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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

VEJA e Reinaldo Azevedo erram feio e Falha entrevista a verdadeira estudante da USP que discutiu com Andrea Matarazzo no MAC

VEJA e Reinaldo Azevedo erram feio e Falha entrevista a verdadeira estudante da USP que discutiu com Andrea Matarazzo no MAC


Arielli e Matarazzo batem boca na foto da Agência Estado que foi parar na capa do jornal de domingo
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A cena do secretário estadual de Cultura e pré-candidato a prefeito do PSDB Andrea Matarazzo com o dedo na cara de uma manifestante foi pras homes dos principais portais de notícias do país no sábado à tarde, logo após a inauguração parcial da nova sede do MAC, no prédio do antigo Detran, em São Paulo. No domingo, a foto de autoria de Paulo Liebert, reproduzida acima, estava na capa da edição impressa do Estadão. No mesmo dia, a revista Veja, através de seu colunista Reinaldo Azevedo, revelava a suposta identidade da manifestante: “Quem é aquela mulher (…) cordata, suave, pronta para o diálogo? (…) É Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está”. Acontece que a estudante em questão não é Rafaela. A revista Veja errou. Trata-se de Arielli Tavares Moreira, 22 anos, estudante do quinto ano do curso de letras da USP. E há mais incorreções. O colunista também chama os manifestantes de “burguesotes”. Arielli é de família classe média-baixa da pequena cidade de Tatuí. E Rafaela, exposta e atacada pela revista de maior circulação do Brasil sem sequer aparecer na foto, é moradora de Guaianases, zone leste paulistana –e não vive no Crusp, conforme disse Veja. Para completar, mais um erro: nem Rafaela nem Arielli são filiadas ao Partido dos Trabalhadores, acusação feita por Azevedo, Andrea Matarazzo e pelo vereador Floriano Pesaro. Pelo contrário, as meninas são críticas ao governo Dilma Roussef e ao PT. A seguir os principais trechos da conversa com Arielli (que está de fato na foto) e Rafaela (que Veja “colocou” na foto):
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ARIELLI, Você pode por gentileza descrever como foi aquele momento da discussão com Andrea Matarazzo?
No momento da foto estávamos cantando o refrão “Alckimin, seu matador! Assassinando o povo trabalhador!”. Isso tem sido cantado por ativistas do movimento social do país inteiro, que estão organizando atos exigindo que o PSDB pague pelo sofrimento que tem causado, como no caso do Pinheirinho. [O secretário] apontou o dedo pra mim e me chamou de “mal-educada”. De fato, para a ideologia burguesa, hipocrisia é sinônimo de educação, e dizer a verdade sem meia palavras não é de bom tom. Tomado pelo ímpeto professoral de quem insiste em dar “aulas de democracia”, ele continuou se aproximando e me chamando de mal-educada. Em seguida um de seus assessores conseguiu convencê-lo a entrar no carro, e ele foi embora.
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Ele diz que você cuspiu na cara dele, isso é verdade?
Não. Depois que a foto foi veiculada para todo canto, vi que ele me acusou de ter cuspido nele. Não me surpreende nada que uma pessoa que está de mãos dadas com a especulação imobiliária há tanto tempo tenha que inventar uma mentira dessas para justificar a postura truculenta. Afinal não pega bem uma foto com o dedo na cara de uma manifestante em ano de eleição. Andrea Matarazzo é filho da elite paulistana e tem uma história no PSDB. Ele é o responsável pela elaboração do projeto “Nova Luz”, que visa “revitalizar” o Centro à moda tucana, ou seja, expulsando e eliminando a população em situação de rua. Também foi ele quem assinou o projeto de calçada “anti-mendigo”.
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[Abaixo o vídeo do momento da discussão, em que se ouve que outra frase repetida diversas vezes pelo secretário: “Estraguem meu carro”, dita em tom desafiador]
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Por que você resolveu ir ao MAC?
Enquanto a elite paulistana finge ser educada inaugurando seus museus, sujam as mãos de sangue no massacre do Pinheirinho. A cada dia que passa se desfaz o mito de uma operação de desocupação pacífica. Há relatos de feridos e desaparecidos que ainda não localizados depois da ação da PM. Fui então na inauguração do MAC porque vi na internet que Alckmin e Rodas [João Grandino Rodas, reitor da USP] estariam lá. Fomos protestar contra a ação da PM na USP, na Cracolândia e no Pinheirinho. Tanto Rodas quanto Alckmin defendem um projeto de sociedade contrário ao meu e de centenas de ativistas do movimento social. E é contra esse projeto que precisamos lutar, não apenas dentro dos muros da universidade. Não me surpreende que ambos tenham mostrado o quanto são covardes ao não comparecer a inauguração.
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Arielli e o conde no Estadão de domingo
O que você achou de aparecer na capa de jornais e em grandes portais com o secretário?
A exposição assusta um pouco, mas não estou ali expondo apenas minha individualidade, o clique registra não apenas a minha indignação, mas a de minha geração, junto comigo tinham vários estudantes, poderiam ter fotografado qualquer um de nós. A repercussão está relacionada também ao fato de que as pessoas estão tomando conhecimento do que aconteceu no Pinheirinho e está ficando difícil para mídia esconder os fatos, como faz normalmente.
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O que você diria às pessoas que afirmam que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo?
Na minha opinião ser estudante de uma universidade pública é mais do que assistir as aulas e conseguir um diploma. Temos a responsabilidade de ter uma visão crítica sobre o que acontece ao nosso redor. Quando a mídia tenta colocar rótulos sobre os estudantes ela não está fazendo nada além de reduzir a opinião das pessoas, com o objetivo de impedir que elas se expressem. Não é à toa que nunca vimos uma entrevista completa de um estudante sobre uma pauta do movimento social veiculada pela grande mídia.
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O que você acha do Reinado Azevedo? E da mídia convencional em geral?
Infelizmente Reinaldo Azevedo não tem sua licença de jornalista cassada, então segue cumprindo um desfavor para a comunicação, sem qualquer tipo de compromisso ético. Ao invés de argumentar sobre a nossa atitude, reduziu o protesto a mim e tentou me desmoralizar com fotos e piadinhas de mau gosto. O mais preocupante é vê-lo incitando a violência contra os manifestantes e apoiando a atitude truculenta do secretário, fazendo coro com o fascismo e com o nazismo. Vendo o que significam esses momentos na história do mundo acredito que não se deve incitar esse tipo de ação como esse “jornalista” faz usualmente.
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O vereador Floriano Pesaro, que estava ao lado de Andrea, classificou vocês de “pseudo-manifestantes” e “nazipetistas”. O que você acha disso?
Se fôssemos inocentes diríamos que o vereador está mal informado. Mas, sabendo de quem se trata, diria que ele tenta fazer as pessoas acreditarem que estamos fazendo isso porque é ano de eleição. Minha militância é ativa independente desses períodos. Sou militante do PSTU e milito contra as injustiças sociais que estes senhores seguem perpetuando. Mas é claro que eles não podem compreender o que isso significa. Para eles a situação dos trabalhadores brasileiros que passam fome e não tem onde morar não passam de números em seus relatórios.
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Você é filiada ao PT? O que você acha do Partidos dos Trabalhadores, de Lula e de Dilma?
Assim como Lula, a Presidente Dilma tem a confiança da maioria dos trabalhadores do país e tem o poder do Estado. Se ela quiser pode resolver a vida de todos os moradores do Pinheirinho desapropriando o terreno e o transformando em área de interesse social. Não é possível que ela se omita enquanto um massacre segue acontecendo. Quem de fato está ao lado dos trabalhadores não pode ficar apenas na torcida.
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O que você acha dessa história de “acusarem” de petistas todos os que criticam Alckmin ou Kassab? Só petistas ou filiados a outros partidos de esquerda desaprovam o governo e protestam contra eles?
É claro que não. Eles fazem essas acusações rasas –para dizer o mínimo– para perpetuar a visão maniqueísta deles. Essa polarização entre o PT e o PSDB é falsa. As pessoas se mobilizam quando as contradições entre a vida e nossa consciência se tornam tão agudas que se torna impossível suportar calado, e isso não depende de nenhum partido ou tampouco de quantos livros marxistas você leu na vida.
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A estudante no centro paulistano, em foto de seu Facebook
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Por fim, Reinaldo Azevedo chamou-a de “burguesote”. Você é de família rica?
Durante o ato alguns dos presentes também nos acusaram de “burguesinhos” ou “filhinhos de papai”. Eu sou de uma família de classe média baixa do interior (Tatuí-SP), e acredito que não importa da onde você veio, mas sim ao lado de quem você quer estar.
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AGORA FALA RAFAELA MARTINELLI, TAMBÉM ESTUDANTE DE LETRAS DA USP, E QUE FOI “COLOCADA” NA FOTO POR VEJA
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RAFAELA, o que você achou de ser identificada erroneamente como a “garota da foto” Por Reinaldo Azevedo no site da Veja?
Eu não tenho paciência pro jornalismo de quinta categoria da Veja. Eles não fazem nem questão de disfarçar a parcialidade deles. Como um texto tão chulo –independente da posição que defenda– pode ser considerado jornalismo? É nojento.
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Você estava no protesto do MAC? Se sim, por favor fale um pouco como foi lá.
Sim. Quando vi que teríamos em SP um evento que juntaria Matarazzo, Alckmin e Rodas no mesmo lugar pensei que não poderíamos deixar passar. Aí criei um evento no Facebook. Não imaginava que daria certo, mas felizmente deu. O governador não apareceu, e aí já temos um problema: um governador que esconde a cara da população não é digno de confiança nenhuma. E não tinha motivo pra se esconder. Ninguém lá, além da PM, estava armado ou coisa parecida. O reitor da USP viu os manifestantes de dentro do carro e foi embora. Ainda lá no evento conseguimos cercar o Maluf e o Matarazzo. Fizemos algumas perguntas desconfortáveis pro Maluf até que ele foi embora. Depois fizemos o mesmo com o Matarazzo, mas ele e os homens que o acompanhavam foram bem mais agressivos. Um dos manifestantes revidou e foi imobilizado pela PM. O que eu achava mais bizarro é que esses engravatados é que vinham pra cima dos manifestantes e era a nós que a polícia repreendia. É só olhar as fotos! Tem um homem de camisa rosa que aparece em várias delas, claramente exaltado, que veio pra cima de vários de nós. Eu tentei impedi-lo de bater num manifestante e tomei um soco no braço e um empurrão. A maior agressão que partiu dos manifestantes foi uma ovada e, francamente, diante de toda a repressão policial que temos presenciado ultimamente, chamar uma ovada de “violência” é risível.
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[Abaixo o vídeo do rapaz de camisa rosa que estava com Andrea Matarzzo e o vereador Floriano Pesaro e partiu pra cima dos manifestantes]
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O que você diria às pessoas que pensam que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo?
Infelizmente essa é uma reação normal. As pessoas falam que há certas formas de manifestação que não são corretas. Concordo, mas em 2009 na USP atiramos flores nos policiais e fomos chamados de vândalos. Acho que chegamos ao ponto crítico em que qualquer movimento mínimo que ouse nos tirar da “normalidade” será chamado de vandalismo. Depois da manifestação, uma senhora me abordou e disse que deveríamos estar protestando contra a corrupção. Disse a ela que demonstrar repúdio a um governo que subsidia canalhas como o Naji Nahas e o João Grandino Rodas é uma forma muito concreta de se manifestar contra a corrupção, que não adianta achar que “corrupção” é só uma questão de caráter: há um sistema por trás. Batemos um papo lá e ela até apertou minha mão depois. Quer dizer, no fim das contas, acho que o caminho é esse: tirar as pessoas da zona de conforto, do diletantismo e da indignação inócua e fazê-las tomar um posicionamento. Para isso servem as manifestações.
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O vereador Floriano Pesaro, que estava ao lado de Andrea, chamou vocês de “pseudo-manifestantes” e “nazipetistas”. O que você acha disso?
Qual é o critério para se definir quem são “pseudo-manifestantes” ou manifestantes “de verdade”? E nazista pra mim é quem promove políticas de extermínio como no Pinheirinho e na Cracolândia.
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Rafaela no grupo de teatro do qual faz parte
Você é filiada ao PT?
Não sou filiada a nenhum partido.
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Reinaldo disse que você é da comunidade Marxismo e PT, isso é verdade? Você está em alguma comunidade do tipo no Facebook?
Eu sigo no Facebook uma corrente do PT que se chama “Esquerda Marxista”, assim como também sigo muitos outros partidos, correntes e movimentos sociais.
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O que você acha desa história de “acusarem” de petistas todos os que criticam Alckmin ou Kassab? Você acredita que só petistas desaprovam e protestam contra eles?
O PT é a maior oposição ao PSDB na grande política, então é natural que associem qualquer tipo de oposição ao PT. Mas acreditar nisso é um tanto absurdo…

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A gente sabe quando um tucano quer se livrar da culpa: Reizinho culpa Dilma por Pinheirinho e livra o tucano

A gente sabe quando um tucano quer se livrar da culpa...: Reizinho culpa Dilma por Pinheirinho e livra o tucano



O mundo mineral sabe que é pura perda de tempo ler a coluna de Reinaldo Azevedo na Veja.
Não é porque eu não gosto dele, porque não concordo com o que ele diz. Eu leio um monte de coisas ditas por pessoas com quem eu costumo não concordar. Mas é que o reizinho realmente deve imaginar que todos os seus leitores são absolutos estúpidos.
Depois que a mídia deu alguma coisa sobre a violência com a qual a polícia de São Paulo desocupou a favela do Pinheirinho, e, para bom entendedor, meia palavra basta, autorizado pelo sr. Governador daquelas planícies, (o impoluto Geraldo Alckmin), ficou meio claro de quem era a responsabilidade.
Tanto é verdade que o tucanão disse, nas palavras dele, que decisão judicial tem que ser cumprida.
Veja bem, leitor. Atente para os fatos. Alckmin autorizou a desocupação pela polícia. Esse tipo de operação nunca ocorre sem a chancela do Governador que é o chefe da polícia estadual!
Mas reizinho não se contenta. Teve a coragem de dizer para seu povo, que o Governo Federal poderia ter impedido o massacre. Mas como assim? Não foi o Governo estadual, tucano, que ele tanto defende que ordenou o massacre?
Reizinho se prende a argumentos que até uma criança de 12 anos rebate. "O Governo Federal poderia ter feito alguma coisa". Que coisa, cara-pálida? O que ele quer dizer? Que Dilma saberia que Alckmin ia ordenar que a polícia descesse o cacete na pobrarada e não ligou para impedí-lo?
"Alckmin, eu sei que você vai mandar bater nos pobres, mas não faz isso não, querido!"
Bem, pensando melhor, talvez reizinho tenha razão. Ela deveria ter adivinhado que o tucano ia mandar cacetear os favelados. Foi assim em todas as outras desocupações determinadas pelo PSDB, um governo sabidamente de ricos e que tem nojo da pobreza, por que haveria de ser diferente agora?
Reinaldo Azevedo é, de longe, a pessoa mais cara de pau da imprensa brasileira. Ele consegue pegar uma notícia, cuja culpa exclusiva dos fatos é das pessoas que ele tanto defende, e distorcer ao máximo, invertendo a lógica das coisas.
Idêntico é dizer que a culpa pelos crimes do estuprador, é da mãe dele, que não o impediu de nascer.
Sinceramente, você aí, que é leitor da Veja. Não se flagrou ainda que esse povo não bate bem da bola?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Reinaldo Azevedo quer mudar a Constituição da República Federativa do Brasil. Todos podem falar, viajar ... exceto Lula.

Reinaldo Azevedo quer mudar a Constituição da República Federativa do Brasil. Todos podem falar, viajar ... exceto Lula.




Reinaldo Azevedo, o mais novo seguidor de Lula, o Nosso Guia



Foi o que eu entendi. O Reinaldo Azevedo quer jogar o ex-presidente Lula em prisão domiciliar. Ou mandá-lo para o exílio. Ou para uma cadeia mesmo, cela de dois por dois, latrina, aquelas coisas. Matar, ele disse hoje que não quer. Na melhor das hipóteses, pelo que eu entendi, o Reinaldo Azevedo quer mudar a Constituição da República Federativa do Brasil. Para incluir um artigo, unzinho apenas. Algo assim: à exceção do sr. Luiz Inácio Lula da Silva (seguindo-se, para não errar, dos qualificativos R.G., CPF, endereço, todas aquelas certidões para provar que se está falando mesmo de Lula, este que os brasileiros fizeram presidente da República duas vezes), os demais brasileiros podem falar, escrever, ir, vir, estacionar, assistir a uma sessão de cinema, comer pipoca, expressar com palavras, gestos e atos o que pensam. E já que, na melhor das hipóteses, Reinaldo Azevedo pleiteia uma mudança na Constituição, no momento da redação certamente virá aquela coceirinha autoritária e, então, a alteração ficaria completa: outros brasileiros que falarem o que o sr. Reinaldo Azevedo não gostar de ouvir, e também os brasileiros que se movimentarem de forma “saliente” no tabuleiro da política, não mais poderão falar ou se movimentar.
Fica bom assim, Reinaldo? Pode ser melhor? Ok, então vá ao seu dicionário de sinônimos, rapaz, pesque lá umas palavras inusuais, dessas que impressionam, e experimente uma redação melhorada para os novos artigos constitucionais. Vai dar no mesmo, o importante será manter o espírito da nova lei: quem falar, escrever, expressar, divulgar etc o que o sr. Reinaldo Azevedo não gostar de ler, ouvir ou saber por terceiros ou quaisquer outras fontes, tem de ficar quieto no seu canto. Se insistir – e já temos aqui mais um artigo --, prisão no atrevido “saliente”. Domiciliar, em xilindró, por tempo indeterminado – ou, apenas, perseguição pela internet, com direito a comentários humilhantes, toda a sorte de enxovalhamentos.
Chega a ser engraçado. Lula perdeu três no voto, ganhou duas, levou sua candidata aos palanques, desceu a rampa e agora anda pelo País. Por que ele não pode fazer isso, xará? Ao contrário do FHC, que arrancou para si, no cargo, a reeleição, Lula jamais tentou mudar a regra do jogo com o jogo em andamento. Ele sempre foi pela democracia. Se na outra ponta do seu artigo de hoje você diz que o remédio para ele é mais democracia, o melhor é passar a outro tema, porque essa lição o Lula não precisa ouvir. Ele é o cara das assembléias de 100 mil trabalhadores diante dele, você não se lembra? Eu estava lá, reportando, para a Voz da Unidade (o jornal dos "comunas", como você diz, nós que recebíamos cartas que podiam explodir). Ele é o cara que foi preso por falar o que pensava e, isso mesmo, guiar a massa para o avanço. Ele é o cara que sempre foi do voto, da disputa leal, dentro das regras estabelecidas. Cita um, unzinho gesto autoritário do Lula, de suprimir regras, inverter ordens, suplantar códigos. Qual foi o dia que ele teve medo de voto? Onde é que esse cara solapou a democracia? Na boa, ensinar democracia para o Lula ou sobre o Lula é absolutamente desnecessário, vai por mim.
E lá está Getúlio Vargas. Sai prá lá não só ele, é o que você diz, como a CLT, os sindicatos (quase 400 categorias profissionais obtiveram reajustes salariais acima da inflação no primeiro semestre), as associações de moradores, de cidadãos, o MST. Saiam para lá todos, porque não é assim que o sr. Reinaldo Azevedo quer. Aqui, de resto, temos mais elementos para mais um capítulo da nova Constituição: o povo está terminantemente proibido de se organizar. Nessa frase eu não mexeria, Reinaldo, está claríssima na defesa do seu interesse.
E que tal, para comemorar a reforma constitucional, uma fogueira com carteiras de trabalho, no melhor estilo dos nazis? Não seria legal coroar a desorganização completa do povo – assim P-O-V-O – com a queima do pouquinho que temos de garantias trabalhistas, aquelas que se não fosse Getúlio Vargas, de muitos erros, contradições e também monstruosidades, mas de impressionantes benfeitorias ao Brasil, talvez não existissem até hoje? Pensa só no tamanho da fogueira, tantos foram os empregos criados nos últimos tempos...
Caro, na boa, passe lá na Saraiva e procure na obra de Voltaire, o iluminista, a frase famosa. Aquela que diz: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. Mas vê se não esquece: Voltaire, aquele a que somos apresentados no segundo ano do colégio. Porque, em matéria de democracia, eu tô achando que você precisa começar do começo.
Entenda: o Lula falar o que quer, na hora que quer, quando quer, como quer, com quem quer é um direito (D-I-R-E-I-T-O) dele. Não dá para caçar assim, como se fazia antes.
Eu nunca usei meu tempo lendo o que o Reinaldo Azevedo escreve. Fui até sua página uma vez só, lá atrás, e deu para perceber que é um autoritário. Estou enganado? Pode ser, mas tenho mais o que fazer para tirar a dúvida. Não vi motivo para ler mais. Não tem informação, não tem entrevista, não tem fato. É opinião. Beleza! Entre aqueles textos longos e a recém publicada autobiografia do patriota comunista Gregório Bezerra (Memórias, Boitempo Editorial), você acha que eu prefiro qual? Ontem, porém, mandei para o Reinaldo Azevedo um e-mail buscando uma entrevista com ele para o 247. Ele não respondeu. Direito dele, normal. Ele não merece um plantão, não vou insistir. Hoje, recebi por e-mail a coluna dele. Com a tal campanha #desencarnalula, o que ele vai conseguir é mobilizar o outro lado, o do Lula, e perder por maioria (sendo que esta maioria em seguida será desqualificada pelo próprio Reinaldo Azevedo). O colunista diz que Lula barra o assunto 2014 exatamente para levantar 2014. E se for isso? Qual é o problema? E se o Lula quer mesmo ser candidato outra vez? É isso que vai desestabilizar o governo (bem que você gostaria, será que não?)? Isso é uma "doença"? Ele é uma "doença"? Quanta grosseria, Reinaldo!
O certo é que o próprio Reinaldo Azevedo, pela antítese, embarcou na do Lula, e também passou a falar de 2014 agora. Tornou-se um seguidor do, como diz o Elio, Nosso Guia. Por essa eu não esperava.

No Brasl247