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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Intelectuais israelenses apoiam reconhecimento do Estado Palestino

Intelectuais israelenses apoiam reconhecimento do Estado Palestino

Dezenas de intelectuais de Israel participaram nesta quinta-feira, em Tel Aviv, de uma manifestação pedindo o reconhecimento do Estado Palestino e advertindo de que o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu "está levando os cidadãos do país a uma catástrofe".
Líder do movimento estudantil francês em 1968, Daniel Cohn-Bendit, elogiou decisão de Abbas
O grupo - composto por escritores, cientistas e artistas - se reuniu em frente ao prédio onde foi assinada, em 1948, a declaração da independência de Israel, na Avenida Rotschild, no centro de Tel Aviv.

A escolha do local foi feita para salientar o fato de que o Estado de Israel foi fundado, porém o Estado Palestino - que devia ser criado após a decisão da ONU, de 1947, sobre a partilha da Palestina - não existe até hoje.
O protesto ocorreu um dia antes do discurso do presidente palestino, Mahmoud Abbas, na ONU, no qual deverá pedir o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras anteriores à guerra de 1967.
Os manifestantes divulgaram um abaixo-assinado apoiando o reconhecimento da Palestina e criticaram Netanyahu. “Diante de nossos olhos estarrecidos ocorre uma cena inacreditável – o premiê de Israel conduz os cidadãos para Massada", afirmaram, em referência ao suicido coletivo cometido no ano de 73 por guerreiros judeus que lutavam contra o Império Romano.
Maio de 68
Um dos participantes mais famosos no protesto era o líder do movimento estudantil na França em 1968, Daniel Cohn-Bendit.
Em entrevista à BBC Brasil, ele elogiou a decisão de Abbas de recorrer à ONU, pois com essa medida o presidente palestino "está obrigando a comunidade internacional a se mexer".
"Depois do pedido de Abbas algo terá que acontecer e tudo é possível, tanto o mal como para o bem. Pode haver violência, mas também pode haver uma retomada das negociações", disse.
Cohn-Bendit disse ainda que "os palestinos têm direito de ter o Estado deles exatamente como os israelenses têm direito a seu Estado".
Na opinião do político, que hoje é membro do Parlamento Europeu, não são os palestinos que apresentam um entrave às negociações de paz, e sim o governo de Netanyahu.
Salvar vidas
Durante o protesto, o astrofisico da Universidade de Tel Aviv, Elia Leibowitz, disse à BBC Brasil que resolveu participar "para poupar vidas".
"Se você colocar uma pluma na nascente de um rio ela vai acabar chegando até o mar. Não é mais simples colocar a pluma diretamente no mar?", questionou Leibowitz, acrescentando que "o Estado Palestino vai ser fundado, a única questão é quantos mortos ainda haverá até que isso aconteça".
"Quando são seres humanos e não plumas que fluem no rio, muitos morrem no caminho", disse.
Já o artista gráfico David Tartakover - ganhador do Prêmio Israel, a láurea mais importante outorgada pelo Estado - se mostrou mais pessimista.
"Estes deveriam ser dias de festa para nós os israelenses, com a declaração do Estado Palestino, mas infelizmente, por causa dos interesses eleitorais de Obama, estamos em uma situação sombria", afirmou o artista, em referência ao discurso proferido pelo presidente americano na ONU, em que se opôs à aceitação do pedido de reconhecimento ao Estado Palestino.
O fotógrafo Alex Levac, também ganhador do Premio Israel, se mostrou ainda mais pessimista.
"Este governo está nos levando para um desastre. Nasci na Palestina, na época do Mandato Britânico, mas a sede territorial e messiânica que vigora aqui mudou completamente a realidade. Acredito na igualdade entre os seres humanos e fico indignado com o fato de que nosso governo ignora a necessidade dos palestinos de ter um Estado independente".
Tensões
Em seu discurso, o ex-diretor geral do ministério das Relações Exteriores, Alon Liel, se dirigiu ao presidente Abbas.
"Vá em frente, Abu Mazen (apelido do presidente palestino), não perca a esperança por causa do discurso eleitoreiro de Obama, vá direto à Assembleia Geral da ONU e vocês, os palestinos, poderão obter 150 votos em seu favor".
"Não desista, Abu Mazen, a História vai julgar os países que votarem contra o reconhecimento do Estado Palestino, inclusive Israel", acrescentou Liel.
O governo israelense afirma que o reconhecimento do Estado Palestino aumentaria as tensões regionais e não resolveria as questões bilaterais pendentes.

No BBC

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Na ONU, Dilma apoiará a criação do Estado Palestino



Na ONU, Dilma apoiará a criação do Estado Palestino

Assembleia Geral da ONU acontece no próximo dia 21 e pela primeira vez será aberta por uma mulher

Severino Motta, iG Brasília
Foto: Presidência da República

No próximo dia 21, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a presidenta Dilma Rousseff vai fazer seu discurso mais importante num evento internacional. Seguindo a tradição da entidade, o representante do governo brasileiro é o responsável para abertura do encontro. Com isso, pela primeira vez uma mulher terá a palavra inicial, algo que será explorado pela presidenta.


Na ocasião, a chefe do governo também deve seguir a linha adotada pelo seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e cobrar uma maior participação de países emergentes no Conselho de Segurança da ONU e em organizações multilaterais como o FMI e o Banco Mundial.
Na Assembleia, que tem como tema “O Papel da mediação na solução de disputas por meios pacíficos”, Dilma deve defender a diplomacia preventiva, os direitos humanos e a ampliação do diálogo para evitar que casos como o da Líbia - que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU viabilizou ataques ao país – se repitam.


O temor da diplomacia brasileira é que novas investidas militares possam ser tomadas contra a Síria ou outros países árabes. Ao longo da Assembleia, a presidenta também deve apoiar a criação do Estado Palestino.
No que diz respeito à ampliação da participação de países emergentes no Conselho de Segurança e nos organismos financeiros multilaterais, Dilma deve tratar do tema de forma diplomática em seu discurso, mas pretende ser mais incisiva nos encontros bilaterais que vai manter ao longo da semana. De acordo com o Itamaraty, um grande número de reuniões com chefes de Estado estão sendo programadas.
Como fez Lula, Dilma deve dizer que a nova realidade mundial não está refletida nesses organismos, que têm sua gestão nas mãos dos países desenvolvidos. Ela deve falar sobre a crise na economia Global e os problemas na zona do Euro. Ela dirá que emergentes como Brasil e Índia são fontes de recursos e precisam estar na mesa de decisão sobre operações econômicas.


Na visita aos Estados Unidos, a presidenta também contará com agendas relacionadas à Saúde, participação política das mulheres, segurança nuclear e transparência dos governos. No dia 20, antes do início oficial da Assembleia Geral da ONU, ela estará ao lado do presidente americano Barack Obama lançando um programa de abertura dos governos (Open Government Partnership, OGP, na sigla em inglês).
A intenção da presidenta era chegar ao evento com a Lei de Acesso à Informação aprovada pelo Congresso Nacional, o que não deve acontecer. Ainda assim, vai assinar com Obama e outros chefes de governo um acordo com o compromisso de adotar medidas concretas para dar transparência a documentos e contas das administrações públicas.
No caso da Saúde, o evento da ONU tratará sobre Doenças Crônicas Não-Transmissíveis, como a diabetes, ataques cardíacos, câncer e doenças pulmonares, responsáveis por aproximadamente 63% das mortes em todo o mundo e 74% dos óbitos no Brasil – segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Na ocasião, a presidenta deve dizer que o País vai aumentar os impostos de bebidas e fumo como medida para baixar os índices de mortalidade.
Ainda na viagem, no dia 20, Dilma também vai receber um “Prêmio por Serviço Público” do Woodrow Wilson International Center for Scholars. No dia 21, antes do discurso inaugural da Assembleia da ONU, a presidenta se reúne com o Secretário-Geral da entidade, Ban Ki-moon.
No dia 22, quinta-feira, ela participa da reunião de alto nível sobre segurança nuclear e participa de encontros bilaterais com diversos líderes globais.