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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ofende, humilha e causa medo!: As cantadas ofendem

Ofende, humilha e causa medo!: As cantadas ofendem 

Uma pesquisa mostra que as mulheres têm medo de andar sozinhas por causa das agressões verbais – e físicas – que recebem dos homens. Quando haverá uma campanha oficial contra isso?

KARIN HUECK
Natália, de 28 anos, andava por uma avenida movimentada de São Paulo com uma amiga. O rapaz que vinha na direção oposta se esgueirou entre as duas. Encarou-as de alto a baixo e soltou: “Sem calcinha vocês devem ser uma delícia”. Débora, de 29 anos, esperava o semáforo abrir para atravessar uma avenida. Foi abordada por um estranho que a convidava para um café. Puxou-a pelo braço, insistiu e depois começou a segui-la. Thatiane, de 23 anos, estava numa festa. Sentiu alguém deslizar a mão por seu corpo. Ela se voltou para tirar satisfação, e o rapaz a chamou de vagabunda. Thatiane jogou o conteúdo do copo que tinha nas mãos sobre ele. Levou um tapa na cara. Laura tinha 14 anos, estudava no centro de Porto Alegre e saiu para almoçar. Três homens cruzaram seu caminho, passaram a mão no meio de suas pernas e discorreram sobre suas partes íntimas, com uma frase que jamais poderia ser publicada em ÉPOCA.

Natália, Débora, Thatiane e Laura são minhas amigas. Não precisei ir longe para reunir essas histórias assustadoras, porque elas não são exceção. Assim como minhas amigas e eu, já passaram por situações constrangedoras nas ruas 99,6% das quase 8 mil mulheres que responderam a um questionário on-line elaborado por mim. O levantamento, promovido entre julho e agosto, faz parte da campanha “Chega de Fiu-Fiu”, organizada pelo blog Think Olga, um espaço virtual para discutir questões femininas. O percentual de mais de 99% é parecido com o encontrado num trabalho feito nos Estados Unidos pela organização Stop Street Harassment (Parem com Assédio nas Ruas). Lá, 99% das mulheres afirmaram ser incomodadas nas ruas. Como não sou pesquisadora e não usei metodologia científica, sei que meus resultados podem não ser exatos. Mas eles traçam um bom panorama do que as mulheres enfrentam – e do que sentem – quando andam pelas ruas. Como mulher e jornalista, foi a maneira que encontrei de mostrar que esse tipo de “elogio” não agrada. Ofende, humilha e causa medo.

 
BARULHO Manifestantes na Marcha das Vadias, em julho, no Rio  de Janeiro.  Elas defendem o respeito ao corpo  e à dignidade  feminina, ofendidos pelas “cantadas”  (Foto: Marcelo Fonseca/Brazil Photo Press/Folhapress)
É tão comum que uma mulher ouça cantadas ou passe por situações que beiram ao assédio que o assunto é pouquíssimo discutido. Parece apenas mais um fato da existência. A chuva molha. Seres humanos envelhecem. Mulheres são importunadas nas ruas. É tão frequente que algumas dizem não se importar. Parecem ter se conformado. De acordo com a pesquisa, 17% consideram cantadas algo legal.

Imaginando que algum comentário sobre nosso corpo feito por estranhos seja admissível, qual o limite entre o elogio aceitável e a cantada ofensiva? Pode chamar de princesa? Pode passar a mão no cabelo? E colocar a mão no corpo, pode? Parece que muitos acham que sim. No levantamento, 85% das mulheres afirmaram já ter sido tocadas ao andar sozinhas. Nas nádegas (88%), na cintura (56%), nos seios (20%), entre as pernas (17%). Se isso não é agressão sexual, o que será?

Todas essas “cantadas” – da “princesa” à passada de mão – violam a intimidade feminina. O assediador parte de um princípio: o corpo da mulher é visto como público, algo sobre o qual se pode opinar e, por que não, do qual pode se servir à vontade. Como essa percepção é generalizada, a mulher que decide se manifestar contra o assédio corre o risco de ser ofendida. Vira metida, baranga e outros insultos que não cabem neste artigo. Entre as voluntárias que responderam ao questionário, 68% relataram ter sofrido intimidações verbais ao revidar. Talvez por isso, poucas mulheres reajam às cantadas que ouvem: apenas 27%. “Medo de apanhar” é uma das principais justificativas para o silêncio delas, e faz sentido. Dados da Secretaria de Política para as Mulheres mostram que 37% das brasileiras foram agredidas em vias públicas, e 29% foram atacadas por desconhecidos.

Isso significa que mais da metade da população brasileira – 51,5% de mulheres – sente medo quando sai à rua. Isso faz com que esse enorme grupo não se expresse da maneira como gostaria. Meu levantamento revela que 90% das mulheres já trocaram de roupa para sair de casa, com medo de chamar a atenção. Mais de 80% mudaram de caminho, desistiram de sair a pé ou até de ir aonde desejavam, por medo da atitude dos homens. As cantadas tolhem a liberdade da mulher. Lembro-me de como abaixava a cabeça e fingia chorar quando passava na frente de um aglomerado de homens durante a adolescência. Torcia para que se enternecessem e não me dissessem nada.

A intimidação não acontece só nas ruas. Sofri ataques pelo simples fato de ter lançado o questionário. Internautas anônimos mandaram mensagens de ódio e ameaças para o blog que hospedou o formulário. “Por fora vocês não gostam, mas por dentro adoram”, escreveu um. “Que mimimi é esse? Tem de olhar reto e, se não quiser aparecer, põe uma roupa maior”, escreveu outro. E o campeão: “Essa pesquisa é a coisa mais imbecil que já li. Vocês merecem ser estupradas”, de um usuário cujo e-mail era rapist@raperz...(estuprador@estupradores…). Gente assim deve achar que é direito dos homens cantar as mulheres. Que homem nenhum deveria se controlar perto de uma mulher, passando por cima – imagine, que absurdo! – do impulso de falar obscenidades.

Engana-se quem acha que esse tipo de violência é exclusividade do Brasil. Débora, citada no começo do texto, foi perseguida pelo rapaz em Berlim, na Alemanha. Nos Estados Unidos, o problema é tão comum que uma jornalista criou o site ihollaback.org para receber e divulgar vídeos e relatos de mulheres que passaram por situações constrangedoras. O site, que funciona a partir de financiamentos coletivos, também treina pessoas de 64 cidades em 22 países para gravar pequenos filmes de celular com flagrantes de assédio nas ruas.

Para as mulheres, é incômodo falar sobre o assunto. Elas sentem vergonha, como sugerem os relatos das voluntárias que participaram da pesquisa (além de responder às perguntas de múltipla escolha, elas podiam relatar casos que tivessem vivido). Por que as mulheres têm vergonha? Atrevo-me a sugerir uma explicação: muitas podem pensar que tiveram culpa, que provocaram de alguma maneira o comportamento dos homens. Não raro, quando sofremos uma agressão dessas, pensamos: “Como eu estava vestida?”. Como se isso fosse uma justificativa. Como se isso importasse. Esse raciocínio já é uma forma de violência. É a velha cultura do estupro, absorvida pelas próprias mulheres: “Ela mereceu”. As histórias contadas pelas mulheres que responderam ao questionário são tão chocantes, que é de estranhar que não exista nenhuma campanha pública educativa contra esse tipo de comportamento. Há adolescentes e meninas pré-púberes ouvindo ameaças à virgindade nas ruas, sob o olhar complacente de todo mundo. Essas meninas aprendem desde cedo que, em pleno Brasil do século XXI, a rua pertence aos homens, e nela a mulher anda de cabeça baixa. Já passou da hora de levantarmos a cabeça. 

O que as mulheres ouvem nas ruas (Foto: ÉPOCA)

Revista Época

sábado, 25 de maio de 2013

Um preconceito puxa outro, uma conversa de bar

Um preconceito puxa outro, uma conversa de bar

Imagem da

@MarchaVadias

Ontem eu estava em um bar com um grupo de amigos. Éramos 3 mulheres e 3 homens. Dois papos me levaram a reforçar o entendimento, que quem tem um preconceito explícito por um grupo de pessoas, dificilmente não terá por outros. 

Primeiro foi sobre a redução da maioridade penal e que uma das mulheres se posicionou favorável, discussão, discussão vem, paramos com o assunto porque ... Sabe aquele entendimento? Pra que vamos continuar falando se a pessoa não está aberta para a reflexão e sim para colocar os seus preconceitos cada vez mais?

Não demorou e começamos a discutir sobre as mulheres. Comentários como "as garotas de hoje estão acabando com as conquistas das mulheres", "as mulheres que vão aos bailes funks são 'vadias'", " não sou eu quem fala, ouço isso corriqueiramente do meu filho e dos seus amigos"..., foram me irritando e é claro que me exaltei. 

Primeiro porque os comentários machistas, sexistas, horrorosos não saiam da boca de nenhum dos homens, que alias tentavam contemporizar perguntando à moça, a mesma que defendeu a diminuição da maioridade penal, se ela não estaria sendo pessimista, exagerada...

Segundo porque ela dizia "AS MULHERES", o que me fez entrar na conversa e peguntar se ela era tudo aquilo que estava afirmando, se ela não tinha entendimento que estava reproduzindo um discurso machista, sexista que não "combina" nem saindo da boca dos homens mais escrotos e nojentos.

Terceiro porque ela disse que sabia que nós duas iríamos brigar ( sou feminista e portanto, "briguenta", como diz o povo achista) o que respondi que eu não estava brigando, que eu estava defendendo o defensável na tentativa que ela percebesse o quanto o discurso dela era preconceituoso, machista e que ela falava, no final, dela mesma, de mim, da minha filha enfim de todas as mulheres.

E o final da conversa???? Me calei porque vi que ela estava falando para ela mesma, que não mudaria de posição, que foi educada no preconceito e que se o filho tem este entendimento preconceituoso, machista, sexista das mulheres é porque alguém ensinou e não restava dúvidas de quem fora.

Fico me perguntando: o que faremos com pessoas foram educadas no machismo, e que perpetuam e reproduzem preconceitos?

Bora gritar: Não somos nem santa, nem putas, SOMOS MULHERES!

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Ele queria manter a "posse": Homem é condenado a 19 anos de prisão por implantar cinto de castidade em ex-mulher

Ele queria manter a "posse": Homem é condenado a 19 anos de prisão por implantar cinto de castidade em ex-mulher

Última Instância

A 1ª Câmara Criminal do TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) manteve a condenação de um homem que para manter a “posse” sobre a ex-companheira, implantou, à força, um arame no órgão sexual da vítima para que esta não tivesse relações sexuais com outros homens. Ele foi sentenciado a 19 anos e quatro meses de reclusão, em regime fechado, mais um ano e um mês de detenção, pelos crimes de lesão corporal grave, ameaça, estupro e porte irregular de arma de fogo.
Insatisfeito com a condenação, o réu apelou e pleiteou absolvição por falta de provas. Quanto ao fato de ter colocado o arame no corpo da vítima, respondeu em interrogatório que assim procedeu a pedido da mulher, que lhe afirmara que aceitaria tal circunstância como prova de amor e fidelidade. A versão da vítima, entretanto, diverge da apresentada pelo réu.

No boletim de ocorrência, a vítima informou que ela e o réu haviam convivido por cerca de dez meses em união estável; após o rompimento do relacionamento, ele passou a ameaçá-la e a forçou a implantar o instrumento em sua genitália. Durante a denúncia na delegacia, a mulher ainda apresentava o arame preso ao corpo.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, em dezembro de 2011, o réu encontrou-se com a vítima e, após relação sexual, com uma arma apontada para a cabeça da vítima, instalou o invulgar aparato, semelhante a um cinto de castidade. Após os fatos, o acusado e a vítima se encontravam duas vezes por semana, oportunidade em que mantinham relações sexuais. Em todas as ocasiões, o arame era retirado e recolocado na vítima, que era ameaçada de morte. O denunciado prometia que, caso a ofendida removesse o aparato, mataria toda a sua família.

Para o TJ, o crime de lesão corporal grave ficou definitivamente demonstrado, visto que o exame realizado pelo médico legista apontou um processo inflamatório grave na região, que causou muita dor e desconforto à ofendida, dificultando até movimentos básicos como sentar.

“Verifica-se que as declarações da vítima são coerentes e verossímeis, atribuindo ao apelante a autoria das lesões, negando que tivesse consentido com a colocação do citado arame, fato que somente ocorreu em razão da grave intimidação que sofria pelas ameaças perpetradas pelo recorrente”, descreveu a desembargadora Marli Mosimann Vargas, relatora da decisão. Os demais crimes também estariam claramente demonstrados pelas palavras da vítima e de uma testemunha.
Algumas relações sexuais também ocorreram mediante violência, pela presença de arma de fogo ou até mesmo de um facão. “Não obstante a negativa do apelante, este não logrou êxito em ilidir as declarações da vítima, deixando sem justificativa o porquê de lhe ser feita tão grave imputação. De mais a mais, os elementos de convicção estampados nos autos conduzem à certeza da responsabilidade criminal do recorrente pela prática do crime de estupro [...]”, finalizou a desembargadora. A votação da câmara foi unânime.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Babaquinhas machistas: Alunos da USP ficam pelados em trote para hostilizar feministas em São Carlos

Babaquinhas machistas: Alunos da USP ficam pelados em trote para hostilizar feministas em São Carlos

William Maia
Do UOL, em São Paulo

Um trote organizado por veteranos da USP (Universidade de São Paulo) em São Carlos terminou em baixaria na tarde da última terça-feira (26). Alguns alunos chegaram a ficar pelados e fizeram gestos obscenos para hostilizar um grupo de feministas que protestava contra o “Miss Bixete”, espécie de concurso de beleza a que as calouras são submetidas.

As estudantes, membros da Frente Feminista de São Carlos, reclamam da forma como as novatas são tratadas. Segundo elas, os veteranos obrigam as calouras a desfilar e mostrar os seios. Haveria também uma prova em que as estudantes competem para ver quem chupa primeiro um picolé, simulando sexo oral.

“É uma exposição absurda das meninas. Por mais que elas não sejam obrigadas fisicamente a participar, há uma grande pressão dos veteranos, e das veteranas também, para que elas façam aquelas coisas”, afirmou a estudante Loiane Vilefort, integrante do movimento, que tentou convencer as calouras a não participar do trote.
 
Apesar de ocorrer dentro da sede do Caaso (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira), o evento é organizado por um grupo autônomo de alunos que se autodenomina GAP (Grupo de Apoio à Putaria), que realiza festas e outros eventos estudantis.

O estudante Rafael Serres, presidente do Caaso, disse ao UOL que a direção do centro acadêmico não apoia o “Miss Bixete” por considera-lo um ato de “machismo e preconceito”. “Inclusive, desde o ano passado nós organizamos um trote paralelo, pacífico, justamente para que as pessoas não participem do Miss Bixete”, disse.

Por meio de nota, a direção da USP São Carlos afirmou que é “veementemente contra qualquer ação que cause constrangimento” e que abrirá procedimento administrativo para identificar os envolvidos.

“As atividades em questão não fazem parte da programação da Semana de Recepção dos Calouros, promovida pelas unidades do campus da USP em São Carlos, cujo objetivo é promover a integração dos novos alunos ao ambiente universitário”, diz a nota da USP São Carlos, que disponibiliza um disque trote para coibir atividades abusivas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Leis machistas: Estuprada, engravidou e matou o recém-nascido. Ela foi condenada. O estuprador, não

Leis machistas: Estuprada, engravidou e matou o recém-nascido. Ela foi condenada. O estuprador, não

No dia 23 de fevereiro de 2003, a jovem Romina Tejerina, então com 18 anos, matou com 21 facadas seu bebê recém-nascido. Condenada a 14 anos por homicídio qualificado, ela cumpriu dois terços da pena e foi liberada há poucos dias, reacendendo um debate que dividiu a Argentina nos últimos anos.
Moradora de uma província pobre do norte do país, Romina denunciou ter sido vítima de um estupro. A gravidez não desejada foi levada adiante. Em entrevista ao jornal La Nación, pouco depois da tragédia, ela disse que só se lembrava do choro do bebê e da cara do estuprador. Era uma tentativa de colocar em palavras o inexplicável.
A recente liberação de Romina foi criticada pelos argentinos nas redes sociais. O crime de Romina mobilizou a sociedade argentina como poucos, conta Veronica Smink, jornalista da BBC, em artigo recém-publicado. Grande parte da sociedade apoiou o veredicto, no entanto, os militantes dos direitos das mulheres, apoiados por artistas e legisladores, seguiram protestando, afirmando que Romina também era vítima das circunstâncias, segundo relato da jornalista.
Não recebeu cuidados e atenção, vinha de uma origem humilde, não tinha ferramentas para lidar com uma gravidez não desejada. Ainda teve que lutar só contra a vergonha que o papel de violada lhe impunha.  Estudiosos argentinos afirmam que, na província natal de Romina, a taxa de estupros está 70% acima da média nacional e que, não raro, as mulheres são acusadas de ter provocado o estupro. No caso de Romina, um dos argumentos usados contra ela foi o fato de ela estar dançando de minissaia na fatídica noite da violência sexual. Parece filme, mas é a infeliz realidade ainda, dos nosso vizinhos, do nosso quintal. O vizinho acusado do estupro tinha o dobro da idade de Romina e chegou a ser preso, mas o crime nunca foi provado. Não fizeram exame de DNA no suspeito, não exumaram o corpo do bebê, não houve produção de provas.
O caso  Romina, a meu ver, é o exemplo de uma situação que se perpetua sem fronteiras. Um crime não justifica outro, você deve estar pensando, e eu  concordo. A história é triste do início ao fim e todos os possíveis caminhos a partir da violência seriam igualmente difíceis. Lamentável Romina não ter  tido apoio legal e psicológico para evitar a gestação decorrente de uma violência. No Brasil, um dos dois casos de aborto sem punição é justamente a violação. O tema é polêmico e não estou dizendo aqui que eu, com certeza, abortaria. São decisões pessoais, forjadas em cima de crenças e das condições físicas, psicológicas e também financeiras de cada mulher. Não sou militante de causa alguma, mas eu me pergunto por que Romina não teve acesso à pílula do dia seguinte. Por que o crime sexual não foi punido? Por que as mulheres ainda sentem vergonha de uma situação da qual são vítimas?
Medidas simples e eficazes – entre as quais destaco em primeiríssimo lugar condenação rígida de crimes sexuais para desestimular os loucos de plantão – teriam evitado o pior: o cruel assassinato de um bebê indefeso.
A história trágica de Romina acabou sendo um divisor de águas na Argentina. Em março de 2012, a suprema corte ratificou a legalidade dos abortos em caso de violação. Mas a falta de apoio a mulheres nessas situações continua em aberto.

Mulher 7 x 7

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O que ninguém nunca vai te contar sobre feminismo

O que ninguém nunca vai te contar sobre feminismo


feminismo

Adivinha só: você é feminista. Se você é uma pessoa que vive nesse mundo, outras pessoas, tanto homens quanto mulheres, já te disseram que feministas são umas peludas, umas reacionárias que não transam, umas vacas que odeiam homens e precisam parar de ficar chorando por aí (afinal a gente até já pode votar! E já existe uma grande variedade de aspiradores de pó para nos ajudar!). ENFIM. ISSO É OBVIAMENTE IMBECIL.
Adivinha só: você é feminista!
Feminismo não é um movimento radical, nem marginal, nem um constrangimento, nem uma enganação. Feminismo é simples. O “patriarcado” “existe”. Identificar isso como feminista é reconhecer que mulheres são pessoas e, como tais, merecem os mesmos direitos sociais, econômicos e políticos, e as mesmas oportunidades de outros tipos de pessoas (tipo pessoas-homens). Ser feminista é reconhecer que o mundo não é, atualmente, um lugar justo e seguro para as mulheres viverem. Porque não é. Obviamente (ver em: tudo). Negar esses fatos faz de você, na pior das hipóteses, uma pessoa má que odeia mulheres, incluindo mas não limitando a: Sarah Michelle Gellar, Jennifer Garner, Jennifer Aniston, Jennifer Lopez, sua mãe, a mãe da Jennifer Lopez, a tia Marcy da Jennifer Garner, Michelle Obama, Ellen DeGeneres, Cher, Julie Andrews, Kim Kardashian, Khloe Kardashian, Kourtney Kardashian, Krokodila Kardashian, Kabeçona Kardashian, Kara-de-mamão Kardashian, Ki-suco Kardashian, e ATÉ A VIRGEM MARIA. E na melhor, faz de você um idiota complacente.
MAIS UMA VEZ: Se você não é feminista (ou alguma coisa inculpavelmente ignorante, como um bebê, um furão ou um calouro de faculdade), então você é uma má pessoa. Essas são suas únicas opções. Ou você acredita que mulheres são pessoas, ou você não. Pra te ajudar a escolher, damos aqui algumas informações!
Primeira onda de Feminismo: Podemos ser cidadãs, agora?
Essas eram as biscats do século 19 (obs: Chamar as mulheres de “biscats” sem o “e” no final é uma categoria elevada de ironia – por enquanto chame-as de “mulheres” mesmo) tipo Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton, que chegavam e falavam “E aí, rapaziada, a gente tava pensando que, se não for atrapalhar, talvez a gente pudesse ter direito a votar e tal. Que que cês acham?” E aí elas começaram imediatamente a detonar com tudo até que ratificassem a Emenda 19 em 1920, que deu às mulheres americanas o direito ao voto. Muitas das feministas da primeira leva eram racistas, e elas ainda acreditavam naquele negócio de que o serviço de uma mulher era calar a boca e esfregar a roupa. Sabe como é, ninguém é perfeito.

Segunda onda de Feminismo: Dá pra parar de nos estuprar, por favor?

Depois da Segunda Guerra Mundial, as mulheres começaram a pensar assim “Ah, acho que dá pra eu arrumar um emprego e pedir pro meu marido parar de me estuprar, né?”. Elas começaram a entender formas mais sutis de sexismo e misoginia – coisas que podiam até não ser legalmente obrigatórias (como o direito ao voto), mas estavam estragando suas vidas da mesma forma. Essas mulheres formaram a segunda onda. Em 1963, Betty Friedan deixou todo mundo louco ao sugerir que a família nuclear podia ser um balde de merda que sufocava o potencial das mulheres e as deixava infelizes. E aí um moooonte de coisa aconteceu! Pílula anticoncepcional, ilegalização do estupro marital (em todos os Estados, FINALMENTE, em 1993!), Griswold vs. Connecticut, direitos de ação positivos para as mulheres, Title IX,Roe vs. Wade, e MUITO MAIS – dá uma olhada nos links, sério. (Uma informação divertida: Nenhum sutiã foi queimado) Havia muita discussão sobre pornografia (rrrronc). A Emenda de Direitos Iguais não foi aprovada. Uma vez que as coisas começaram a funcionar, alguns antifeministas perspicazes aproveitaram a oportunidade para declarar o fim oficial do sexismo, porque agora as mulheres não podiam ser estupradas (às vezes) e podiam trabalhar por um salário mínimo em fábricas de roupas e agências de publicidade, e portanto qualquer mulher que reclamasse de qualquer coisa a partir desse momento era uma vaca sovacuda e de peito caído. Mulheres continuaram a lutar porque mulheres são incríveis. Dane-se a Phyllis Schlafly!
Terceira onda de Feminismo: Talvez eu goste de estupro! Cala a boca! Talvez eu não goste! Cala a Boca!
Um dia, alguém teve a coragem de sugerir que o termo “mulheres” engloba mais do que “donas-de-casa brancas de classe média-alta descontentes”. Havia mulheres imigrantes. Havia mulheres trans. Havia donas-de-casa brancas de classe média-alta contentes. Havia profissionais do sexo. A terceira onda de feminismo é a ideia de que mulheres podem e devem definir sua feminilidade. Porque existem milhões de tipos diferentes de mulheres, a terceira onda é grande e pode ser um pouco confusa, ou talvez não existir por completo (a história é um contínuo, não uma série de ondas). Algumas partes do novo feminismo – particularmente a turma do “Eu uso minha sexualidade como uma arma!” – podem se parecer bastante com o velho sexismo. Mas não se preocupe. Siga seus instintos e continue chamando a atenção das pessoas por seus atos.
Pós-feminismo: O sexismo está morto! Viva o sexismo!
Grrrrrrrrrrr. Esses babacas pensam que o desigualdade de gênero acabou e que nós devemos dar uma festa porque Sex and the City 2 era super empoderador. Fodam-se esses babacas. Ou melhor, não os fodam.
Mulheres não existem para servir os propósitos da sua ereção
Muitos homens heterossexuais ficam bravos quando as mulheres não são do jeito que eles acham que elas “deveriam” ser. Mas quer saber? “Deveriam” não é uma coisa. O corpo das mulheres não é da sua conta. Os pêlos das mulheres não são da sua conta. O quanto elas pesam não é da sua conta. O que as mulheres vestem não é da sua conta. Se a mina quer ou não dar pra você, não é da sua conta, a menos que ela queira, aí nesse caso manda ver (toca aqui!).
Privilégio Masculino: É real e é totalmente de araque
Privilégio é invisível. Se você não faz ideia do que é privilégio masculino, há uma boa chance de você estar se beneficiando dele. É assim que o privilégio funciona. Essencialmente, por conta de estruturas de poder políticas e sociais que dominam o planeta, as coisas são mais fáceis para os homens. Mulheres ganham menos, possuem menor influência política, tem seus clitóris cortados (é verdade sim – joga no Google), e são vastamente tomadas como propriedade e tratadas como merda. O privilégio é real, e se alguém te disser o contrário, deve ser a Ann Coulter falando.
Uma nota final: SIM!
A menos que você seja um ser babacão que acha que pessoas são desiguais, você é feminista. VOCÊ é feminista. Você É feminista. VOCÊ É FEMINISTA. Boas vindas e chega mais!




Jezebel

sexta-feira, 11 de maio de 2012

SPM pede explicações à USP sobre discriminação sexista em recepção da calourada de Direito no campus Ribeirão Preto



SPM  pede explicações à USP sobre discriminação sexista em recepção da calourada de Direito no campus Ribeirão Preto


Grupo de calouras foi impedido de sair do local, pois se negou a desfilar diante dos demais alunos, abaixando-se ao final do percurso com o objetivo de exibir seus corpos para  diversão dos outros convidados da festa

Em ofício encaminhando à reitoria da Universidade de São Paulo (USP), a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), solicitou explicações acerca de discriminação sexista na recepção da calourada no campus da universidade em Ribeirão Preto. Os fatos relatados por alunas e alunos do 1º ano do curso de Direito teriam acontecido, em fevereiro passado, na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto durante a chamada “Festa da Coroação”.

De acordo com os alunos, um grupo de calouras foi impedido de sair do local, pois se negou a desfilar diante dos demais alunos, abaixando-se ao final do percurso com o objetivo de exibir seus corpos para a diversão dos outros convidados da festa. Outro relato, diz respeito ao juramento de cunho sexual que as calouras e calouros teriam que proferir.

No documento enviado à reitoria da USP, no dia 19 de abril, a SPM apontou para a importância da função social das instituições de ensino em educar e ensinar discentes no sentido de “desvincular o papel da mulher de um mero objeto sexual”. A Secretaria está acompanhando o desenrolar do caso por meio de sua Ouvidoria.

Segundo noticiado pelos meios de comunicação, em 11 de abril, a USP iniciou o processo de apuração do caso, que havia sido repudiado em nota por professoras e professores, entidades e estudantes, inclusive, de diferentes estados brasileiros.

TROTES SEXISTAS -  No dia 3 de abril, a ministra Eleonora Menicucci, da SPM, encaminhou denúncia da existência de conteúdo discriminatório na publicação “Manual de Sobrevivência”, elaborado por estudantes do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em ofício, a ministra solicitou providências ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao procurador-chefe da Procuradoria-Geral da República no Estado do Paraná, Orlando Matello Junior, e ao reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Zaki Abel Sobrinho.

As denúncias foram feitas à SPM e registradas na Ouvidoria da Mulher. Na representação encaminhada às autoridades, a ministra Eleonora Menecucci argumentou que “o caso torna-se emblemático por se tratar de espaço universitário voltado ao direito, no qual veteranos teriam se apropriado de legislação em tom paródico e androcêntrico, em clara discriminação”.
Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres - SPM
Presidência da República - PR

sábado, 22 de outubro de 2011

De quem é a responsabilidade dos comentários publicados em jornais, sites,...?

De quem é a responsabilidade dos comentários publicados em jornais, sites,...?

Sugestão do Enio - Maquinista do "PTrem das Treze" 


A matéria foi publicada na Folha Online, Marta descarta abrir mão de pré-candidatura à Prefeitura de SP.Jornal que não tenho por hábito ler.


Os comentários machistas foram feitos por várias pessoas na "tentativa" de agredir a senadora Marta, que não morro de amores porém que tem que ser respeitada enquanto mulher, política, ... 


O que eu acho interessante é que o veículo de comunicação tenta se isentar com uma frase: O comentário não representa a opinião do jornal, blá blá blá...O que me leva a crer que qualquer um pode publicar o conteúdo que quiser, mesmo sendo machista, sexista, racista, homofóbico... que está valendo.


E a responsabilidade com quem fica?









sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Homem que jogou soda cáustica na mulher por ter sido "rejeitado' é condenado a 12 anos de prisão



Homem que jogou soda cáustica na mulher por ter sido "rejeitado' é condenado a 12 anos de prisão


O homem não aceitava a separação, por isso, durante uma discussão resolveu vingar-se da ex-companheira jogando o produto que atingiu os olhos e, inclusive, a genitália da mulher.


Marco Aurélio Souza Moreira, de 41 anos, foi condenado a 12 anos e 8 meses de prisão por tentativa de homicídio triplamente qualificado contra a ex-mulher, em 26 de fevereiro de 2010. O crime ocorreu no bairro Partenon, na zona Leste de Porto Alegre. O julgamento durou mais de 11 horas, nesta quinta-feira, na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.

De acordo com a promotora Lúcia Helena Callegari, representante do Ministério Público Estadual (MPE), o homem vai cumprir a pena no Presídio Central de Porto Alegre. Para ter a progressão de regime, Moreira, por ter cometido um crime hediondo, precisa cumprir pelo menos dois quintos da pena. Para outros crimes, o normal é um sexto da pena.

Após uma discussão, ele jogou soda cáustica no rosto e em outras partes do corpo de Silvia Paloma da Silva. Ela foi socorrida e chegou a ficar internada em estado grave no Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas sobreviveu. A promotora Lúcia Helena Callegari ressaltou que o crime foi praticado por motivo fútil, mediante meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Conforme a apuração, Moreira não aceitava a separação e, por isso, resolveu se vingar, atingindo a mulher com o produto corrosivo.



No Correio do Povo

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Criança, consumo e sexismo – meus tostões sobre o Dia da Criança




Criança, consumo e sexismo – meus tostões sobre o Dia da Criança

Se ainda não aconteceu com você nesta semana vai acontecer, fatalmente: você ligará a televisão ou abrirá/acessará algum jornal ou portal de notícias e encontrará ao menos uma reportagem comentando a movimentação das compras para o Dia da Criança, as expectativas dos comerciantes traduzidas em porcentagens de lucros e projeções de vendas, encontrará também matérias especiais indicando presentes para os pequenos. A data é mais um daqueles imperativos comerciais aos quais a sociedade tem dificuldade em resistir, daí a alocação de espaço em veículos de informação e de recursos nos bolsos das famílias. Aqui em casa neste ano foi mais ou menos diferente: não planejamos qualquer compra de presente especial para a criança pequena da casa, mas ela foi contemplada pelas tias e pela avó materna. Nossa justificativa é a mesma usada em outros dias comemorativos ao longo do ano: existe um ano todo para ganhar presente, homenagem, atenção, e é bom que procuremos escapar de surtos consumistas, incluindo aqueles específicos sazonais; para a criança é importante também o aprendizado de que deve haver limites para consumo e de que essa atividade deve ser passível de crítica.
Essa aprendizagem não é muito fácil. Existe uma pressão social para que o consumo ocorra (imagine a criança de classe média chegar e comentar que não ganhou presente no Dia da Criança, qual é a reação que devemos esperar da maior parte das pessoas? Ainda que a criança seja presenteada em outras ocasiões…), existe uma pressão do mercado e da mídia. As propagandas no estilo “não esqueça a minha Caloi”“eu tenho, você não te-em” e “peça para o papai…” desapareceram mas foram substituídas por um esforço contínuo e intenso em expor, repetir e reforçar a propaganda. Dez minutos em um canal ou em um horário de programação televisiva voltados às crianças devem servir para ilustrar o que afirmo; uma conversa rápida com famílias com crianças também
Afinal, qual é o problema com esse negócio de Dia da Criança? Eu diria que não é só a data comemorativa em si, mas o conceito de associar um dia específico a um tipo específico de consumo. Por exemplo, ainda que as livrarias anunciem também produtos para as crianças com mais ênfase na data o presente em geral é brinquedo. Por vários motivos: a falta do hábito de leitura como lazer e fora do ambiente escolar, a pouca intimidade com os livros, a dissociação entre livro e brinquedo. Prefiro não apontar com certeza o preço dos livros infantis como motivo para que eles não sejam presentes tão populares porque levo em consideração o que muitas famílias concordam em pagar por brinquedos – li hoje uma reportagem num jornal local na cidade onde passei o final de semana e ali se afirmava que os pais entrevistados assumiram que gastariam entre 50 e 100 reais com o presente. Ora, esse valor é bem suficiente para comprar alguns livrinhos. Ou jogos pedagógicos. Ou DVDs. Não posso responder por todo mundo, claro, mas eu acho que apesar de haver brinquedos que podem ficar marcados na memória da criança um livro, um quebra-cabeça ou um DVD duram mais – acho mais fácil enjoar de um brinquedo (sobretudo eletrônico, em que a brincadeira não precisa necessariamente ser inventada) do que de um livro, que pode ser relido mais vezes, com o mesmo encanto, o mesmo interesse (eu releio periodicamente alguns dos meus livros e fico feliz em reviver situações e experimentar sentimentos familiares, mas também sempre repenso alguma coisa) e novos encantos.
Outra questão importante tem a ver com o direcionamento dos brinquedos para o gênero: aponta-se tanto a modernidade do mundo e da sociedade, a derrubada de fronteiras, de tabus, mas ainda existem nas lojas de brinquedos prateleiras de menino e de menina; os vendedores ainda nos abordam e nos perguntam “é pra que idade? É pra menino ou é pra menina?”. Ainda encontramos produtos de aparência “feminina” e “masculina” e aludindo a qualidades específicas de cada gênero – delicadas florzinhas enfeitando conjuntos de panelinhas cor-de-rosa e bonecos parrudos em tons escuros, com chamas adesivadas, passando uma imagem de vigor, virilidade, força. “Ah, mas você pode dar mesmo assim um conjunto de panelinhas pro seu filho, você pode dar um playmobil de piratas pra sua sobrinha”, e é verdade (sim, eu já fiz isso das panelinhas, e não esqueci um post muito preciso da Mari Biddle a respeito da diferença entre um playmobil de menino e de menina). Pra mim não faz diferença a cor, de fato, mas por que continuar investido obrigatoriedade nos estereótipos de gênero tão arraigados? Meninas também são aventureiras e fortes, meninos também são meigos e contemplativos, a menos que haja o estímulo contínuo para que adotem apenas o comportamento esperado pelo senso comum. Da minha parte acho bobagem suprimir atitudes e sentimentos naturais de uma criança em nome de uma convenção social que em geral é sexista e injusta, porque impõe limites que para serem superados demandam um esforço besta – a menina vai crescer e vai precisar provar que não há problema algum em não ser meiga, delicada, voltada à vida doméstica e o homem crescido vai se ver frente ao velho dilema de “homem não chora” (sim, são exemplos bobinhos, porque bobinha é a insistência em reforçar estereótipos, amarras).
O Dia da Criança é depois de amanhã. As compras podem estar em cima da hora, mas dá tempo sempre de parar para pensar um pouquinho em todas as questões suscitadas por datas comemorativas de fundo comercial e por esta data em especial. Antes de mais nada questione se é fundamental ceder ao apelo consumista e quais os custos financeiros, sociais, psicológicos que estão envolvidos em burlar a data ou aderir a ela:  a criança que você presenteia tende a compreender melhor a ausência, devidamente justificada e quem sabe negociada, de um presente dia 12 de outubro? Você se sentiria melhor comprando o presente ou deixando de fazê-lo? Qual é o custo dos presentes dados nesta data e ao longo do ano (vamos lembrar que assim que a campanha do Dia da Criança virar a esquina o Natal vai começar a nos soterrar nas prateleiras e corredores)? Reflita também a respeito da prevalência do brinquedo tradicional como presente – nossas crianças estão chegando a um ponto de ganhar dois ou três brinquedos repetidos no aniversário e acho que todo mundo já se viu coçando a cabeça em frente a uma pilha de brinquedos na loja, com dificuldades para escolher algo que aquele aniversariante ainda não tenha. Um passeio pode ser tão ou muito mais interessante do que mais um carrinho, e presentear com momentos e não produtos é fundamental para o desenvolvimento de sentimentos, sensibilidades e atitudes que os brinquedos podem não alcançar – então pense se não vale a pena ignorar aquele anúncio ridículo da rede de lojas que quer te ensinar que “criança gosta é de brinquedo”. Por fim sugiro que você leve consigo a reflexão importante a respeito do peso dos brinquedos para o desenvolvimento e o estímulo do sexismo desde a primeira infância (já falei sobre esse assunto em um texto lá no Blogueiras Feministas há algum tempo).
Criança gosta de atenção, de estímulo, de desafio, de gentileza, de novidade, de amor. Pense em como você pode oferecer isso e tenha um ótimo Dia da Criança!

domingo, 9 de outubro de 2011

Marcos Coimbra: Gisele e a política

Marcos Coimbra: Gisele e a política

Ao solicitar ao Conar que suspenda os comerciais com a modelo, a SPM não conserta todo o sexismo que existe na propaganda brasileira. A questão é que esses vão além do "normal": assumem um tom pedagógico e apontam o "certo" e o "errado", mas deseducam

No dia a dia, existem coisas importantes que são tratadas como insignificantes e coisas desimportantes que se tornam relevantes. Uma dessas acontece neste momento e diz respeito a uma simples campanha publicitária. 

Simples? Será mesmo que os comerciais sobre roupa íntima feminina estrelados por Gisele Bündchen, atualmente no ar, nada são além do que é normal na propaganda, uma empresa tentando vender seu produto? 

São, certamente, mais que isso, a medir pela polêmica que provocaram. Nem bem começou a veiculação, a Secretaria de Políticas para a Mulher (SPM) do governo federal oficiou ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) solicitando sua suspensão. O argumento era de que a campanha é sexista e contribui para manter estereótipos negativos sobre as mulheres. 

Mas a relevância maior do assunto está em que ele enseja uma discussão mais ampla, sobre o papel do estado na sociedade, tanto em geral, quanto no Brasil de hoje. É por isso que continua em pauta, objeto de comentários, notas, charges e editoriais de nossos principais jornais. 

Na mídia brasileira, dominada por veículos assumidamente “liberais”, a reação à iniciativa da SPM foi de completo repúdio. Em coro, aproveitaram a oportunidade para atacar seu inimigo preferencial, o “lulopetismo”. 

(O que será que querem dizer quando usam essa palavra, que eles mesmos inventaram e que nunca fez parte do vocabulário da política brasileira? O tal “lulopetismo” seria uma realidade nova? Consistiria em quê? Usando-a, acham que ridicularizam Lula e o PT?) 

A acusação foi de “interferência estatal”. Segundo esses veículos, a SPM estaria procurando exercer o papel de “tutora”, através de um gesto que deixaria clara a ânsia controladora do “lulopetismo”. Nas palavras do editorial de um jornal carioca, a posição de quem defende “um estado forte, a pairar sobre uma sociedade incapaz de decidir o que é bom para ela”.

É a mesma “interferência” que haveria no comportamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quando tenta impedir a propaganda de produtos nocivos à saúde — devem sentir saudade do homem de Marlboro.

A mesma que faria parte do “coquetel ideológico” do “lulopetismo”, misturada com a utilização, na linguagem do governo, de expressões como “afrobrasileiro” e outras parecidas, típicas do que chamam, pejorativamente, “politicamente correto”. 

Esse tipo de “liberalismo”, característico de alguns segmentos da direita brasileira e comum nessas redações, não existe mais no mundo moderno — salvo, talvez, entre os conservadores radicais americanos do Tea Party. Ele não admite o que foi feito, nas últimas décadas, para civilizar a economia de mercado e a sociedade capitalista, freando suas tendências mais negativas (prejudiciais, em última instancia, à sua própria sobrevivência). 

São contra políticas que quase ninguém questiona nos países avançados, de discriminação positiva e ação afirmativa. Negam a validade de instrumentos como a fixação de cotas para corrigir desigualdades de acesso a políticas públicas fundamentais. Consideram risível que o estado reconheça o direito que as pessoas têm de serem chamadas de forma respeitosa. Condenam que agências, como a SPM e a Anvisa, questionem a liberdade de um anunciante dizer o que quiser para aumentar as vendas. 

Ao solicitar ao Conar que suspenda os comerciais com a modelo, a SPM não conserta todo o sexismo que existe na propaganda brasileira. A questão é que esses vão além do “normal”: assumem um tom pedagógico e apontam o “certo” e o “errado”, mas deseducam. 

Quem, de maneira provinciana, chama isso de “lulopetismo” deveria olhar para o resto do mundo. Ver, por exemplo, o Parlamento Europeu, onde se discute uma política de “tolerância zero” para com o uso de “insultos sexistas e imagens degradantes” na propaganda. Por iniciativa de deputadas da Suécia (onde, tanto quanto se saiba, o “lulopetismo” não chegou), pretende-se, assim, evitar a cristalização de estereótipos de gênero, que impedem uma sociedade mais igualitária. 

O tom patético nas críticas à iniciativa da SPM foi dado pela ideia de que ela negaria a “leveza de espírito e o bom humor” da “alma brasileira”. Como se houvesse apenas uma, monolítica e imutável, incapaz de aprender com seus erros, de evoluir e de amadurecer. 

Só se for para quem acha graça nas velhas piadas que ridicularizam mulheres, negros, indígenas, portugueses, nordestinos, homossexuais, loucos e deficientes.



Na UniversidadeLivreFeminina

domingo, 2 de outubro de 2011

Marcelo Tas destila seu veneno sexista: Mulherada invejosa no poder

Marcelo Tas destila seu veneno sexista: Mulherada invejosa no poder

Vi o tweet na página do FB do Nilo Corrêa

Porque será
Que si un hombre habla de sexo
Es un macho
Y una mujer una ninfomanía.

Porque el que va de flor en flor
Es un picaflor y se le felicita
Y la mujer es una perdida
Y se la critica

Conceptos equivocados
Conceptos sexistas
Solo espero que vayamos
Cambiando todos de mentalidad

Terry Mateo Perez

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Empresa ignora pedido do governo e mantém propaganda com Gisele no ar

 Empresa ignora pedido do governo e mantém propaganda com Gisele no ar


Mesmo com os pedidos da Secretaria de Proteção à Mulher (SPM) para que a campanha da Hope fosse tirada do ar por ser sexista, tanto a fabricante de lingerie quanto a agência de propaganda GiovanniDraftFCB, que criou o anúncio, decidiram por mantê-la no ar.

Nesta quinta-feira, a Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) abriu o processo para julgamento da campanha com base em 15 denúncias, entre elas a da SPM. O julgamento poderá levar 45 dias para ser concluído.
Com o feriado judaico desta quinta-feira, os executivos da Hope não estavam disponíveis para entrevistas. Porém, a agência informou que está trabalhando numa alternativa para caso a campanha seja mesmo suspensa. Para a modelo Gisele Bündchen, a campanha, na qual as situações em que aparece vestindo roupa íntima são consideradas corretas, é apenas uma brincadeira.
Ontem, a SPM divulgou um artigo assinado por Carmen Hein Campos, coordenadora Nacional do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem/Brasil), no qual escreve que "retirar do ar a propaganda é uma demonstração de respeito às mulheres e reconhecimento que mais não suportamos ser tratadas como objetos ou estereotipadas em comerciais. As mulheres brasileiras elegeram a primeira Presidenta do país, que fez história ao abrir, pela primeira vez, uma reunião das Nações Unidas discursando sobre a igualdade de gênero e questões sérias vivenciadas pelos povos no mundo."

No IG

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Estou passando mal tamanha indignação: Quem será esse juiz sexista, nojento, criminoso?

Estou passando mal tamanha indignação: Quem será esse juiz sexista, nojento, criminoso?



Caco contou que um Juiz se ofereceu para lhe dar uma informação em off. Dessas informações tão comuns na imprensa brasileira: quando alguém destrói o caráter de outro, sem sujar as mãos. O Juiz disse que a Juíza ia aos presídios de Niterói para ter relações sexuais com presos. Caco perguntou, também em voz baixa, no ouvido do Juiz: e ela gozava ? 


Leia na íntegra aqui