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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Deus é contra as cotas?

Deus é contra as cotas?

por dennisoliveira - Revista Fórum / Quilombo
MOVIMENTAÇÃO NO CÉU
Movimentação no Céu. São Benedito, muito revoltado, chegou para Deus e disse: “Senhor, venho propor uma coisa para tornar o Céu mais justo”. Deus, espantado, perguntou: “O que, São Benedito?” e ele respondeu: “Não aguento mais este Céu cheio de anjos e santos brancos, proponho cotas raciais para o Céu”. Deus ficou estupefato com a proposta de São Benedito e mais ainda quando Nossa Senhora Conceição da Aparecida veio com mais esta: “Concordo e vou mais além: cotas para mulheres negras também, cansei de não terem santas negras”.
Deus ficou irado com as propostas dos santos e disse: “O que é isso, vocês estão loucos? Aqui é o Céu, não existe racismo por aqui!”. E aí São Benedito e Nossa Senhora Aparecida questionaram então porque havia uma maioria branca no Céu se a maioria da humanidade não era branca. “Mas não é uma questão de cor de pele, a beatificação de santos é uma questão de bondade, não se trata de uma seleção baseada na cor da pele”, disse Deus. São Benedito e Nossa Senhora Aparecida então retrucaram: “Ah, então o Senhor está dizendo que nós, negros, não somos bons o suficiente para sermos santos, é?” e Deus ficou um tanto contrariado, “imagine, claro que não, tanto é que vocês estão aqui”. Os dois interlocutores de Deus se entreolharam, “mas só nós e mais uma meia duzia?”, mas Deus arrematou: “Vocês acham que eu, Deus, com toda a minha sabedoria, sou racista? Ser humano é tudo igual, vocês é que estão sendo racistas e querem dividir a humanidade em raças.” São Benedito e Nossa Senhora Aparecida insistiram em questionar porque a maioria dos santos é branca. “É um problema da história da humanidade”. Os candidatos brancos a beatificação aproveitaram a deixa e mandaram o recado: “Concordamos com Deus, o racismo existe na humanidade mas não somos culpados disso, trata-se de um problema de bondade”.
ANALOGIA DO CÉU COM A USP
Movimentação na USP. Um aluno negro, muito revoltado, chegou para o Reitor e disse: “Reitor, venho propor uma coisa para tornar a USP mais justa”. O reitor, espantado, perguntou: “O que, aluno?” e ele respondeu: “Não aguento mais esta USP cheio de alunos e professores brancos, proponho cotas raciais para a USP”. O reitor ficou estupefato com a proposta do aluno negro e mais ainda quando uma professora negra veio com mais esta: “Concordo e vou mais além: cotas para mulheres negras também, cansei de não terem professoras e alunas negras”.
O reitor ficou irado com as propostas do aluno e da professora e disse: “O que é isso, vocês estão loucos? Aqui é a USP, não existe racismo por aqui!”. E aí o aluno e a professora questionaram então porque havia uma maioria branca na USP se a maioria da população brasileira não era branca. “Mas não é uma questão de cor de pele, a entrada na USP é uma questão de mérito, não se trata de uma seleção baseada na cor da pele”, disse o reitor. O aluno e a professora então retrucaram: “Ah, então o reitor está dizendo que nós, negros, não somos bons o suficiente para sermos da USP, é?” e o reitor  ficou um tanto contrariado, “imagine, claro que não tanto é que vocês estão aqui”. Os dois interlocutores do reitor se entreolharam, “mas só nós e mais uma meia duzia?”, mas o reitor arrematou: “Vocês acham que eu, um intelectual, com toda a minha sabedoria, sou racista? Ser humano é tudo igual, vocês é que estão sendo racistas e querem dividir a sociedade em raças.” O aluno e a professora insistiram em questionar porque a maioria dos uspianos é branca. “É um problema da sociedade brasileira”. Os candidatos brancos à USP aproveitaram a deixa e mandaram o recado: “Concordamos com o reitor, o racismo existe na sociedade mas não somos culpados disso, trata-se de um problema de mérito”.
NÃO É QUE CONSIDERO A USP UM CÉU, MAS QUE MUITOS INTELECTUAIS USPIANOS CONSIDERAM-SE DEUSES OU SANTOS E ACIMA DA SOCIEDADE.

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Gilberto Gil critica torcida "esbranquiçada" em Copas e propõe cotas

Gilberto Gil critica torcida "esbranquiçada" em Copas e propõe cotas

Durante entrevista coletiva que tinha como principal função divulgar o lançamento de sua biografia, “Gilberto Bem Perto”, mas que terminou por enveredar para diversos temas, o cantor Gilberto Gil criticou, na tarde desta quinta-feira (04), em Paraty (RJ), a ausência de acesso da população negra e pobre às partidas da Copa das Confederações e da Copa-2014, no Brasil, por causa do alto preço dos ingressos.
“Tem de haver uma mobilização autopromovida pelas favelas, pelas periferias, para suprir a carência que esses grandes eventos globais acabam impondo ao Brasil, que é a filtragem pelo preço dos ingressos”, teria dito o ex-ministro da Cultura, segundo informações da Folha, que afirmou ter ido ao Maracanã no último domingo, para a final entre Brasil e Espanha.
“Fiquei na tribuna de honra, ao lado do [Joseph] Blatter [presidente da Fifa], do Zagallo, Ivete Sangalo, Jorge Ben Jor. Quando cheguei em casa, vi pela TV que o lugar onde os jogadores correram para abraçar a torcida não tinha o matiz racial brasileiro, era esbranquiçado. Isso no Maracanã, onde as pessoas da Mangueira costumavam descer para ver os jogos.”
Segundo Gil, mesmo em Salvador --apontada como a que tem maior população negra do país--, a ocorrência se repetiu. “No jogo da Nigéria, na Bahia, onde a população negra baiana deveria ter sido mais mobilizada a participar, eu via que a questão econômica pesava muito. Portanto, seria interessante criar cotas, fazer uma mobilização para que esse arco-íris brasileiro ficasse mais bem representado nos jogos da Copa.”
O cantor ressaltou ainda o exemplo de um grupo de jovens paulistanos que procurou sua mulher, Flora Gil, para alugar um apartamento que ela tem em Salvador, onde o grupo iria assistir à partida entre Brasil e Itália pela Copa das Confederações. “Quem quer ir ver os jogos nos estádios, é só a classe média paulista, carioca etc.? Ou as periferias também querem? É essa a questão. Como é que a gente vai resolver isso, para ter uma pluralidade maior dentro dos estádios? Senão ficam só os cinco meninos de São Paulo, possivelmente descendentes de italianos, que podem pagar uma passagem de avião, que foram ver o jogo e aproveitaram para comer um acarajé, fazer um pouco de turismo em Salvador.”
Ao ser informado de que a Fifa tinha anunciado um projeto a fim de vender ingressos a preços populares, Gil lelencou outras sugestões. “Tem de haver vários meios. Um banco que pode criar um empréstimo, uma empresa qualquer que pode patrocinar aquilo ali, fazer com que os meninos da Rocinha, da Mangueira ou da Cajazeiras, em Salvador, possam comprar aqueles ingressos, pagar em três ou quatro vezes. Enfim, mobilizar. Há uma vontade da população brasileira de ir aos jogos. Como é que se atende a isso?”
O compositor lembrou ainda que a maior parte dos grandes jogadores da história do futebol nacional vêm justamente das camadas populares que não conseguem pagar o preço do ingresso para as grandes competições. “É a história do futebol, os grandes atletas no mundo inteiro vêm dessas classes populares. É de onde se origina o Hulk, o Neymar, o Romário, o Bebeto, o Ronaldo, o Garrincha, o Pelé.”
Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Índios protestam contra julgamento das cotas raciais e são expulsos do plenário do Supremo


Índios protestam contra julgamento das cotas raciais e são expulsos do plenário do Supremo


Daniella Jinkings
Agência Brasil
Brasília – Dois índios foram expulsos do Supremo Tribunal Federal (STF) por atrapalhar a sessão de julgamento da constitucionalidade do sistema de cotas raciais nas universidades públicas. Durante o voto do ministro Luiz Fux, os índios Araju Sepeti Guarani e Carlos Pankararu iniciaram uma manifestação no plenário e foram repreendidos mais de três vezes pelo presidente da Suprema Corte, Carlos Ayres Britto. Após alguns minutos, Britto suspendeu a sessão até que eles fossem retirados do local.
Com pedidos de socorro e gritos ofensivos aos ministros, os dois índios foram imobilizados e retirados à força por um grupo de seguranças do Tribunal. Os índios criticaram o fato de que só o sistema de cotas raciais esteja em julgamento. “Igualdade é negro, é cigano, é índio, são todos. Defendemos a cota para indígenas”, disse Carlos Pankakaru.
A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição federal de ensino a instituir o sistema de cotas, em junho de 2004. Atos administrativos e normativos determinaram a reserva de 20% das vagas a candidatos negros (pretos e pardos). A comissão que implementou as cotas para negros também foi responsável pelo convênio entre a UnB e a Fundação Nacional do Índio (Funai), firmado em 12 de março de 2004, para fdacilitar o acesso de índios ao ensino superior.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Cotas têm o propósito de promover diversidade étnica, defende Deborah Duprat

Cotas têm o propósito de promover diversidade étnica, defende Deborah Duprat



Vice-procuradora-geral da República Deborah Duprat | Foto: Valter Campanato/ABr
No Sul21
“Cotas com recorte étnico racial têm o propósito de promover a diversidade étnica e não resolver o problema social”, falou a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da reserva de vagas em universidades públicas com base no sistema de cotas raciais da Universidade de Brasília (UnB). “Não vamos, pelo simples fato de existir um novo direito, empoderar minorias até então silenciosas e sem direitos”, completou. Para ela, é preciso analisar com coração aberto o porquê de ações afirmativas de recorte étnico-racial provocarem tanto “desassossego”.
A ação foi ajuizada pelo DEM em 2009, argumentando que o sistema violaria diversos preceitos fundamentais fixados pela Constituição de 1988, como a dignidade da pessoa humana, o preconceito de cor e a discriminação, afetando o próprio combate ao racismo. A advogada voluntária do DEM, Roberta Kaufmann, fez a defesa da ação.
Após a defesa, participarão do julgamento, na condição de amigos da Corte (amici curiae), a Defensoria Pública da União, a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), o Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (MPMB), a Fundação Cultural Palmares, o Movimento Negro Unificado (MNU) e a Educação e Cidadania de Afrodescentes e Carentes (Educafro).
A UnB foi a primeira universidade federal a instituir o sistema de cotas, em junho de 2004. Atos administrativos e normativos determinaram a reserva de cotas de 20% do total das vagas oferecidas pela instituição a candidatos negros – entre pretos e pardos.
Além do sistema de cotas, o Programa Universidade para Todos (Prouni), alvo de ação direta de inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo DEM, e o recurso de um estudante do Rio Grande do Sul que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas de seu estado estão na pauta do STF.