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sábado, 28 de abril de 2012

"Brasileiro é falso moralista e duas-caras quando se trata de sexualidade"

"Brasileiro é falso moralista e duas-caras quando se trata de sexualidade"


Para historiadora, o papel da igreja na formação da nossa sociedade a formar a dupla moral brasileira. Use o campo de comentários desta página para opinar sobre o temaCléo Francisco, Do UOL, em São Paulo
No carnaval, os desfiles das escolas de samba mostram mulheres seminuas a sambar. Emissoras de TV fazem a cobertura dos bailes gays nessa época. Telejornais exibem imagens da folia nos blocos em todo país onde a sensualidade rola solta. Fora do Carnaval, São Paulo celebra a diversidade sexual e vira palco de uma das maiores paradas gay do mundo. Em 2009, a universitária Geisy Arruda teve de sair da faculdade em São Bernardo do Campo (SP) escoltada por policiais e ouvindo xingamentos por usar um vestido considerado justo e curto. A intolerância também frequenta a Avenida Paulista, local cujas câmeras ali instaladas costumam registrar, com frequência, ataques a homossexuais.
“A mesma avenida que abriga uma das maiores paradas gay do mundo é o lugar onde se mata homossexuais. É inadmissível. Somos pessoas de duas caras, falsos moralistas”, afirma a historiadora Mary Del Priore, que estuda a sexualidade no Brasil ao longo dos séculos. Mary acaba de lançar o livro “A Carne e o Sangue” (Editora Rocco), que aborda o triângulo amoroso constituído por Dom Pedro I, a Marquesa de Santos e a imperatriz Leopoldina. “D. Pedro dizia que fazia ‘amor de matrimônio’ com Leopoldina e ‘amor de devoção’ com Domitila. Do sangue nobre cuidava a mulher, que lhe dava os filhos e era a matriz. O prazer era com a outra. A imperatriz era muito religiosa e tinha horror ao sexo. A marquesa, ao contrário. E D. Pedro era um inconsequente machista, que teve dezenas de amantes”, conta Mary.
Segundo a historiadora, o papel da igreja na formação da nossa sociedade no século 19 ajudou a formar essa dupla moral. “A casa tinha de ser o exemplo da sagrada família de Maria, José e Jesus, voltada para os valores mais altos que preconizava a igreja católica. A igreja consagra o matrimônio como obrigatório. Mais do que isso: o sexo dentro do casamento tinha de ser higiênico e a única preocupação era a reprodução”. De acordo com a pesquisadora, a igreja regulamentava inclusive o que deveria acontecer entre quatro paredes.
“Os beijos eram condenados. Os padres confessores perguntavam o que as pessoas faziam no quarto e reprovavam todo tipo de toque no corpo com objetivo de ter prazer. A posição da mulher sobre o homem era contrária à lei divina. E ficar de quatro seria uma forma de animalizar o ato. Esse casamento sem prazer vai incentivar o sexo prazeroso fora de casa”, declara a historiadora. E ela inclui outro exemplo da ambiguidade moral do brasileiro: as pornochanchadas da década de 70. “Há vários estudos que mostram que esse foi um momento de revolução sexual. Mas uma característica comum nesse tipo de filme é que o homem que pega todo mundo está sempre atrás de uma virgem. E a prostituta sonha com casamento de véu e grinalda. No Brasil, a mulher sempre teve de ser pura, virgem, não saber de sexo. Isso depunha contra o sexo feminino até pouco tempo”, comenta Mary.
Homossexuais são assassinados e mulheres mentem sobre parceiros
O preconceito contra as mulheres que praticam sexo livremente permanece, segundo Mirian Goldenberg, antropóloga e professora na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).  ”Estive na Suécia fazendo pesquisas sobre as mulheres. Lá, elas não são julgadas pelo comportamento sexual, se teve 20 parceiros ou um. Aqui as meninas mentem. Elas me dizem que se falarem que tiveram mais de três parceiros não arrumam namorados. E olha que estou falando de jovens que estudam ciências sociais”, diz Mirian, que acrescenta: “No Brasil,  ter marido e constituir família é de um valor enorme para a mulher. Numa cultura assim, é difícil ter liberdade sexual. Conheço algumas que têm medo do porteiro do prédio. Homem entra com dez mulheres no apartamento sem nenhum problema. Elas não fazem isso. Esse tipo de preconceito afeta o cotidiano  e já deveria para ter acabado”, afirma a antropóloga que estuda a sexualidade na classe média carioca desde 1988 e é autora dos livros “Toda Mulher é Meio Leila Diniz”  e “Por Que Homens e Mulheres Traem?” (Edições BestBolso).
O preconceito pode assumir formas agressivas e terminar em mortes como mostra o Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais do Grupo Gay da Bahia. De acordo com o documento, em 2011, ocorreram 266 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no país. Isso significa um aumento 118% desde 2007, quando foram registrados 122 casos. Esses números foram obtidos através de pesquisas em jornais, internet e notificação de pessoas ligadas às vítimas.
Embora os dados alertem para a violência cometida contra esses grupos, mostram também uma mudança social, de acordo com Sérgio Carrara, professor de antropologia do Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e coordenador do Centro Latino Americano Em Sexualidade e Direitos Humanos. “Acho uma modificação importante no cenário a maior visibilidade que os crimes homofóbicos estão tendo na mídia. Começa-se a discutir e reconhecer a existência dessa situação. Vivemos um processo histórico, onde está se exigindo respeito e reconhecimento. Mas isso produz reações e situações de conflito de moralidades distintas”, comenta o professor.
Para o psiquiatra e sexólogo Ronaldo Pamplona da Costa, a ignorância está na raiz do problema. “Todo preconceito com relação à sexualidade é baseado na falta de conhecimento sobre o assunto. De uns anos para cá, começou a ser tratado como impróprio mostrar preconceitos sobre sexualidade. As pessoas passaram a posar de conhecedores ou liberais quando nem entendem do assunto. Isso resulta no brasileiro falso liberal”, diz o médico, autor de “Os Onze Sexos” (Editora Gente), lançado em 1994 no qual abordou os cinco tipos de sexualidade  para homens e mulheres (heterossexualismo, homossexualismo, bissexualismo, travestismo e transexualismo), acrescidos de um  11º grupo chamado de intersexo, onde estão agrupadas pessoas com defeitos físicos internos ou externos na região genital como hermafroditas, por exemplo. ”Na época, sabia-se só sobre o heterossexualismo e colocava-se na mesma sacola do homossexualismo todas as outras sexualidades”, diz Ronaldo.
Para dar uma ideia do desconhecimento sobre a sexualidade, o médico cita a própria categoria profissional. “Na faculdade de medicina não tem estudo da sexualidade nos aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Só  como funcionam os órgãos genitais com vistas à reprodução”, diz o psiquiatra. “Ninguém nasce preconceituoso. Ao longo da educação as pessoas vão assimilando isso. Um homossexual pode ser preconceituoso em relação à própria sexualidade em alguma medida porque, no geral, fomos criados para sermos heterossexuais”,  fala Ronaldo, relatando que, recentemente, atendeu em seu consultório uma jovem universitária que se assumia homossexual, embora não tivesse tido a prática, e que já havia feito amplas pesquisas sobre o tema. “Depois entrou a mãe dela, sozinha, uma mulher com curso superior, dizendo que não aceitava de forma alguma essa situação e que faria tudo para que a filha deixasse de ser homossexual.”
Caio Guatelli/FolhapressPreconceito: modo de combater
Para que homens e mulheres possam exercer livremente a sexualidade, sem medo de se tornarem vítimas de ataques de qualquer natureza, serão necessárias muitas mudanças, segundo os especialistas.  ”Temos liberdade política, mas não somos cidadãos. Democracias requerem esse sentimento. E não temos isso porque não temos educação”, diz Mary Del Priore, que ainda faz críticas às mães. “Elas dão no leitinho para o filho homem a superproteção, a homofobia. É uma mulher que adora ser chamada de gostosa, que se identifica com mulher fruta, para quem mulher inteligente é sapatão. É a mãe a figura que transmite esse preconceito e essa dupla cara”, diz a historiadora.
Mirian Goldenberg pensa da mesma forma. “O valor da brasileira sempre foi muito associado ao seu corpo, que tem de ser sexy, seduzir. Uma mulher alemã, por exemplo, é poderosa porque tem cargo de chefia, dinheiro, pode decidir, é algo objetivo. O poder da brasileira sempre foi associado à sexualidade dela para a sedução do outro e não para o próprio prazer. Todo o peso do julgamento tem a ver com a imagem corporal que ela constrói”, diz Mirian, que acha mais complicado lutar contra o que chama de preconceito invisível.
“As atitudes mais violentas de intolerância acabam indo parar na TV e geram movimento de repúdio. Mas ao nos submetermos mentir no dia a dia, ter medo do julgamento do porteiro, evitar o decote para não sofrer preconceito, nós só o reforçamos”, diz Mirian, que cita uma figura famosa por quebrar tabus nos anos 60. “Como Leila Diniz acabou com o estigma da mulher grávida não poder mostrar a barriga? Foi para a praia de biquíni dizendo que a barriga era linda. E hoje todas as gestantes podem fazer isso. Esse preconceito invisível é mais difícil de acabar”, diz Mirian.
Para Sérgio Carrara, é possível construirmos uma nova moral sexual. “Temos um processo de conflitos que envolve movimento LGBT, imprensa, sociedade civil, políticos. São forças que querem traçar uma nova moralidade sexual que não seja baseada na discriminação. Mas há também uma reação a isso, seja na forma de violência física ou simbólica. E as escolas são fundamentais nessa construção que deve ser  baseada em liberdade, igualdade e dignidade, na qual a orientação sexual das pessoas diz respeito apenas a elas. Ao considerar esses princípios, os preconceitos e estereótipos tendem a desaparecer.”

Vi no Combate ao Racismo Ambiental

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O samba do machista

O samba do machista

por Talita R da Silva no Jardim de Lilith

Que namorado fofo... Esta tira é parte da série Samira e o machismo do Paulito

Os homens machistas são pessoas muito interessantes de se analisar, dado o fato de agirem mais como objetos do que propriamente como seres humanos capazes de empatizarcom a subjetividade alheia. Talvez, seja um traço de sociopatia. Talvez, reflita apenas a atitude de alguém que não teve de lutar por seu espaço na sociedade, uma vez que sempre pertenceu ao lado privilegiado da moeda. Todavia, certamente, é a atitude de quem tem certeza de que o mundo está de ponta cabeça, já que ele não concentra mais todo o poder de liderança, apenas pelo fato de ter nascido homem, branco e manter relações heterossexuais.
No fundo, todo machista é ressentido perante à mudança. Ressente-se porque a mulher, que ele escolheu, não o escolheu. Ressente-se porque a faculdade, que ele acha que merece tê-lo como discente, exige vestibulares. 

Ressente-se porque o emprego, que ele acha que deveria ser seu, exige a realização de testes psicológicos e de aptidão. Enfim, o machista age como um homem profundamente ressentido porque, nessa nova ordem, ele precisa dedicar-se muito mais para atingir seus objetivos. Apesar de sabermos que a meritocracia ainda não é uma realidade, dada a existência de favorecimentos sociais inerentes, o machista acredita, piamente, que o mundo está conspirando contra ele.

Como assim, a mulher pode se negar a estar na presença de um homem como ele? Como ela pode preferir outro? Como ela pode ousar escolher?
Eles têm razão em odiar os novos tempos, porque, se fossehá algumas décadas atrás, um homem branco e com propriedades não precisaria se fazer interessante para ser desejado, bastaria bater um papo com o papai patriarca e ele teria a mulher de seu desejo. Ele poderia ser feio, ridículo e ainda assim exigir uma mulher com traços invejáveis. Ele poderia ser estúpido e grosseiro e, ao mesmo tempo, exigir que a mulher tivesse atitudes gentis. 

Ele poderia ser absolutamente egoísta e obrigar sua esposa a agir de forma abnegada e altruísta. Enfim, antes do feminismo, não vivíamos relações de simetria. As mulheres eram obrigadas a aceitar as relações que os homens escolhiam, da forma como lhes parecia agradável. Por isso, machistas odeiam o feminismo. Sim, assumo que somos nós as culpadas por eles perderem boa parte de suas regalias! E espero que percam todas elas! Porque, apenas quando não houver mais privilegiados, estaremos aptos para construir um Estado verdadeiramente democrático.

No entanto, a maior parte dos machistas já se deu conta que buscar privilégios, a qualquer custo, não é nem um pouco saudável e, felizmente, estão sendo, cada vez mais, combatidos socialmente. Mas, e se fosse apenas uma piada?

Ah, o carinha não é machista, só faz piadas machistas. Ele até pode estar tentando (não conseguindo) mudar, mas as feministas parecem não ter senso de humor e sempre pegam no pé desses coitados.

Fico com tanta pena dos machistas em redenção que, agora mesmo, quase fui surpreendida por uma lágrima de crocodilo... Veja-se um exemplo de situação embaraçosa, alguns alunos do curso de direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) resolveram criar um manual do calouro descontraído, uma piada para relaxar o ambiente (sobretudo, para os garotos...), cuja temática era "como se dar bem na vida amorosa utilizando a legislação brasileira", uma "brincadeirinha" que ensinava, dentre outras coisas, que o homem deveria exigir o cumprimento de certas atitudes, como "ela vai ter que dar tudo de uma vez".

Claro que o homem exigir sexo sem ter conquistado isso é seu direito legal, confere? Não! Mas, sinceramente, o que mais me constrange em casos semelhantes não é um babaca metido a engraçaralho escrever e praticar esse tipo de (péssimo) humor, mas que eles se juntem para elaborar esse tipinho de "brincadeirinha". Fico imaginando a cena:

_Essas mulheres estão causando danos ao meu patrimônio pessoal. Meu bilau fica lá todo iludido (por mim mesmo), mas quando chega a hora H (H de homem, ok?), como eu sou um juquinha mesmo, elas me deixam na mão, literalmente. Vamos fazer um manual explicativo, utilizando nosso pré-juridiquês, para obrigá-las a nos proporcionarem sexo? Porque você sabe que a gente tem de apelar a segundas instâncias para conseguir sexo...

_Claro, Juquinha! Deve haver mais confrades na mesma situação "penal" que nós.
E aí, eles lançaram esse primor de obra literária, contendo oito páginas. Em seguida, muitasfeministas já estavam apontando os perigos desse tipo de brincadeiras. Poxa, não se pode mais nem brincar com a violência sexual nesse país, que as feministas já pegam no pé desses coitados. Eu quase os compreendo. Só preciso perder mais metade do meu cérebro, que eu chegarei nessa lógica que culpa quem aponta o preconceito e não quem o comete.
E é por isso que digo que o samba do machista é algo a ser apreciado por tod@s nós, sempre com muito bom humor. Afinal, ninguém aqui quer ser chamada por senhores ressentidos historicamente de feminazi mal-comida, não é mesmo?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Menina-mulher-objeto

Menina-mulher-objeto

CartaCapital



Fotos erotizadas de modelo de 10 anos para revista de moda expõem relações entre sexualidade e juventude que pautam adultos de hoje. Foto: Reprodução
Andar pela casa com os sapatos de salto alto da mãe, colocar seus brincos e pulseiras, batom e perfume… Que menina nunca fez isso? Que menina não quis vestir os signos da mulher adulta e imitá-la? É assim que crescemos, nos espelhando nos outros; buscando, por meio dos gestos copiados, um modelo a seguir, uma orientação para ser. A mola mestra da vida está em seguir exemplos. Fazemos isso com pais e mães, mas também com artistas, professores, enfim, com aqueles que chamam a nossa atenção e provocam o nosso interesse.
Mesmo já adultos, são os outros que nos inspiram e que imitamos: nos vestimos como se vestem os profissionais da nossa área, por exemplo. Agimos e falamos como eles, frequentamos os mesmos lugares e adotamos para nós os fins e valores que eles têm.
Portanto, brincar de ser adulto, sob essa ótica, não só é algo corriqueiro para as crianças como também esperado. Não nos causa estranhamento desde que, nesse terreno, não adentre nenhum toque de sexualidade, como no caso das fotos da menina de 10 anos, Thylane Blondeau, para o mundo da moda. Ensaio de modelo e de que mais?
A mim, particularmente, as fotos incomodaram por terem um toque bizarro. A sexualidade antecipada de Thylane é uma fantasia que ela enverga como se fosse sua mais original realidade. Uma sexualidade, ao mesmo tempo, postiça e natural.  Sem dúvidas, precoce. Fruta verde colhida cedo demais.
Fiquei me perguntando, ao olhar as fotos, o que tudo aquilo significaria para a própria Thylane. E se ela entenderia os olhares que certamente a contemplariam. Compreenderia o desejo sexual? Saberia decodificar e lidar com a pedofilia? Saberia o significado de ser criança-mulher-objeto? Puro produto de consumo?
E a anorexia? Saberia que é uma doença e não um padrão estético? Nas fotos, seus bracinhos compridos parecem modelados por ela. Seu corpo todo controlado pelos critérios do mundo da moda: a escassez.
Penso que não só o corpo, mas toda sua vida deve ser parametrada pelas necessidades e ritmos da carreira escolhida (não -certamente por ela): horários de dormir e acordar, alimentos que consumir, férias, tempo para a escola, brincadeiras, companhias, interesses, objetivos, sentido da vida, enfim.
Temo que Thylane construa sua identidade a partir de uma circunstância de trabalho. E de uma circunstância que a condiciona a ser corpo em serventia, principalmente para os interesses anônimos do consumo. Seria uma identidade recolhida da sua condição prematura de mercadoria: sem vontade própria nem destino pessoal. Uma identidade a serviço do desejo (do outro), dos interesses (do outro), da admiração (do outro), da cobiça (do outro)…
As “Thylanes” da moda são meras imagens vestidas de erotismo e vendidas como tal.  Mas, se o mercado da moda chega a tanto, é porque recebe da sociedade seu consentimento. Nessas pequenas modelos se apresentam as duas consignações mais presentes em nossa sociedade: sexualidade e juventude. A elas, de um modo ou de outro, todos nos curvamos e por elas somos atingidos.
Juventude estendida
A sexualidade tem sido a exigência capital para quase todas as situações. Ela substitui o amor, a honra, a inteligência, a honestidade, o interesse pelo bem comum… E é requisito para a conquista de empregos, namoros e casamentos, autoestima, posição social etc. No dia a dia, são essas convocações da sexualidade que nos fazem frequentar academias, fazer dietas, nos equilibrar em saltos desconfortáveis e danosos, escolher o estilo das roupas. O insuportável é não ser (sexualmente) desejável.
A juventude tem sido o que rege a busca desenfreada pelas plásticas.  Aos 30 anos já são muitos os que recorrem a ela, não para corrigir imperfeições, mas para esconder os primeiros sinais da idade. O estilo do vestuário é todo determinado pelo gosto juvenil e os tamanhos pautados por essa faixa etária.
A juventude, porém, tem de ser cada vez mais extensa. Ela não é vista como um estiramento para a longevidade, mas em direção à infância. E quanto mais jovem aparentarmos ser, mais desejáveis seremos. Ser desejável é ser jovem, quase uma criança – assim é que sexualidade e juventude se conciliam.
Vestindo a criança com a moda adulta, podemos ter a ilusão de que é a vida adulta que impõe padrões à infância e a obscurece. Mas, se olharmos de perto, e com calma, compreenderemos que é da infância que a vida adulta tem retirado os padrões de seu comportamento e aparência.
Não é apenas a criança que se torna, através da sexualização precoce, adulta mais rapidamente. São os adultos que sonham em não crescer. E, inadvertidamente, acabam por construir