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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Olha que bacana: Brasil pode fabricar vacina contra Aids

Olha que bacana: Brasil pode fabricar vacina contra Aids

Marcelo Pellegrini na Carta Capital


Com tecnologia própria, o Brasil pode em breve dar uma contribuição significativa no combate à Aids no planeta. Desde 2002, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP tem obtido resultados concretos com experimentos em animais para finalmente desenvolver uma vacina contra a doença – a chamada HIVBr18. A fase final das pesquisas, que depende de testes em macacos e humanos, no entanto, ainda depende de vultuosos recursos financeiros.
A solução para este impasse financeiro pode estar em um edital do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fapesp. Em breve, o órgão de fomento à pesquisa no estado de São Paulo decidirá se aprovará um financiamento de 4 milhões de reais por ano, durante 11 anos de pesquisa, quantia suficiente para fazer a pesquisa deslanchar.

Jovem fica dentro de uma bolha, na Praça dos Três Poderes, para chamar a atenção sobre a exclusão vivida pelos portadores do vírus HIV. Foto: Antonio Cruz/ABr
Enquanto isso, a equipe já mantém um acordo firmado com o Instituto Butantã para realizar um teste piloto da vacina na colônia de macacos Rhesus do Instituto. O teste com os animais deve começar até o final de 2012, com os recursos que a equipe já recebe do Instituto para Investigação em Imunologia, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). “Antes de fazermos teste com os macacos Rhesus, ninguém presta muita atenção. Mas se conseguirmos completar esta etapa, as chances de financiamento podem aumentar”, prevê com otimismo o professor Edecio Cunha Neto, um dos coordenadores do grupo.
No ritmo atual de investimento, os primeiros testes-piloto com macacos devem acabar até o final de 2013. Cunha Neto explica que a escassez de investimento privado está relacionada à dificuldade em se criar uma vacina que para um vírus que sofre um alto número de mutações. “O risco de se fazer um investimento milionário em vacinas contra Aids que acabam se mostrando ineficazes é enorme. Por isso, nenhuma empresa se arrisca e ficamos dependentes do apoio das agências de fomento públicas”, argumenta.
A AIDS, contudo, não é a única doença em que a prevenção através de medicamentos é negligenciada pelos laboratórios privados. Muitas doenças que acometem os brasileiros, como a malária, a esquistossomose e a doença de chagas não são consideradas economicamente interessantes para os laboratórios, já que atingem regiões pobres do planeta.
Nesse sentido, caso a linha de crédito do programa Cepid-Fapesp seja aprovada, o grupo de pesquisa a que Cunha Neto pertence trabalhará no desenvolvimento de vacinas inexistentes por meio da criação do Centro de Novas Vacinas (CeNOVA).
“Muito além de procurar a vacina para a Aids,  o projeto CeNOVA significa a capacidade do Brasil de fazer parte do pool dos poucos países que possuem a estrutura para desenvolver novas vacinas inovadoras”, conta Edecio. Com essa estrutura permanente, o professor defende que o País terá o potencial para estudar e combater uma eventual nova epidemia e “sem depender de ninguém”. As vacinas desenvolvidas pelo grupo combaterão oito doenças – HIV, Tuberculose, Dengue, malária, HPV, Febre Reumática, Leptospirose e a bactéria Pneumococo.

Segundo a OMS, atualmente, existem 34,2 milhões de pessoas com o HIV em todo o mundo. Foto: tonrulkens/Flickr
Segundo a OMS, atualmente, existem 34,2 milhões de pessoas com o HIV em todo o mundo, sendo que somente no ano passado cerca 2,5 milhões de pessoas foram infectadas.
Funcionamento da vacina
A prevenção do vírus HIV é de extrema complexidade devido ao alto número de mutações que o vírus constantemente sofre. É por essa razão que o próprio sistema imunológico humano não encontra formas de combater o vírus. A partir disso, a equipe identificou regiões do vírus que são conservadas e comuns a todos os tipos e mutações do vírus, para, assim, permitir a criação da vacina. “Sabe-se que o vírus do HIV possui de 20 a 35% de diferença entre um vírus e outro. Após determinarmos as regiões comuns, trabalhamos em ter respostas imunes dirigidas a muitas regiões conservadas do vírus. Assim, conseguimos assegurar que a vacina gere repostas imunes eficazes contra a grande maioria dos vírus que uma pessoa possa se expor”, diz Cunha Neto.
Em um grupo estudado pela equipe da FMUSP formado pessoas que jamais tomaram a vacina, foram detectados 18 tipos de fragmentos de DNA conservados do HIV (que não mudam). O grupo constatou que o sistema imunológico de 90% dos pacientes infectados pelo vírus já respondiam a esses fragmentos naturalmente (ou seja, detectavam os fragmentos e os combatiam); os outros 10%, no entanto, já se encontravam com o sistema imune debilitado demais para reagir.
Nos testes com animais feitos até agora, a HIVBr18 já foi capaz de induzir uma potente resposta imune, com características parecidas com as outras vacinas eficazes contra outros vírus. No entanto, como os testes só foram realizados em camundongos, normais ou geneticamente modificados, os dados ainda são considerados insuficientes.
“Nossa vacina foi capaz de combinar e potencializar a ação de duas células do sistema imunológico humano: a CD8 – que destrói as células infectadas pelo HIV – e a CD4 – que fortalece o sistema imune através da produção de anticorpos e potencializa o efeito das células CD8”, conta Edecio. “Isso é um avanço muito importante.”
Segundo ele, no estágio atual, a pesquisa não trabalha para a eliminação do vírus, mas sim para que o infectado pelo HIV não evolua para os sintomas da Aids. “Trabalhamos para que a pessoa não desenvolva a imunodeficiência e para que o vírus fique em taxas baixas no organismo, o que impede a sua transmissão”, explica.
De acordo com o professor, isso é possível porque a vacina HIVBr18, além de reforçar as células que combatem o vírus, também pode ser capaz de melhorar a resposta de “anticorpos neutralizantes”. Ou seja, anticorpos que recobrem as proteínas que permitem que o HIV penetre nas células, formando, dessa forma, uma espécie de barreira que impede o vírus de contaminar as células. Atualmente, esta etapa da pesquisa é desenvolvida em parceria com a médica Daniela Santoro Rosa, da Unifesp.
Próximos passos
Após os testes em macacos, ainda será necessário testar o medicamento em humanos, o que, se levado até as últimas etapas, custará algo em torno de 100 milhões de dólares. O risco é alto. “O último exemplo foi da vacina das Indústrias Merck, que fracassou no teste em humanos. Por isso, é preciso ter dados muito consistentes no estudo em animais para atrair o interesse de empresas que invistam nas etapas mais onerosas do desenvolvimento”, diz Cunha Neto.
Nos dez anos de pesquisas do grupo, já foi gasto cerca de 1 milhão de reais. A tecnologia obtida até o momento com o desenvolvimento da vacina já foi patenteada no Brasil e nos Estados Unidos e tem como co-inventores o professor Jorge Kalil e a doutora Simone Fonseca, além do próprio professor Edecio Cunha Neto, todos da FMUSP.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Por que nós mulheres somos mais vulneráveis à AIDS?


Por que nós mulheres somos mais vulneráveis à AIDS?



Lembro-me de uma pesquisa sobre uso de camisinha, realizada pelo Ministério da Saúde recentemente (2009 ou 2010). As mulheres responderam muito menos vezes que usavam camisinha sempre. Conclui-se daí que nós usamos menos frequentemente camisinha pra transar. Ao contrário do que muitso discursos por aí fazem pensar, que o ato de "usar camisinha" é uma coisa simples, há várias nuances implicadas ali.

A primeira delas é o valor social do corpo. O corpo do homem em nossa sociedade machista e androcêntrica é tomado como um valor maior. Homens são ensinados desde muito cedo que devem fazer sexo com muitas mulheres e portanto protegerem-se. Via de regra, muitas mulheres são ensinadas o oposto: só devem fazer sexo com um, ou com a menor quantidade possível de homens, e que a proteção é uma escolha dele.


Infelizmente muitos homens ainda forçam a barra pra transar sem camisinha e, convenhamos, não é necessariamente fácil para uma menina ou uma jovem mulher (grupo que atualmente tem figurado entre os mais vulneráveis à contaminação pelo HIV) dizer "não", no meio da pegação, cheia de tesão. Impor uma decisão dela mas que também influencia no corpo do outro. Nós somos acostumadas a termos nosso corpo regulado pelos outros e não o oposto. Este é um ponto.

Outro ponto importante se conecta com resultados de outra pesquisa que saíram esses dias mas que ninguém parece querer cruzar com os dados sobre a AIDS: as mulheres jovens são pelo menos 75% das vítimas de violência sexual no Brasil. Quando fala-se em AIDS, parece que ela só é transmitida em sexo consensual. Uma campanha pelo uso de camisinha dificilmente vai fazer qualquer diferença na transmissão da AIDS pelo estupro. Depositar todas as fichas na "conscientização", como fazem as atuais campanhas e a maioria das ONGs aqui no Brasil, é um grande erro estratégico.

Ignora-se que nós mulheres além de vulneráveis à violência doméstica física, somos mais vulneráveis à violência sexual e à contaminação pelo HIV. Fazer de conta que todas as mulheres são empoderadas, senhoras de si, etc. é esconder a ligação entre estes três fatos. A transmissão maior de HIV para jovens mulheres não pode ser sanada pensando no HIV. Precisa ser questionada pensando no machismo que molda a posição que "ser mulher" significa hoje em nosso contexto social.

A camisinha precisa ser vista como uma das estratégias. Mas é só a pontinha desse horroroso iceberg.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Silvia Almeida do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas diz que a proposta de lei do DEM é absurda

Silvia Almeida do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas diz que a proposta de lei do DEM é absurda


Projeto de lei prevê prisão para gestantes com aids que não quiserem se tratar para proteger o feto. Cidadãs PositHIVas consideram iniciativa ‘absurda’



Autor do polêmico projeto, o deputado Mandetta, do DEM-MS___

A Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei, de autoria do deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM - Mato Grosso do Sul), que prevê prisão para as gestantes e seus parceiros que se recusarem a tratar doenças que causam dano permanente ao feto, como a aids e a sífilis. Para ativistas do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas, a proposta é “absurda”.

Mandetta revelou à Agência de Notícias da Aids que está ciente da polêmica que seu projeto pode causar, mas afirmou que a ideia é alertar as autoridades e a sociedade sobre a responsabilidade que os pais têm sobre os filhos. “O feto é um ser indefeso e a vida dele depende diretamente dos seus pais”, alegou.

Médico ortopedista e ex-secretário municipal de saúde de Campo Grande, Mandetta disse que no caso da sífilis, principalmente, não adianta a gestante realizar o tratamento se o seu parceiro sexual não fizer o mesmo. “É uma maneira de cobrarmos mais dos homens. Muitos deles sabem que estão colocando em risco o feto, mas não se preocupam”, justificou.

O deputado afirma que a lei seria válida apenas para as mães e pais que tiverem a consciência de que estão colocando em risco a vida dos filhos, e em casos que fique comprovada a possibilidade de condições sanitárias para o tratamento.

Sobre a pena de até três anos para os infratores, ele justifica que se baseou nas leis que penalizam, por exemplo, o aborto e a lesão corporal proposital.
“A transmissão vertical da aids e da sífilis podem ser evitadas, mas aqueles que não fazem esse tipo de prevenção consientimente estão, de certa forma, negligenciando o risco de morte de uma outra pessoa”, finalizou.

“Absurdo”
A integrante do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas Silvia Almeida disse à Agência de Notícias da Aids estar chocada com tal proposta. “Isso é ridículo”, afirmou.

Para ela, antes de pensar em qualquer tipo de lei na área da saúde que penalize às pessoas, é preciso garantir a integralidade dos serviços. “Nosso sistema de saúde é precário. Em muitos locais do país não há nem tratamentos básicos para algumas doenças. É comum, nós mulheres, por exemplo, termos que esperar de três a quatro meses para fazermos um exame de HPV. O atendimento de referência que temos em alguns lugares aqui em São Paulo não é padrão nacional”, disse Sílvia.

Jenice Pizão, que vive em Campinas e também integra o Movimento das Cidadãs PositiHIVas, criticou a proposta e disse que penalizar não é a solução. “Por que ele não propõe leis para obrigar a capacitação dos profissionais de saúde, para enfrentar o preconceito e para incentivar a educação na sociedade”, perguntou.

Simone Bitencourt, da cidade de Ponta Porã, também não concorda com esse projeto de lei. Para ela, que coordena uma casa de apoio a pessoas com HIV e aids no Estado que o deputado Mandetta representa na Câmara, também existem outras prioridade a serem discutidas em Brasília, como os direitos reprodutivos das mulheres soropositivas e a inclusão dessa população no mercado de trabalho.

No entanto, Simone ressalta a necessidade de se criar campanhas para conscientizar as mulheres que vivem com HIV no Mato Grosso do Sul sobre a importância de seguir o tratamento da aids e proteger seus filhos. “Aqui percebemos muitos casos, em especial nas populações indígenas, de mulheres que abandonam seus filhos por estarem infectados pelo HIV”, disse.

TramitaçãoO polêmico projeto de lei 1019/11 será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de ser votado em Plenário.

Você concorda com essa proposta?Até o encerramento desta reportagem, uma enquete promovida pelo site da Agência Câmara de Notícias indicava que 53% dos participantes da pesquisa estavam a favor deste projeto de lei, 28% contra e 19% não sabiam. Para opinar, acesse
aqui.


Lucas Bonanno na Agência AIDS

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Dia 1 de Dezembro - Dia mundial de luta contra Aids

Dia 1 de Dezembro - Dia mundial de luta contra Aids

O dia foi instituído como forma de despertar a consciência da necessidade da prevenção, aumentar a compreensão sobre a pandemia e promover análises da sociedade e órgãos públicos sobre a doença.

Neste 1 de dezembro de 2010 foram escolhidos temas relacionados ao preconceito ainda latente na sociedade de uma forma geral. “O preconceito apresenta-se como uma das maiores barreiras para quem vive com Aids, interferindo até na adesão ao tratamento. A Aids é uma doença crônica que possui tratamento e controle”, disse a técnica da Coordenadoria Estadual de DST/AIDS e Hepatites Virais, Marlene Plaster.


VIVER COM AIDS É POSSÍVEL. COM O PRECONCEITO NÃO.