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domingo, 4 de novembro de 2012

Pretos e pardos: Por que 
a elite odeia o Enem

Pretos e pardos: Por que 
a elite odeia o Enem

O Lula e a Dilma deram à filha da empregada doméstica o direito de entrar na universidade. Que horror ! Saiu no Globo

ENEM: Um 'País' maior que o Uruguai 


estudantesnegros


Com 5,7 milhões de inscritos, exame só é menor que vestibular da China e provoca impacto nas escolas
Uma prova do tamanho de um país. Mais de 5,7 milhões de pessoas realizarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste fim de semana, em 140 mil salas de 1.612 municípios do Brasil. O número de inscritos equivale à população da Nicarágua e supera a do Uruguai (3,4 milhões). Algo em torno de 400 mil fiscais atuarão nos locais de aplicação. Trata-se do maior exame público do país, e o segundo maior processo de seleção para ensino superior do mundo. Só perde para o vestibular da China.
Cerca de 48 mil malotes com 11,5 milhões de cadernos de provas estão sendo distribuídos. Este ano, dez mil desses malotes terão lacres eletrônicos contra fraudes. Os dispositivos registram quando as provas são lacradas na gráfica e o momento da abertura nos locais do exame. O cuidado é bem-vindo, para evitar falhas de anos anteriores. Milhares de vagas em universidades e institutos federais estão em jogo.
O Enem começou há 15 anos, com 157 mil inscritos, e se tornou um gigante, não só em números como também no impacto que causa no ensino médio. À medida que foi crescendo, mais e mais colégios adaptaram sua forma de lecionar ao conteúdo cobrado no exame do MEC. Estar bem colocado no “ranking do Enem” virou obsessão para escolas, que aplicam simulados nos moldes da prova antes mesmo de o aluno chegar ao ano do vestibular. Algumas realizam aulas com até três professores, totalmente voltadas para o conteúdo interdisciplinar do Enem.
Mas essas mudanças no programa letivo não significam melhoria no ensino, segundo o professor e pesquisador José Carlos Rothen, do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. Além disso, pondera ele, o movimento em direção ao conteúdo do Enem ocorre muito mais nas escolas particulares, aumentando o abismo entre realidades de ensino das redes pública e privada.
— Aproximar o conteúdo do que é cobrado no Enem não significa qualidade de ensino. Quando a escola se modifica em função de uma prova, considero preocupante. Estará formando alunos para responder a questões de um teste, e não para lidar com o mundo — critica ele.
A maioria dos alunos (e suas famílias) se sentem mais confortáveis numa escola sintonizada com o Enem, já que todos almejam um bom desempenho no exame. Na rede QI, as disciplinas de Biologia, Física e Química recebem abordagem focada menos em conteúdo e mais em raciocínio, assim como as questões do MEC. O pH contratou uma empresa para treinar os professores com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia que atribui pesos e níveis de dificuldade às questões do Enem. Já o Colégio Dínamis incorporou o exame a suas avaliações trimestrais. O resultado da prova conta como a última nota do 3º ano.
— Conseguimos fazer o aluno entender que estudar para a escola e para o Enem são a mesma coisa — explica Raphael Barreto, coordenador de ensino médio do Dínamis.
Coordenadora pedagógica do ensino médio do Colégio Sagrado Coração de Maria, a professora Rosa Xavier critica o fato de ter que encurtar o calendário por causa do Enem:
— Como a prova é aplicada antes do término do ano letivo, muitas vezes temos que correr com o conteúdo para dar conta de tudo.
Já a diretora-executiva da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz, acha que a prova do MEC vem apresentando uma constância no conteúdo. Para ela, o Enem exige mais raciocínio e o entrosamento com notícias atuais.
— Os que alcançam as melhores notas são aqueles que aprenderam mais — opina ela.
Mas Priscila vê uma sobrecarga de funções agregadas ao processo. O Enem foi criado como forma de acesso à universidade, mas também como avaliação do ensino médio. Ainda que reúna alunos de várias realidades, o exame falha em criar um diagnóstico escolar, avalia ela.
— O Enem vive uma crise de identidade. Quem passa pelo teste são alunos com perspectiva de entrada na faculdade. O resultado acaba sendo melhor do que se a participação fosse obrigatória. Muitos não fazem a prova. Num modelo ideal, essas pessoas não ficariam fora.
Se o Enem fosse um país, teria algumas características semelhantes ao Brasil. A proporção de pretos, pardos ou indígenas, por exemplo, é de 54% dos inscritos. Perto dos 51% da população brasileira que declaram pertencer a essas raças. Além disso, 80% dos candidatos que concluíram o ensino médio este ano cursaram escolas públicas. Mas a “nação” do Enem tem muito mais mulheres do que homens. Enquanto no Brasil elas são 51,5% da população, no exame do MEC representam 59%.
— De certa forma, isso mostra uma democratização da educação. As mulheres, depois de muitos anos de privação, estão tendo um grande acesso ao ensino superior. Por outro lado, também indica que os homens estão ficando para trás e isso não é bom — comenta o professor de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj João Feres Júnior.
Fonte: Globo
Vi no Portal Geledés

terça-feira, 27 de março de 2012

Enquanto em SP os filhinhos de papai protestam na Paulista:Universidade de Oxford reconhece ‘Enem’ indiano em processo seletivo

Enquanto em SP os filhinhos de papai protestam na Paulista: Universidade de Oxford reconhece ‘Enem’ indiano em processo seletivo

A Universidade de Oxford, no Reino Unido, passará a aceitar, em seu processo de admissão, os resultados dos exames realizados por estudantes indianos ao fim do ensino médio – em linhas gerais, o equivalente indiano do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Wikimedia Commons

Universidade de Oxford, no Reino Unido

De acordo com o jornal acadêmico norte-americano Chronicle of Higher Education, a partir de 2013 vagas em Oxford serão oferecidas, condicionalmente, aos estudantes que obtiverem 90% ou mais de aproveitamento nos exames da Índia, que são administrados por um órgão governamental, a BCSE (Central Board of Secondary Education), e um privado, o CSIE (Council for the Indian School Certificate Examinations). Cada uma dessas organizações aplica seus próprios exames.

Em visita à Índia, o vice-chancellor – principal dirigente executivo – de Oxford, Andrew Hamilton, disse que o objetivo é “atrair os melhores estudantes indianos” para a tradicional universidade britânica. Até agora, os indianos que desejavam vaga em Oxford tinham de se submeter a certificações internacionais para comprovar aptidão acadêmica.

O Chronicle nota que a medida anunciada pela instituição inglesa se assemelha à adotada, em fevereiro, pela Universidade de Sydney, na Austrália, que passou a aceitar os resultados de exames chineses na seleção de estudantes.





No OperaMundi

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Justiça mantém nota da redação no Enem


Justiça mantém nota da redação no Enem

Por Rogério Barbosa


A Justiça Federal no Ceará considerou válida a inclusão da nota da prova de redação no cômputo do resultado final do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011. Ao negar o pedido do Ministério Público Federal, que solicitou a suspensão dos efeitos das notas de redação no processo seletivo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o juiz Juiz Leonardo Resende Martins destacou que o critério de avaliação eleito pela Administração Pública e fixado no edital é matéria sujeita à discricionariedade técnica do administrador, que só pode ser revista pelo Poder Judiciário em casos de flagrante inconstitucionalidade ou ilegalidade.
O MPF havia ingressado com Ação Civil Pública contra a União Federal e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela realização do Enem, solicitando que as notas de redação fossem desconsideradas. Para o procurador da República Oscar Costa Filho, que assinou a petição, “o desequilíbrio matemático decorrente da associação entre avaliações submetidas a tratamento estatístico (provas objetivas), e avaliações desprovidas dessa qualidade, as quais assumem valores absolutos (provas de redação) frustra o dever de tratamento isonômico que deve ser dispensado aos candidatos”.
Esse, porém, não foi o entendimento do juiz federal. Ele afastou a alegação de ofensa ao princípio constitucional da isonomia sob a perspectiva de que “o critério escolhido pelo Inep — bom ou mau — é aplicável indistintamente a todos os candidatos”. “Violação à isonomia seria alterar o critério previamente estabelecido a essa altura do certame, depois de realizadas as provas e divulgados os resultados. Iniciada a partida, não se modificam as regras do jogo: isso é da essência da democracia!”, concluiu o juiz. Ele lembrou que a aplicação da prova de redação estava devidamente prevista no edital do Enem, que é datado de 18 de maio de 2011.
De acordo com o juiz, a exclusão da nota da redação do cômputo geral do resultado no Enem, inclusive para fins de inscrição no Sisu, seria extremamente nociva. “A prova de redação é justamente aquela que permite aferir a capacidade do candidato de articular seu conhecimento sobre a língua portuguesa, demonstrando sua aptidão em interpretar, raciocinar criticamente e desenvolver logicamente uma argumentação”, afirmou. Para ele, “subtrair da Administração Pública a possibilidade de avaliar tais competências, a pretexto de que o critério é imperfeito por não estar a prova de redação submetida à Teoria da Resposta ao Item, causaria grave prejuízo à política educacional e — isto sim — ofenderia o princípio da proporcionalidade”.
Transparencia na metodologia
Na mesma ação, o MPF pretendia obrigar a União Federal e o Inep a explicitar os critérios de atribuição das notas das provas objetivas na última edição do Enem, alegando uma suposta falta de transparência da metodologia denominada Teoria da Resposta ao Item (TRI).
Quanto a esse ponto, o juiz federal Resende Martins considerou satisfatórias as informações prestadas pela União e pelo Inep, no que tange à adoção da TRI. O juiz avaliou que, embora de difícil compreensão para o leigo na ciência estatística, gerando naturais insatisfações quanto à suposta “obscuridade” do exame e de seus resultados, deveria prevalecer “o respaldo científico conferido à TRI, modelagem estatística adotada mundialmente há anos, com pleno êxito, gozando, inclusive, de aval da Organizações das Nações Unidas”.
O MPF pode recorrer da decisão perante o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com sede em Recife/PE. 
Clique aqui para ler a decisão.

No Conjur

sábado, 24 de dezembro de 2011

Justiça: Gráfica do Grupo Folha pagará R$ 73,4 milhões pelo vazamento de questões do ENEM

Justiça: Gráfica do Grupo Folha  pagará R$ 73,4 milhões pelo vazamento de questões do ENEM

Gráfica terá que pagar indenização milionária por fraude no Enem

Justiça determinou que o consórcio responsável pela prova terá que pagar R$ 73,4 milhões
Estudantes e professores não esquecem, em 2009 a prova do Enem teve que ser anulada por causa do vazamento de questões. Agora a justiça determina que o consórcio formado pela gráfica Plural do grupo Folha, que edita o jornal Folha de São Paulo, terá que pagar pelos prejuízos.
R$ 73,4 milhões é o valor da indenização que será pago ao INEP (Instituto Nacional de estudos e pesquisas educacionais), a vitória foi conquistada na justiça federal. O ressarcimento serve para indenizar o INEP que na época precisou contratar emergencialmente entidades para repetir a aplicação da prova.
A justiça federal de Brasilia deu cinco dias para que o consórcio, formado pela gráfica Plural do grupo Folha, pague a multa. Se a decisão não for cumprida, o consórcio pode sofrer pena de penhora de bens para garantir que a dívida seja paga.
A prova do Enem foi retirada da gráfica Plural, que funciona em Santana de Parnaíba na grande São Paulo. Em setembro de 2009, o circuito de segurança da gráfica registrou o momento em que um funcionário saía do local com exemplares do caderno dois da prova do Enem debaixo da blusa. Depois ele tentou vender as provas para tevês e jornais.





No R7

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Justiça mantém decisão que anula questões do Enem apenas para alunos de colégio cearense



Justiça mantém decisão que anula questões do Enem apenas para alunos de colégio cearense


Brasília – O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) manteve a decisão que anulou 14 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apenas para os alunos do Colégio Christus, de Fortaleza (CE). Por 11 votos a favor e 1 contra, o plenário negou recurso apresentado pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região que pedia que as questões fossem anuladas para todos os candidatos que fizeram a prova.
Os alunos do colégio cearense tiveram acesso antecipado a 14 questões do Enem por meio de uma apostila distribuída pela escola semanas antes da aplicação do exame. Os itens vazaram na fase de pré-testes da prova, da qual estudantes do Christus participaram em outubro do ano passado. A Polícia Federal investiga o caso.
O presidente do TRF-5, desembargador Paulo Roberto Lima, havia decidido em 4 de novembro que a anulação dos itens apenas para os alunos do colégio era a melhor solução “mais razoável” para o problema. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os alunos não serão prejudicados e o total da pontuação será dividido entre os itens considerados válidos.

Agência Brasil

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Para quem não viu: Ministro Fernando Haddad no Roda Viva

Para quem não viu: Ministro Fernando Haddad no Roda Viva

via Herval Junior

O Ministro da Educação , Fernando Haddad , foi sabatinado na noite do dia 31 de outubro pelos jornalistas do programa Roda Viva . As dificuldades de sua pasta , os avanços ,ainda que pequenos , na educação pública brasileira, os problemas do ENEM e sua possível candidatura à prefeitura de São Paulo , formaram a pauta .

sábado, 22 de outubro de 2011

Candidatos são desclassificados por usar Twitter durante a prova do Enem


Candidatos são desclassificados por usar Twitter durante a prova do Enem
Candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram retirados de sala e desclassificados após serem flagrados por fiscais de sala utilizando o celular. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), os candidatos estavam acessando a rede social Twitter via telefone. Alguns inclusive tiraram foto do caderno de provas.
O uso de qualquer aparelho eletrônico é proibido e os aparelhos devem ser desligados e entregues aos aplicadores antes do início da prova. O exame teve início às 13h e termina às 18h30. Hoje, os participantes responderão a 90 questões de ciências humanas e da natureza. Amanhã (23), as provas são de linguagens e matemática, além da redação. O Enem está sendo aplicado em 14 mil locais de prova a 5,3 milhões de estudantes.

Agência Brasil

sábado, 13 de novembro de 2010

Fernando Haddad: “O Inep está isento de responsabilidade”

Não gostei das perguntas, mas as respostas são perfeitas. Mais uma vez o ministro mostra ao PIG que quem sabe de Enem é ele.

Fernando Haddad: “O Inep está isento de responsabilidade”



Anderson Schneider
ÉPOCA - Onde o ministério errou?
Fernando Haddad – A questão mais complexa foi assumida pela gráfica contratada pelo Inep (órgão do ministério, responsável pelo exame). Assumiu inclusive os custos de reaplicação para os alunos que não conseguiram trocar o caderno em que havia o erro de impressão. Erro que havia condições de solução na maioria dos casos, pois havia 10% de provas de reserva. Desse ponto de vista, o Inep está absolutamente isento de qualquer responsabilidade.

ÉPOCA - Todas as folhas de respostas saíram com erro de responsabilidade do Inep. Como a instituição que pretende unificar os vestibulares comete um erro tão primário?
Haddad – Houve, de fato, da parte de um funcionário do Inep, o comando que nós chamamos de “imprima-se” para que as folhas fossem impressas daquela maneira. Mas, a partir das 13 horas, todos os fiscais de sala foram alertados pelos coordenadores nos locais sobre qual era o procedimento a seguir, ou seja, orientar os alunos a responder na ordem numérica. A questão 1 no item 1, e assim por adiante.

ÉPOCA - Alguns deram a ordem inversa.
Haddad – Isso vai ser resolvido a partir do momento em que a Justiça liberar o portal no qual o aluno vai informar essa ocorrência. A prova vai ser corrigida da forma como ele preencheu.

ÉPOCA - Há fiscais que deram uma informação e depois deram outra. Os alunos prejudicados não têm direito de refazer a prova?
Haddad – Se constar da ata de sala de aula, sim. Em casos de má orientação, ou desorientação do fiscal, o que, em nossa opinião, ocorreu muito pouco. O fiscal tinha reserva de 10% das folhas de respostas para esse fim.

ÉPOCA - Apuramos casos em que isso aconteceu, mas o fiscal não deu outra folha nem anotou o fato. Como ficam esses alunos?
Haddad – Aí nós vamos ter de apurar porque, se ele está dizendo que não está na ata, nós teremos de encontrar eventualmente outros caminhos de apuração.

ÉPOCA - O presidente do Inep veio do Cespe (empresa contratada para aplicar o Enem). Não há conflito de interesses no controle?
Haddad – O Cespe é uma repartição pública. Ele era um servidor público do Cespe e continua sendo servidor público no Inep.

ÉPOCA - Uma de suas funções é fiscalizar o órgão que presidia em 2009.
Haddad –
O Cespe e a Cesgranrio não cometeram nenhuma falha no processo.

ÉPOCA - A coordenação dos fiscais, que orientou os alunos de maneira equivocada, era de responsabilidade do Cespe.
Haddad – Esses são casos isolados e estão sendo apurados nesse sentido.

ÉPOCA - Se o erro do cabeçalho estava na matriz da folha de respostas, houve falha de gerenciamento, não?
Haddad – Não. Foi um problema da matriz, mas a última palavra é de quem deu o comando de imprimir. Obviamente que passa por várias revisões, mas existe a autoridade que dá o comando final.

ÉPOCA - O Inep não vai abrir sindicância para investigar esse erro?
Haddad – Eu tenho a impressão de que está abrindo, está tomando as providências. Aliás, faço referência à maneira transparente com que o Inep procedeu no ano passado, levando às últimas consequências a investigação sobre o episódio do ano anterior.

ÉPOCA - O presidente Lula disse que, se preciso, a prova será reaplicada. Como será possível fazer isso sem atrasar o calendário das universidades?
Haddad –
A afirmação do presidente, e isso eu confirmei, faz referência ao apoio que ele dá ao Enem como forma de democratização do acesso à educação superior. O que ele quis dizer é que apoia essa forma de ingresso porque é a mais democrática.

ÉPOCA - Como garantir que os erros não se repitam no próximo ano?
Haddad – O Enem foi bem melhor de todos os pontos de vista em relação a 2009. Tanto em relação à logística de segurança, à distribuição, à chegada dos malotes, ao cronograma estabelecido, à qualidade da prova. É um processo contínuo de aperfeiçoamento. Até nos Estados Unidos, que inauguraram esse processo de avaliação e seleção de alunos pelo SAT, houve, em 2005, 4 mil alunos prejudicados.

ÉPOCA - O que o senhor tem a dizer aos 3,4 milhões de alunos que fizeram a prova?
Haddad –
Confio na celeridade da Justiça em manter a prova, com a reaplicação para a parcela de estudantes prejudicados e a divulgação no prazo acordado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"É preciso estar atentos e fortes..."

A liminar que suspendia o Enem - 2010 foi derrubada pelo presidente do TRF da 5ª região, desembargador Luiz Alberto Gurgel de Faria, leia aqui .

Mesmo assim, acho bacana a gente ler a avaliação do sociólogo Rudá Ricci que aponta para uma disputa de política educacional, os atores: a "indústria de vestibular".

Ganhamos a batalha, não ganhamos a guerra, ano que vem e todos os outros anos teremos mais embates.

"É preciso estar atentos e fortes..."


Consultor aponta interesses econômicos em ação para barrar avanço do Enem


São Paulo – O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sofre uma ofensiva de interesses, segundo o sociólogo e consultor na área de educação Rudá Ricci. Ele enumera grupos e setores do que chama de "indústria do vestibular", de cursos preparatórios a docentes encarregados de formular as provas. Para ele, há uma disputa de política educacional em curso, e é necessário preservar uma avaliação de caráter nacional.

"Uma prova nacional permite que o país trace objetivos de política educacional", esclarece. Um vestibular nacional do ponto de vista da aplicação e do conteúdo promove um impacto no ensino médio, de modo a reverter problemas dessa faixa da educação.

Para ele, os vestibulares descentralizados, feitos por cada universidade, provocam danos à educação, já que o ensino médio e mesmo o fundamental direcionam-se às provas, e não à formação em sentido mais amplo. "O ensino médio é o maior problema da educação no Brasil, é o primeiro da lista, com mais evasão, em uma profunda falência", sustenta.

"O Enem faz questões interdiciplinares, é absolutamente técnico, é super sofisticado", elogia. Os méritos estariam em privilegiar o raciocínio à memorização de conteúdos. Isso permitiria que o ensino aplicado nas escolas fosse além do preparo para enfrentar provas de uma ou outra universidade.

O Enem traz uma "profunda revolução", na visão de Rudá, "ao combater profundamente a concepção pedagógica e política de vestibulares por universidade". Ao se aproximar dessa concepção nacional – fato que aconteceu apenas nos últimos anos –, interesses de grupos educacionais foram colocados em xeque, o que desperta ações contrárias.

Entre os setores interessados economicamente, segundo ele, estão as próprias universidades, que arrecadam em matrículas, os professores que produzem questões fechadas e abertas, e os cursos preparatórios para o vetibular.

Controle social
Ricci critica a postura do ex-ministro da Educação, Paulo Renato, e da ex-secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro. O sociólogo taxa os comentários feitos pelos especialistas ligados ao PSDB como "oportunismo". Isso porque, segundo ele, o uso da prova como seleção e seu caráter nacional, hoje criticados pelos tucanos, foram objetivos perseguidos durante a gestão de Renato na pasta, de 1995 a 2002.

O que ele considera como mudança de postura é resultado da disputa política, que faz com que os estudantes passem a rejeitar o exame. "Os jovens não querem mais essa bagunça. E têm razão", pontua.

"Existe uma movimentação para politizar esse tema; vamos ter o avanço de uma oposição organizada, que junta as forças políticas que perderam a eleição nacional com escolas particulares, cursinhos que têm muito interesse na manutenção do sistema de vestibular", avalia.

O sociólogo defende o modelo de exame nacional, mas acredita que a fórmula possa ser aprimorada, seja com mais dias de provas, seja com provas aplicadas a cada ano do ensino médio. Ele aponta ainda que houve um desvirtuamento da proposta interdisciplinar e sofisticada, empregada originalmente, em função da necessidade de expandir a prova. Em 2010, foram 4,6 milhões de inscritos.

Ele acredita que a postura de críticas deve-se às diferenças partidárias. "Estão politizando o Enem, politizando o ingresso na universidade e o conteúdo da prova", lamenta. "Seria interessante ter um órgão que execute o exame sob controle social, não de governo, nem de empresas", sugere.

"A solução é nós discurtirmos nacionalmente esse gerenciamento em um modelo como o americano para o vestibular nacional", defende. O SAT, usado como método de seleção nos Estados Unidos, é aplicado por agentes privados de modo controlado pelo departamento de educação federal. Além de poder ser aplicado em dias diferentes, cartas de recomendação de professores e outros instrumentos também são considerados na seleção por parte de universidades.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Enem 2010

Advocacia-Geral da União vai recorrer da liminar que suspende o Enem

Terça-feira, 09 de novembro de 2010 - 18:11
A Advocacia-Geral da União (AGU) vai entrar, a pedido do MEC, com ação para que a juíza Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará, reconsidere a decisão liminar de suspender as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado no último fim de semana, nos dias 6 e 7 de novembro.

O entendimento da AGU é que a falha operacional que resultou em erros de impressão em 21 mil cadernos amarelos das provas aplicadas no sábado não configura quebra de isonomia. “O princípio da isonomia substancial foi preservado, já que a sistemática de avaliação do Enem torna possível, mesmo em provas diferentes, apreender o conhecimento educacional do aluno”, explicou o ministro Luís Inácio Lucena Adams.

As provas do Enem são elaboradas de acordo com a Teoria de Resposta ao Item (TRI), o que assegura que os exames com novas questões tenham o mesmo grau de dificuldade, garantindo a isonomia substancial. Esse modelo de avaliação já é aplicado há 50 anos no mundo, em avaliações conceituadas como o Toefl, exame de proficiência em inglês. Segundo ele, o Ministério da Educação vai garantir a oportunidade de novas avaliações para os cerca de dois mil estudantes efetivamente prejudicados por conta da falha operacional.

“A primeira grande preocupação é com o número significativo de estudantes que prestaram a prova validamente. São 3.298.000 estudantes que têm direito à pontuação que os habilitará a tentar vaga em universidades públicas”, disse Luís Adams. O ministro afirmou, no entanto, que será cumprida a decisão da juíza de não permitir a divulgação do gabarito, previsto para as 18h desta terça-feira, dia 9. “Os três milhões que se submeteram às provas têm o direito de receber a avaliação, o que está impedido no momento por decisão judicial.”

Caso a juíza Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara Federal do Ceará, não reconsidere a decisão de suspender as provas do Enem diante das explicações técnicas da AGU, o órgão entrará na sexta-feira, 12, com recurso no Tribunal Regional Federal da 5ª Região. “Temos de pensar no universo de três milhões de estudantes que serão prejudicados no caso de nova avaliação global. Isso não é legítimo. Não é válido submeter todo um universo de estudantes a uma nova avaliação por um erro operacional, que foi grave, não podemos negar, mas cometendo um erro ainda maior”, ponderou Luís Adams. Quanto às denúncias de vazamento do tema de redação, o ministro Luís Adams disse que a AGU ainda não tem conhecimento e, caso se confirmem, serão alvo de investigação.

Assessoria de Comunicação Social