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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Não, não creio!: Ciclista quase morreu atropelado e está sendo processado por ter arranhado o carro….

Não, não creio!: Ciclista quase morreu atropelado e está sendo processado por ter arranhado o carro….

ABSURDO: Ciclista quase morreu atropelado e está sendo processado por ter arranhado o carro….

Pra quem pedala

Processo
O motorista que quase o atropelou o ciclista, Marcos Studart, foi o motorista do ônibus, que o fechou e forçou com que o ciclista fosse para a esquerda. Foi quando ele ficou espremido entre o carro e o Ônibus. Apesar da cena impressionante o ciclista não sofreu ferimentos graves.
O motorista do carro agora está processando o ciclista no valor de 13.000 reais por danos materiais e morais…
Vejam o relato do caso
“RISCO DUPLO AOS CICLISTAS
Ao ver a foto do acidente ocorrido na rua Álvares de Azevedo/ Icaraí – Niterói, podemos imaginar o trauma do ciclista, que por sorte sobreviveu. Depois de ter sua bicicleta imprensada por um ônibus da Auto Lotação Ingá, ciclista está sendo processado, pelo dono do automóvel estacionado. Parece inacreditável mas o corretor de imóveis da Júlio Bogoricin, Júlio César Borges da Silva; e seu advogado, Rômulo de Abreu Rodrigues Alves, estão pedindo RS 13.560, 00 do ciclista que foi imprensado por um ônibus no seu carro estacionado, sendo R$ 799,18 pelo arranhão sofrido no carro e, R$12.000,00 por danos morais. Em um momento que todas as cidades vêm se mobilizando para proteger, e ampliar, o uso das bicicletas, o corretor e seu advogado transformaram o ciclista-vítima, em réu. Sem ciclovias adequadas e sem o respeito de muitos motoristas, os ciclistas ainda podem passar pelo transtorno de um processo judicial e o prejuízo de pagar um advogado, após sofrer uma infração grave, segundo o Código de Trânsito Brasileiro.”
É algo impressionante não acham?

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sexta-feira, 23 de março de 2012

"Quando olhar para trás, o que Thor terá aprendido ao levar em conta a rapidez com a qual este capítulo de sua vida foi encerrado?"

"Quando olhar para trás, o que Thor terá aprendido ao levar em conta a rapidez com a qual este capítulo de sua vida foi encerrado?"


 


Bom-mocismo para o Oscar
VRRRUUUM! Os fatos se passam diante de nossos olhos na velocidade de um F-1. Numa rodovia, o filho do magnata Eike Batista não enxerga um ciclista que volta do trabalho e passa por cima dele. A cegueira chega a ser emblemática de nosso conflito de classes.
No dia seguinte, já está tudo ter­minado. As declarações são dadas, um teste de bafômetro é apresenta­do como troféu, o rapaz se entregou às autoridades espontaneamente.
Em um país em que os ricos estão eter­namente entregues à esbórnia, quem cumpre minimamente as normas acaba virando herói.
Não interessa mais a ninguém que o ajudante de caminhão Wander­son Pereira dos Santos tenha tido o corpo estraçalhado e a vida brutalmente interrompida. Ainda foi acusado por Eike Batista de imprudência. Nós já mudamos de página, esta­mos em outra.
Não uso "nós" para me distanciar, moralizar e apontar o dedo, não. Onde estão as testemunhas que vi­ram o carro chegando a um milhão por hora? Onde estão as provas da polícia técnica que podem nos di­zer a velocidade em que ele estava? Ninguém quer saber disso, eu in­cluída, porque quando olhamos pa­ra o rapaz o enxergamos como um pinti­nho molhado perdido na chuva.
O vimos crescer, filho da mulher que andava de coleira e trocou o marido por um bombeiro. Ele e o irmão, alunos do colégio alemão, de cara fechada nos desfiles de escola de samba ao lado da mãe, quem não se lembra? Cá entre nós, não há aí um embate terrível entre informa­lidade e rigidez?
Aliás, para o meu gosto, sobram componentes alemães na história: carro parcialmente alemão (que, aliás, já dormiu na sala de estar), educação alemã e, veja: quando Ei­ke diz que a presença de Wander­son, a vítima, na rodovia poderia ter matado outras pessoas, será que ele não está expressando o desejo de que o filho trafegasse em uma "au­tobähn"? Xerém está longe de ser uma via para se andar a 300km/h, estrada brasileira é coalhada de pe­riquito, pedestre e patinete -imagi­no que Eike saiba disso.
E não importa quanto dinheiro você tem ou se bebeu da cartilha de Bismarck e Metternich. Deve ter um mínimo de bom-senso e resistir à tentação de compensar com brin­quedinhos como um carro com motor de F-1.
Moleque tem pinta de He-Man, nome de Deus escandinavo e anda por aí com um modelo de carro do qual existem apenas 3.500 cópias no mundo. Isso aos 20 anos. O que ganhará quando fizer 21? A feira de um Airbus A380? A feira de Le Bourget inteira? Em nenhum lugar do mundo você consegue fazer o seguro de um carro esportivo da cilindrada no SLR McLaren para ser conduzido por pessoas com menos de 25 anos.
Quando olhar para trás, o que Thor terá aprendido ao levar em conta a rapidez com a qual este capítulo de sua vida foi encerrado?
No Livro "A Fogueira das Vaida­des", o milionário de Wall Street, Sherman McCoy, é massacrado por fazer a coisa errada em uma si­tuação de atropelamento. Em vez de ir às autoridades e contar a ver­dade, ele peca por omissão.
A família Batista escolheu a estra­tégia inversa. Colocou Thor na li­nha de frente desde o primeiro mo­mento. Mas o ambiente controlado em que a exposição se deu, com se­guranças barrando o caminho da imprensa, o pai falando pelo filho em tom arrogante e culpando a víti­ma sempre que pôde e a voz de Thorzinho ocupando todos os es­paços do Twitter nos fazem crer que estamos diante de uma ence­nação épica de bom-mocismo.
Tomara que o Ministério Público esteja à altura do desafio.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Quando Thor Encontrou Wanderson

Quando Thor Encontrou Wanderson

Por Paulo Nogueira

Thor

Os dois têm, em comum, o nome estranho e improvável e a nacionalidade brasileira.
Thor e Wanderson.
O resto são diferenças que jamais os levariam a se encontrar. Thor, 1%, para usar a expressão consagrada no protesto Ocupe Wall St, anda num carro de quase 3 milhões de reais, uma McLaren. As multas por excesso de velocidade que Thor recebeu no período “probatório”, em que o motorista é testado logo depois de receber carteira de motorista, deveriam tê-lo impedido de dirigir.  Mas regras no Brasil não costumam ser aplicadas para o 1%. A família de Thor tem dinheiro e as conexões que isso traz: não há muito tempo, o governador do Estado tomou carona no helicóptero do pai de Thor, um homem cuja maior ambição não é ser o homem mais sábio do mundo,  ou o mais feliz, ou o mais generoso — e sim o mais rico, um recordista de moedas.
Wanderson é o 99%. Bicicleta em vez de McLaren, e não por modismo ou por consciência ecológica. Simplesmente por necessidade. Feio por não ter a boniteza outorgada pelo dinheiro: não poderia comprar o corpo de jogador de rugby adquirido por Thor com duas horas de exercícios diárias, e nem as roupas, e nem os produtos de beleza. Pobre não pode aspirar a grandes feitos estéticos, e nem pequenos, para ser franco.
Wanderson
Contra todas as probabilidades, Thor e Wanderson, com suas vidas paralelas e opostas, acabaram se encontrando na noite de sábado, numa estrada.  Foi um encontro rápido. Thor em sua McLaren e Wanderson em sua bicicleta. Thor mal viu Wanderson. Salvo em circunstâncias excepcionais, os 99% são invisíveis.
No final da reunião relâmpago, Wanderson estava em pedaços, destruído pela McLaren. A imprudência, segundo o pai de Thor, foi de Wanderson.  Não há surpresa nisso porque no Brasil a culpa sempre foi dos 99%.
E agora Thor retoma sua vida de herdeiro enquanto Wanderson lentamente vai desaparecendo de nossas mentes e de nossas conversas até ser devolvido à miserável invisibilidade em que esteve imerso até o breve encontro de sábado à noite.