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domingo, 25 de dezembro de 2011

Atuação da Ajufe reflete vingança, diz magistrado

Atuação da Ajufe reflete vingança, diz magistrado  

"Sinto vergonha desse protagonismo oportunístico"



O texto a seguir é de autoria do juiz federal Roberto Wanderley Nogueira, da 1ª Vara Federal de Pernambuco. Trata do esvaziamento das atividades de investigação do Conselho Nacional de Justiça e critica a atuação da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) contra a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon.

Eis que estou entre os Juízes há 30 anos e sei bem que somos feitos da mesmíssima matéria que todos os mortais. Também por isso, não vejo como razoável a decisão de cassar os já minimalistas poderes do Conselho Nacional de Justiça, ainda em consolidação.
Como Conselheiro, talvez não votasse para aprovar o Regimento Interno com aquele estranho permissivo (fazer levantamento de dados sigilosos sem autorização judicial prévia), mas, havendo ferramenta jurídica para atuar as investigações de Estado, bem ou mal construídas do ponto de vista da interpretação constitucional (art. 103-B, § 4º, da CF), por que não o fazer, enquanto autoridade administrativa e fiscalizadora? Afinal, o princípio cardinalíssimo prevalecente à Administração Pública é o da legalidade estrita.

Quem não deve, simplesmente não há de temer coisa alguma, e nem de irritar-se com isso!

Um já mencionado e também materializado sentimento corporativo de ir buscar da Ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, alguma espécie de compensação pela quebra de nossas expectativas na carreira traduz, se bem refletido, um sentimento vinditário.
Os Magistrados precisamos fazer essa autocrítica, se é que desejamos manter a autoridade da crítica corporativa à corajosa atuação da Ministra referenciada, que, para mim, não merece ser censurada - e tanto menos execrada - pelos seus iguais, pois seu único pecado foi ser implacável contra a corrupção em nosso meio. Eventuais críticas se bastam a si mesmas e não devem desbordar aos desvãos do subjetivismo.

De fato, não há como sequer cogitar de enredos de representação, porque a atividade, até aqui tida como "abusiva", está referenciada no Regimento Interno do CNJ, o qual permite um tal tipo de investigação excepcional. Ora, se abuso houvesse, será esse abuso devido exclusivamente ao poder de regulamentação de todo o Órgão de Controle Externo (que aprovou Resolução nesse mesmo sentido com apoio expresso na Constituição Federal) e não, subjetivamente, à autoridade de um só de seus agentes, no caso, a Corregedora Nacional de Justiça.
É equivocado imaginar que ela cometeu "abuso", portanto. Atua dentro do figurino legal. Se é certo ou errado esse figurino institucional, eis aí uma outra história a debater. Portanot, não se vá eleger culpados a uma causa de fundo claramente institucional, ou sequer insinuá-lo. É injusto e não fica bem a Magistrados!

Ademais, não vejo muito sentido a um agente público, qualquer que seja ele, e que recebe do povo, deixar de ter seus registros pessoais transparecidos à luz do dia e sobretudo àquele que lhe paga, lhe sustenta e é o seu patrão. Nenhum Juiz deveria se recusar a exteriorizar a sua vida financeira, pois sua riqueza é comumente o resultado de seu trabalho, pago pelo dinheiro público em face de seu exercício funcional.

Há de se permitir ao Magistrado, outrossim, o direito de ter o seu próprio entendimento sobre o assunto que escapa à edição de notas corporativistas descoladas de qualquer justificação colegiada ou fundada em alguma interpretação sectária dos Estatutos, e de expressá-lo também com a mesma eloquência e o mesmo destaque do que se discorda.

Montar um Manifesto de repulsa a um desatino político das lideranças corporativas é preservar a própria história diante da sociedade aturdida com tantas agressões à causa da Justiça. Todo Juiz tem o direito subjetivo de não ver associada sua imagem, sobretudo quando à sua revelia, a uma iniciativa lamentável como aquela do tipo de se pedir a cabeça de quem quer corrigir os malfeitos, de quem se determinou, resoluta, a combater a corrupção no meio judicial brasileiro.
A propósito, os meus próprios dados estão disponíveis faz tempo, não vejo problema algum em ser analisado quanto à vida minha pessoal, porque sou agente público. Como tal o meu patrimônio é fruto do meu trabalho, de um lado, subsidiado por dinheiro público em face da Magistratura. Quem tiver outras rendas, como eu também as tenho do trabalho como Professor, declare-as ostensivamente.

Com efeito, o povo tem o direito inalienável de saber se eu estou me conduzindo fielmente em relação a esse dinheiro que eu recebo em razão do meu trabalho assalariado na Magistratura.
Quem se dispuser a ter uma vida mais livre, com maiores perspectivas de ganhos financeiros (sem embargo de um salário justo e diferenciado aos Magistrados em geral que os permita não sofrer dificuldades domésticas para manter-se a si mesmo e aos seus dependentes), que siga, sobranceiro, para outras profissões, que sejam liberais, privadas, sujeitas ao comércio e às possibilidades de fazer negócios que fascinam pelos resultados que proporcionam. A Magistratura não é lugar para isso! E nem é, tampouco, emprego de luxo para quem não se dispõe a trabalhar para valer nesse exercício.

Ao fim, essa infeliz iniciativa conjunta das Associações que se comenta é o maior paradoxo que eu jamais pude presenciar em toda a minha vida judicial (30 anos) e associativa. E veja que já fui como que até expulso de quadro associativo no passado de onde permaneci excluído por uns 10 anos.

Sinto vergonha desse protagonismo oportunístico e vinditário que leva em conta a destruição das boas intenções de uma autoridade que deseja banir a corrupção de nosso meio, e este é precisamente o seu único "pecado". Esse combate, além do mais, traduz um propósito bem tardinheiro e já deveria ter sido há muito empreendido. Não se vai construir coisa alguma dessa forma, buscando-se a depreciação dos justos. Antes, seria fundamental dialogar. Isso, pelo visto, não tem acontecido e nem parece do interesse das lideranças atuais da categoria de Magistrados construírem canais de comunicação para isso. Em tudo lamentável!

Os esforços da Ministra Eliana Calmon, sobre serem penosos e exigentes, constituem um momento histórico de singular importância na construção da cidadania brasileira e na consolidação de nossas instituições democráticas. É o reconhecimento que professo sem medo de errar.



domingo, 25 de setembro de 2011

Datena: jornalista ou oportunista?

Datena: jornalista ou oportunista?



José Luiz Datena, apresentador do programa “mundo cão” Brasil Urgente, está em evidência. Em agosto passado, ele voltou à Band após curta e suspeita passagem pela Record. Agora, ele insinua que quer ser candidato em 2012. Nas estações do metrô paulista, ele aparece em outdoors com pinta de xerife. Datena é jornalista ou mais um oportunista que se aproveita da exposição midiática?
Para o crítico de mídia Nelson de Sá, colunista da Folha que destoa do “pensamento único” deste jornal, “Datena explora suicídio [do aluno de 10 anos que atirou na professora em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo] para ter audiência ou ‘algo mais’”. Mauro Malin, do Observatório da Imprensa, também critica o sensacionalismo oportunista do apresentador.
Salvador da pátria ou palhaçada?
O “algo mais” insinuado por Nelson de Sá se refere às pretensões políticas de Datena. Em recente entrevista à coluna Zapping, do jornal Agora São Paulo, ele admitiu essa possibilidade e, arrogante, posou de salvador da pátria. “A gente vê tanta palhaçada por aí. Às vezes, tenho vontade de me candidatar para corrigir as coisas de dentro, já que como jornalista não tem adiantado”.
As tratativas para disputar a prefeitura paulistana em 2012 já estariam adiantadas. Para valorizar seu passe, Datena garantiu que foi sondado por vários partidos, mas que “o Kassab não me chamou”. Maroto, disse que ainda resiste à tentação. “Se me fizerem mudar de idéia é outra coisa”. Segundo Flávio Ricco, do UOL, “duas ou três reuniões” já ocorreram para tratar da candidatura.
Sensacionalismo e negócios milionários
Como afirma Mauro Malin, “o fenômeno dos apresentadores sensacionalistas que migram para a política partidária é antigo. O radialista Afanásio Jazadji, defensor da pena de morte (se fosse a plebiscito hoje, seria aprovada), elegeu-se deputado paulista pela primeira vez em 1987. E estava longe de ser um pioneiro”. A exploração da barbárie é o palanque destas estrelas midiáticas.
Datena, que iniciou sua carreira com posições mais independentes e progressistas, é hoje um típico explorador do mundo cão, da violência e da baixaria. Sensacionalista, ele nem esconde mais suas posições de direita. Ele também é muito chegado aos negócios milionários. Em meados deste ano, ele participou de uma estranha transação envolvendo duas emissoras de televisão.
Record aciona a Justiça
Ele deixou a TV Bandeirantes para apresentar o programa Cidade Aberta, da Record. Para isso, a emissora aceitou suspender uma multa de R$ 15 milhões, referente à outra rescisão contratual de 2003. O novo emprego, porém, durou somente dois meses e Datena retornou à Band. A Record afirma que o apresentador foi desonesto e já acionou a Justiça, exigindo agora R$ 45 milhões de multa.
Para quem aspira ser prefeito de São Paulo, o apresentador sensacionalista tem bom faro para os negócios!
Altamiro Borges
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