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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Jânio de Freitas: A sorte de Haddad

Jânio de Freitas: A sorte de Haddad

Fernando Haddad ganhou, e não foi pouco, com a renúncia de Luiza Erundina a vice em sua candidatura a prefeito paulistano. Não tardaria a que o problema para Haddad, e não pequeno, fosse superar os previsíveis embaraços provocados pela maneira irascível, grosseira e individualista que Erundina se permite a pretexto de política.

Luiza Erundina é inconvivível politicamente. Já em seus últimos tempos no PT, a recusa rígida que manteve, diante de dirigentes do partido, ao exame das divergências, deixou mais do que frustração. Há ressentimentos pessoais inapagados até hoje. E motivadores de muitas das reações negativas, nos quadros mais altos do PT, à entrega da vice a Erundina.

Ao menos desde o governo Itamar Franco, que a homenageou com um cargo no governo por escolha sua, de presidente, ficou claro o que significa a proximidade política com Erundina. Do início ao fim de seu breve trânsito pelo governo, Erundina mais pareceu da oposição dura. Até o rompante final em que exibiu arrogância e presunção incapazes de poupar mesmo a quem a homenageara.

Fernando Haddad não teria a esperar senão problemas de convivência com a vice, da vice com a campanha e, bem provável, com segmentos do eleitorado. Mas no PT e no PSB isso não era --não poderia ser-- ignorado por nenhum dos que produziram a "ideia" de dar a vice a Luiza Erundina.

A ansiedade de Lula de impor o seu plano para Recife, cassando ao prefeito João Costa o direito à possível reeleição, pode explicar parte da escolha. Mas nada explica que ao ato autoritário, com que atendeu o governador Eduardo Campos, Lula sobrepusesse falta de lucidez a ponto de aceitar Erundina, tão bem conhecida por ele, para representar o PSB junto a Haddad.

O desgaste maior recai sobre Lula, ainda mais por ser o caso Erundina caudatário do acordo com Paulo Maluf. Mas Fernando Haddad também recebe a sua quota. Por mais sorte sua, o episódio se dá quando nem campanha há ainda. É daqueles que tendem a evaporar sozinhos, se os planos estaduais de Lula permitirem.

Ao esquentar da campanha, também o acordo com Paulo Maluf não será o prato saboroso que o PSDB de José Serra espera.

Há muito noticiário impresso e gravado, muitas declarações e evidências de que o acerto com Maluf era buscado também pelos peessedebistas. E negociado pelo próprio governador Geraldo Alckmin, cuja administração conta com um afilhado de Maluf. Matéria-prima abundante para respostas (senão ataques) contundentes.

Fernando Haddad é o único que nada perdeu com a renúncia de Luiza Erundina. E ganhou, no mínimo, a oportunidade de uma companhia na chapa mais ao seu estilo.




Na Folha.com

terça-feira, 19 de junho de 2012

Leandro Fortes: Luiza Erundina é uma política digna e que sempre vai merecer a minha admiração.

Leandro FortesLuiza Erundina é uma política digna e que sempre vai merecer a minha admiração.

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Luiza Erundina é uma política digna e que sempre vai merecer a minha admiração. A decisão dela de continuar como vice de Haddad, apesar do apoio de Paulo Maluf, deve ser respeitada. Mas, repito: nenhuma vitória com Maluf, bandido procurado pela Interpol, sinônimo de atraso e corrupção, poderá ser considerada realmente digna. 

Curiosamente, essa minha posição tem causado indignação em quem vê em Serra um demônio a ser derrotado, a qualquer custo. Não concordo. Maluf representava, no passado, exatamente o que Serra representa hoje. No futuro, portanto, farei a mesmíssima crítica caso um outro candidato progressista, atrás de um minuto de TV, aceite Serra como aliado para derrubar o demônio de plantão. 

Quando a luta política se transforma num vale-tudo, corremos o risco de repetir os vícios e malandragens que criticamos em nossos adversários. Risco que se amplia quando adotamos, por adesão acrítica, esse discurso falsamente institucional da governabilidade, da política de alianças como um acessório inofensivo e, portanto, inatacável. 

O discurso da realpolitik interessa aos políticos profissionais, mas não, necessariamente, à sociedade. Não podemos cair em um pesadelo orwelliano no qual sejamos a acreditar ser correto o cinismo dos que nos lideram, ao ponto de acharmos natural ora estarmos em guerra com a Eurásia, ora com a Lestásia. O mundo é o que fazemos dele, não o contrário.



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domingo, 17 de junho de 2012

Uma aliança com a dignidade

Uma aliança com a dignidade


por Saul Leblon - Carta Maior



Uma grande frente da direita brasileira se move na ansiosa tentativa de preservar o comando da maior capital do país. O comboio transporta interesses pesados; não perder sua maior vitrine política é um deles; propiciar ao candidato da derrota conservadora em 2002 e 2010 um holofote de sobrevida até 2014, outro Há também o orçamento: R$ 40 bilhões, maior que o de vários Estados. Serra teria hoje 30% das intenções de votos na corrida pela prefeitura de São Paulo; seu principal oponente, Fernando Haddad, 3%. Lula adoeceu no meio do caminho e já se recuperou. Mas a convalescença pode reduzir a decisiva participação em uma disputa com DNA nacional.

O conservadorismo atrelava vagões ao comboio e exultava a cada tropeço do outro lado. A frustrada tentativa de cooptar Kassab parecia ter subtraído ao PT até mesmo o discurso da polaridade ideológica. Com Marta ressentida e afastada, Serra chocava a serpente ao abrigo de confrontos constrangedores. A incubação conservadora ia bem até que uma palavra que desequilibra o lado contra o qual ela se volta entrou no jogo: dignidade, ou Luiza Erundina. Essa mulher nordestina e socialista, ex-prefeita da capital, que alguns criticaram pelo excesso de zelo com a causa popular, será a parceira de Haddad para devolver a São Paulo algo de inestimável valor: o resgate do voto como um engajamento que faz sentido outra vez na luta por uma cidade a serviço dos cidadãos.

Em 2010, seus 50 anos de integridade e dedicação à justiça social foram manchados por uma condenação no Supremo Tribunal Federal: malversação de fundos públicos. Pela sentença, de um processo que se arrastava há 20 anos, Erundina teria que devolver aos cofres municipais cerca de R$ 350 mil, quantia de que não dispunha, nem nunca teve, razão pela qual a Justiça determinou o leilão de seus únicos bens de valor: um apartamento de 80 m2 na zona sul de São Paulo, avaliado então em R$ 100 mil e dois carros populares - um Palio 97 e um Gol 2004, do tipo 'rodados'. As razões que a levaram à condenação e a forma como ela a superou resumem a inquietação que o seu engajamento eleitoral causa agora nas fileiras da direita. 

Erundina não virou ré por qualquer desvio de dinheiro público; sua administração não foi acusada de fraude em licitações ou superfaturamento; ela não nomeou, como fez Serra, um achacador para Departamento de Aprovação de Edificações da Prefeitura, que em poucos anos 'adquiriu' 125 imóveis de alto padrão. Não, eu crime,pelo qual quase perdeu o seu único patrimônio, foi não ter boicotado uma greve geral dos trabalhadores brasileiros, em 1989. Em março daquele ano, a então prefeita de São Paulo determinou que fossem impressos cartazes explicando à população que os ônibus municipais não circulariam nos dias 14 e 15 em apoio à greve geral convocada pela CUT e a CGT, como protesto contra o "Plano Verão. 

A decisão de que ela deveria ressarcir os cofres da despesa com os cartazes era definitiva e não cabia mais recurso. A mais pobre ex-prefeita de São Paulo contou então com a ajuda dos amigos para evitar o desastre. Um grupo organizou uma campanha nacional com jantares e doações populares que se espalhou rapidamente, acumulando depósitos de R$ 2 a R$ 20 mil na conta aberta para essa finalidade. 

A resposta massiva assumiu contornos de indignação suprapartidária e solidariedade ecumênica a ex-prefeita. Em pouco tempo foi atingido o montante necessário e saldada a sentença. Na verdade, os recursos ultrapassaram o valor estipulado em R$ 7 mil, que Erundina decidiu doar a uma instituição de caridade escolhida com a ajuda dos amigos da campanha. Bem-vinda, senhora dignidade.

Aliança com Maluf: ""Foi uma decisão dos partidos, que não passou nem passaria por mim", Luiza Erundina

Aliança com Maluf: ""Foi uma decisão dos partidos, que não passou nem passaria por mim", Luiza Erundina



Às vésperas de o PP anunciar apoio ao ex-ministro Fernando Haddad (PT) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, a deputada e ex-prefeita Luiza Erundina (PSB), parceira de chapa do petista, não esconde o constrangimento de dividir palanque com o colega de Câmara Paulo Maluf. "Para mim não será confortável estar no mesmo palanque com o Maluf", disse a ex-prefeita. "A campanha não sou eu nem Maluf individualmente. É um processo muito mais amplo e complexo, e isso se dilui, ao meu ver. (Mas) Claro que é desconfortável."
Erundina disse ter sido surpreendida pelo apoio de Maluf, a ser anunciado amanhã, e que, se tivesse sido consultada, "faria ponderações" e "provavelmente teria dificuldade de aceitar essa decisão". Com o PP, Haddad terá o maior tempo de propaganda na eleição paulistana. "Foi uma decisão dos partidos, que não passou nem passaria por mim. As responsabilidades de alianças são da direção nacional", explicou.
CLAYTON DE SOUZA/AGÊNCIA ESTADO
Pré-candidato do PT, Fernando Haddad terá Luiza Erundina, do PSB, como vice em sua chapa
Para Erundina, é provável que Maluf não suba no palanque ao lado dela e de Haddad. "Acho que ele nem vai enfrentar a reação da massa."
Pragmatismo
Depois dos conflitos que viveu com o PT quando foi prefeita, ministra e candidata derrotada pelo malufismo em 1996 - brigas que a levaram a trocar a sigla, após 17 anos de militância, pelo PSB -, Erundina admite que o pragmatismo na hora de construir acordos para eleger candidatos e sustentar governos é necessário.
Apesar de manter as críticas feitas aos governos Lula e Dilma e dizer que o PT "fez muitas concessões", a deputada entende que o partido "não perdeu a coerência de forma absoluta" e reconhece méritos nas gestões federais desde 2003.
"Prefiro não julgar um partido em que não estou mais. Agora, foram governos voltados para o interesse da maioria, mesmo que isso tenha exigido certas concessões ao outro polo da sociedade", avaliou. "A política é real, não é algo que se dá no plano do ideal, só da vontade política."
Esse raciocínio está presente na autoavaliação de sua gestão, em que levantou bandeiras sociais na saúde, educação e habitação, mas enfrentou greves e oposição ferrenha - na Câmara Municipal e no próprio PT -, num processo que culminou na derrota de Eduardo Suplicy para Maluf.
"A relação do governo com o partido no município foi uma das dificuldades", lembrou Erundina. O PT paulistano era comandado pelo hoje presidente nacional da sigla, deputado estadual Rui Falcão. "Nós tivemos muita dificuldade. Ele (Falcão) reconhece hoje, não publicamente, mas particularmente faz uma autocrítica de que o partido poderia ter ajudado o governo e não ter criado tanta tensão", contou.
E avaliou que, se tivesse adotado o pragmatismo que hoje há no PT, isso mudaria sua gestão. "Para ter maioria (na Câmara), teria que ter feito concessões. Preferi não ter maioria, não ter conseguido aprovar certas iniciativas de lei do que ter feito concessões." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

No Último Segundo

sábado, 16 de junho de 2012

Luiza Erundina diz à Fernando Haddad: "Estou imensamente feliz por estar ao teu lado, da tua juventude, da tua liderança suave..."

Luiza Erundina diz à Fernando Haddad: "Estou imensamente feliz por estar ao teu lado, da tua juventude, da tua liderança suave..."


Luiza Erundina diz à Fernando Haddad: "Estou imensamente feliz por estar ao teu lado, da tua juventude, da sua liderança suave. Você não é uma figura dura, agressiva, ..."


Assista:

Mó orgulho: Luiza Erundina: "eu sou assim emocional, afetiva, acredito demais nas coisas que eu faço..."

Mó orgulho: Luiza Erundina: "eu sou assim emocional, afetiva, acredito demais nas coisas que eu faço..."



Assista:



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quinta-feira, 8 de março de 2012

Luiza Erundina: representação feminina no Congresso é vergonhosa



Luiza Erundina: representação feminina no Congresso é vergonhosa



Agência Brasil


Chegar à prefeitura da maior cidade do país representou um fato histórico para o Brasil e, para Luiza Erundina, uma ousadia a mais uma em sua vida. “Naquela ocasião ajudou, embora tenha trazido muito preconceito.Mulher, nordestina, de esquerda, do PT, ousar ser prefeita derrotando os caciques da política paulistana. Eu costumo dizer: só faltava ser negra pra ter completado o quadro”, comenta a hoje deputada federal pelo PSB.
“Aí era melhor, porque eu tinha mais uma razão porque lutar”, destacou a deputada ao se referir ao único preconceito que não sentiu na vida, o racial. “Porque a luta é ideológica, ela é cultural. Mais que uma luta do poder pelo poder. É uma luta por valores, por concepções. Não foi fácil naquela ocasião, mas valeu a pena. Eu faria tudo de novo”, destacou.




Erundina assumiu a prefeitura de São Paulo em 1988. Ela considera que conseguiu imprimir uma marca de sensibilidade em sua administração. “Acho que a mulher tem mais sensibilidade para mudar a forma de exercer o poder, e essa é a nossa tarefa. Não é só disputar e conquistar poder. É transformar a forma de exercer o poder, senão reproduz o modelo machista, patriarcal, autoritário, centralizador. E o que é que muda? Nada.”
Hoje, na Câmara dos Deputados, exercendo seu quarto mandato, Erundina é autora do projeto que tem por objetivo garantir metade das cadeiras de direção da Câmara e do Senado para mulheres. Ela é uma das parlamentares mais combativas da sub-representação das mulheres no Parlamento brasileiro.“A nossa representação no Congresso Brasileiro é uma vergonha.”
Erundina, no entanto, não acredita que o preconceito de gênero seja a única barreira para a ascensão das mulheres. Em sua opinião, essa baixa participação é fruto da cultura machista dominante no Brasil. “Nós, mulheres, não somos instadas, orientadas e estimuladas desde criança, adolescente, de jovens, a ocuparmos os espaços públicos, como os meninos já o fazem por estimulo da própria família, do ambiente, da comunidade. E nós incorporamos esse papel secundário nosso na sociedade. É como se o poder fosse para os homens e nós não fôssemos capazes de disputar e de exercer o poder”, observou.
“Às vezes até subliminarmente: votamos em homens porque não queremos reconhecer nossa impotência, nossa pretensa impotência, nossa pretensa incapacidade, nossa inferioridade em relação aos homens. Portanto, há uma carga cultural, educacional, social muito forte para se romper.”
Nesse contexto, a reforma política, na opinião da deputada, é primordial não só para alterar as regras eleitorais, mas para a organização dos partidos e das práticas políticas, para a transparência e a forma como os agrupamentos políticos funcionam.
“Não tenho dúvida de que a barreira maior de integração de inclusão da mulher na sociedade brasileira é o acesso ao poder”, enfatizou Erundina.