Mostrando postagens com marcador Dia Internacional da Mulher.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dia Internacional da Mulher.. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mulheres que ajudaram a mudar o mundo-7-Simone de Beauvoir



Simone de Beauvoir

Simone Lucie-Ernestine-Marie-Bertrand de Beauvoir nasceu em Paris, em 1908.
Forma-se em filosofia, em 1929, com uma tese sobre Leibniz. É nessa época que conhece o filósofo Jean-Paul Sartre, que será seu companheiro de toda a vida.

Em 1945, ela funda, com Sartre, o combativo periódico Les Temps Modernes.
Escritora e feminista, Simone de Beauvoir fez parte de um grupo de filósofos-escritores associados ao existencialismo - movimento que teria enorme influência na cultura européia de meados do século passado, com repercussões no mundo inteiro.
Em 1949 publica O Segundo Sexo, pioneiro manifesto do feminismo, no qual propõe novas bases para o relacionamento entre mulheres e homens. Os Mandarins é de 1954; nesse mesmo ano, Beauvoir ganha o prêmio Goncourt.

Ela e Sartre visitaram o Brasil entre agosto e novembro de 1960; foram também a Cuba, recebidos por Fidel Castro e Che Guevara. Sempre tiveram marcada atuação política, manifestando-se contra o governo francês por suas intervenções na Indochina e na Argélia; contra a perseguição dos judeus durante a Segunda Guerra; contra a invasão americana do Vietnã e em muitas outras ocasiões.
Simone de Beauvoir morreu em Paris, em 14 de abril de 1986.
Entre seus muitos livros, vale ressaltar O Sangue dos Outros (1945), Uma Morte Muito Suave (1964) e A Cerimônia do Adeus (memórias da vida com Sartre, 1981).
Fonte: Banco de Dados da Folha.

A Questão do Gênero

Simone de Beauvoir afirmava que não se nasce mulher, torna-se.
A construção da condição feminina, portanto, passaria por processos de aprendizado social e cultural.
A feminilidade, dessa forma, não seria um fato da natureza, mas um produto da história e da cultura.
Mas não é apenas este o processo construído.
A sociedade, de clara dominação masculina, sabe muito bem aproveitar-se de particularidades do sexo feminino para construir suas formas de escárnio, subjugação e dominação.

Qual seria a saída para esta situação?

Para Simone de Beauvoir os dois sexos são vítimas ao mesmo tempo do outro e de si, enquanto não se reconhecem como semelhantes e persistir o mito do "eterno feminino".
Para ela é pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem. Somente o trabalho poderá garantir à mulher uma independência concreta.
Libertada a mulher, libertar- se-á também o homem da opressão que para ela forjou. Com isso, enfrentando-se livremente, será mais fácil encontrar um acordo

Simone de Beauvoir é de algum modo, a mãe da questão do gênero.


Mulheres que ajudaram a mudar o mundo-6- Maria da Penha


Maria da Penha Maia Fernandes

Conheça a história de Maria da Penha, a mulher que lutou por quase 20 anos para ver seu agressor na cadeia e deu nome à lei especial contra a violência doméstica.
Maria da Penha Maia Fernandes, biofarmacêutica cearense, fez da sua tragédia pessoal uma bandeira de luta pelos direitos da mulher e batalhou durante 20 anos para que fosse feita justiça.
O seu agressor, o professor universitário de economia Marco Antonio Herredia Viveros,era o seu marido.

Na primeira tentativa de assassinato, em 1983, Viveros atirou nas costas de Maria da Penha enquanto ela ainda dormia. Foi para a cozinha, gritou por socorro, alegou assalto e que os ladrões haviam escapado pela janela.

Maria da Penha foi hospitalizada e ficou internada durante quatro meses. Voltou ao lar paraplégica e mantida em regime de isolamento completo.Foi nessa época que aconteceu a segunda tentativa de homicídio: o marido a empurrou da cadeira de rodas e tentou eletrocutá-la embaixo do chuveiro.
Herredia foi a júri duas vezes: a primeira, em 1991, quando os advogados do réu anularam o julgamento. Já na segunda, em 1996, o réu foi condenado a dez anos e seis meses, mas recorreu. Em parceria com o CEJIL e o CLADEM, Maria da Penha denunciou o Brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA pela negligência do Estado Brasileiro tratar os casos de violência doméstica no Brasil.

Após as tentativas de homicídio, Maria da Penha começou a atuar em movimentos sociais contra violência e impunidade e hoje é coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV) no Ceará .
A história de Maria da Penha pode ser conhecida na biografia que escreveu em 1994, intitulada “Sobrevivi... Posso contar”.

Hoje ela atua junto à Coordenação de Políticas para as Mulheres da prefeitura de Fortaleza e é considerada símbolo contra a violência doméstica e batizou a Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, sancionada pelo presidente Lula, no dia 7 de agosto de 2006.


De todas as formas de agressão, a violência doméstica ainda é a mais comum. No Brasil, a cada 15 segundos uma brasileira é espancada. A violência cometida em casa é maior que as das ruas e afeta a vida profissional das mulheres. O marido é o maior agressor. Para 28% das mulheres agredidas, a violência doméstica é uma prática que se repete
É necessário que o Estado brasileiro cumpra efetivamente a Lei Maria da Penha.

É de direito o que se reivindica e espera que ocorra.

Participação cidadã para auxiliar alguém que esteja sofrendo violência doméstica e não sabe o que fazer:



*Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher.



*DIVULGUE A LEI “MARIA DA PENHA”!


quinta-feira, 4 de março de 2010

Mulheres que ajudaram a mudar o mundo -3



Homenagem às mulheres guerreiras anônimas, não figurantes na história oficial, mas que exerceram com muita garra, sofrimento e luta o seu empoderamento.

“Mulheres, mães e viúvas da terra”

O documentário “Mulheres, mães e viúvas da terra” conta a história das viúvas de Dezinho e Zé Pretinho (líderes camponeses assassinados no massacre da fazenda Ubá), que assumiram o lugar dos maridos na luta sindical e na luta pela terra.

...

Década sangrenta


Boa parte dos casos contados no documentário ocorreu na década de 1980, considerada a mais sangrenta no Pará e durante a qual a União Democrática Ruralista (UDR), o braço da intolerância dos ruralistas, reinava absoluta.

Geraldina era viúva de João. Executado em 1985. Na década de 1990, D. Geraldina perdeu os filhos José e Paulo, no município de Rio Maria. Maria Joel é viúva de José Dutra da Costa (Dezinho), dirigente sindical assassinado em 2000 no município de Rondon do Pará. Marina Silva é esposa de Zé Pretinho, executado na Chacina Ubá, ocorrida em São João do Araguaia, em 1985.
A perda brutal dos maridos, a luta pela justiça e a necessidade de assumirem o lugar dos maridos executados na direção sindical. são os laços que as unem. Agora a ameaça da morte paira sobre elas.

O que os casos possuem em comum? A impunidade. A sina da maioria das execuções de dirigentes sindicais e seus apoiadores. A partir dessas mulheres e outros pares foi criado o Comitê Rio Maria.


Para aprofundar o tópico postamos a seguir, trechos de uma entrevista do padre Ricardo Rezende, que viveu 20 anos no sul do Pará à Democracia Viva

Ricardo Rezende revela um conhecimento profundo sobre uma das mais enraizadas questões nacionais: a violência no campo. Suas conseqüências, entre elas o trabalho escravo, são milimetricamente expostas em seu relato. “A escravidão nunca é uma ação individual, é sempre fruto de trabalho de equipe: o fazendeiro, o gerente, o empreiteiro, o motorista, o aliciador etc. Juridicamente, é o que poderia ser chamado de quadrilha, trata-sede um grupo que se organiza para cometer um crime” – garante.

Como o senhor vê a participação das mulheres nessa resistência?

Ricardo Rezende – As mulheres sempre foram muito importantes na resistência. Também havia no trabalho a preocupação com a questão de gênero. Muitos assuntos eram levantados nessas reuniões, e a participação feminina no sindicato se expressou fortemente.
Sempre tivemos candidatas femininas para a diretoria.
A Aninha, Ana de Souza Pinto, da CPT de Conceição do Araguaia, a Heloisa e a Marilza, por exemplo, tiveram um papel importantíssimo ao investir na formação das mulheres.
Lembro de um conflito em Xinguara em que a polícia fez um cinturão em torno dos trabalhadores porque eles estavam entrincheirados.
Só quem conseguia passar eram mulheres porque achavam que elas não representavam perigo. Justamente uma delas– uma grande amiga nossa que era evangélica, usava cabelo comprido, saia bem comprida e uma bíblia sempre debaixo do braço – levava a munição para a defesa dos trabalhadores, e os policiais nunca poderiam imaginar isso.
Outro caso de mulher que descobriu muita coisa foi a d. Pureza, no Maranhão. Ela até recebeu mais tarde um prêmio da Anti-Slavery, que tem sede em Londres.
Quando o filho dela desapareceu e ela soube da história de trabalho escravo, saiu louca pelo mundo.
Ela era evangélica e carregava a bíblia, um gravador, uma máquina fotográfica e um caderno que ela chamava de “o caderno da encrenca”. Ali, ela registrava o que considerava fazenda brava e fazenda mansa.
Fazenda “mansa” era a que usava o trabalho escravo, mas não matava; e a fazenda “brava” matava.
Ela saiu atrás do filho e conseguia entrar nas fazendas porque não levantava suspeitas, ninguém imaginava que ela pudesse representar um perigo, assim ela transitava de fazenda em fazenda, sem risco de vida.

Vocês criaram o Comitê Rio Maria. Como funciona hoje?

Ricardo Rezende – O Comitê Rio Maria Foi criado em 1991, numa reunião que fizemos em Redenção. A idéia era criar pressões políticas e jurídicas para frear as mortes, a impunidade no campo e acelerar o processo de reforma agrária.

Acho que o Comitê Rio Maria, a presença de frei Henry e o apoio dos advogados foram definitivos para dar visibilidade ao sul do Pará.

Mulheres que ajudaram a mudar o Mundo 2- Zilda


Justíssima homenagem a esta lutadora pelos direitos das crianças, que morreu como viveu, lutando para combater a desnutrição infantil.

Zilda Arns ( 1934/2010)


Médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Nasceu no dia 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha, Estado de Santa Catarina, Sul do Brasil. Filha de Gabriel Arns e Helena Steiner Arns. Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de São Paulo. Viúva (1978), é mãe de cinco filhos: Rubens (Médico Veterinário), Nelson (Médico), Heloísa (Psicóloga), Rogério (Administrador de Empresas) e Silvia (Administradora de Empresas). Para chegar até a indicação ao Prêmio Nobel, Zilda Arns percorreu um longo e dedicado caminho. Sua formação começa em Forquilhinha, SC e em 1959 termina o curso de Medicina, em Curitiba. Parte então, para suas especializações, que envolvem desde a Educação Física, a cursos de Pediatria Social, encaminhado-se então a outros cursos de aperfeiçoamento. Começa sua vida profissional como Médica Pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta -Curitiba/PR - 1955 a 1964 e em 1983 é a Fundadora e Coordenadora Nacional da Pastoral da Criança da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, até a sua morte. Suas participações em eventos internacionais são diversas, da Angola a Indonésia, Estados Unidos e Europa, Zilda Arns representa a Pastoral, palestra, acompanha Comitivas Brasileiras a outros países e leva a Pastoral da Criança para o mundo. Participa ainda de outros tantos eventos Latino Americanos, principalmente apresentando e divulgando o trabalho da Pastoral da Criança. Sua participação em eventos nacionais é praticamente incontável, desde 1994 são aproximadamente 27 eventos ligados à Pastoral da Criança e ainda inúmeros outros pela Pediatria. Tanta dedicação tem seu reconhecimento. Desde 1978, são diversas menções especiais e títulos de cidadã honorária. E da mesma forma, a Pastoral da Criança já recebeu diversos prêmios pelo trabalho que vem sendo feito desde a sua fundação.