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sexta-feira, 11 de maio de 2012

SPM pede explicações à USP sobre discriminação sexista em recepção da calourada de Direito no campus Ribeirão Preto



SPM  pede explicações à USP sobre discriminação sexista em recepção da calourada de Direito no campus Ribeirão Preto


Grupo de calouras foi impedido de sair do local, pois se negou a desfilar diante dos demais alunos, abaixando-se ao final do percurso com o objetivo de exibir seus corpos para  diversão dos outros convidados da festa

Em ofício encaminhando à reitoria da Universidade de São Paulo (USP), a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), solicitou explicações acerca de discriminação sexista na recepção da calourada no campus da universidade em Ribeirão Preto. Os fatos relatados por alunas e alunos do 1º ano do curso de Direito teriam acontecido, em fevereiro passado, na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto durante a chamada “Festa da Coroação”.

De acordo com os alunos, um grupo de calouras foi impedido de sair do local, pois se negou a desfilar diante dos demais alunos, abaixando-se ao final do percurso com o objetivo de exibir seus corpos para a diversão dos outros convidados da festa. Outro relato, diz respeito ao juramento de cunho sexual que as calouras e calouros teriam que proferir.

No documento enviado à reitoria da USP, no dia 19 de abril, a SPM apontou para a importância da função social das instituições de ensino em educar e ensinar discentes no sentido de “desvincular o papel da mulher de um mero objeto sexual”. A Secretaria está acompanhando o desenrolar do caso por meio de sua Ouvidoria.

Segundo noticiado pelos meios de comunicação, em 11 de abril, a USP iniciou o processo de apuração do caso, que havia sido repudiado em nota por professoras e professores, entidades e estudantes, inclusive, de diferentes estados brasileiros.

TROTES SEXISTAS -  No dia 3 de abril, a ministra Eleonora Menicucci, da SPM, encaminhou denúncia da existência de conteúdo discriminatório na publicação “Manual de Sobrevivência”, elaborado por estudantes do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em ofício, a ministra solicitou providências ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao procurador-chefe da Procuradoria-Geral da República no Estado do Paraná, Orlando Matello Junior, e ao reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Zaki Abel Sobrinho.

As denúncias foram feitas à SPM e registradas na Ouvidoria da Mulher. Na representação encaminhada às autoridades, a ministra Eleonora Menecucci argumentou que “o caso torna-se emblemático por se tratar de espaço universitário voltado ao direito, no qual veteranos teriam se apropriado de legislação em tom paródico e androcêntrico, em clara discriminação”.
Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres - SPM
Presidência da República - PR

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SPM vê avanço em ação do Conar e descarta recorrer da decisão

SPM vê avanço em ação do Conar e descarta recorrer da decisão


O Conselho de Ética do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) decidiu, nesta quinta-feira,13, em primeira instância, recomendar o arquivamento da representação que pedia a suspensão do anúncio "Gisele Bündchen - Hope Ensina". A decisão de colocar em julgamento a campanha, veiculada nas redes privadas da televisão brasileira, foi decidida pelo Conar a partir de denúncia encaminhada por 40 consumidores e também por representação da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SPM), que também recebeu denúncias de consumidores.

A Secretaria avaliou hoje que o fato do Conar ter levado a representação a julgamento em seu Conselho de Ética já representou um importante avanço. “O Conselho de Ética do Conar opera com o princípio da admissibilidade. Assim, ao levar a representação a julgamento admitiu a importância do debate”, avaliou a Secretaria. A Secretaria informa também que acata a decisão do Conar e que não vai recorrer.

O relator do processo afirmou, ao justificar seu voto, que “os estereótipos presentes na campanha são comuns à sociedade e facilmente identificados por ela, não desmerecendo a condição feminina”.  Para a SPM, ao admitir a existência de estereótipos na peça publicitária, o voto do relator também representou um avanço no debate.

“Um dos papéis da SPM, estabelecido no Capítulo 8 do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, é justamente o combate aos estereótipos”, informa a Secretaria.

A campanha, denominada "Hope ensina", protagonizada pela modelo Gisele Bundchen, estimula as mulheres a fazerem exposição do corpo e insinuações sensuais para amenizar possíveis reações de seus companheiros frente a incidentes do cotidiano, como excesso de gastos no cartão de crédito ou um acidente com o automóvel. 

domingo, 9 de outubro de 2011

Marcos Coimbra: Gisele e a política

Marcos Coimbra: Gisele e a política

Ao solicitar ao Conar que suspenda os comerciais com a modelo, a SPM não conserta todo o sexismo que existe na propaganda brasileira. A questão é que esses vão além do "normal": assumem um tom pedagógico e apontam o "certo" e o "errado", mas deseducam

No dia a dia, existem coisas importantes que são tratadas como insignificantes e coisas desimportantes que se tornam relevantes. Uma dessas acontece neste momento e diz respeito a uma simples campanha publicitária. 

Simples? Será mesmo que os comerciais sobre roupa íntima feminina estrelados por Gisele Bündchen, atualmente no ar, nada são além do que é normal na propaganda, uma empresa tentando vender seu produto? 

São, certamente, mais que isso, a medir pela polêmica que provocaram. Nem bem começou a veiculação, a Secretaria de Políticas para a Mulher (SPM) do governo federal oficiou ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) solicitando sua suspensão. O argumento era de que a campanha é sexista e contribui para manter estereótipos negativos sobre as mulheres. 

Mas a relevância maior do assunto está em que ele enseja uma discussão mais ampla, sobre o papel do estado na sociedade, tanto em geral, quanto no Brasil de hoje. É por isso que continua em pauta, objeto de comentários, notas, charges e editoriais de nossos principais jornais. 

Na mídia brasileira, dominada por veículos assumidamente “liberais”, a reação à iniciativa da SPM foi de completo repúdio. Em coro, aproveitaram a oportunidade para atacar seu inimigo preferencial, o “lulopetismo”. 

(O que será que querem dizer quando usam essa palavra, que eles mesmos inventaram e que nunca fez parte do vocabulário da política brasileira? O tal “lulopetismo” seria uma realidade nova? Consistiria em quê? Usando-a, acham que ridicularizam Lula e o PT?) 

A acusação foi de “interferência estatal”. Segundo esses veículos, a SPM estaria procurando exercer o papel de “tutora”, através de um gesto que deixaria clara a ânsia controladora do “lulopetismo”. Nas palavras do editorial de um jornal carioca, a posição de quem defende “um estado forte, a pairar sobre uma sociedade incapaz de decidir o que é bom para ela”.

É a mesma “interferência” que haveria no comportamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quando tenta impedir a propaganda de produtos nocivos à saúde — devem sentir saudade do homem de Marlboro.

A mesma que faria parte do “coquetel ideológico” do “lulopetismo”, misturada com a utilização, na linguagem do governo, de expressões como “afrobrasileiro” e outras parecidas, típicas do que chamam, pejorativamente, “politicamente correto”. 

Esse tipo de “liberalismo”, característico de alguns segmentos da direita brasileira e comum nessas redações, não existe mais no mundo moderno — salvo, talvez, entre os conservadores radicais americanos do Tea Party. Ele não admite o que foi feito, nas últimas décadas, para civilizar a economia de mercado e a sociedade capitalista, freando suas tendências mais negativas (prejudiciais, em última instancia, à sua própria sobrevivência). 

São contra políticas que quase ninguém questiona nos países avançados, de discriminação positiva e ação afirmativa. Negam a validade de instrumentos como a fixação de cotas para corrigir desigualdades de acesso a políticas públicas fundamentais. Consideram risível que o estado reconheça o direito que as pessoas têm de serem chamadas de forma respeitosa. Condenam que agências, como a SPM e a Anvisa, questionem a liberdade de um anunciante dizer o que quiser para aumentar as vendas. 

Ao solicitar ao Conar que suspenda os comerciais com a modelo, a SPM não conserta todo o sexismo que existe na propaganda brasileira. A questão é que esses vão além do “normal”: assumem um tom pedagógico e apontam o “certo” e o “errado”, mas deseducam. 

Quem, de maneira provinciana, chama isso de “lulopetismo” deveria olhar para o resto do mundo. Ver, por exemplo, o Parlamento Europeu, onde se discute uma política de “tolerância zero” para com o uso de “insultos sexistas e imagens degradantes” na propaganda. Por iniciativa de deputadas da Suécia (onde, tanto quanto se saiba, o “lulopetismo” não chegou), pretende-se, assim, evitar a cristalização de estereótipos de gênero, que impedem uma sociedade mais igualitária. 

O tom patético nas críticas à iniciativa da SPM foi dado pela ideia de que ela negaria a “leveza de espírito e o bom humor” da “alma brasileira”. Como se houvesse apenas uma, monolítica e imutável, incapaz de aprender com seus erros, de evoluir e de amadurecer. 

Só se for para quem acha graça nas velhas piadas que ridicularizam mulheres, negros, indígenas, portugueses, nordestinos, homossexuais, loucos e deficientes.



Na UniversidadeLivreFeminina

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Empresa ignora pedido do governo e mantém propaganda com Gisele no ar

 Empresa ignora pedido do governo e mantém propaganda com Gisele no ar


Mesmo com os pedidos da Secretaria de Proteção à Mulher (SPM) para que a campanha da Hope fosse tirada do ar por ser sexista, tanto a fabricante de lingerie quanto a agência de propaganda GiovanniDraftFCB, que criou o anúncio, decidiram por mantê-la no ar.

Nesta quinta-feira, a Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) abriu o processo para julgamento da campanha com base em 15 denúncias, entre elas a da SPM. O julgamento poderá levar 45 dias para ser concluído.
Com o feriado judaico desta quinta-feira, os executivos da Hope não estavam disponíveis para entrevistas. Porém, a agência informou que está trabalhando numa alternativa para caso a campanha seja mesmo suspensa. Para a modelo Gisele Bündchen, a campanha, na qual as situações em que aparece vestindo roupa íntima são consideradas corretas, é apenas uma brincadeira.
Ontem, a SPM divulgou um artigo assinado por Carmen Hein Campos, coordenadora Nacional do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem/Brasil), no qual escreve que "retirar do ar a propaganda é uma demonstração de respeito às mulheres e reconhecimento que mais não suportamos ser tratadas como objetos ou estereotipadas em comerciais. As mulheres brasileiras elegeram a primeira Presidenta do país, que fez história ao abrir, pela primeira vez, uma reunião das Nações Unidas discursando sobre a igualdade de gênero e questões sérias vivenciadas pelos povos no mundo."

No IG