Mostrando postagens com marcador índios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador índios. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Os engravatados correram, desesperados: Por que correram, deputados?


Os engravatados correram, desesperados: Por que correram, deputados?

A cena protagonizada pelos deputados seria risível se não representasse claramente o que pensam dos índios. Os engravatados correram, desesperados, quando viram um pequeno grupo de indígenas avançando  em danças rituais pelo meio do plenário. Para eles, aqueles homens e mulheres nada mais são do que selvagens, perigosos e ameaçadores. Não conseguem os ver como cidadãos brasileiros, iguais a eles em direitos e deveres. Os deputados correram por que? De medo? E por que teriam medo? Porque sabem muito bem o que fazem e como tratam os povos indígenas nesse país

Elaine Tavares - Brasil de Fato
As comunidades indígenas do Brasil estão em processo de crescimento. Desde 1991 , segundo mostraram os dados do IBGE, o aumento da população foi de 205%. Hoje, o Brasil já contabiliza 896,9 mil índios de 305 etnias, e em quase todos os municípios (80%) tem alguma pessoa autodeclarada indígena. Até mesmo alguns grupos já considerados extintos, como os Charrua, se levantam, se juntam, retomam suas raízes, formam associações e lutam por território. Isso significa que a luta que vem incendiando a América Latina desde o início dos anos 90 já chegou por aqui.
Não é sem razão que causou tanto estupor a declaração dos Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de resistir até o último homem caso forem retirados de suas terras. É que as comunidades já estão fartas de conversinhas e promessas governamentais. Querem ver seus direitos garantidos agora e estão dispostos a lutar. Isso também coloca todo mundo em polvorosa, porque, de certa forma, quando os índios estão quietinhos nas aldeias, são muito bem vistos. Mas, bastou levantar o tacape para que os racistas e reacionários de plantão já se alvorocem. É o que acontece hoje em Santa Catarina, quando é chegada a hora da desintrusão da terra indígena do Morro dos Cavalos. Aceitos por vários anos, vivendo em condições precárias em poucos hectares, agora que tiveram as terras definitivamente demarcadas e lutam pela desocupação do território, provocam o ódio de comunidades pacatas e cheias de "gente de bem".
Também é o que se vê na luta contra Belo Monte e as demais hidrelétricas que poderão destruir boa parte da vida no Xingu. As revoltas das comunidades indígenas e ribeirinhas incitam os velhos ódios e não faltam as vozes a clamar contra o que chamam de "obstáculos ao progresso". Já as fazendas de gado e de monocultura que destroem pouco a pouco a Amazônia são vistas como "desenvolvimento". Da mesma forma foram julgados como baderneiros e oportunistas os indígenas que ocuparam e resistiram na Aldeia Maracanã por sete longos anos, querendo unicamente preservar um espaço histórico. Foram retirados à força, como se fossem bandidos.
Agora, os ataques vem do governo e do Congresso Nacional, no qual tramita uma proposta de mudança na Constituição, a PEC 215. Essa proposta tem por objetivo transferir para o Congresso Nacional a competência de aprovar a demarcação das terras indígenas, criação de unidades de conservação e titulação de terras quilombolas, que até então é de responsabilidade do poder executivo, por meio da Funai, do Ibama e da FCP, respectivamente. A aprovação da PEC põe em risco as terras indígenas já demarcadas e inviabiliza toda e qualquer possível demarcação futura.
Além disso também está em vigor a portaria 303, da AGU, que define que qualquer terra já demarcada pode ser revista e tirada das comunidades, basta que dentro delas haja algo que seja do interesse dessa gente sempre pronta a sugar as riquezas do país (minérios, petróleo, rios). Ou seja, é a forma moderna de dominação dos mesmos velhos opressores. Se antes eram os arcabuzes, agora é a lei. E o que é mais espantoso, uma lei que viola a Carta Magna.
Por isso é que os indígenas brasileiros organizados decidiram fazer uma ação em Brasília, junto aos deputados. Sabem que não dá para confiar numa casa cujos habitantes foram eleitos por grupos econômicos que sistematicamente vêm rapinando as riquezas da nação e, portanto, não hesitarão passar por cima de comunidades inteiras se isso for necessários aos seus interesses. E tanto isso é verdade que ontem (dia16.04) eles estavam lá, tentando conversar, tentando entrar na casa que dizem, é do povo. Mas, estavam impedidos. Só que decidiram não aceitar uma imposição sem sentido. Se a casa é do povo, entrariam. E foi o que fizeram. Forçaram a porta e adentraram ao plenário, onde os engravatados os ignoravam.
A cena protagonizada pelos deputados seria risível se não representasse claramente o que pensam dos índios. Os engravatados correram, desesperados, quando viram um pequeno grupo de indígenas avançando  em danças rituais pelo meio do plenário. Para eles, aqueles homens e mulheres nada mais são do que selvagens, perigosos e ameaçadores. Não conseguem os ver como cidadãos brasileiros, iguais a eles em direitos e deveres. Os deputados correram por que? De medo? E por que teriam medo? Porque sabem muito bem o que fazem e como tratam os povos indígenas nesse país.
A vergonhosa correria rendeu frutos aos indígenas. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), acabou propondo uma saída honrosa. A casa suspenderia  a criação da comissão especial que iria apreciar o mérito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e criaria  um grupo paritário para discutir os temas de interesse dos povos indígenas. Os índios reunidos no Salão Verde conversaram e deliberaram aceitando a proposta .
Agora é vigiar porque esse não vai ser um debate fácil. Tanto o governo como os grupos de poder que financiam a maioria dos deputados querem poder dispor das terras indígenas que estão cheias de riqueza. Mas, o fato é que a ação do "abril indígena" conseguiu pelo menos colocar em pauta um tema que já vem caminhando desde anos e não recebe a devida atenção nem pela mídia nem pelos deputados. Foi uma vitória, parcial e temporária, mas ainda assim uma vitória. O que prova por a + b que só a ação direta e organizada faz a vida das gentes avançar. E, para aqueles que estão aí, na luta sempre, a cena do apavoramento dos deputados deixa muito claro que eles sim, têm medo, embora não tenham prurido de destruir sistematicamente o modo de vida dos povos indígenas. A lição do abril indígena é singela: é preciso fazer com essa gente que não leva em conta os desejos das maiorias voltem a ter medo delas. A luta de classes avança por aqui também... 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ame o próximo

Ame o próximo, senhor pastor!

* Jacob da Silva Reis



“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22, 35-38).
“Ame o próximo como a ti mesmo.”(Marcos 12, 31)
“Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15, 12-14)
“Amai vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca.
Será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo.” (Mateus 5, 44)
Esse é um dos mandamentos da bíblia que mais admiro. Estou convicto de que nossa sociedade, muito provavelmente, é baseada na empatia, um acordo social onde consideramos antiético fazer algo de ruim à outra pessoa. Esse tem sido nosso modus operandi, nosso processo evolutivo, desde quando vivíamos em cavernas. Depois, nem tanto tempo atrás, passamos a aceitar os negros e índios como seres humanos, passamos a aceitar, e então exigir, direitos igualitários para as mulheres. Já passou da hora de aceitarmos homossexuais como cidadãos respeitáveis em nossa sociedade.
Em artigo publicado pelo jornal EM TEMPO, no dia 27 de Abril, o Pastor da Igreja de Constantinópolis, Sr. Jorge Max, tenta sugerir que a homossexualidade não é natural e que o direito da Igreja de se proferir contra tal ato deve ser mantido, pois, segundo a bíblia, a homossexualidade é “abominável”. Esquece-se, porém, de que o Cristianismo também é abominável segundo diversas outras religiões, dentre elas a religião que mais cresce no mundo, o islamismo. Recentemente um cristão foi condenado à morte no Irã, somente por afirmar que segue o cristianismo. Eles, assim como o senhor, pastor Jorge Max, estão apenas seguindo suas escrituras sagradas. Claro, o senhor não está exterminando homossexuais, pelo menos assim espero, porém, imagine-se sendo diariamente reprimido, maltratado, chamado de aberração e presenciando amigos de mesma fé sendo alvos de violência por parte de fundamentalistas de outras crenças. Imagine alguns sendo mortos, inclusive. Como se sentiria? Gostaria de viver em uma nação assim? Lembrando ainda que o cristianismo, diferentemente da orientação sexual, é uma opção, uma escolha. Mas isso não importa, mesmo que apenas uma opção, deveria ser respeitada, assim como o seu direito de exercer a sua crença.
Acerca da lei anti-homofobia, ela pretende somente impedir que haja propagação de ódio a essa parcela da sociedade. Ela protege homossexuais assim como as leis antirracismo protegeram os negros, quando o racismo era patológico no Brasil. Apesar das controvérsias (o velho testamento não é, digamos, o melhor exemplo de um livro de paz e amor) a bíblia tem várias passagens com o objetivo de pregar o amor ao próximo. Há tempos já não mais apedrejamos adúlteros. É hora de nos concentrarmos nos ensinamentos de amor e construirmos uma sociedade mais acolhedora e menos discriminatória. Podemos viver em uma sociedade mais tolerante e menos tirana ao invés de nos tornarmos uma teocracia cristã, um Irã com cruzes. Ame o próximo, senhor pastor!
* Jacob da Silva Reis é diretor do Núcleo do Amazonas da Liga Humanista Secular do Brasil.

No Bule Voador

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Comissão quer apurar denúncia de massacre de índios no regime militar

Comissão quer apurar denúncia de massacre de índios no regime militar 

A Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça da Câmara quer obter esclarecimentos sobre a denúncia do assassinato de 2 mil índios, entre os anos de 1972 e 1975, durante o regime militar.
Segundo reportagem do jornal A Crítica, de Manaus, os índios da etnia Waimiri-atroari teriam sido mortos porque eram contrários à construção da BR-174, que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR) e corta a área original da reserva indígena no Amazonas.
A presidente da comissão, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), disse que vai enviar requerimentos de informação para que a Eletronorte e a Fundação Nacional do Índio (Funai) enviem dados sobre os índios Waimiri-atroari. A deputada criticou a ausência de representantes das duas entidades na audiência que discutiu o assunto nesta quarta-feira (9).
Erundina afirmou que não se pode esquecer a história desses índios. Para ela, é necessário localizar e punir os culpados.
Durante a audiência, o indigenista missionário Egídio Schwade informou que existem documentos do Exército que se referem a ações para “assustar” os indígenas, com o objetivo de concluir as obras da rodovia na época. Schwade disse que o regime militar ainda é um período “muito nebuloso” da história brasileira e que há fatos que precisam ser esclarecidos. "Não se pode deixar adormecer um massacre desses, tão perto.”
Na próxima quarta-feira (16), a comissão vai realizar audiência com representantes de camponeses que também sofreram com o regime militar.

No Jornal do Brasil

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Índios protestam contra julgamento das cotas raciais e são expulsos do plenário do Supremo


Índios protestam contra julgamento das cotas raciais e são expulsos do plenário do Supremo


Daniella Jinkings
Agência Brasil
Brasília – Dois índios foram expulsos do Supremo Tribunal Federal (STF) por atrapalhar a sessão de julgamento da constitucionalidade do sistema de cotas raciais nas universidades públicas. Durante o voto do ministro Luiz Fux, os índios Araju Sepeti Guarani e Carlos Pankararu iniciaram uma manifestação no plenário e foram repreendidos mais de três vezes pelo presidente da Suprema Corte, Carlos Ayres Britto. Após alguns minutos, Britto suspendeu a sessão até que eles fossem retirados do local.
Com pedidos de socorro e gritos ofensivos aos ministros, os dois índios foram imobilizados e retirados à força por um grupo de seguranças do Tribunal. Os índios criticaram o fato de que só o sistema de cotas raciais esteja em julgamento. “Igualdade é negro, é cigano, é índio, são todos. Defendemos a cota para indígenas”, disse Carlos Pankakaru.
A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição federal de ensino a instituir o sistema de cotas, em junho de 2004. Atos administrativos e normativos determinaram a reserva de 20% das vagas a candidatos negros (pretos e pardos). A comissão que implementou as cotas para negros também foi responsável pelo convênio entre a UnB e a Fundação Nacional do Índio (Funai), firmado em 12 de março de 2004, para fdacilitar o acesso de índios ao ensino superior.

domingo, 15 de abril de 2012

Intolerância religiosa: Índios X Pastores

Intolerância religiosa: Índios X Pastores

A luta dos índios guarani, no Mato Grosso do Sul, para preservar suas tradições religiosas, que vêm sendo acintosamente satanizadas pelas seitas pentecostais.






.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Belo Monte: Ministério Público vai recorrer ao STF para que índios sejam consultados



Belo Monte: Ministério Público vai recorrer ao STF para que índios sejam consultados


O Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer da decisão de quarta-feira do Tribunal Regional da 1ª Região (TRF-1), que validou o decreto de autorização da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), sem a consulta prévia aos povos indígenas da região. Em nota, o MPF informou que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) “pelo direito dos povos indígenas de serem consultados em empreendimentos que afetem diretamente sua sobrevivência”.
belo mont
Vista aérea do local onde será construída a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingú, no Pará
A ação, derrubada no TRF-1 por 2 votos a 1, havia sido proposta pelo MPF em 2006. Os procuradores argumentaram que o direito à consulta é garantido aos povos indígenas pela Constituição Federal e também está previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2003.
Os argumentos do MPF foram acolhidos pela relatora do processo no TRF-1, desembargadora Selene Almeida, única a votar pela anulação do decreto que autorizou Belo Monte até que os índios fossem ouvidos. Os desembargadores Fagundes de Deus e Maria do Carmo Cardoso argumentaram que a lei não determina que a consulta aos indígenas seja feita necessariamente antes da autorização do Congresso Nacional.
-O momento da oitiva não consta do texto constitucional. Pouco importa que sejam realizadas [as oitivas] antes da autorização do decreto, bastando que ocorram antes da implementação do empreendimento-, disse hoje a desembargadora Maria do Carmo durante o voto.
Para o procurador-chefe do MPF no Pará, Ubiratan Cazetta, “sugerir que a consulta pode ser feita após a autorização é tão desrespeitoso que chega a ser absurdo”, segundo a nota. “A consulta não tem nada de privilégio, é uma questão de sobrevivência dos povos indígenas assegurada pela Constituição Federal, da qual não se pode afastar o Judiciário”, acrescentou o procurador. O MPF sustenta que, mesmo sem alagamento de terras indígenas, a construção de Belo Monte vai alterar a vazão do Rio Xingu em alguns trechos, o que afetará as comunidades e também deverá provocar impactos sociais e econômicos indiretos.