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quarta-feira, 27 de março de 2013

Senado aprova projeto que obriga SUS a fazer reconstrução de mama


Senado aprova projeto que obriga SUS a fazer reconstrução de mama

Agência Brasil


Brasília - O plenário do Senado aprovou hoje (26) projeto que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer a reconstrução da mama de mulheres que sofrerem de câncer, preferencialmente na mesma cirurgia em que ocorrer a retirada.
Pelo projeto, caso não seja possível fazer a reconstrução na mesma cirurgia, ela deve ocorrer logo que a mulher tiver condições clínicas de passar pelo procedimento. O objetivo é impedir que a cirurgia seja adiada seguidas vezes de modo a fazer com que a mulher que perdeu a mama desista do procedimento.
O projeto havia sido aprovado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado e seguiu, em regime de urgência, para o plenário. Por não ter sido alterado em relação ao texto aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto segue para sanção presidencial.

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sábado, 9 de março de 2013

E as feministas que são chatas, agressivas...: SUS recebe duas mulheres por hora vítimas de abuso


E as feministas que são chatas, agressivas...: SUS recebe duas mulheres por hora vítimas de abuso

Segundo Ministério da Saúde, 18.007 mulheres deram entrada no sistema público de saúde em 2012 apresentando indícios de terem sofrido violência sexual


O SUS (Sistema Único de Saúde) recebeu em seus hospitais e clínicas uma média duas mulheres por hora com sinais de violência sexual em 2012, segundo dados do Ministério da Saúde.
A constatação ocorre no momento em que a comunidade internacional discute na ONU a violência contra a mulher. O debate ocorre sob um clima de comoção após brutais estupros coletivos de jovens na Índia e na África do Sul desencadearem ondas de revolta social. 
No Brasil, segundo o Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva) do Ministério da Saúde, um total de 18.007 mulheres deram entrada no sistema público de saúde em 2012 apresentando indícios de terem sofrido violência sexual.
A maioria delas (cerca de 75%), de acordo com a pasta, eram crianças, adolescentes e idosas.
O sistema Viva começou a ser implantado em 2006 em algumas unidades de referência do SUS. Em 2011, a notificação de casos suspeitos passou a ser universalizada para todas as unidades.
No ano passado, as estatísticas foram fornecidas por 8.425 unidades do SUS.
Essas estatísticas funcionam apenas como um indicador, pois não englobam casos de violência nos quais a mulher não procurou atendimento médico ou se dirigiu a uma unidade de saúde privada.
A falta de estatísticas integradas sobre abusos sexuais na esfera da segurança pública é uma das principais críticas da ONU ao Brasil na questão do combate à violência contra a mulher.
"Não há dados oficiais disponíveis sobre o número de estupros de mulheres no Brasil", afirmou à BBC Brasil Rebeca Reichmann Tavares, diretora regional para o Brasil e Cone Sul da ONU Mulheres (Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres).
"Algumas secretarias de segurança tomam a iniciativa de fazer este levantamento, assim como alguns hospitais, mas não existe uma unificação ou cruzamento de dados", disse.
Estupro Um dos fatores que coloca o governo brasileiro em alerta é que na maioria dos casos de violência sexual o criminoso é uma pessoa próxima à vítima.
"O agressor não é desconhecido em 60% ou 65% dos casos. Ele é conhecido, é o padrasto, o pai, o namorado, o amante, o vizinho o avô. Isso nos preocupa muito", disse à BBC Brasil a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
Segundo ela, a lei possibilita o atendimento das vítimas em um sistema de saúde especializado e permite que uma eventual gravidez seja interrompida, de acordo com a vontade da mulher.
"Estamos readequando esse serviço. Agora o estupro também acontece na rua, mas ele acontece dentro de casa na maioria dos casos", disse a ministra. "Incentivamos muito a mulher a denunciar."
Segundo dados da secretaria, o número de relatos de abuso sexual contra mulheres pelo serviço Ligue 180 passou de 320 em 2006 para 1.686 em 2012.
Dilma Rousseff A comunidade internacional discute a situação das mulheres no mundo na Comissão sobre o Status da Mulher, que acontece nesta semana e na próxima na sede da ONU em Nova York.
Um dos objetivos do evento, segundo afirmou nesta semana a diretora da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, é que os governos apresentem estratégias para reduzir a violência de gênero no mundo.
Tavares, a representante brasileira do órgão, elogiou a Lei Maria da Penha – que desde 2006 endureceu as punições para quem pratica violência contra a mulher. Porém, disse que para a ONU a violência contra a mulher no Brasil "chega a níveis alarmantes".
"Com a Lei Maria da Penha, o governo brasileiro deu um importante passo, mas o sistema de Justiça brasileiro reconhece de forma irregular a gravidade da violência doméstica e familiar", disse.
"Por isso precisamos trabalhar continuamente para conscientizar a sociedade sobre a importância de erradicar a violência contra as mulheres", afirmou.
Ela também apontou pontos positivos da política do governo Dilma Rousseff em relação ao tema da mulher.
Na área política, a representante da ONU Mulheres elogiou a nomeação de mulheres para altos cargos do governo, entre eles dez ministérios.
"A presidenta e as ministras tornam-se modelos a seguir, representando exemplos reais de que é possível ter uma participação política legítima (da mulher) na sociedade brasileira", disse Tavares.
No campo diplomático, ela citou os esforços de Dilma para realizar a "Cúpula de Mulheres Chefes de Estado pelo Futuro que as Mulheres Querem", durante a Rio +20 e do governo brasileiro para ratificar a Convenção sobre o Trabalho Decente para as Trabalhadoras e os Trabalhadores Domésticos.
A diplomata elogiou ainda o trabalho do Ligue 180 e as campanhas do governo federal junto aos órgãos do judiciário para a implantação da Lei Maria da Penha.
A farmacêutica Maria da Penha Fernandes, que ficou paraplégica ao ser baleada pelo marido e emprestou seu nome à lei, também elogiou o governo Dilma.
"A Dilma tem apoiado as ações das instituições que desenvolvem projetos a esse respeito e as parcerias com entidades internacionais. Tem colocado verbas para determinadas pesquisas para dar um basta a essa violência", disse.
Maria da Penha afirmou, porém, que a implementação total da lei depende de gestores estaduais. Segundo ela, a erradicação da violência contra a mulher no período de um governo "é uma utopia".

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Camisinhas femininas deverão ser distribuídas pelo SUS a partir deste mês

Camisinhas femininas deverão ser distribuídas pelo SUS a partir deste mês

Carolina Pimentel


Agência Brasil
Brasília – A partir da segunda quinzena de maio, o Sistema Único de Saúde (SUS) deverá começar a distribuir preservativos femininos. O primeiro lote das camisinhas importadas está agendado para chegar na próxima sexta-feira (4). O governo federal gastou R$ 27, 3 milhões para a compra das unidades – cada uma custou R$ 1,36.
Ao longo do ano, devem ser distribuídos 20 milhões de preservativos, divididos em cinco lotes, informou o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissível, Aids e Hepatites Virais, vinculado ao Ministério da Saúde. Todas as camisinhas femininas são feitos de borracha nitrílica – material antialérgico, macio e mais fino do que o látex usado na versão masculina.
De acordo com o ministério, o público-alvo da iniciativa são mulheres com aids ou outras doenças sexualmente transmissíveis, usuárias de drogas, mulheres de baixa renda e com parceiros que resistem ao uso do preservativo masculino, mulheres em situação de violência doméstica e sexual e profissionais do sexo.
Em 2008, uma pesquisa do departamento vinculado ao Ministério da Saúde constatou que aproximadamente 90% das mulheres sexualmente ativas no país conhecem ou já ouviram falar da camisinha feminina. A adesão ao preservativo, no então, ainda é menor em comparação ao masculino.
A camisinha feminina é uma espécie de bolsa com dois anéis flexíveis. Em uma ponta, fica o anel móvel que deve ser apertado e introduzido pelo canal vaginal até chegar ao colo do útero. O segundo anel, na extremidade oposta, é aberto e cobre a parte externa da vagina. O preservativo pode ser colocado até oito horas antes da relação sexual e não pode ser usado ao mesmo tempo que o masculino.
O preservativo feminino previne contra doenças transmitidas pelo sexo, hepatites virais e gravidez não desejada. Nesta página na internet estão disponíveis informações sobre o uso correto da camisinha feminina.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Se você tinha um cavalo, você valia um cavalo quando adoecia



Se você tinha um cavalo, você valia um cavalo quando adoecia

fatima oliveiraEla desistiu de pintar os cabelos e resolveu deixar os fios brancos em paz. O povo anda criticando, mas ela não está nem aí. Sabe que as madeixas brancas têm história para contar. Uma história, aliás, que ela mesma tem orgulho de contar. Pudera. É a história de uma mulher, negra, que ajudou a construir o SUS, o Sistema Único de Saúde no Brasil. E ela não tem falsa modéstia em relação a isso. "Eu conheço cada palmo deste chão. Quando eu digo que vi o SUS nascer, é porque eu realmente vi o SUS nascer". Fátima Oliveira é assim.
Já correu atrás de assinatura para emenda popular constitucional em 1988, lutou pelo acesso universal à saúde, militou (e milita) nos movimentos feministas e negro e resolveu, como médica, há dez anos, que fincaria o pé apenas no pronto-socorro. Esqueceu o ambulatório. Com 58 anos de idade e 35 de profissão, ela diz que gosta mesmo é da rotina de plantões na emergência: resolver o que pode ser resolvido, sem frustrações para o amanhã com pacientes que não melhoraram porque não conseguem comprar remédio para o tratamento prescrito.
Fátima, uma das 50 mulheres brasileiras indicadas para o Nobel da Paz, em 2005, dá plantão três vezes por semana no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Nas horas restantes, é escritora. Tem uma coluna semanal num jornal mineiro, um blog e quase uma dezena de livros publicados. E como não bastasse tudo isso, resolveu abraçar outra função há anos: análise de mídia. Ela foi a organizadora do livro "Olhar sobre a mídia", que analisa a cobertura na área de saúde. Em entrevista à Gazeta do Povo, Fátima critica a cobertura que a imprensa faz do SUS. "A mídia é retardatária", afirma. Veja os principais trechos da entrevista.
O SUS é um sistema bastante criticado. Como a sra. o avalia?
Eu não troco um dia de SUS de hoje, por pior que ele seja, por um da era pré-SUS. E eu tenho motivos para isso. Meu avô costumava dizer que antes do SUS eram os nossos bichos que nos salvavam na doença. Quanto eu tinha 12 anos, tive febre tifóide. Não tinha médico na cidade em que eu morava, no interior do Maranhão. Quem atendia era um farmacêutico chamado dr. Osano. Eu me lembro até hoje do dia que eu escutei ele falando que eu ia morrer. Mas depois eu fiquei boa. Eu lembro de a vovó dizer assim: "abaixo de Deus o dr. Osano, que salvou a vida da minha neta". E do meu avô responder: "E as minhas seis vacas que eu usei para pagar ele."
Pagava-se o atendimento com os bichos que se tinha...
Meu avô dizia que se você tinha um cavalo, você valia um cavalo quando adoecia, porque era o que você tinha para vender para se tratar. Quantas vezes a gente ouvia assim: "A fulana vendeu umas galinhas para levar as filhas dela ao médico, vendeu os porcos". Era assim, porque era longe e sempre particular. Se não tinha como pagar, morria-se absolutamente à míngua.
Como funcionava o sistema de saúde na época?
No período pré-SUS, tinha o Inamps. Todo trabalhador com carteira assinada tinha direito a uma carteira do Inamps. Quem não tinha carteira profissional assinada era indigente.
Sem carteira do Inamps, se não pudesse pagar atendimento particular, ficava sem?
Ficava. Nas capitais você até tinha pronto-socorros municipais/estaduais para os indigentes ou hospitais filantrópicos que os atendiam. Muitas mães, com o filho muito doente, levavam a carteirinha de outra criança, pegavam emprestado de uma vizinha, uma amiga. Se o fiscal do Inamps descobrisse, entretanto, que uma carteirinha era falsa, punia o hospital e não pagava aquela conta. E o hospital punia aquela mãe, querendo obrigá-la a pagar. Dava alta para a criança e a mandava embora. Não importava se tivesse em risco.
Como aconteceu a universalização da saúde?
Quando eu digo que vi o SUS nascer, é porque eu vi. Eu conheço cada palmo desse chão mesmo. Em 88, havia uma mobilização grande para que a Constituição da República incorporasse o ideário do SUS. Era para isso que os militantes da reforma sanitária batalhavam. E essa luta pela saúde e pela reforma sanitária foi muito importante na redemocratização do país. Nós conseguimos escrever na Constituição Brasileira: "Saúde é direito de todos e dever do Estado". Eu acho que foi uma das maiores vitórias do movimento social de toda a história do Brasil.
Na sua opinião, quais os principais problemas do SUS?
O SUS é uma coisa em construção. Uma conquista que precisa ser concretizada cotidianamente. Temos problemas de gerenciamento, de incompreensão política dos governos, incompreensão dos usuários que usam o pronto-socorro até para o espirro.
Outro problema: dá uma enorme irritação imaginar que às 5 horas todo lugar que faz consulta na rede pública neste país está fechado. Eu sou uma defensora intransigente do terceiro turno no setor de saúde, tanto em postos, como em ambulatórios. Se eles funcionassem à noite, as pessoas não precisariam faltar ao trabalho para fazer uma consulta. Você ampliaria o número de consultas e geraria empregos.
O dinheiro para saúde não é pouco?
Eu acho que ele é pouco para fazer tudo o que a gente quer, como se o SUS fosse um sistema pronto e acabado. Dinheiro para saúde no Brasil é muito. O problema é que ele não chega à ponta, onde tem de chegar. Outro problema é que a maioria dos governos estaduais e municipais quer fazer SUS só com dinheiro do governo federal. Está na Constituição que os "caras" devem aportar dinheiro e que o SUS é tripartite, com recurso de três esferas. Agora, foi votada a Emenda 29: 12% dos estados, 15% dos municípios e o governo federal não chega a 10% do PIB [Produto Interno Bruto], por causa daquela conta maldita lá. Mas eu acho que é melhor do que nada. Está resolvido. Vencemos esta batalha, vamos para outras.
Como a sra. avalia a cobertura da mídia em relação ao SUS?
Que a mídia sataniza o SUS. Como estudiosa de mídia, eu tenho elementos para dizer. No geral, a mídia é sempre retardatária. Ela corre atrás da notícia. O falar mal do SUS é muito patente. A mídia está sempre do lado contra quando tem uma votação para ir mais dinheiro para o SUS. Ela não quer que o SUS tenha mais dinheiro. Foi assim com CPMF, ou com qualquer projeto. A mídia teve também um papel decisivo na ampliação dos planos de saúde no Brasil, dourando a pílula. Os planos de saúde venderam uma coisa que eles não tinham. Venderam tanto que agora deu "crap". Mas uma cobertura magnífica foi na época da pílula de farinha [em 1998]. Ali foi o grande momento da mídia brasileira, que investigou, foi atrás.
A sra. já falou que não troca a rotina do pronto-socorro...
Eu amo trabalhar em urgência. Eu nunca larguei de trabalhar em pronto-socorro nestes 35 anos que eu sou médica. E nos últimos dez eu só trabalhei em pronto-socorro.
Por quê?
Eu comecei a ficar cansada do ambulatório, daquela coisa de atender diabético, asmático, hipertenso. Aí eles voltam e não compraram o remédio. Meu carro era o tempo todo cheio de amostra grátis. Aquele negócio foi me cansando. As pessoas não melhoram porque não tomam remédio, porque têm uma vida desgraçada. No pronto-socorro, eu trabalho 12 horas, mas, quando eu chego em casa, eu durmo, porque tudo o que eu podia fazer por aquela pessoa que foi atendida na urgência, eu fiz. E saio com a consciência absolutamente tranquila. Eu resolvi não me culpar mais por aquilo que não era culpa minha: as pessoas não terem condições de fazer seus tratamentos.
A sra. foi uma das brasileiras indicadas ao Nobel da Paz. Como foi isso?
Em 2005, houve uma mobilização mundial para a indicação de mil mulheres ao Nobel da Paz. Cada país tinha uma cota de mulheres para serem indicadas e a cota do Brasil era 50. E eu fui uma das 50. Acho que foi uma indicação que considerou a minha história de vida, de militância feminista, no movimento negro, na luta pelo SUS.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Saúde Pública em mãos privadas: Para onde vai o SUS no Governo Dilma?

Saúde Pública em mãos privadas: Para onde vai o SUS no Governo Dilma? 


por Veronica Ferreira no SOS Corpo

O anúncio dos dois novos programas de saúde – SOS Emergências e Melhor em Casa – feito esta semana (dia 08 de novembro) pela Presidenta Dilma Roussef, estarreceu a todos(as) aqueles(as) que lutam pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.
O Governo Federal lança mão da parceria com o setor privado, por meio dos grandes hospitais, para resolver os problemas de gestão e qualidade do atendimento das grandes emergências públicas. Em quase 10 minutos de seu pronunciamento em rede nacional, Dilma falou com entusiasmo da parceria com o setor privado. A palavra SUS não foi pronunciada em nenhum momento.
O anúncio acontece após semanas de campanha de desqualificação e ataque ao SUS pela mídia conservadora e privatista, e a menos de vinte dias da Conferência Nacional de Saúde, na qual representantes da sociedade civil, movimentos sociais, trabalhadores(as) e gestores(as) apresentarão suas propostas para a consolidação do SUS. O Governo escolheu a quem responder. Capitulou frente à pressão da imprensa conservadora e privatista e retirou da disputa na conferência uma de suas pautas mais importantes e tensas: a adoção do modelo das fundações privadas e OS's – organizações sociais, na gestão do SUS.
Nós, dos movimentos de mulheres, sabemos - e vivemos - os problemas no atendimento que roubam vidas, todos os dias, nas grandes emergências dos hospitais públicos. E dos problemas ainda persistentes na atenção básica e de média complexidade. Uma situação de barbárie que precisa ser enfrentada. Para isso, defendemos em nossas mobilizações e nos espaços de participação (conselhos e conferências) o investimento pesado de recursos nos hospitais públicos, a contratação de mais profissionais com condições de trabalho e possibilidades de realizar uma carreira pública plena no SUS, além da ampliação de unidades de alta complexidade e da qualificação no atendimento.
Isto é possível e pode ser feito pelo Estado, com investimento e gestão pública, pelos sujeitos que vêm construindo, há duas décadas, um dos maiores sistemas públicos e universais de saúde do mundo. O SUS é a prova de que isto é possível. Para isso, há que se optar por qual modelo de Estado e por qual projeto para a saúde queremos construir.
Para consolidar o SUS, evidentemente, é preciso recursos. E recursos não caem do céu, como disse a Presidenta em seus discursos. Isto já estava claro no processo Constituinte, que teve como uma de suas principais conquistas a definição de um orçamento próprio para a Seguridade Social, estabelecendo uma diversidade de fontes de financiamento. Os fundos públicos são disputados pelos interesses econômicos, razão pela qual a Constituição estabeleceu e protegeu o orçamento para os direitos sociais. O orçamento da Seguridade, tal como estabelecido na Constituição, nunca se realizou, por exemplo, a partir da taxação das grandes fortunas, do capital financeiro. O que ocorre, hoje, é o contrário. Os recursos da seguridade são levados para o “céu” do capital financeiro, para o pagamento infindo de juros da dívida, que não se paga nunca, para sustentar a política econômica de superávitprimário, para assegurar a credibilidade do País frente aos credores e investidores, digo, aosespeculadores do capitalismo financeiro internacional, que hoje dominam o mundo e subordinam estados nacionais a seus interesses.
O orçamento da Seguridade Social tem sido drenado, desde 1994, por meio da DRU – Desvinculação de Receitas da União, para o pagamento de juros da dívida pública e para sustentar a credibilidade internacional do Brasil junto ao grande capital financeiro. Os 45 bilhões de reais que o SUS precisa para garantir melhor qualidade, conforme o próprio Ministério da Saúde já estipulou, são desfalcados anualmente para pagar os impagáveis juros da dívida. Em 2012, o desfalque será de 62 milhões! E enquanto Dilma fazia seu pronunciamento, o Congresso nacional aprovava a prorrogação da DRU até 2015, sob pressão do Governo.
Para pressionar pela aprovação da DRU, o Governo lança mão em seu discurso do enfrentamento à pobreza. A pobreza tem sido acionada em muitos momentos para legitimar as ações do Governo, mesmo aquelas que claramente favorecem a concentração de riqueza. Como o volume de recursos retirado dos direitos sociais para o capital financeiro é um escândalo, o Governo sustenta que os recursos irão também para a construção de moradias, para o PAC e para o Programa Brasil sem Miséria. Ocorre que, para garantir os recursos do Brasil sem Miséria, não precisamos de DRU. Basta deixar as receitas onde elas já estão: no Orçamento da Seguridade Social, que inclui os recursos para a política de assistência.
Não queremos gestão privada do SUS, em nenhum nível – municipal, estadual ou nacional. Não aceitamos a prorrogação da DRU. Seguimos acreditando que um sistema de saúde público, universal, de qualidade, é possível. E que precisamos seguir realizando a revolução na saúde que o SUS representa, ainda inacabada. E também que, para isso, é preciso realizá-lo com recursos públicos, sob a gestão pública e o controle democrático da sociedade, a partir da experiência enorme e revolucionária que a implementação do SUS nas duas últimas décadas construiu.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

“O SUS nos tornará mais humanos”

Ligia Bahia:“O SUS nos tornará mais humanos”

O orçamento da Seguridade Social, embora formalizado em todas as leis orçamentárias, jamais foi executado, constata Ligia Bahia

por Graziela Wolfart, IHU On-Line

“Considero que o SUS nos tornará mais humanos e, portanto, mais brasileiros, na medida em que nos convencermos que a saúde é necessariamente um bem coletivo tal como deve ser a educação e outras políticas sociais”. A opinião é da médica sanitarista Ligia Bahia, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Para ela, “temos um sistema universal definido na legislação. Mas a denominada nova classe média pretende consumir planos privados de saúde. O aprofundamento da segmentação do sistema de saúde brasileiro virá acompanhado de mais injustiça e discriminação, porque os planos privados destinados aos novos contingentes de consumidores têm coberturas reduzidas e baixa qualidade assistencial”.

Médica-sanitarista, Ligia Bahia é doutora em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz e professora adjunta da Faculdade de Medicina e do Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem graduação em Medicina pela UFRJ e mestrado em Saúde Pública pela Fiocruz.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que é preciso para “convencer a sociedade sobre o SUS”?

Ligia Bahia – Considero que o SUS nos tornará mais humanos e, portanto, mais brasileiros, na medida em que nos convencermos que a saúde é necessariamente um bem coletivo tal como deve ser a educação e outras políticas sociais. Ainda há setores da sociedade que enxergam a saúde como mero objeto de consumo. Isso é um grave equívoco, porque estamos submetidos a riscos coletivos como ocorre, por exemplo, com os alimentos que ingerimos com agrotóxicos. E também ao sermos atendidos em serviços de saúde que recebem como input processos coletivos, como é o caso da formação de recursos humanos para a saúde. A recente doença de uma personalidade internacional como o Steve Jobs explicita claramente que a saúde não é “comprável”.

IHU On-Line – Quais os rumos do SUS, em sua opinião? Caminhamos para um apartheid na saúde ou estamos mais perto de organizar um sistema nacional de saúde abrangente e igualitário?

Ligia Bahia - Estamos no meio do caminho. Temos um sistema universal definido na legislação. Mas a denominada nova classe média pretende consumir planos privados de saúde. O aprofundamento da segmentação do sistema de saúde brasileiro virá acompanhado de mais injustiça e discriminação, porque os planos privados destinados aos novos contingentes de consumidores têm coberturas reduzidas e baixa qualidade assistencial.

IHU On-Line – Como concilia os sistemas privado e público de saúde o cidadão brasileiro que assim o pode? Como se dá essa mistura entre público e privado na saúde?

Ligia Bahia - De muitas maneiras. A mais visível é usar o SUS para a realização de procedimentos de alto custo não cobertos pelos planos privados. E a menos detectável é o fato de serem os mesmos profissionais que atuam em ambos os subsistemas. Além disso, quem paga plano privado de saúde pode abater os gastos no pagamento de impostos.

IHU On-Line – Como vê a Emenda Constitucional n. 29? Concorda que não há a necessidade de um novo imposto para financiar a saúde no Brasil?

Ligia Bahia - Penso que a primeira tarefa é buscar reorientar os recursos disponíveis. A Constituição criou duas novas fontes de receitas para a seguridade social que, somadas às anteriores, deveriam financiar saúde, Previdência Social e Assistência Social. O uso desses recursos foi desviado de sua finalidade. O orçamento da Seguridade Social, embora formalizado em todas as leis orçamentárias, jamais foi executado.

IHU On-Line – Como pode ser implementada a política de ressarcimento ao SUS?

Ligia Bahia – Seria necessário que houvesse a identificação dos pacientes por meio de um código para que o atendimento de clientes de planos de saúde fosse rastreado. O Brasil dispõe de sistemas de informação bem sofisticados em outras áreas. O ressarcimento não ocorre porque há muita resistência por parte das empresas de planos e seguros de saúde. Se o ressarcimento for viabilizado, teríamos a exata noção dos problemas de coberturas dos planos privados.

IHU On-Line – Como a classe média vê o SUS?

Ligia Bahia – Como um caos. Um conjunto de serviços deficientes voltados para o atendimento de quem não pode pagar. A face da importância dos serviços públicos para a formação de recursos humanos e pesquisa e da não mercantilização do atendimento no SUS não é devidamente valorizada.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O câncer do ódio e um imposto sobre fortunas para financiar a saúde

O câncer do ódio e um imposto sobre fortunas para financiar a saúde


No Blog do Rovai



Já li alguns bons artigos acerca da babaquice desse grupo de urubus e desclassificados que estão infestando a rede com pregações de ódio e desejos de morte à Lula. Entre os argumentos estapafúrdios, um desponta como principal, o de que Lula deveria se tratar num hospital do SUS, onde certamente m0rreria nas filas. Evidente que esse tipo de argumentação tem classe social. É de gente que não quer pagar um centavo de imposto para que o Sistema Único de Saúde melhore e que se indigna contra o “absurrrrrdo do Bolsa Família”.
Essa gente estúpida veio ao borbotões a este blogue neste últimos dias postar frases nojentas contra Lula. Enviei sem dó esses comentários para a lixeira. E faria o mesmo se o alvo fosse FHC ou José Serra. Em outros blogues tão nojentos quanto esse povo, esse argumentos pululam.
A assessoria do ministério da Saúde, me enviou alguns dados sobre o tratamento de oncologia no SUS, que aliás, é quem costuma tratar de todas as doenças de alta complexidade, coisa que essa gente preconceituosa desconhece. Mesmo quando eles pagam caríssimos planos privados, quando a doença é complicada e cara, quem banca o tratamento é o tal do SUS. Da mesma forma que são equipes de emergência do SUS que vão ao socorro deles e dos seus filinhos mimados quando em rachas de automóveis ou embriagados cometem acidentes horrorosos e criminosos.
Mais como qualquer debate não deve ser feito apenas no gogó, seguem alguns dados acerca de tratamentos de cancêr pelo SUS.
Nos últimos 12 anos, os gastos federais com assistência oncológica no país triplicaram, passando de R$ 470,5 milhões (em 1999) para cerca de R$ 1,8 bilhão (em 2010). Em 2011 o investimento ai ser de R$ 2,2 bilhões para o setor. Este aumento de recursos serviu para ampliar e melhorar a assistência aos pacientes atendidos nos hospitais públicos e privados que compõe o SUS, sobretudo para os tipos de câncer mais frequentes, como fígado, mama, linfoma e leucemia aguda.
Em relação a quantidade de frequências de procedimentos oncológicos oferecidos aos pacientes do SUS, isso aumentou em 41% desde que Lula assumiu o governoEram 19,7 milhões, em 2003  neste ano a previsão de procedimentos é de 27,8 milhões.
Nas cirurgias oncológicas o aumento foi de 40%, passando de 67 mil (2003) para 94 mil (estimativa 2011). Neste período, o número de procedimentos quimioterápicos dobrou – passou de 1,2 milhão (2003) para 2,4 milhões (2011/estimativa).
Há muitos outros números que serão esmiuçados numa matéria da edição de dezembro da Revista Fórum sobre o SUS. É evidente que ele pode melhorar. Mas se o SUS não está melhor a responsabilidade é da elite brasileira que fez uma campanha mentirosa para acabar com a CPMF de 0,25% para saúde, alegando que isso era danoso para a economia.
Este é o momento certo para dar uma resposta de alto nível a essa gente sem nível que quer a morte de Lula. Em sua homenagem os movimentos sociais e populares deveriam se lançar numa campanha popular pela criação de um imposto para a grandes fortunas com um único objetivo, financiar a sáude. Segundo o presidente da CUT, Arthur Henriques, em recente artigo, cobrando 1,5% de  alíquota média anual sobre patrimônios que ultrapassassem 8.000 salários mínimos o país teria 30 bilhões de reais por ano para a saúde. Dinheiro considerado suficiente para darmos um salto de qualidade na área.
Por que não se lançar agora numa campanha para aprovar uma lei com esse caráter agora?