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sábado, 12 de janeiro de 2013

Quaquaraquaquá quem riu? Quaquaraquaquá fui eu: Financial Times: O patrimônio de Lula

Quaquaraquaquá quem riu? Quaquaraquaquá fui eu: Financial Times: O patrimônio de Lula

Chora tucanos!

Limpinho e Cheiroso


Lula_Cristo
Silvio Pinheiro, dica de Castor Filho


Especialmente para os caluniadores insidiosos, um blog do Financial Times, uma publicação que os anormais tacharão de comunista, publicou um artigo interessante sobre os dados de Lula vazados pelo hacker @nbdu1nder. A conclusão do artigo: para quem esperava palacetes ou imóveis em condomínios de elite quebrou a cara.

O que se revelou sobre o patrimônio de Lula mostra que o ex-presidente não é rico. Pelo contrário! Para o FT, os imóveis de Lula são classificados como “mal pintados” e “localizados em subúrbios perigosos”.

FT conclui que o hacker, a despeito de incriminar o ex-presidente – considerado “ladrão” pela direita brasileira –, acabou por revelar que ele não tem nada de mais para quem tem mais de 30 anos de vida pública.

Interessante que ninguém se preocupou com os imóveis subvalorizados do senador Aécio Neves (PSDB).

Mesmo com um apartamento no Leblon e outro em Ipanema (entre outros imóveis em BH e Nova Lima, além da Rádio Arco-Íris), Aécio tem um patrimônio de pouco mais de R$600 mil declarados em sua última prestação de contas eleitoral.

Isso é que é ser bom comprador!

Leia a seguir a íntegra em inglês do artigo publicado pelo blog noFinancial Times.

Jan 11, 2013 6:29pm by Joe Leahy
Brazil’s former president Luiz Inácio Lula da Silva is facing plenty of pressure these days over allegations he was directly involved in the country’s biggest corruption case, the Mensalão.
Now comes an expose of what are supposedly his properties.
Readers will recall that the one-time leaders of Lula’s Workers’ Party in 2003 and 2004 have been convicted of stealing funds from state-owned enterprises and using them to bribe opposition lawmakers to support the former president’s government in Congress.
Lula himself has always denied any knowledge of the scheme. But now there are growing calls for an investigation into allegations that some of the money from the Mensalão was directed to the former leader himself for his personal use. Again, he has denied the accusations, which came from a businessmen convicted in the case.
So readers will be fascinated to learn then that a hacker has published details of what are purported to be Lula’s assets – in the form of a list of addresses of properties supposedly owned by the politician. This from the Associated Press:
A hacker has posted what appears to be private information of former president Luiz Inacio Lula da Silva on the Internet to protest a major corruption scandal which he says “will end in nothing.”
The addresses of properties said to be owned by Silva, phone numbers, companies registered in his name and his taxpayer number were posted on Twitter. The hacker identified himself as nbdu1nder.
The trial surrounding a cash-for-votes corruption scheme saw 25 people convicted, including former top aides to Silva.
Silva’s office would not confirm the authenticity of the information posted on Twitter and said it had no comment.
But those expecting palatial residences in São Paulo’s elite neighbourhoods, beachfront condos in Copacabana or sprawling fazendas in the Brazilian Amazon will be disappointed. The properties revealed by the site, while not exactly a pauper’s empire, are definitely not those of your typical bling-covered sleazebag politician with a trophy wife on his arm.
The most respectable is Condominio Residencial Hill House, a normal-looking apartment building in São Bernardo do Campo, the suburb of São Paulo where the former president began his career as a trade unionist. He has one, possibly two apartments here, according to the hacker.
Lula_Propriedades01
From here it goes rapidly downhill, apparently. Lula has another property in the same suburb, a shabby looking joint in a not very salubrious neighbourhood that is up for sale with graffiti covering the front fence.
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Then there is a humble house in a town deep in the interior of the state of São Paulo that looks like it too badly needs a coat of paint.
Lula_Propriedades03
Finally, there is the pièce de résistance, a house in an area of the northeastern city of Natal called Felipe Camarão, which roughly translates as Philip Shrimp. Judging by pictures taken from Google Maps photos, this is not a place you would want to wander at night, especially when a YouTube search throws up videos about homicides and other social problems.
Lula_Propriedades04
Overall, the allegedly ill-begotten assets look like nothing more than those that someone with a normal salary and an inheritance or two thrown in might end up with after a lifetime of work. Think of the estate of your spendthrift old uncle Bob rather than Silvio Berlusconi. Either way, the hacker – who proudly declares “Live the Revolution” – has in fact done defenders of Lula’s cause more good than harm.
After all, if this humble collection was the best a corrupt politician in Brazil could muster, then surely most would stick with their day jobs.
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Lula participa da abertura da Expocatadores 2012 e recebe prêmio “Amigo dos Catadores”

Lula participa da abertura da Expocatadores 2012 e recebe prêmio “Amigo dos Catadores”

Instituto Lula

Fotos: Ricardo Stuckert/Instituto Lula


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (29) da abertura da Expocatadores 2012, um evento de negócios, troca de experiências, disseminação de conhecimentos e tecnologias que reúne as novidades para a inclusão social dos catadores de materiais recicláveis. Participam da feira catadores de todo o Brasil, além de representantes da África, América Latina e Ásia.


Também estavam presentes no evento o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o presidente da Itaipu Binacional Jorge Samek, representantes do Banco do Brasil, do BNDES, da Petrobras e de outras empresas e entidades que apoiam os catadores de material reciclável.
No evento foram entregues os primeiros cartões do BNDES para cooperativas de reciclagem. Com esse benefício, os catadores tem acesso mais fácil ao crédito para equipamentos que podem permitir o aumento da renda dos cooperados.
Lula recebeu durante a cerimônia um prêmio que simboliza o seu reconhecimento como “amigo dos catadores”. Durante todos os anos de seus dois mandatos como presidente, Lula participou da festa de Natal do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável. E o ex-presidente garantiu que estará de novo na festa desse ano.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Luis Fernando Verissimo: Buuu "É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos."

Luis Fernando Verissimo: Buuu "É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos."


Buuu

Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

Luis Fernando Verissimo - O Estado de S.Paulo


- É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior - tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como e fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.
- A nova classe média nos descaracterizou?
- Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada...
- Buuu para o Lula, então?
- Buuu para o Lula!
- E buuu para o Fernando Henrique?
- Buuu para o... Como, "buuu para o Fernando Henrique"?!
- Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?
- Sim. Não. Quer dizer...
- Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.
- Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.
- Por quê?
- Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.
- Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?
- Acho, mas...
Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou. 

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sábado, 22 de setembro de 2012

“O Brasil tem um débito de solidariedade com a África”, diz Lula em entrevista ao Financial Times

“O Brasil tem um débito de solidariedade com a África”, diz Lula em entrevista ao Financial Times

Instituto Lula




Um dos objetivos do Instituto Lula é contribuir para ampliar a cooperação com o continente africano. Foi nesse contexto que o ex-presidente foi entrevistado pela revista bimestral “This is Africa”, do Financial Times.  ”Nós temos muitas experiências que queremos que os governos africanos vejam”. A frase selecionada para abrir a entrevista também revela a intenção de compartilhar com a África as políticas públicas vitoriosas que o Brasil vivenciou desde a eleição de Lula. “”Não queremos ter esse tipo de relação [que os colonizadores tiveram] com a África”. Não, nós temos que construir uma relação em que parceria signifique parceria completa. O Brasil deve ganhar alguma coisa, mas os africanos também têm de ganhar alguma coisa”, explica Lula.
O Instituto Lula recebeu autorização do Financial Times para publicar a entrevista na íntegra, em português. Ela ajuda a entender a relação de Lula com a África e também ilustra os desafios do próprio Instituto Lula. Clique aqui para ler a entrevista original, em inglês (é necessário fazer cadastro no site).
Entrevista : Luiz Inácio Lula da Silva (THIS IS AFRICA)
Por Lanre Akinola
“Eu acredito que a cooperação Sul-Sul nos obriga, em primeiro lugar, a melhorar o funcionamento das instituições multilaterais e, num segundo momento, a construir novas instituições que permitiriam uma maior igualdade entre todos os participantes”.
O Brasil está rapidamente se tornando um símbolo da nova economia global. Com um PIB de 2,500 bilhões de dólares, já é a 6a maior economia do mundo e, segundo certas estimativas, irá ultrapassar a França no final de 2012. A ascensão do país foi rápida. Entre 2003 e 2010, o tamanho da economia aumentou mais de quatro vezes. O progresso social foi impressionante, pobreza diminuiu 27,5% entre 2003 e 2007. Na ultima década, 40 milhões de brasileiros saíram da pobreza, e o número oficial de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza em 2011 era de somente 8,5%.
O crescimento, que atingiu 7,53% em 2010, desacelerou recentemente. As últimas análises preveem uma pequena expansão de 1,5% em 2012, levantando dúvidas em relação à sustentabilidade do modelo de crescimento do país. Tal percepção, porém, é imperceptível para quem dirige por São Paulo, o coração comercial do Brasil – e cada vez mais da América Latina. Enormes outdoors anunciando a última linha de televisores da LG ou da Samsung Smart alinham-se à beira de novas rodovias que levam os visitantes do aeroporto ao centro desta crescente metrópole de 19 milhões de pessoas. Desde seus arranha-céus imponentes, que lembram Nova York, a seus shoppings e restaurantes finos, é um lugar que transborda confiança.
Se questionados, a maioria dos brasileiros indicariam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que governou o pais de 2003 a 2011- como a pessoa a quem agradecer pela recém-descoberta fortuna brasileira. Nascido em um meio humilde, em uma das regiões menos desenvolvidas do Brasil, o popular ex-líder sindical, universalmente conhecido como Lula, goza de um status de ícone no Brasil. Seu percentual de aprovação de 80% ao deixar o governo atingiu um nível com o qual a maioria dos políticos nem ousaria sonhar.
O Partido dos Trabalhadores, agora no poder, que Lula ajudou a fundar em 1980, está atualmente envolvido em um dos maiores julgamentos de corrupção da história do país – e envolve membros do alto escalão do governo. O Sr. Da Silva não enfrenta nenhuma acusação e, para grande parte dos brasileiros, continua sendo um herói político e social.
Sua passagem pelo governo também inaugurou um realinhamento estratégico da política externa do Brasil. Sincero advogado da cooperação Sul-Sul, ele construiu laços mais próximos com os países latino-americanos vizinhos do Brasil e outras regiões em desenvolvimento – especialmente a África. Durante seus oito anos de governo, o comércio bilateral [com a África] aumentou para 25 bilhões de dólares, o Brasil abriu mais de 12 novas embaixadas no continente e o Presidente Lula visitou aproximadamente 25 países, efetuando 12 viagens de Estado oficiais. Quando ele proferiu seu primeiro grande discurso público após ser diagnosticado com câncer de garganta em outubro 2011, durante uma conferência no Banco de Desenvolvimento do Brasil, em maio, o tópico foi as relações Brasil-África.
Ao ser entrevistado pelo “This is Africa” no Instituto Lula, a fundação que ele dirige hoje em São Paulo, sua paixão pela África é visível. O Sr. Da Silva, casualmente vestido – e que não tem tempo a perder com o protocolo que normalmente caracteriza ex-chefes de Estado – está alegre após receber a notícia de seus médicos no começo da semana que seu câncer estava em remissão. Ele veste uma camisa da África Ocidental – do Benin – e uma de suas paredes está adornada com uma pintura de uma mulher africana andando pela savana, com o sol se pondo ao fundo.
“Gostaria de contar uma pequena história”, diz ele no seu inconfundível tom de voz efervescente, enquanto explica porque a África se tornou um ponto focal da política estrangeira de seu governo. Sua barba icônica se foi, e há dúvidas se ela voltará a crescer, mas a batalha contra o câncer não diminuiu a força de seu discurso, que carrega a mesma intensidade de sempre.
“Quando ganhei as eleições presidenciais e tomei posse em 2003, no dia 25 de janeiro participei do Fórum Social Mundial em Porto Alegre antes de ir para Davos no mesmo dia. Eu vi o que estava acontecendo no Fórum Social Mundial e acompanhei o que estava acontecendo em Davos”. O contraste entre as duas experiências, uma dedicada a um modelo econômico e social alternativo e outra profundamente enraizada na defesa da globalização, deixou claro ao Sr. Da Silva que a política externa do século XXI deveria ser mais multifacetada do que até então tinha sido o padrão. “Eu disse a meu ministro das relações exteriores quer era necessário mudar a geografia política, econômica e comercial que tinha até então existido no Brasil. Tudo passava pelas grandes potências e era necessário trabalhar a fim de inserir os países emergentes nos processos decisórios sobre comércio, economia e políticas sociais”.
“O Brasil não podia ver o Atlântico como um obstáculo para chegar à África”, diz ele, apontando para o oceano que divide o planeta no mapa em uma mesa a seu lado. “Ao contrário, deveria ser visto como algo favorável, que apontasse para a integração e nós poderíamos até considerar que a África compartilha uma fronteira com Brasil”. Tal pensamento estava à frente de seu tempo. Em 2003, países como a China e o Brasil, de rápido crescimento, ainda eram atores marginais nos negócios globais. As economias ocidentais pareciam incapazes de errar. O triunfo neoliberal era total, com um crescimento que parecia infinito. Regiões como a África eram raramente citadas, a não ser na ocasião de golpes de estado ou crises alimentares.
Menos de uma década depois, o cenário é completamente diferente. Na crise financeira de 2008-2009, economias emergentes conduziam o crescimento global, com mercados como o africano gerando crescente interesse entre governos e a comunidade de negócios internacional. “Havia uma certa animosidade da parte do empresariado e dos dirigentes brasileiros em relação até mesmo à tentativa de entender que o Brasil poderia ter uma boa relação com a África e que aquele não era só um lugar cheio de pessoas miseráveis”, lembra o Sr Da Silva.
“Havia países e pessoas ali que queriam progredir e se desenvolver, lugares que estavam reforçando o processo democrático”.
Com o tempo, e certo lobby, a ideia pegou, e desde então ganhou certo apreço nos meios políticos e de negócios brasileiro. Agências governamentais como o Banco de Desenvolvimento do Brasil e a Embrapa, o organismo brasileiro de pesquisa agrícola, reforçaram seus compromisso com o continente. Ao mesmo tempo, grandes atores comerciais como a gigante produtora de minério de ferro Vale ou a fabricante de aviões Embraer, tornaram-se defensores ativos da história de crescimento da África.
O interesse pela África, entretanto, não decorre somente da busca de novos mercados aos quais empresas públicas e privadas brasileiras poderiam vender seus produtos, tampouco se trata essencialmente dos interesses estratégicos do Brasil, insiste o Sr da Silva.
Tendo em conta os laços culturais entre o Brasil e a África (estima-se que a metade da população de 196 milhões de brasileiros seja descendente de africanos) a noção de solidariedade social e política desempenha um papel central na abordagem Sul-Sul do Sr. da Silva. Ele fala da dívida que o Brasil tem para com a África devido ao comércio transatlântico de escravos e seu legado, uma dívida “que não é tangível; não se pode pagá-la em dinheiro. Como pagá-la de volta? Você a paga através da solidariedade”.
Uma de suas prioridades como presidente, explica o Sr. da Silva, era elaborar uma estratégia que fortaleceria os laços “sem agir do jeito que o colonizador agiria, como tradicionalmente acontecia ali”.
“Não queremos ter esse tipo de relação com a África”. Não, nós temos que construir uma relação em que parceria signifique parceria completa. O Brasil deve ganhar alguma coisa, mas os africanos também têm de ganhar alguma coisa.
“As pessoas têm que saber que o Brasil quer ser diferente de verdade”, diz ele, argumentando que o país tem uma responsabilidade no sentido de compartilhar com a África seu sucesso econômico e social recente em termos iguais. “Nós temos muitas experiências que queremos que os governos africanos conheçam… O desafio é como a gente aproveita essas experiências bem sucedidas, mas respeitando a cultura e as particularidades de cada país da África.”
Embora o interesse empresarial tenha aumentado nos anos recentes, essa abordagem continua a ser praticada principalmente pelas congêneres da Embrapa. A agência tem desempenhado um papel importante na transformação do Brasil em um produtor agrícola global de grande porte, especializada unicamente na agricultura tropical.
É em áreas como a da agricultura, que se tornou uma prioridade de políticas públicas para vários governos africanos nos últimos anos, que da Silva acredita que o Brasil pode ter o mais forte impacto para o desenvolvimento.
Outras agências governamentais, incluindo a Agência Brasileira de Cooperação, também promovem a abordagem brasileira da parceria igualitária. O BNDES está ampliando seu compromisso. Em maio, o banco assinou um acordo comercial-financeiro com o Bradesco, um dos maiores bancos privados do país, para estimular o crescimento das exportações brasileiras à África. O banco estatal também explora o potencial para parcerias com o Banco Africano de Desenvolvimento.
Ainda que essa abordagem tenha benefícios potenciais evidentes para o desenvolvimento africano, da Silva sabe do impacto limitado que um único ator, tal como o Brasil, pode ter, e também da necessidade de reforma das instituições globais de desenvolvimento.
“Eu acredito que a cooperação Sul-Sul nos obriga, em primeiro ligar, a melhorar o funcionamento das instituições multilaterais, e depois a construir novas instituições que permitam que exista mais equidade entre todos os participantes”, disse, reverberando a crescente pressão pela reforma de organismos globais, como a ONU e as instituições financeiras internacionais.
Logo após a saída inesperada de Dominique Strauss-Kahn do posto de diretor-gerente do FMI, o Brasil e seus parceiros no BRICS estavam entre os que se opunham à continuidade do controle europeu sobre o cargo principal na instituição. Uma pressão similar foi exercida durante o processo de escolha do novo presidente do Banco Mundial no início deste ano.
“A África não está representada no Conselho de Segurança, a América Latina não está representada, e um país do tamanho da Índia não participa. Qual é o problema em se ter cinco ou seis países a mais no Conselho de Segurança? Por que a Europa tem tantas vozes em todas as instituições?”
Ao se inclinar para dar ênfase, as raízes sindicais de da Silva vêm à tona no tópico do domínio ocidental sobre as instituições internacionais. Ele é direto em sua crítica sobre o que considera ser uma clara ambivalência de parâmetros nas relações dos países ricos com os países em desenvolvimento.
“Com a quebra do Lehman, a gente assistiu ao colapso da teoria de que os mercados podiam dar conta de tudo”, diz ele, em referência à ortodoxia neoliberal que havia dominado a economia e as finanças internacionais a partir do começo dos anos 1980.
Segundo da Silva, depois de um breve período de autocrítica no seio de organismos como o G20, durante o emergir da crise financeira, os países ricos agora retornam às práticas de sempre.
“O setor financeiro não foi punido. Descobrimos que o FMI só falava grosso para impor seu receituário com os países pobres. Na crise dos países ricos, nada foi dito.” Não sendo um proponente da economia de livre-mercado, o entendimento de da Silva é dotado de um amplo pragmatismo. “Nós não queremos tirar nada de ninguém, mas queremos estabelecer regras… regras que garantam nossa independência e que nos libertem da necessidade de confiar em terceiros para tocar nossos negócios. Acredito que as instituições multilaterais precisam mudar mas, enquanto elas não mudam, a gente precisa desenvolver outras instituições.”
Tais declarações refletem a confiança crescente das economias emergentes no sentido de não só se submeter a regimes internacionais, como também de remodelá-los e, no que for preciso, construir suas próprias instituições de desenvolvimento.
Ao lado de chamados renovados pela mudança nas instituições internacionais no 4º Encontro Anual dos BRICS, realizado em Delhi em Março, os quatro Estados-membros também mantiveram conversas sobre a criação de um novo banco de desenvolvimento para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos BRICS e em outros países emergentes. Conforme o Brasil assume um papel mais central nas relações econômicas e políticas globais, dúvidas surgem a respeito de sua habilidade em manter e consolidar seu nível atual de comprometimento com a África, particularmente sem um apaixonado defensor como da Silva na Presidência. Confrontado com isso, ele admite que há mais trabalho a fazer.
“Tenho isso claro na minha cabeça, mas certamente isso não está claro para muita gente no Brasil. Muitos empresários e empresárias não pensam desse jeito. Ainda tem muito trabalho pesado pela frente para consolidar esse ponto de vista e essa visão sobre a África, mesmo para uma parte da burocracia estatal do Brasil”, diz.
De acordo com seus assessores, muito de suas atividades depois da Presidência enfocarão a África, e se fala que da Silva já planeja seu retorno à ativa na política. Mesmo concordando que é preciso consolidar mais, ele não tem dúvidas de que o engajamento político do Brasil com a África veio para ficar.
“Esse trabalho com o desenvolvimento da África é uma coisa que pessoalmente me entusiasma, e que hoje está empolgando muita gente no Brasil também. Eu conheço a presidenta Dilma muito bem e estou certo de que as convicções dela em relação à África são as mesmas que eu tenho.”

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O que o caso Marcos Valério conta sobre a mídia brasileira

O que o caso Marcos Valério conta sobre a mídia brasileira

Diário do Centro do Mundo


Marcos Valério
Na condição de jornalista independente e apartidário, pronto a reconhecer méritos e defeitos de FHC ou de Lula ou de quem mais for, não posso deixar de comentar o episódio Marcos Valério e Lula. Minha experiência em redação pode eventualmente ajudar o leitor a entender melhor o que vê publicado.
Na essência, este caso ajuda a entender uma coisa: por que o poder de influência da grande imprensa se esvaiu tanto nos últimos anos. Note: não faz tanto tempo assim, Roberto Marinho era tido como a pessoa mais poderosa do país, capaz de eleger ou não quem quisesse. Sucessivos presidentes machucavam as costas para se curvar a Roberto Marinho e obter seu apoio, tido como fundamental.
Pela terceira vez seguida, a Globo não foi capaz de eleger seu preferido para a eleição presidencial. Todo o empenho de jornalistas em postos importantes da casa – de Kamel a Merval, de Noblat a Míriam Leitão, de Bonner a Waack, isso para não falar de colunistas como Jabor e entrevistados frequentes como Demétrio Magnoli – foi insuficiente para convencer os eleitores a votarem como a Globo desejava que votassem.
Isso é um dado importante e objetivo: esforço não faltou. Faltou foi poder de persuasão. Faltou foi influência. Faltou foi um conjunto de argumentos que fizessem sentido. Não apenas para a Globo, evidentemente, mas para a grande imprensa como um todo.
Donos e editores já deveriam há muito tempo ter parado para tentar entender por que sua voz não está sendo ouvida. Você pode fingir que o problema está neles, nos eleitores. Ou pode enfrentar os fatos corajosamente e ver que correções pode fazer em sua trajetória. Alguém já disse e repito aqui: mais editores fazem mais estragos para a imprensa estabelecida do que a internet.
O casal Pedro Collor: onde as provas?
E então chegamos a Marcos Valério. A notícia que parece incendiar os comentaristas políticos é a seguinte: Marcos Valério afirma que Lula era o chefe do mensalão. Mais precisamente: Marcos Valérioteria afirmado.
Foi capa da Veja. Segundo Noblat, a Veja gravou uma fita com a acusação de Marcos Valério.
Vamos considerar o cenário mais favorável a quem é contra Lula: Marcos Valério de fato falou, e a fita existe.
Ainda assim: uma acusação de Marcos Valério tem valor de prova para que se publique e se repercuta com tanto calor? É legítimo publicar o que quer que Marcos Valério diga – sem evidências que as sustentem? Se as há, se existe algo além da palavra duvidosa ainda que gravada de Marcos Valério, retiro tudo o que disse acima sobre o episódio. (Leio agora que a revista decidiu não publicar a suposta fita.)
Em países em que a sociedade é mais avançada, você precisa muito mais do que as palavras de alguém para publicar acusações graves – ou terá que enfrentar a Justiça. Foi o caso célebre de Paulo Francis. Francis teve o azar de chamar diretores da Petrobras de corruptos em solo americano. Os acusados puderam processá-lo na Justiça americana. Onde as provas? Os amigos dizem que Francis morreu por conta do desgaste emocional deste caso, e acredito. Se o processo corresse na Justiça brasileira, não daria em nada, evidentemente.
Um dia o jornalismo brasileiro terá também que fazer uma autocrítica em relação ao caso Collor. Não que se tratasse de um caçador de marajás. Mas o que mais pesou em sua queda foram palavras – a famosa entrevista de Pedro Collor. Estava certo publicar o que Pedro Collor afirmara como se fosse verdade indiscutível?
Na época, quando conversava com outros jornalistas sobre a capa de Pedro Collor, a pergunta que eu fazia era a seguinte: imagine que o irmão do presidente americano bate na redação do New York Times e conta histórias horríveis. O Times publicaria?
O público não deve entender como alguém que segundo Pedro Collor cometeu tantos crimes acabou sendo absolvido pelo Supremo Tribunal Federal e está aí, militando na política. Não havia provas, segundo o STF. Mas então qual a sustentação da entrevista de Pedro Collor? Palavras? É pouco.
No presente caso, pelo pouco que li, vi a velha cena tão comum nos últimos dez anos. Uma acusação – ainda que partida de Marcos Valério, ainda que sem provas — vai tomando ares de extrema gravidade na grande imprensa. Alguém dá, e depois vem a repercussão previsível. Leio que Merval chegou a falar em cadeia.
O público não me parece tão convencido assim da importância do assunto. Observei que no site da Folha e do Estado o tema não é sequer o mais lido do dia. Ocupava, quando verifiquei, uma modesta quinta posição. Russomano – já nem lembro por que – despertava muito mais interesse no leitor.
O leitor não é bobo. Mas a mídia estabelecida o trata como se fosse, e sua perda de influência deriva, em grande parte, desse erro de avaliação.  Nos dezesseis anos que compreendem as gestões de FHC e Lula, o Brasil avançou consideravelmente. A grande imprensa, infelizmente, não conseguiu acompanhar este avanço.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Noblat é pego na mentira via Twitter

Noblat é pego na mentira via Twitter


Ricardo Noblat, colunista/blogueiro do jornal O Globo, publicou no sábado (11) um post que se espalhou por toda a imprensa feito cocada quente em quermesse.
O título incisivo – “Dias Tóffoli, ministro do STF, me agride com palavrões e baixarias” – surpreende e o texto detalha a “agressão”. O jornalista não omite que ouviu a conversa de Toffoli “sem [este] saber que eu o escutava”.
(…)
Reproduzo algumas coisas que ele disse (não necessariamente nessa ordem) e que guardei de memória:
- Esse rapaz é um canalha, um filho da puta.
Repetiu “filho da puta” pelo menos cinco vezes. E foi adiante:
- Ele só fala mal de mim. Quero que ele se foda. Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo.
(…)
Por mais de cinco minutos, alternou os insultos que me dirigiu sem saber que eu o escutava:
- Filho da puta, canalha.
Depois disse:
- O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia, esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.
Arrematou:
- Chupa! Minha pica é doce. Ele que chupe minha pica.
Confira o post completo aqui.
No dia seguinte, Eduardo Pertence, filho de Sepúlveda Pertence, que foi ministro do STF, desmentiu Noblat. E depois o mesmo Eduardo voltou atrás, dizendo que, de onde estava, não poderia ter escutado o que disse Toffoli no momento em que Noblat o escutava, escondido, vale lembrar.
Nesta segunda-feira, via Twitter, internautas questionaram Noblat sobre suas críticas recorrentes a Lula, citando o apelido “sapo barbudo”, criado por Leonel Brizola e difundido por jornalistas e políticos.
Noblat rebateu enfaticamente o uso do apelido: ”Eu jamais chamei Lula de sapo-barbudo. Jamais. Leitores do blog podem ter chamado”, escreveu, como mostra a imagem abaixo.
Não demorou a ser desmentido pelo tuiteiro Enio Anselmo de Souza (@eniodesouza), que postou dois links com textos de Noblat usando o apelido, num contexto bastante crítico a Lula:
24/08/2009
06/10/2008
Cinco horas depois do desmentido, Noblat continua calado.
Num furo exclusivo da blogosfera suja, registraram a cara de Noblat logo após ter sido desmentido.
“O que eu vou inventar dizer agora?”
Esse é o sujeito que se esconde para ouvir conversas privadas. E que, pelo fato de não lhe ser favorável, usa o conteúdo dessas conversas aliada à sua visibilidade para atacar os desafetos.
É mais um dos tantos – embora ínfimos no universo da população brasileira – que não conseguem suportar o êxito de alguém como Lula e de um partido como o PT.
Como se diz por aí, azar o dele.

domingo, 5 de agosto de 2012

O fantasma de Lula ronda a noite tucana e transforma o sonho político deles para 2014 em pesadelo

O fantasma de Lula ronda a noite tucana e transforma o sonho político deles para 2014 em pesadelo

FHC atira no pé
Carta Capital


Tiro no pé. FHC pede que outra de suas façanhas seja esquecida. Seu escudeiro Serjão ainda se ri. Fotos: Reprodução de vídeo e Epitácio Pessoa/AE
O fantasma de Lula ronda a noite tucana e transforma o sonho político deles para 2014 em pesadelo. Um terrível pesadelo. É por essa razão e não por suposta preocupação ética que o PSDB dá atenção e tratamento especiais ao ex-presidente petista no decorrer do julgamento da Ação Penal 470, batizada de “mensalão” por Roberto Jefferson, o réu delator de um suposto esquema de compra de votos, armado em 2005, para a aprovação de projetos de interesse do governo.
Já de olho na eleição de 2014, os tucanos pretendem abalar a popularidade e o prestígio de Lula. Assim, o PSDB anuncia também uma programação própria das sessões no STF na página do partido na internet. O show precisa continuar.
Essa tática tucana é reafirmada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na vanguarda das ações contra Lula, ele aparece na blogosfera em vídeo de 1 minuto e 25 segundos, no qual bota pressão no Supremo Tribunal Federal (STF). FHC, em linguagem sibilina, usa e abusa de sociologia rasteira, comum nos botequins e, também, nos bons restaurantes que frequenta. O tema é o dito mensalão. “O comentário de que não há punição no Brasil, e que a corrupção é ligada a isso, é frequente…”
Dessa forma, o ex-presidente abre o discurso sobre o julgamento em andamento no Supremo. Ao falar de impunidade como estimuladora da corrupção, ele responsabiliza os juízes, os ministros, a Justiça. Enfim, esbofeteia a própria Têmis. E faz corar a estátua de granito de Ceschiatti, mantida em frente ao prédio do STF, em Brasília.
Além de agredir a Magistratura, o ex-presidente também se agride. Descuidado, atira no próprio pé ao fazer a conexão entre corrupção e impunidade. Tal aproximação sugere esta pergunta:
Teria ocorrido o chamado mensalão se tivesse havido punição para os corruptores do governo e os parlamentares corrompidos para aprovar, no Congresso, a emenda constitucional que deu a FHC a reeleição?
Recordar é viver. Em 1997, surgiram gravações de escutas telefônicas levantando fortes evidências de que havia um esquema para compra de votos de deputados arregimentados por Sérgio Motta, o Serjão, então ministro das Comunicações.
O jornal Folha de S.Paulo foi o primeiro a apontar o escândalo e, para ilustrar a sequência de reportagens, criou um “selo” com a frase: “Reeleição comprada?”
Além de dois governadores, Orleir Cameli (AC) e Amazonino Mendes (AM), dois deputados, João Maia e Ronivon Santiago, ambos do PFL, integravam o projeto. Curiosamente, o deputado Maia era um egresso do PT. Os tucanos mais ortodoxos podem argumentar que o ex-petista inoculou nas negociações para a aprovação da emenda o vírus da corrupção. Não poderia ser também resultado do encontro de Maia, já então pefelista, com o peessedebista Serjão, o fator de formação dessa pororoca venal?
A oposição daquela época, os partidos de esquerda essencialmente, tinha força reduzida no Congresso e não conseguiu criar uma CPI para investigar as denúncias. O rolo compressor governista, PSDB, PFL e PMDB, botou uma pedra sobre a história. Impediu a punição dos culpados. E, neste caso, a Magistratura não tem culpa. FHC sabe disso.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Convidado oficial para a festa de encerramento das Olimpíadas, o ex-presidente Lula decidiu não viajar para Londres.

 Convidado oficial para a festa de encerramento das Olimpíadas, o ex-presidente Lula decidiu não viajar para Londres


Por Bob Fernandes
Convidado oficial para a festa de encerramento das Olimpíadas, o ex-presidente Lula decidiu não viajar para Londres. Os Jogos se encerram no dia 12. Lula, a princípio, deveria viajar para a Inglaterra no dia 8 de agosto.
A decisão de Lula foi comunicada às pessoas mais próximas nesta segunda-feira, 23. Há três semanas, antes de viajar para 10 dias de descanso no interior de São Paulo, Lula avaliava a ida para o encerramento das Olimpíadas.
Como se sabe, o então presidente Lula empenhou-se pessoalmente na campanha brasileira pela Olimpíada Rio 2016. Ele estava em Copenhague no dia 2 de outubro de 2009 e chorou quando o Rio foi escolhido para ser a sede dos próximos Jogos.
Dois fatores pesaram na decisão de Lula de não ir para o encerramento: o desejo de participar ativamente da campanha eleitoral a partir de agosto, e os exames periódicos marcados para os próximos dias 6 e 7. 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

"É o ex-presidente Lula quem está sendo julgado no caso Mensalão", afirma o deputado Miro Teixeira

"É o ex-presidente Lula quem está sendo julgado no caso Mensalão", afirma o deputado Miro Teixeira



Do alto de sua experiência como advogado, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) raciocína da seguinte forma a respeito do julgamento do Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF):
Se a defesa centrar a sua argumentação em que, na verdade, quem está sendo julgado é o ex-presidente Lula, há grandes chances de o grupo sair inocentado ou com penas muito baixas.
– Uma coisa é certa, não  será um resultado apertado. Os ministros do Supremo, nesses casos, costumam decidir quase que por consenso. É uma forma de proteger a instituição — afirma o deputado.


Poder Online

domingo, 8 de julho de 2012

Pós-lulismo

Pós-lulismo


Andante Mosso



O governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Foto: Dida Sampaio/AE
Há um caminho seguro para entender o movimento político-eleitoral do governador Eduardo Campos, de Pernambuco.
O compromisso dele é com Lula e Dilma. Não com o PT.
Novo horizonte I
Demorou mais que o previsto a aliança PSDB e PT construída em torno da eleição de Marcio Lacerda (PSB), em 2008, para a prefeitura de Belo Horizonte.
Nascida da boa relação entre o então prefeito petista Fernando Pimentel e o então governador tucano Aécio Neves, o rompimento tornou altamente competitiva a disputa na capital, que já parecia resolvida com a reeleição de Lacerda.
Com o rompimento, o ex-prefeito petista Patrus Ananias entrou no jogo e pode dar unidade ao partido perdida com o acordo e vencer o pleito.
Lacerda é um prefeito com boa avaliação, mas Patrus é figura querida em BH.
Novo horizonte II
A eleição municipal, um beco sem saída para o PSDB e o PT, deu o pretexto para o fim de uma aliança que incomodava as partes.
Aécio conta com a reeleição de Lacerda agora para empurrá-lo para a disputa estadual, em 2014. Mas isso significaria entregar a prefeitura para um substituto petista. O vice na chapa.
O controle da Câmara de Vereadores fez Aécio bloquear a extensão da aliança, prevista no acordo, para as eleições proporcionais e deixou claro que ele manda no destino político de Lacerda, eleito pela legenda socialista.
Salvo se, antes, tiver feito consulta ao governador pernambucano Eduardo Campos, presidente do PSB.
Filhos das mães

Contra a rejeição. Se a chapa fosse Ibarra-Assed, funcionaria melhor
Rodrigo, filho do ex-prefeito do Rio Cesar Maia, e Clarissa, filha do ex-governador fluminense Anthony Garotinho, formam uma das chapas na disputa pela prefeitura carioca.
Ele é candidato a prefeito e ela, a vice.
Com os sobrenomes maternos, Rodrigo Ibarra (chileno) e Clarissa Assed (líbio), talvez pudessem amenizar nas urnas a rejeição dos eleitores aos pais.
Prefeito incolor
É fácil entender a confusão em torno da identificação partidária do prefeito Raul Filho, de Palmas (TO), apanhado na rede de corrupção de Carlos Cachoeira.
Raul disputou a prefeitura em 2006, pelo PSDB. Em 2000, no PPS, foi novamente derrotado. Finalmente em 2004, época do vídeo, já filiado ao PT ganhou a eleição. Reeleito em 2008, foi expulso do partido em 2011.
Agora ele vai se explicar na CPI sem rede de apoio.
Quarentena
A magistratura fez as contas.
Somente em 2020 um juiz de carreira voltará a presidir o Supremo Tribunal Federal. Após o advogado Ayres Britto, os próximos presidentes são oriundos da advocacia ou do Ministério Público.
Todos nomeados pelo ex-presidente Lula.
São eles: Joaquim Barbosa (MP), Ricardo Lewandowski (advocacia), Cármen Lúcia (advocacia e MP) e Dias Toffoli (advocacia).
Só então a magistratura retomará, com Luiz Fux, o comando do STF.
Corda esticada
O presidente do Sindifisco Nacional, Pedro Delarue, considera que o governo esticou a corda no embate do reajuste salarial dos servidores federais.
E adverte: “O Planalto sentirá os efeitos nos próximos dias”.
Assim como os auditores fiscais, que estão em operação – padrão, a Polícia Federal e Advocacia-Geral da União se prepararam para agir “no limite da legalidade”.
Os federais não farão diligências em outros estados nem protegerão autoridades. Os advogados, por sua vez, só vão defender a União quando o prazo do processo estiver para estourar.
Esse é o plano da reação e, segundo Delarue, sem recuo.
Cruz e espada
Às vésperas do quarti centenário, a Irmandade de Santa Cruz dos Militares passa por maus momentos financeiros.
A igreja da Irmandade, de estilo barroco mineiro, é uma das mais belas do Rio de Janeiro e tem nas paredes laterais do altar-mor entalhes do mestre Valentim.
A Irmandade é o berço do sistema previdenciário dos militares, hoje administrado pela União. A instituição é proprietária de quase 500 imóveis. Alugados, eles garantiriam recursos para a manutenção. No entanto, já houve casos de corte de fornecimento de água apesar de o locatário ter pago a conta. Sinal de má administração?
O número de filados é mantido em sigilo e já se cogita procurar o Judiciário para forçar o provedor, coronel da reserva Carlos Alberto Barcellos, a soltar a lista de contribuintes.
Caxias, provedor da Irmandade, em 1871, proclamava: “Irmãos pela cruz e irmãos pela espada, a nossa missão é sagrada: santificar o culto do Divino Senhor e aliviar da miséria as viúvas e filhos dos que seguem a nobre profissão das armas”.
Se soubesse o que se passa agora, daria voltas na tumba.