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sexta-feira, 7 de março de 2014

Dia Internacional da Mulher BRANCA

Dia Internacional da Mulher BRANCA

por  - Blogueiras Negras

Mais um 8 de março se aproxima e recebemos aquela enxurrada de chorume em nossas existências femininas nos “homenageando” por sermos delicadas, amorosas, resilientes, submissas, mães, esposas, damas na sociedade e amantes ardentes entre quatro paredes.
Todo esse repentino amor tem hora pra começar e acabar, durando o tempo do mês de março, da semana do 8 ou só desse dia mesmo, de acordo com o tanto de baboseira que cada um consegue produzir.

Nesse sentido, as mulheres homenageadas são sempre as mesmas: brancas, jovens, magras, ocidentais, cristãs e cisgêneras.
E para não perder o costume, nós, as pretas neuróticas, recalcadas, mal amadas e que veem racismo em tudo, vamos direcionar nossa crítica destrutiva ao bode expiatório da vez: a Riachuelo e sua campanha pela Semana da Mulher Brasileira 2014 (leiam ironia nas minhas palavras, por favor).


Como podemos ver no vídeo, a mulher brasileira padrão, essa do comercial, corresponde exatamente ao padrão médio da brasileira, afinal, somos majoritariamente brancas, loiras, com traços faciais finos e tão magras e altas como sílfides mitológicas. Uai, não somos?
E então que a presença negra no comercial é de uma mão que serve. Um corpo sem cara, que não consome, não tem vontades, sequer existe, apenas serve. Uma sombra semivivente que só se presta a apoiar a existência da sua senhora.
Sim, porque a mulher que deve ser homenageada na semana da mulher é aquela branca que trabalha fora, independente, bem resolvida, que limpa a casa, cuida dos filhos, serve ao seu marido e sempre está com as unhas feitas e a depilação em dia. Essa é uma super mulher que consegue viver seus rompantes de modernidade sem deixar de lado suas obrigações femininas. Essa merece ser louvada e ganhar um desconto nas compras da semana por cumprir suas funções com tanto esmero.
A preta que sustenta a família com seu salário do subemprego, que enfrenta 5 horas de ônibus sujeita a abuso sexual, que vê seu filho ser morto pela polícia, que morre por complicações aborto inseguro, que está fadada ao serviço doméstico desde sempre como se isso fosse inerente à sua existência, que suporta as investidas sexuais do patrão e do filho do patrão para não perder o sustento dos seus, que é a principal vítima de negligência na saúde pública, que deixa seus filhos sozinhos em casa pra cuidar dos filhos da patroa branca, que é a maioria entre as trabalhadoras do sexo, que não completa os anos básicos de estudo porque precisa sair para trabalhar, que tem que se virar em quinze para viver e ainda manter o sorriso no rosto, essa não merece as homenagens desse dia.
Na verdade essa mulher é a serviçal que deve se alegrar por ter a honra de ver seus braços pretos aparecerem na televisão.
Afinal, o que a Riachuelo nos diz com esse filme, e o que muitas outras nos dirão nessa semana, é que mulher negra consumidora é paradoxo, e já que ela não existe, porque deveria ser representada numa propaganda? Quem disse que preta tem dinheiro? Quem disse que preta compra alguma coisa? Quem disse que preta entende de publicidade?
Pois estamos aqui, consumidoras, pensadoras, cidadãs, formadoras de opinião, dizendo que esse comercial não nos representa. Durmam com esse barulho!

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Dia Internacional da Mulher: comemorar o quê?

Dia Internacional da Mulher: comemorar o quê?

Blogueiras Feministas

Texto de Janethe Fontes.
Vou iniciar esse texto dizendo que não temos o que comemorar neste dia, temos ainda muita luta pela frente. O ano de 2013 foi marcado pelo conservadorismo. Vários setores que representam as minorias tiveram que se mobilizar muito, mas muito mesmo, para não perder direitos que já estavam garantidos na Constituição.
O ano de 2013 também foi marcado pela divulgação de estatísticas assustadoras. Segundo apontamentos, há três anos, o Brasil ocupa a 7ª posição na listagem dos países com maior número de homicídios femininos.
Já em relação ao mercado de trabalho, não houve quase nenhuma mudança. A mulher continua ganhando um salário menor que o homem, continua sendo uma mão de obra barata, “dócil”, instruída (afinal, conforme pesquisas, mulheres têm mais anos de estudos que os homens) e de autoestima reduzida por uma cultura misógina, que lucra muito pregando inseguranças às mulheres (a ‘ditadura da beleza’ instituiu dois grandes medos para dominar o público feminino: o medo de envelhecer e de engordar, e isso gera altos lucros às ‘indústrias da beleza’). Além da dupla jornada de trabalho, já que a maioria das mulheres continua trabalhando fora e em casa.

Foto de Jhayne no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Foto de Jhayne no Flickr em CC, alguns direitos reservados.


Temos ainda que derrubar vários mitos que nos impuseram ao longo do tempo, mitos esses que em nada nos “engradecem ou privilegiam”, ao contrário, nos colocam em uma posição que nos torna subordinadas as tradições patriarcais. É costume ver nas redes, em datas como essa, uma enxurrada de mensagens com fotos de flores e asneiras que parecem “elogiar” as mulheres, mas que, ao contrário disso, só ressaltam expectativas machistas.
Não, a mulher não é um ser com superpoderes!! E querer bancar a supermulher pode ser muito prejudicial à saúde. Esse negócio de achar que “mulher de verdade” é aquela que trabalha fora, em casa e ainda está sempre linda, elegante e ‘feliz’ é ridículo! Mas, pior do que isso, é uma forma de menosprezar as habilidades intelectuais das mulheres e ainda submetê-las a um quadro de violência psicológica e física, já que insinua que devem alterar/mutilar os seus corpos para terem realização pessoal e serem vencedoras.
Não, a mulher não é um “Bombril” com mil e uma utilidades! Não tem que dar conta de tudo sozinha. De maneira alguma! A divisão doméstica e os cuidados com os crianças, idosos e doentes tem que ser feita de forma igual. Há inúmeras afirmações de que as mulheres têm “habilidades naturais” com a casa e com as crianças que os homens não têm (coitadinho deles, né?), afirmações tendenciosas de que “os homens tem outro ritmo”, sugerindo, assim, que os maridos não devem ser importunados quando chegam do trabalho, porque eles merecem descanso, enquanto as mulheres, mesmo cansadas, depois de um longo e exaustivo dia de trabalho, têm de dar um jeito de resolver praticamente todos os problemas da casa, dar de conta de todas as tarefas domésticas! O máximo que cabe aos homens é “ajudar” a mulherada nessas tarefas. Não. Lógico que não!
É preciso romper ainda com outros mitos que até hoje são popularmente repetidos aos montes. Afinal, quem nunca ouviu as seguintes frases: “mulher não se veste para o homem, mas sim para outras mulheres”; “mulher não é amiga de mulher”; “mulher tem que se dar o valor”; “mulher é compulsiva para gastar dinheiro”; “toda mulher é invejosa e fofoqueira”; “toda mulher adora sapatos”; “mulher dirige mal porque tem noção espacial menor que a do homem”; “a mulher é frágil e delicada por natureza”; etc. Há algumas outras inverdades que eu sequer ousaria mencionar aqui, de tão absurdas.
Enfim, temos uma batalha muito grande pela frente nas mudanças dessas, de outras tantas situações e também na desconstrução dessas diversidades de mitos que nos abatem diariamente, nos inferiorizam, nos tiram a autonomia e nos limitam a papéis de dependência dentro da sociedade.
Por isso tudo, amigas e amigos, no próximo dia 08 de março, não mandem essas mensagens com bobagens para suas amigas, namoradas ou mães, mas sim ajudem na desconstrução de mitos e na conquista pela igualdade de direitos!
Autora
Janethe Fontes é escritora e tem, atualmente, 4 livros publicados: Vítimas do SilêncioSentimento Fatal,Doce Perseguição e O Voo da Fênix.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Orgulho de ser mulher: O Dia Internacional da Mulher em imagens

Orgulho de ser mulher: O Dia Internacional da Mulher em imagens


Na Carta Maior

O Dia Internacional da Mulher foi marcado por protestos políticos e celebrações. O site Common Dreams registrou alguns desses momentos:

O Dia Internacional da Mulher foi marcado por protestos políticos e celebrações. O site Common Dreams registrou alguns desses momentos:


Uma mulher corre para ajudar outra caída no chão, em Ramallah, após ter sido atingida por um canhão de água usado por tropas israelenses para dispersar uma manifestação do Dia Internacional da Mulher e em favor de um prisioneiro palestino em greve de fome há 22 dias. (AP Photo/Majdi Mohammed)


Mulheres gritam slogans contra o Conselho Militar egípcio antes de participar de uma manifestação com outras mulheres no Dia Internacional da Mulher, no Cairo. (Reuters/Mohamed Abd El Ghany)


Manifestantes se reúnem na Ponte Millenium, em Londres, na campanha “Join Me on the Bridge 2012”, a maior campanha mundial em defesa dos direitos da mulher.


Mulheres protestam em Concord, New Hampshire, contra a maioria republicana que votou uma lei quarta-feira que permite que empregadores excluam o fornecimento de anticoncepcionais de seus planos de saúde, por razões religiosas. A Câmara local aprovou a proposta por 196 votos a 150 e agora ela irá para o Senado. (Jim Press Cole /Associated Press)


Trabalhadoras sul-coreanas gritam slogans durante manifestação do Dia Internacional das Mulheres em Seul, Coréia do Sul. Os cartazes dizem: “Preservar um salário mínimo e contratar mais empregados temporários”.


Integrantes do partido Die Linke (A Esquerda) durante reunião no Parlamento alemão dedicada ao Dia Internacional da Mulher. O partido enviou apenas mulheres, portando um lenço lilás, para participar do debate.


Mulher palestina participa de uma marcha, em Ramallah, convocada para marcar o Dia Internacional da Mulher e para manifestar solidariedade com a palestina presa Hana Shalabi, que está em greve de fome (Mohamad Torokman/Reuters).


Hassina, uma sobrevivente de um ataque com ácido, participa de uma manifestação contra a violência contra as mulheres, em Dhaka, Bangladesh (Andrew Biraj/Reuters).


Mais de mil trabalhadoras participam de uma manifestação em Seul, Coréia do Sul, para marcar a passagem do Dia internacional da Mulher.


Manifestantes carregam cartazes em uma manifestação do Dia Internacional da Mulher em Kathmandu, no Nepal (Rajendra Chitrakar/Reuters).


Mulheres do Camboja participam de caminhada do Dia Internacional da Mulher em Phnom Penh.


Mulher escreve “Eu não preciso de sua ajuda, mas sim que assuma sua responsabilidade” durante manifestação do Dia Internacional da Mulher em Sevilha, Espanha (Cristina Quicler/AFP)


Milhares de integrantes do grupo feminista Gabriela marcham perto do palácio presidencial, em Manila, Filipinas, em protesto contra o recente aumento do preço da gasolina e de outros produtos. Um dos cartazes diz: “Fim da conivência do regime Aquino com o cartel do petróleo” (Romeo Ranoco/Reuters).


Natyavathi (centro), primeira mulher a dirigir um trem na Índia, dirige um trem em uma cerimônia para marcar o Dia Internacional da Mulher. Lideranças da ONU pediram maior igualdade entre os sexos em meio a manifestações e marchas pelos direitos das mulheres (Noah Seelam/AFP Photo).


Estudantes iraquianas vestem tradicionais roupas curdas para celebrar o Dia Internacional da Mulher na cidade de Arbil Thursday, no norte do Iraque. (Safin Hamed/AFP).


Ativistas correm para fugir de uma bomba de gás disparada por tropas israelenses, em Ramallah, durante manifestação em favor da prisioneira palestina Hana Shalabi, em greve de fome a 22 dias (Majdi Mohammed/AP).


Trabalhadoras participam de uma manifestação em frente ao prédio das Nações Unidas em Bangkok, pedindo melhores condições de trabalho e igualdade de direitos. (Chaiwat Subprasom/Reuters).


Integrantes da organização Women for Rights gritam slogans durante um protesto contra o custo de vida e a violência contra as mulheres em Colombo, Sri Lanka.


(*) Texto e imagens publicados originalmente em (http://www.commondreams.org/headline/2012/03/08-5)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Os machistas no Dia Internacional da Mulher

Os machistas no Dia Internacional da Mulher

Cyntia Semíramis feminismo e direitos humanos



Como estou cansada de todo ano ouvir discursos machistas no Dia Internacional da Mulher, este ano preferi fazer a listinha das besteiras que eu já ouvi. Tenho certeza que vocês conhecem pelo menos alguma delas. Aproveitei também para explicar o quê está de errado nessas frases ridículas, pra ajudar os moços a entenderem que as palavras que eles acham lindas podem ser muito ofensivas. Quem sabe esses discursos entram em extinção?
mulheres, vocês embelezam o mundo
esse vocês já conhecem de outros posts. É aquela pessoa “simpática” que pensa que mulheres são enfeites. Entram na mesma categoria os piegas do “uma flor para outra flor”. Pra essa pessoa, uma mulher é, na verdade, um vaso de flores gigante: enfeita a sala, não se move sozinho, precisa de alguém pra mantê-lo vivo, e é mudo.
parabéns por ser mulher
eu, hein? Esse aí pegou o bonde andando e não entendeu nada. Que tal parabenizar as mulheres por, em pouco mais de um século, terem mudado a sociedade completamente, e pra melhor? Que tal parabenizá-las por terem largado uma vida como objetos, e se tornarem sujeitos de direito? Que tal parabenizá-las por abdicarem de uma vida de inatividade política, e exigirem o direito de votar e serem votadas? Mas não… quem parabeniza a mulher por ser mulher não percebe nada disso. Pra ele, o que importa é que a mulher é a coisa mais importante do mundo. Desde que caladinha, obediente, delicada, amorosa. Ou, em outras palavras, enfeitando o ambiente, igualzinho à opinião do machista do tópico anterior.
eu adoro as mulheres, afinal, nasci de uma
quem fala essa pérola é aquela pessoa que pensa que ser mulher é igual a ser mãe. Um reducionismo impressionante! Homem pode ter profissão, pode ser solteiro, casado, ter filhos, e continua sendo homem… já mulher só é mulher se for mãe. Essa teoria só não explica como classificar alguém que não pertence ao sexo masculino, nem tem filhos.
O curioso é que, nessas horas, não existe pai: eu adoro os homens, afinal, nasci de um… O filho é só da mãe (mas quando se trata de controlar o corpo e a vida da mãe, aí o pai/”dono” aparece rapidinho…)
falta um dia do homem
tadinho, está se sentindo abandonadinho porque não tem um dia com o nome “homem”. Se ele parar de olhar pro próprio umbigo, vai perceber que todos os dias são dos homens, nem precisa de uma data oficial pra isso. São eles que ainda têm todos os privilégios na sociedade. Afinal, o homem não se torna homem só porque é pai, ele não recebe menos por ser homem, não tem menos chances no mercado de trabalho porque é homem, não é descartado porque ficou gordo, velho ou grávido, não é tratado como invasor da profissão alheia só porque é homem… Quem reclama que não tem um dia do homem é um egoísta que está chorando de barriga cheia.
Pergunte se ele quer trocar de lugar com uma mulher, assim ele vai ter um dia pra ele; você vai ouvir a resposta negativa mais escandalosa do mundo. Na verdade, ele odeia tanto as mulheres que acha que elas só servem pra ficar caladas, fazendo serviços domésticos e sexuais, e enfeitando o ambiente. Mudas, é claro, pois se reivindicarem qualquer coisa (inclusive uma data de luta), estão exagerando os problemas pra chamar a atenção. E, caso não tenham entendido ainda, só ele pode chamar a atenção…
os outros 364 dias são do homem, huahuahua
esse aí parou o cérebro na época da ditadura militar. Naquela época, todas as datas eram pra elogiar o status quo, e esconder o tanto de coisas que eram mantidas erradas à força. Com a democracia, voltamos a colocar o dedo na ferida e as datas ditas comemorativas se tornaram datas problematizadoras, pois elas dão visibilidade a questões que muitos homens querem esconder, especialmente se o assunto for sexismo. Se o homem tem orgulho de usar a força (das mãos, da lei, das armas, da religião, da mídia) para manter seu status de dominador, e ainda ri disso, é sinal que está completamente em descompasso com o mundo atual e que não respeita mulher nenhuma. É um insensível e, no mínimo, omisso em relação à violência contra as mulheres. E é triste ver alguém tão estúpido ter orgulho dessa estupidez.
pra quê um dia desses? Vocês já são iguais a nós!
esse aí não leu meu post do ano passado. Provavelmente, a última coisa que ele leu foi que a Constituição da República declarou que homens e mulheres têm direitos iguais. De lá pra cá, não leu mais jornais nem revistas, não assistiu televisão nem conversou com ninguém, pois não sabe que a igualdade de fato está longe de ser alcançada. Tivemos de fazer uma lei pra combater violência doméstica, ainda precisamos de pressão política para melhorar as condições de trabalho, saúde e educação das mulheres, e falta acabar com o sexismo em todas as suas formas. Que igualdade é essa que tem tantas distorções e necessidade de correções? Conversar com gente desatualizada é terrível… pior ainda é quando têm orgulho de estar, pelo menos, 20 anos atrasados…
o dia é de comemoração, e você vai reclamar?
outro que parou na época dos militares e acha que tudo é pra comemorar. A vida dele é uma festa, e ele não percebe que a vida das mulheres raramente é assim. A vantagem é que, querendo ou não, ele vai ter de ouvir as reclamações. Quem sabe alguma delas entra na sua cabecinha retrógrada e muda alguma coisa – pra melhor – na vida das mulheres que convivem com ele?
continue a ser essa mulher linda, doce, gentil e afetuosa que você é
aviso para as mulheres: se vocês não são lindas, doces, gentis, afetuosas nem sensíveis o tempo todo, vocês não são mulheres. Favor passarem para a categoria “inadequada”, pois não sabemos o que vocês são. Homens são homens, não importa suas características. Até os trogloditas consideram que dizer que um homem é gentil pode ser um elogio. Mas, seguindo a lógica do machista, uma mulher, quando não é gentil, deixa de ser mulher. Aí a gente volta pra aquele modelo do primeiro exemplo: mulher só é mulher quando se torna um vaso de flores gigante e mudo.
E ainda acham que estão nos parabenizando…

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mulheres, estas bruxas revolucionárias – Sobre o 8 de março

Por tudo, continuo dispensando a rosa.

Mulheres, estas bruxas revolucionárias - Sobre o 8 de março

Luiz Müller - Luizmuller's Blog


Desenho do Latuff
Dia 8 de março é dia internacional da mulher. O império inventou uma história em meados do século 20 e espalhou pela face da terra: O dia 8 de março fora escolhido por eles, por que neste dia, em 1875, centenas de mulheres “coitadinhas” teriam sido queimadas vivas por um empresário malvado que provavelmente não aplicava bem as regras do capitalismo. Pois hoje através de pesquisadores, sabemos que esta história é uma fraude. O dia 8 de março de 1875 caiu num domingo, e embora as mulheres (e homens) trabalhassem 14 horas por dia, sem as mínimas condições de segurança e saúde, inclusive nos sábados, os bons capitalistas americanos eram todos cristãos e o domingo era dia sagrado de descanso. Uma fraude pra tentar esconder a capacidade revolucionária da mulher. Mais uma. Na Idade média elas eram as bruxas que aterrorizavam os homens com suas idéias revolucionárias e eram queimadas nas fogueiras. De bruxas malvadas a coitadinhas. Não mesmo.  A história verdadeira é outra. E está assim, bem resumida, na Wikipédia: Na Rússia, as mulheres  foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), agreve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.
Verdade seja dita: foram as mulheres que iniciaram a maior revolução do século 20. E o que elas pediam “Pão e Paz”. Queriam os soldados russos de volta, por que eram seus filhos e maridos que morriam como bucha de canhão nos fronts de batalha. Queriam uma vida digna. Como querem até hoje as mulheres revolucionárias que na idade média eram chamadas de bruxas e queimadas nas fogueiras, e hoje tem sua história mal versada pelos capitalistas que insistem em rebaixar o papel da mulher e as próprias mulheres a um papel secundário. Recebem menores salários que os homens embora já sejam maioria como chefes de família. O capital as explora e muitas ainda são vítimas da dupla jornada e de violência doméstica. É tempo de reescrever a história. É tempo de abrir os olhos da humanidade para o que Marx disse no século 19: “A exploração do homem pelo homem só terminará quando o homem deixar de explorar a mulher”. Este parece ser o tempo das mulheres: Aqui no Brasil a Presidenta Dilma é símbolo desta evolução. Que este avanço seja o começo da revolução definitiva, que acabe com a exploração da mulher pelo homem, para que possamos acabar definitivamente com a exploração do homem pelo homem e salvar a humanidade das agruras do sistema capitalista que, vira e mexe, está em crise, e cada uma das crises são os trabalhadores e trabalhadoras que tem seus direitos atacados.
VIDA LONGA A LUTA DAS MULHERES POR DIGNIDADE PARA TODA A HUMANIDADE! QUE O DIA 8 DE MARÇO NÃO SEJA MAIS UM DIA DE DITRIBUIR ROSAS E MENSAGENS. É PRECISO QUE A REVOLUÇÃO CONTINUE, POR QUE MULHERES E HOMENS AINDA SÃO VÍTIMAS DA EXPLORAÇÃO NO MUNDO TODO. E ENQUANTO HOUVER UMA MULHER EXPLORADA POR UM HOMEM OU UM HOMEM SENDO EXPLORADO POR UM HOMEM, NÃO TEREMOS A PAZ NECESSÁRIA PARA QUE O PÃO CHEGUE A TODAS E TODOS.

domingo, 7 de março de 2010

Mulheres que ajudaram a mudar o mundo-8



Hoje, não quero falar de mulheres famosas.
Quero,falar da anônimas que também fazem a diferença para alguém e, ao faze-la para alguém, fazem para o mundo.
Quero homenagear as Maria, Reginas, Marlenes, Rosangelas, Anas,Tanias, Lucias, Marinas, Elianas, Carlas, Marlenes, Andreas, Helenildas.........
Quero enaltecer a coragem dessas mulheres anônimas, que madrugam nas filas dos Postos de Saúde com seus filhos no colo, procurando atendimento.
Das mulheres que pegam um ônibus lotado do extremo norte da cidade São Paulo, com filhos deficientes nos braços, para levá-los até a zona sul de São Paulo, para atendimento na AACD. Muitas vezes, os filhos deficientes já são maiores que as mães, mas elas tiram força, só Deus sabe de onde, para carregá-los.
Das mães de filhos adictos à drogas , que desesperadamente procuram ajuda para tratá-lo e, na maioria dos casos, tem que se agarrar à providência Divina, pois a terrena deixa muito a desejar quando se trata desse tema.
Das mulheres que na madrugada de domingo, saem de suas casas com os "jumbos", como se fala na linguagem das penitenciárias, com frutas, bolachas,cigarros, para visitar seus maridos e filhos que estão presos.
As jovens mães guerreiras que, antes de encarar a jornada de trabalho, levam seus filhos para as creches, com sacolas, roupas, fraldas e toda a tralha que uma criança pequena necessita para passar o dia.
Por imposições da vida, conheci algumas dessas filas.
Sempre me chamou a atenção a quantidade de mães que encontrava em comparação com o reduzido número de pais.
Elas não desistem nunca.
Finalmente, homenagear todas as mulheres que diariamente se dedicam a defender seus ideais políticos, participando ativamente nos partidos, nos movimentos sociais e em comunidades virtuais na internet para fazer a diferença nas eleições presidenciais de 2010.
Parabéns mulheres guerreiras, por vocês serem como são.
Nossa luta será coroada com a eleição da primeira mulher Presidente da República deste país.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mulheres que ajudaram a mudar o mundo-5- Rigoberta Menchú


Líder indígena guatemalteca (9/1/1959-). Nasce numa família de agricultores indígenas do interior da Guatemala e, desde pequena, trabalha na lavoura. Adolescente, participa de movimentos de reforma social promovidos pela Igreja Católica e se destaca na defesa dos direitos da mulher.
Em 1979 ingressa no Comitê da União Camponesa (CUC), incentivando a comunidade indígena, que representa 60% da população do país, a resistir à opressão: os nativos não tinham direitos políticos e eram explorados economicamente.
Nessa época, seu pai, seu irmão e sua mãe, todos ativistas políticos, são sucessivamente presos, torturados e mortos pelos órgãos de repressão. Procurada pelo governo, Rigoberta primeiro vive na clandestinidade, depois foge para o México.
De lá, organiza movimentos de resistência dos camponeses. Em 1982 participa da fundação da organização guerrilheira Representação Unida das Oposições da Guatemala (Ruog). Um ano depois, narra sua vida no livro Eu, Rigoberta Menchú, relato que atrai a atenção da opinião pública mundial.
Recebe prêmios de várias entidades internacionais, entre eles o Prêmio Nobel da Paz de 1992, em reconhecimento ao trabalho pela democracia e pelos direitos humanos dos indígenas da Guatemala.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mulheres que mudaram o mundo 4/ Mães da Plaza de Mayo


História das mães que perderam seus meninos



Entre 1976 e 1983,durante o sangrento regime militar que se instalou na Argentina, cerca de nove mil pessoas desapareceram. Segundo organismos de direitos humanos,este número sobe a mais de 30 mil. Ao sequestro dos opositores,seguia-se o assassinato.Aviões partiam lotados de presos , que eram atirados ao Rio da Prata. Sem notícias de seus filhos ,mães desesperadas percorriam delegacias,igrejas e prisões `a procura de um simples sinal de vida. A partir de abril de 1977, todas as quintas-feiras às 15 .30,as mães de alguns destes desaparecidos começaram a se reunir na Plaza de Mayo em frente `a Casa Rosada, sede do governo.
A Praça foi escolhida como ponto de encontro porque, segundo a líder Hebe de Bonafini, “ lá todas as mães eram iguais,todas haviam percorrido os mesmos caminhos na mesma busca,não havia nenhuma diferença e nenhum tipo de distanciamento”. Começava ali um movimento de protesto e solidariedade unindo estas mães que perderam seus meninos. A intenção era sensibilizar o então presidente Jorge Videla,para que ele interviesse no processo e lhes fornecesse notícias dos filhos.Exigiam, ao mesmo tempo, punição para os assassinos.




“Os filhos mortos pariram as mães”





No início eram 14 mães ,mas o grupo se expandiu, chegando a contar com milhares de participantes. Seguindo uma tradição, as mães argentinas guardam algumas fraldas de seus filhos como lembrança.As Mães da Plaza de Mayo passaram a usa-las,então, como marca registrada.

Cada mãe portava um pano branco na cabeça com o nome de seu filho desaparecido. As mães passaram a ser chamadas “loucas da Plaza de Mayo” Muitas mulheres adoeceram e morreram,foram repudiadas,perseguidas, abandonadas por seus maridos. Em dezembro de 1977,Azucena Villaflor De Vicenti, a primeira líder das mães, foi seqüestrada e assassinada pelos organismos repressivos da ditadura militar. Durante a Copa do Mundo de 1978,realizada na Argentina,a imprensa internacional que cobria o evento tomou conhecimento da existência da ação das Mães, que a ditadura tentava abafar por todos os meios. Houve o recrudescimento da repressão e,num gesto de coragem e revide, as mães criaram oficialmente sua Associação em 22/8/1979.




Novamente o futebol foi usado como anestesia geral: A Argentina sediou o Mondialito de 1980, articulação da ditadura para desviar atenção do problema. Incansáveis, as Mães voltaram à Praça e criaram seu primeiro boletim. Nesse momento a opinião pública internacional já estava conscietizada do drama dos desaparecidos. Perante a omissão do governo argentino um grupo de apoio foi criado na Holanda. Este grupo custeou as despesas de instalação do primeiro escritório da Associação. Em 1981 freiras acompanharam as mães num primeiro jejum coletivo de protesto. A Guerra das Malvinas ,em 1982, foi outro momento importante de ação.As Mães se declararam solidárias com as mães dos soldados argentinos.
Surgiram o primeiro jornal, as equipes de assistência psicológica e jurídica. “Enquanto houver um só assassino pelas ruas, nossos filhos viverão para condená-lo por nossas bocas.” Hebe de Bonafini.

1985 ficou marcado como o ano da “Marcha das Mãos Dadas”.O movimento foi encampado pela opinião pública no exterior. Depois, milhares de mãos argentinas se uniram na Avenida de Mayo e na Praça, pressionando o governo a dar uma solução final ao drama. Uma segunda manifestação comovente,a “Marcha dos Panos Brancos” ajudou a apressar o que foi chamado de “Ponto Final”:nos primeiros meses do Governo Alfonsin começaram a chegar telegramas, dizendo em que cemitérios estavam enterrados os jovens desaparecidos. Algumas receberam restos humanos como se fossem de seus filhos .As mães se recusaram a aceitar tortura moral das exumações sem que os assassinos tivessem sido punidos. O governo ofereceu ressarcimento econômico e homenagens póstumas.As mães recusaram o dinheiro e as honras,mas continuaram a luta.





Hebe de Bonafini


Em 1986,o grupo se dividiu entre as lideradas por Hebe de Bonafini e a Linha Fundadora, liderada por Maria Adela Gard de Antokoletz.O local que deu nome ao movimento nunca foi abandonado. O grupo foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz e recebeu muitos outros prêmios “Pela Luta”,”Pela Liberdade” “Pela Justiça”. É reconhecido, internacionalmente, como uma das principais instituições civis de luta contra os crimes cometidos pelas ditaduras. As Mães da Plaza de Mayo conseguiram localizar crianças, filhos dos jovens mortos, e muitas obtiveram a custódia de seus netos.






Realizam viagens regulares `a Europa para reciclagem e encontros com os grupos de apoio, para priorização das metas a serem cumpridas a cada ano . O Jornal da Associação é traduzido em vários idiomas. Existem, em muitos países, escolas,praças,ruas que receberam o nome “Madres de Plaza de Mayo” Foram editaram vários livros e 3 Poemários. Mestrandos e doutorandos de todas as partes do mundo continuam agendando visitas à Associação para enriquecer suas teses sobre o tema.





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Visite o Site oficial das Mães da Plaza de Mayo em
http://www.madres.org/



Pesquisa:TherezaPires (www.euprocuropravoce.cjb.net)

terça-feira, 2 de março de 2010

Homenagem a todas as mulheres



A MULHER QUE BROTA


Quando foram Queimadas o vento docemente as espalhou, em cada canto do mundo de suas cinzas brotou:

Brotou India, foi massacrada!
Brotou Negra, foi escravizada!
Brotou Operaria, foi explorada!

O passado não tem retorno,
por isso não chora,
apenas cuida que no futuro,
seja outra sua história.

Em todo tempo ela lutou,
sua luta? nem sempre compensou,
mesmo assim nunca desanimou.

em cada cidade!
em cada nação!
com a força que brota do chão!
luta por igualdade contra a opressão!

Onélia Passaroti










A história da mulher em todos os tempos, é a história da dominação.
A coisa começa muito antes do que possamos imaginar.
Podemos encontrar registros dessa dominação em livros de história, em contos infantís e, até mesmo nos textos sagrados. Afinal, Eva nada mais é que uma insignificante costela de Adão.
Mas encontramos, também, histórias de mulheres que se rebelaram contra essa dominação e deixaram exemplos de coragem e rebeldia desde os primórdios da história da humanidade.
Não é por acaso a polêmica sobre as mudanças na Lei Maria da Penha.
Precisamos, além de leis que nos protejam contra a violência externa, mecanismos que nos libertem da submissão interna, introjetada por uma sociedade machista, pela educação machista que recebemos, pela cultura machista que nos moldou.
Temos que nos afagar, nos orgulhar, nos espelhar em exemplos de mulheres que fizeram a diferença, apesar de todos os fatores que jogavam contra.
Vamos derrubar de uma vez por todas a idéia de que mulher tem inveja de outra mulher.

Vamos homenagear aqui todas as mulheres brasileiras.
Nós merecemos!