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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Bahrein não tem moral para falar de liberdade de expressão, diz Carlos Latuff

Bahrein não tem moral para falar de liberdade de expressão, diz Carlos Latuff



Charges do brasileiro Carlos Latuff são bastante conhecidas no Oriente Médio, em especial no Egito, e tem repercutido na crise do Bahrein
O tom provocativo e visceral das charges do cartunista brasileiro Carlos Latuff vem incomodando o governo do Bahrein. Há mais de um ano, o artista e ativista, colaborador do Opera Mundi, critica a repressão do regime barenita contra as manifestações populares que reivindicam uma abertura democrática e maior justiça social no país.
Nesta terça-feira (17/04), a monarquia do Bahrein expressou seu descontentamento. A IAA (sigla em inglês para Autoridade para Assuntos de Informação), órgão oficial de informação do regime, criticou, em inglês, o trabalho do desenhista brasileiro pelo microblog Twitter. Em diversas mensagens no Twitter, a IAA pediu ao brasileiro que reflita sobre a “integridade jornalística” e a “falta de neutralidade” de seus desenhos. Muitas de suas ilustrações criticando o regime e também o Grande Prêmio tem sido exibidas em cartazes durante as manifestações.
"Nós do IAA estamos preocupados com seus desenhos. Embora sejamos defensores da liberdade de expressão, seus desenhos ultrapassam o limites dessa liberdade com acusações infundadas e uma representação desequilibrada dos eventos ocorridos no Bahrein. Muitos de seus cartuns possuem erros jornalísticos e factuais graves. Pedimos que você reflita sua arte através da integridade jornalística", postou o órgão, em uma mensagem direcionada diretamente a Latuff.
Em seu site, o cartunista ironizou o recado: “É curioso que uma instituição governamental como a do Bahrein use termos como ‘integridade’ e ‘liberdade de expressão’, valores que definitivamente não se aplicam ao regime de Hamad [bin Isa al Kalifa, rei do Bahrein]”.
“De acordo com um relatório da Anistia Internacional [divulgado em 13 de abril], uma organização creditada por seu alto grau de integridade, as autoridades do bahrein ‘cometeram sérias violações aos direitos humanos com impunidade, incluindo uso excessivo de força contra os manifestantes, tortura generalizada, tratamento desumano, julgamentos injustos e execuções extrajudiciais’”, completou o brasileiro.
Em entrevista ao Opera Mundi, Latuff diz que a realização da corrida é uma cartada política do regime para mostrar ao mundo que a situação está sob controle. “Mas será um tiro no pé. Porque é por causa dessa corrida que o mundo voltar a falar do que acontece no Bahrein. Só se falava na Síria, porque o Ocidente tem interesse em derrubar Bashar al Assad. Mas não tem como esconder o que ocorre por lá. Mas o conflito não está resolvido”, afirma. 
Latuff considera “inútil” a tentativa do IAA de condenar seu trabalho. “O trabalho já está na internet, portanto não faz diferença eles reclamarem. E acusam meu trabalho de não ter veracidade, mas uma charge não é uma representação factual”, disse. “A charge que publiquei no Opera com o Bernie Ecclestone (controlador da Fórmula 1) sendo recebido pelo rei com um tapete de corpos, ora, isso não aconteceu, é uma alegoria. Mas o absurdo é ter minha integridade discutida por um regime que tortura, prende, mata e impede até mesmo a entrada de membros da Médicos Sem Fronteiras. Não merece qualquer consideração. Democracia e Direitos Humanos só servem para a Síria então? O Bahrein é sede da 5ª Frota dos Estados Unidos, ninguém tem interesse em mexer por lá”, protesta.
Sobre o fato de sentir ameaçado com as declarações do governo barenita, ele ironiza: “Depois de treze anos levando pau de sionistas, estou bem descolado”.
Desde o início de abril, Latuff contesta a realização do Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1, marcado para o próximo domingo, enquanto o país se encontra em meio a uma convulsão política. Na semana passada, o Opera Mundi publicou a charge abaixo a respeito da corrida.
Carlos Latuff
Primavera Árabe
O pequeno arquipélago do Golfo Pérsico, é uma monarquia constitucional controlado pela família Al Khalifa desde 1783, de orientação sunita, que governa uma população de maioria xiita. O atual monarca é Hamad bin Isa al Kalifa, que se tornou Emir do Bahrein em 1999 e se autoproclamou rei em 2002.
Rica em reservas de petróleo, o reino não conseguiu escapar dos protestos que caracterizaram a Primavera Árabe, e contou com ajuda militar da Arábia Saudita para conter os manifestantes.
Os protestos começaram no último mês de fevereiro motivados pelos demais levantes de países árabes que aconteciam simultaneamente. Depois de intensos confrontos, milhares de pessoas foram detidas e mortas. Os dados são de uma comissão independente criada por iniciativa do próprio rei do país, Hamad bin Issa al Khalifa, para averiguar as denúncias de que as forças de segurança estariam usando força extrema.
No final de novembro, o rei anunciou reformas que, segundo ele, iriam contentar "todos os segmentos de nossa sociedade". Apesar disso, os conflitos entre as partes continuam. Em dezembro, Latuff ajudou a denunciar o uso de gás lacrimogêneo fabricado no Brasil para reprimir os protestos no Bahrein.
Carlos Latuff
O trabalho do cartunista já foi divulgado em diversos países, ganhando repercussão internacional durante a Primavera Árabe. É conhecido por se dedicar a diversas causas políticas e sociais, tanto no Brasil quanto no exterior. Muitas de suas charges podem ser encontradas, baixadas e reproduzidas no link: http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff.

Inspiração de ativistas, chargista brasileiro ganha crítica de governo do Bahrein e pede à F1 respeito




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VICTOR MARTINS [@vitonez]
de São Paulo
São quase 11.400 km de distância até Manama, mas Carlos Latuff consegue ser peça relevante nos protestos que se seguem há mais de um ano no Bahrein, evidenciados agora por conta do GP que vai, ou deve, acontecer neste fim de semana. Cartunista da imprensa sindical do Rio de Janeiro, Latuff, 43, engajou-se aos ativistas árabes desde os primeiros movimentos da Primavera que tenta derrubar ditaduras e monarquias naquela região do mundo. Seus desenhos chegaram ao conhecimento dos governos pela internet, a ponto de a coroa barenita, por exemplo, criticá-lo via Twitter. “Certamente sou persona non grata em todos estes países”, declarou nesta terça-feira (17) ao Grande Prêmio.
Certamente. Porque alguns destes grafites que são vistos nas paredes de Manama e região e outros desenhos que pedem o boicote urgente à F1 são de sua autoria — foram, inclusive, foto de capa do Grande Prêmio nos últimos dias. Latuff tem um blog em que expõe seus traços. Num deles, traz o desdém de Bernie Ecclestone à grita dos sunitas rebeldes com um maço de dólares enrolado e grudado ao ouvido. “Que protestos no Bahrein? Não posso escutar nada”, diz a charge. Em outro, monta o grid da corrida com carros de polícia. Fora da F1, os manifestantes também se aproveitaram das artes referentes a Abdulhadi Al-Khawaja, ativista há mais de dois meses em greve de fome, preso pela polícia local.

O desenho de Latuff virou grafite no Bahrein (Foto: AP)
A ligação com o mundo árabe se iniciou há 13 anos. “Em 1999, uma ONG de Ramallah me convidou para conhecer a Palestina. Eu fiquei 15 dias lá, e desde então expresso nos meus desenhos a realidade do Oriente Médio”, contou Latuff, esquerdista. Serviu de inspiração no Rio de Janeiro para egípcios, tunisianos, sírios, líbios e iemenitas, sempre através da grande rede. “Os manifestantes do Egito viam minhas charges, usavam, espalhavam pelo Twitter, e daí começou uma reação em cadeia que se expandiu para os demais países”, explicou. “Nos anos 80, isso seria diferente porque só chegaria ao conhecimento do mundo se fosse através de uma ‘Time’ ou de uma ‘Newsweek’, porque ninguém da grande imprensa, muito menos dos jornais do Golfo ou do Oriente Médio daria”, completou Carlos, debruçando-se nas graças do microblog. “Eu tenho mais de 86 mil seguidores, e todo dia aumenta muito. O sucesso se dá porque tem algo a mais das visões dos jornais.”
A posição de Latuff o colocaria facilmente como ativista propriamente dito. “Com certeza eu estaria nas ruas neste momento, mas minha chance de conseguir entrar no Bahrein é zero”. No último dia 15, a Autoridade de Relações Internacionais do país dos Al-Khalifa criticou o trabalho de Carlos pelo Twitter.
“Nós no IAA (Information Affairs Authority, no original) tomamos conhecimento de seus desenhos. Apesar de apoiarmos a liberdade de expressão, seus desenhos extrapolaram os limites da expressão com acusações sem base e retratos desequilibrados dos acontecimentos no Bahrein. Suas charges incluem erros jornalísticos e factuais sérios, e nós pedimos que você reflita a integridade jornalística em suas artes”.
“Nunca que eu conseguiria entrar no Bahrein”, admitiu. “Eu seria taxado de espião, como membro de uma conspiração. E minhas charges têm significado porque são instrumento de luta destes ativistas, transcendem uma questão meramente editorial”, completou Latuff, cujos desenhos foram tema de reportagens do ‘The Guardian’ e da BBC, ambos ingleses. “Aqui no Brasil, ninguém se preocupou com meu trabalho”, queixou-se.
Pouco afeito ao mundo da F1, natural que as críticas também sobrassem ao comandante da categoria e a entidade que rege o esporte. “A F1 em si não tem culpa do que está acontecendo. Mas a FIA e Bernie Ecclestone poderiam ter sensibilidade com a situação. Só que isso é como pedir para que o macaco não coma banana”, comparou. “Bernie está cagando e andando para o que está acontecendo por ser um playboy que está preocupado com o dinheiro. Ele não entende que a F1 no Bahrein tem uma questão política e que o rei Hamad quer usá-la para passar uma imagem de normalidade e de controle, que não existem. E não sou eu quem está dizendo isso, é o relatório da Anistia Internacional.”
Mas Latuff salientou que a categoria até tem um papel relevante na história. “A F1 até cumpre uma agenda importante porque todo mundo agora sabe o que está acontecendo”, disse. “Todos estão vendo o quanto este regime do rei Hamad é filho da puta, um regime que não tem respeito pelos direitos humanos”, e Carlos mencionou a destruição da Praça da Pérola para que os manifestantes não mais se reunissem lá. Para o desenhista, a F1 vai acabar acontecendo naquelas terras porque “o rei vai colocar até o último policial” para proteger. “Ele vai usar todos os homens do exército e da marinha para garantir a corrida e reprimir os ativistas”, falou. “Porque é coisa de cachorro grande. Para alguém como Bernie, que se encontra com chefes de estados, e o rei, tudo se resolve na base do dinheiro.”



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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Carlos Latuff - Worshiping Steve Jobs

Carlos Latuff - Worshiping Steve Jobs



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O PIG - na arte de Carlos Latuff

Carlos Latuff disse "Farei o desenho agora mesmo, e todos estão livres para reproduzi-los em blogs, camisas, adesivos e o escambau"

E, como admiramos a arte do cartunista "sujo" publicamos.