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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Jair Bolsonaro será investigado sob acusação de racismo


 Jair Bolsonaro será investigado sob acusação de racismo

Débora Zampier
 Agência Brasil
Brasília – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso autorizou abertura de inquérito para investigar se o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) cometeu crime de racismo contra a cantora Preta Gil. O fato ocorreu em 2011, durante entrevista ao programa CQC, da TV Bandeirantes.
A cantora perguntou a Bolsonaro como ele reagiria se seu filho dissesse que está namorando uma negra, e ele respondeu que não discutiria promiscuidade com ela. “Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu”, completou. Posteriormente, ele se defendeu dizendo que não havia entendido a pergunta direito.
O pedido de abertura de inquérito foi apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em julho, e Barroso autorizou o prosseguimento das apurações no início de agosto. Ele entendeu que há “elementos indiciários mínimos da ocorrência do fato e de eventual autoria por pessoa com foro por prerrogativa de função”.
O processo foi encaminhado à Polícia Federal, que vai pedir cópia do material gravado com Bolsonaro, sem edição, à Bandeirantes. Em seguida, a PGR vai analisar se os indícios sustentam oferecimento de denúncia. Se a Corte concordar com os argumentos do Ministério Público, Bolsonaro se torna réu em ação penal.

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

O altar da intolerância

O altar da intolerância


A onda de violência contra LGBTs no país inteiro tem aumentado seu volume e intensidade, mostrando que há um ódio quase que fora de controle e feito vítimas, inclusive, heterossexuais


Manifestação repudia ato contra aprovação da lei que pune homofobia
É preciso estabelecer o confronto político-cultural diante dessa cruzada homofóbica
Foto: Fabio Pozzebom/ABr



Vivemos sob clima pesado
Não creio possamos tratar isso como algo de somenos importância. E nem creio devamos subestimar isso do ponto de vista da cultura e da política. Digo que existe um caldo de cultura atrás disso. O caldo de cultura da intolerância, a tentativa sempre de descartar todos os que não estejam enquadrados nos códigos conservadores da normalidade. O clima é tão pesado que um pai e um filho foram agredidos porque estavam abraçados em público. A agressão decepou a orelha do cidadão. Claro, foram agredidos porque havia a certeza de que eram homossexuais. O pai esperava a namorada, e enquanto isso demonstrava o carinho pelo filho.
Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) em manifestação contra a lei que pune homofobiaFoto: Fabio Pozzebom/ABr

É um clima tão pesado que espectros da área militar, investidos de mandato parlamentar, se dão ao direito de agredir de maneira chula os homossexuais, sem que nada aconteça. O Parlamento também faz ouvidos de mercador, e resiste à possibilidade de criminalizar a homofobia, e essa resistência perpassa vários partidos, até mesmo parcelas de alguns considerados de esquerda. Pesado de tal forma, que jovens, que tenham aparência de homossexuais, são agredidos a golpes de pau nas ruas, sem quê nem pra quê, sem que encontrem explicações para isso, sequer razoáveis, salvo o fato de terem, se tiverem, orientação sexual diversa da considerada normal. E numa proporção assustadora, muitos são mortos, assassinados pura e simplesmente, não raramente com requintes de crueldade.
Cabe dizer que há um sentimento homofóbico na sociedade. Não podemos ignorar isso. O sentimento integra o cardápio de valores de nossa sociedade.  Pesquisa realizada em 2009, pela Fundação Perseu Abramo em parceria com a fundação alemã Rosa Luxemburg Stiftung, indicou que a população brasileira acredita que existe preconceito contra travestis (93%), contra transexuais (91%), contra gays (92%), contra lésbicas (92%), contra bissexuais (90%). A maioria, no entanto, atribui o preconceito aos outros, não a si própria, curiosamente. Pela sucessão de agressões recentes, não parece que o problema seja dos outros.
E de onde viria esse sentimento? Quem sabe, de heranças ancestrais, cujas raízes podem estar fincadas no pior que exista da tradição religiosa. Ou então viria de estímulos histórico-culturais mais recentes, provenientes de um caldo de cultura que vem do nazifascismo e que tem se firmado especialmente na Europa dos últimos tempos.
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