reflexões e análises ficam vinculadas a esse objetivo”.
Ai, que canseira foi 2011!



Tela que o presidente americano Barack Obama deu a presidenta Dilma Rousseff.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Saúde Pública em mãos privadas: Para onde vai o SUS no Governo Dilma?

Saúde Pública em mãos privadas: Para onde vai o SUS no Governo Dilma? 


por Veronica Ferreira no SOS Corpo

O anúncio dos dois novos programas de saúde – SOS Emergências e Melhor em Casa – feito esta semana (dia 08 de novembro) pela Presidenta Dilma Roussef, estarreceu a todos(as) aqueles(as) que lutam pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.
O Governo Federal lança mão da parceria com o setor privado, por meio dos grandes hospitais, para resolver os problemas de gestão e qualidade do atendimento das grandes emergências públicas. Em quase 10 minutos de seu pronunciamento em rede nacional, Dilma falou com entusiasmo da parceria com o setor privado. A palavra SUS não foi pronunciada em nenhum momento.
O anúncio acontece após semanas de campanha de desqualificação e ataque ao SUS pela mídia conservadora e privatista, e a menos de vinte dias da Conferência Nacional de Saúde, na qual representantes da sociedade civil, movimentos sociais, trabalhadores(as) e gestores(as) apresentarão suas propostas para a consolidação do SUS. O Governo escolheu a quem responder. Capitulou frente à pressão da imprensa conservadora e privatista e retirou da disputa na conferência uma de suas pautas mais importantes e tensas: a adoção do modelo das fundações privadas e OS's – organizações sociais, na gestão do SUS.
Nós, dos movimentos de mulheres, sabemos - e vivemos - os problemas no atendimento que roubam vidas, todos os dias, nas grandes emergências dos hospitais públicos. E dos problemas ainda persistentes na atenção básica e de média complexidade. Uma situação de barbárie que precisa ser enfrentada. Para isso, defendemos em nossas mobilizações e nos espaços de participação (conselhos e conferências) o investimento pesado de recursos nos hospitais públicos, a contratação de mais profissionais com condições de trabalho e possibilidades de realizar uma carreira pública plena no SUS, além da ampliação de unidades de alta complexidade e da qualificação no atendimento.
Isto é possível e pode ser feito pelo Estado, com investimento e gestão pública, pelos sujeitos que vêm construindo, há duas décadas, um dos maiores sistemas públicos e universais de saúde do mundo. O SUS é a prova de que isto é possível. Para isso, há que se optar por qual modelo de Estado e por qual projeto para a saúde queremos construir.
Para consolidar o SUS, evidentemente, é preciso recursos. E recursos não caem do céu, como disse a Presidenta em seus discursos. Isto já estava claro no processo Constituinte, que teve como uma de suas principais conquistas a definição de um orçamento próprio para a Seguridade Social, estabelecendo uma diversidade de fontes de financiamento. Os fundos públicos são disputados pelos interesses econômicos, razão pela qual a Constituição estabeleceu e protegeu o orçamento para os direitos sociais. O orçamento da Seguridade, tal como estabelecido na Constituição, nunca se realizou, por exemplo, a partir da taxação das grandes fortunas, do capital financeiro. O que ocorre, hoje, é o contrário. Os recursos da seguridade são levados para o “céu” do capital financeiro, para o pagamento infindo de juros da dívida, que não se paga nunca, para sustentar a política econômica de superávitprimário, para assegurar a credibilidade do País frente aos credores e investidores, digo, aosespeculadores do capitalismo financeiro internacional, que hoje dominam o mundo e subordinam estados nacionais a seus interesses.
O orçamento da Seguridade Social tem sido drenado, desde 1994, por meio da DRU – Desvinculação de Receitas da União, para o pagamento de juros da dívida pública e para sustentar a credibilidade internacional do Brasil junto ao grande capital financeiro. Os 45 bilhões de reais que o SUS precisa para garantir melhor qualidade, conforme o próprio Ministério da Saúde já estipulou, são desfalcados anualmente para pagar os impagáveis juros da dívida. Em 2012, o desfalque será de 62 milhões! E enquanto Dilma fazia seu pronunciamento, o Congresso nacional aprovava a prorrogação da DRU até 2015, sob pressão do Governo.
Para pressionar pela aprovação da DRU, o Governo lança mão em seu discurso do enfrentamento à pobreza. A pobreza tem sido acionada em muitos momentos para legitimar as ações do Governo, mesmo aquelas que claramente favorecem a concentração de riqueza. Como o volume de recursos retirado dos direitos sociais para o capital financeiro é um escândalo, o Governo sustenta que os recursos irão também para a construção de moradias, para o PAC e para o Programa Brasil sem Miséria. Ocorre que, para garantir os recursos do Brasil sem Miséria, não precisamos de DRU. Basta deixar as receitas onde elas já estão: no Orçamento da Seguridade Social, que inclui os recursos para a política de assistência.
Não queremos gestão privada do SUS, em nenhum nível – municipal, estadual ou nacional. Não aceitamos a prorrogação da DRU. Seguimos acreditando que um sistema de saúde público, universal, de qualidade, é possível. E que precisamos seguir realizando a revolução na saúde que o SUS representa, ainda inacabada. E também que, para isso, é preciso realizá-lo com recursos públicos, sob a gestão pública e o controle democrático da sociedade, a partir da experiência enorme e revolucionária que a implementação do SUS nas duas últimas décadas construiu.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A estratégia da mídia

A estratégia da mídia